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terça-feira, 1 de setembro de 2026

54º Festival de Cinema de Gramado - Os Premiados

 

Em tempo, trazemos os vencedores do Festival de Cinema de Gramado deste ano. Afora a Mostra Assembleia Legislativa de Curtas-Metragens Gaúchos, a qual acompanhei de cabo a rabo como nos outros anos por conta da participação da Accirs com o Prêmio da Associação (Crítica), as outras mostras todas, por conta de compromissos que me fizeram deixar Gramado com o evento rolando, não foi possível acompanhar em suas totalidades. Algum longa nacional aqui, um documentário ali, um curta nacional acolá, mas ainda por assistir muita coisa.

O que não quer dizer que não devamos destacar aqui os premiados. E olha que tem coisa bem interessante, como o grande vencedor da noite, o mineiro “Nosso Segredo”, de Grace Passô, que além de Melhor Filme ainda levou outros dois Kikitos (Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte). Quem também se destacou foi “Feito Pipa”, do cearense Allan Deberton, diretor cujo longa de estreia, “Pacarrete”, de 2020, abocanhou os principais prêmios daquele ano em Gramado e foi literalmente ovacionado. Desta vez, seu bonito filme ficou com o que merecia: Melhor Longa-Metragem Brasileiro pelo Júri Popular, Diretor, Atriz (Teca Pereira) e Ator Coadjuvante (Lázaro Ramos), além de uma Menção Honrosa ao ator mirim para Yuri Gomes. O prêmio de Melhor Longa-Metragem Brasileiro pelo Júri da Crítica ficou com “Leite em Pó” (MG/SP/RN), de Carlos Segundo, que também venceu em Melhor Roteiro (Carlos Segundo e Rafael Copel) e Melhor Desenho de Som (Waldir Xavier).

Ainda em nível nacional (onde há anos não concorre nenhum filme gaúcho, há de se saber por que), o documentário premiado foi “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, da competente diretora Susanna Lira. A se ver por outros trabalhos dela (“Torre das Donzelas”, “Mussum, um Filme do Cacildis”, “Fernanda Young: Foge-me ao Controle”) é de se imaginar que, tratando justamente da efervescente vida e militância política do talentoso compositor carioca, tenha-se aí um filme realmente apreciável. Tanto que bateu um considerado nos corredores de Gramado como favorito: “O Projeto”, de Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic, que abriu a Mostra dedicada aos documentários e impressionou quem assistiu por seu roteiro, montagem e, principalmente, contundência na mensagem, que avalia e critica o colonialismo pelo mundo.

Vindo para o Rio Grande do Sul, além dos destaques entre os curtas-metragens, que tratei aqui em postagem anterior ao falar de “Grão” e “Banho Maria” (sem falar de "O Véu", "Coisa Ruim" e "Estátuas Também Morrem?" outros bons títulos da safra), teve também a Mostra Sedac/Iecine de Longas. Nesta, quem saiu com vários prêmios foi “A História mais Triste do Mundo”, de Hique Montanari, uma das duas ficções entre os cinco concorrentes, sendo os outros três documentários. E foi justamente um dos docs que se sagrou o principal agraciado do festival desse ano: “Filhas da Lua”, de Tatiana Sager, o qual ainda foi o escolhido do Júri Popular e da categoria de Melhor Montagem. Semelhante ao que comentei sobre Susanna, os antecedentes de Tatiana e seu parceiro Renato Dornelles ("Central", "Olha pra Elas") dão bons indicativos que se trata de uma obra, sim, merecedora dos reconhecimentos que levou.

Foi uma passagem rápida por Gramado, mas sempre satisfatória. Ano que vem tem mais e, quem sabe, para acompanhar do início ao fim como fiz em 2025. Fiquem, então, com a listagem dos premiados de Gramado em cada Mostra:  

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LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS

Melhor Filme: “Nosso Segredo”, de Grace Passô

Melhor Filme pelo Júri Popular: “Feito Pipa”, de Allan Deberton

Melhor Filme pelo Júri da Crítica: “Leite em Pó”, de Carlos Segundo

Melhor Direção: Allan Deberton por “Feito Pipa”

Melhor Atriz: Teca Pereira por “Feito Pipa”

Melhor Ator: José Loreto por “Chorão: Só os Loucos Sabem” e Christian Malheiros por “Justino: Nos Bastidores do Reino”

Menção Honrosa: Yuri Gomes por “Feito Pipa”

Menção Honrosa: Onna Silva por “Justino: Nos Bastidores do Reino”

Melhor Roteiro: Carlos Segundo e Rafael Copel por “Leite em Pó”

Melhor Fotografia: Wilssa Esser por “Nosso Segredo”

Melhor Ator Coadjuvante: Lázaro Ramos por “Feito Pipa”

Melhor Atriz Coadjuvante: Naruna Costa por “Pele de Rinoceronte”

Melhor Desenho de Som: Waldir Xavier por “Leite em Pó”

Melhor Trilha Musical: Otávio de Moraes por “Chorão: Só os Loucos Sabem”

Melhor Direção de Arte: Lucas Osório por “Nosso Segredo”

Melhor Montagem: André Finotti e José Eduardo Belmonte por “Justino: Nos Bastidores do Reino”

"Nosso Segredo", grande vencedor da edição 2026 do festival




CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS

Melhor Filme: “씨발 (Shibal)”

Melhor Direção: Wesley Gabriel Silva Santos por “Pão Doce”

Melhor Ator: Francisco Gaspar por “Pão Doce”

Melhor Atriz: Chris Couto por “Um Passeio”

Melhor Roteiro: Camila Tarifa por “Mulher Papaya”

Melhor Fotografia: Felipe Ovelha por “Pique-Pega”

Melhor Montagem: Gilson Costa e Thamires Coelho por “Divino: sua alma, sua lente”

Melhor Trilha Musical: Ângelo de Souza por “Graxa e o Zepelin”

Melhor Direção de Arte: Jackson Abacatu por “A menina que queria ser pedra”

Melhor Desenho de Som: Marcos Lopes por “Fúrias”

Melhor Filme pelo Júri da Crítica: “Mulher Papaya”, de Camila Tarifa

Prêmio Especial do Júri: “Revelação”, de Gabriela I. Gaia

Prêmio Canal Brasil de Curtas: “Revelação”, de Gabriela I. Gaia

Júri Popular: “Divino: sua alma, sua lente”, de Clea Torres e Gilson Costa, com codireção de Divino Tserewahú

O curta paulista "Shibal" sagrou-se o vencedor



LONGAS-METRAGENS DOCUMENTAIS

Melhor Longa-metragem Documentário: “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, de Susanna Lira

Menção Honrosa Documentário: “Empeleitada”

Documentário de Susanna Lira sobre Gonzaguinha:
destaque da mostra competitiva




LONGAS-METRAGENS GAÚCHOS (MOSTRA SEDAC/IECINE)

Melhor Longa-metragem Gaúcho: “Filhas da Lua”, de Tatiana Sager

Melhor Montagem: Gabriel Sager Rodrigues por “Filhas da Lua”

Melhor Direção: Hique Montanari por “A História Mais Triste do Mundo”

Melhor Roteiro: Hique Montanari por “A História Mais Triste do Mundo”

Melhor Ator: Arthur Seidel por “A História Mais Triste do Mundo”

Melhor Trilha Musical: João Vitor Costa Dias por “A História Mais Triste do Mundo”

Melhor Desenho de Som: Gabriela Bervian por “A História Mais Triste do Mundo”

Melhor Fotografia: Juarez Pavelak por “A História Mais Triste do Mundo”

Melhor Atriz: Áurea Baptista por “Remanente - Voltagem”

Melhor Direção de Arte: Tiago Retamal por “Remanente - Voltagem”

Júri Popular: “Filhas da Lua”, de Tatiana Sager


MOSTRA GAÚCHA DE CURTAS (PRÊMIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA)

Melhor Filme: “Grão”, de Gianluca Cozza e Leonardo Rosa

Melhor Ator: Leandro Gomes, por “Grão”

Melhor Atriz: Gaby Buffon, por “Elisete tem que casar!”

Melhor Direção: Gabriel Motta, por “O Véu”

Melhor Roteiro: Thais Fernandes, por “Estátuas também morrem?”

Melhor Fotografia: Lívia Pasqual, por “Drunken Car”

Melhor Montagem: Gabriela Kopp, por “Claudete”

Melhor Direção de Arte: Marco Arruda, por “Raidinalha”

Melhor Trilha Sonora/Melhor Música: Otávio Vassão, por “Grão”

Melhor Edição/Edição de Som: Fernando Efron, por “Raidinalha”

Melhor Produção Executiva: Allan Riggs e Guilherme Suman, por “Terra Bruta”

Melhor Figurino: Beatriz Pieratti, por “Drunken Car”

Menção Honrosa: “O Acumulador de Memórias”

Prêmio Accirs - Júri da Crítica: “Grão”

"Filhas da Lua", de Tatiana, doc sobre a vida de mulheres
que sobreviveram ao sistema prisional


HOMENAGENS ESPECIAIS

 Troféu Oscarito - Andréa Beltrão

Troféu Eduardo Abelin - Renata Almeida Magalhães

Kikito de Cristal - Selton Mello e Maria Fernanda Cândido

Troféu Cidade de Gramado - Marcos Caruso

Troféu Sirmar Antunes (Assembleia Legislativa) - Jorge Henrique Boca

Prêmio Iecine Destaque - Renato Dornelles e Tatiana Sager

Prêmio Iecine Inovação - Filipe Matzembacher e Marcio Reolon 

Prêmio Iecine Legado - Gisele Hiltl

Prêmio Leonardo Machado - Silvia Duarte


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Daniel Rodrigues

sábado, 29 de agosto de 2026

CLY LIVE Especial Clyblog 18 Anos - Madonna - "The Girlie Show World Tour" - Estádio Maracanã - Rio de Janeiro/RJ (1993)



Eu sempre fui uma criança cercada de música. Meu pai, músico de profissão, me deu o caminho numa casa sempre cheia de gente e saraus que varavam a madrugada em jam sessions com os amigos. Eu ouvia de tudo, de João Gilberto, paixão da minha mãe, até os progressivos, que meu pai amava.

Nesse meio-tempo, fui desenvolvendo meus gostos de criança. Muito Balão Mágico, os musicais infantis da Globo, "Arca de Noé", "Plunct Plact Zum"

E veio o Michael Jackson! Que loucura, me apaixonei por "Thriller".

Alguns anos depois, com 8 anos, tudo mudou. Eu ganhei da minha vó o "Like a Virgin", da Madonna. Ali comecei a entender o que nem tinha nome: o que era ser uma menina. "What It Feels Like for a Girl". Foi a estrutura de tudo que veio depois, de entender que a gente tinha lutas diferentes, que não seria fácil, mas que era bom, era possível, verdadeiro. Que eu também queria ser livre para ser o que eu quisesse.

Depois, aos 17, vi o primeiro show que ela fez no Brasil, no Maracanã. Meu pai me levou junto com um bonde de amigas adolescentes e, até hoje, é o show mais impactante da minha vida.

Quando começou a tocar "Erotica", e uma dançarina escorregava num pole dance gigante de peito de fora, e Madonna surgia com o cabelo curtíssimo e loiríssimo, com o chicote na mão, as coisas nunca mais foram as mesmas. Foi meu primeiro contato mais direto com um público majoritariamente LGBT. Pensei: “Acho que encontrei a minha galera”. E até hoje é assim: sou grata à Madonna por ter me ensinado o que era ser mulher e a ter orgulho de fazer parte de uma comunidade diversa, incrível, corajosa e abençoada. E sim, encontrei minha galera.


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Madonna apresentando "Erotica", 
na turnê "Girlie Show", em 1993

por  J O A N A   L E S S A


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MARIA JOANA LESSA 
é carioca, 
Flamenguista, 
Mangueirense 
e diretora de audiovisual

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Promoção ClyBlog 18 anos "1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou"

 


E o grande ganhador da promoção de 18 anos do ClyBlog, sorteando um exemplar do livro '1986 - O Ano Que o Rock Nacional Acertou", foi Raphael Lima, que deixou seu LIKE 💖no Instagram e garantiu o seu exemplar desse incrível livro que celebra o rock brasileiro dos anos 80 e que conta com a participação dos dois irmãos aqui do ClyBlog, Cly Reis e Daniel Rodrigues.

Parabéns, Raphael!

Entraremos em contato para as providências de envio.


Aos demais que participaram, muito obrigado por nos acompanharem.

É sempre muito bom ter vocês conosco.


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

CLAQUETE Especial Clyblog 18 Anos - "Uma Mulher sob Influência". de John Cassavetes (1974)


 

Um grupo de trabalhadores dentro da água ao entardecer, equipados com capacetes de obra e uniformes de borracha. Uma voz masculina grave ecoa, lírica, e é substituída por um piano melancólico que irá atravessar todo o filme, composição de Bo Harwood. A imagem quase documental serve de fundo para as letras que surgem, gigantes e azuis: "A Woman Under the Influence", que se traduz, literalmente, no título adotado no Brasil, "Uma Mulher sob Influência".

Chamou-me a atenção que um filme com esse título começasse em um cenário repleto de personagens masculinos, em um espaço de trabalho braçal. Entre os diversos fatores que fazem da obra de John Cassavetes algo genial está justamente esse deslocamento: o filme é sobre uma mulher, mas também é sobre o seu marido, sobre a vida cotidiana, sobre uma crise. Fala do universo feminino, mas tem a direção de um homem. Não se propõe a ser nada além do que é, dentro dos recursos limitados pelo baixo orçamento, com uma estética crua que lembra o cinema documental e uma história que poderia acontecer com uma familiar ou vizinha nossa.

Gena Rowlands, estrela do filme e esposa de Cassavetes, declarou que, após ler o roteiro pela primeira vez, “não conseguia acreditar que John tivesse escrito aquilo. Não quero parecer sexista, porque realmente não acredito que mulheres não possam escrever sobre homens e vice-versa. Mas eu realmente não conseguia acreditar que um homem pudesse compreender esse problema específico”. Gena via o marido distraído, aparentemente desatento ao que acontecia à sua volta em eventos sociais, a ponto de se surpreender com seu nível de atenção e sensibilidade aos conflitos humanos.

O ponto de partida do roteiro foi um pedido da própria Gena, que, depois de passar um tempo trabalhando no cinema e na televisão, sentia falta do palco. Queria interpretar uma personagem complexa, que dialogasse tanto com as dificuldades da mulher contemporânea quanto com as experiências das gerações anteriores. A peça escrita por Cassavetes, no entanto, era longa e exigente: Gena ponderou que não teria condições físicas e emocionais de interpretar Mabel noite após noite. Ainda que ele tenha trabalhado em outras possibilidades, como dividir a personagem de Mabel entre diversas atrizes, acabou transformando a peça de teatro em roteiro cinematográfico.

Mas quem teria interesse em financiar um filme sobre uma mulher de meia-idade enlouquecendo? Aliás, fontes da época revelam que os grandes estúdios recusaram o projeto porque “ninguém está interessado nos problemas das mulheres”. Diante das dificuldades de financiamento, Cassavetes e Rowlands colocaram sua segurança econômica em risco: hipotecaram a casa e recorreram a amigos e familiares. Peter Falk, ator que interpreta Nick, marido de Mabel no filme, foi decisivo. Gostou tanto do roteiro que investiu cerca de 500 mil dólares na produção, metade do orçamento estimado. Gena resumiria depois a experiência dizendo que eles não tinham dinheiro, mas tinham muitos amigos atores interessados no projeto, e todos ajudaram como puderam.

É interessante pensar que uma das grandes conclusões a que chegamos ao assistir a "Uma Mulher sob Influência" é que a família é realmente o berço de todas as neuroses. No entanto, o filme contou com grande apoio das famílias no elenco, na equipe, na garantia financeira e até mesmo como fonte de inspiração: Katherine Cassavetes, mãe de John, interpreta a mãe de Nick; Lady Rowlands, mãe de Gena, interpreta a mãe de Mabel.

Adentrando o filme, Nick é chefe de uma equipe de serviços públicos. Quando um cano de água estoura na cidade, ele telefona preocupado para sua esposa, Mabel. Eles têm três filhos pequenos — Tony, Angelo e Maria —, que ela já havia deixado aos cuidados da avó para que os dois pudessem passar a noite juntos e sozinhos. Quando Nick liga, já sabemos que a reação de Mabel pode ser ruim, e essa sensação de que algo terrível pode acontecer a qualquer momento permeia todo o filme. Momentos antes, Nick havia comentado com um colega de trabalho que Mabel “não é louca, é incomum”.

Sozinha, bêbada e entediada, Mabel caminha pela noite e chega a um bar, onde conhece o desajeitado Garson Cross. A interação é confusa: ela o trata como se já se conhecessem, em alguns momentos reclama do marido e, em outros, parece confundi-lo com Nick. Cross a leva para casa e a força a manter relações sexuais enquanto ela tenta, em vão, resistir. Na manhã seguinte, Mabel, desorientada, discute brevemente com Garson e o manda ir embora. A montagem nos confunde, pois, na sequência, Nick chega em casa com uma equipe inteira depois da noite de trabalho. Em um primeiro momento, temos a impressão de que marido e agressor se encontrarão, o que não ocorre.

Mabel prepara espaguete para todos, buscando ser uma boa anfitriã, e pergunta o nome de cada um, ainda que diversos deles já a conhecessem. A refeição é superficialmente agradável até Nick se irritar com Mabel, causando constrangimento em todos. Ela é calorosa com os convidados e parece não perceber quando está sendo inconveniente. Os amigos de Nick usam um telefonema como desculpa para sair às pressas dali.

O casal Cassavetes e Gena: roteiro escrito por ele para ela

O filme é muito hábil ao nos apresentar a vida cotidiana, o relacionamento de Nick e Mabel e a forma como ela cuida das crianças, criando uma imensa conexão entre os personagens e quem assiste. Mabel organiza um encontro entre seus filhos e outras crianças, mas o pai delas se incomoda com seu comportamento. A sequência em que Mabel dança ao som de "O Lago dos Cisnes" é uma das mais sensíveis do filme. Nela, nota-se a linha tênue entre sua tentativa de se relacionar com as crianças e uma espécie de alienação da realidade. Ela parece habitar um universo próprio e estar alheia ao que ocorre ao seu redor. Isso é resultado da construção harmoniosa de John Cassavetes, que filma em closes, movimentos fluídos de câmera na mão, dando a impressão de que tudo ali é real, e a incrível atuação de Gena Rowlands, que parece se transformar em outra pessoa.

Nick chega em casa com sua mãe, Margaret, e encontra todas as crianças seminuas, correndo descontroladamente, enquanto o pai das outras crianças, Jensen, tenta vesti-las. Nick dá um tapa em Mabel e começa uma briga com Jensen, furioso, mas Margaret os separa, e o homem vai embora com os filhos. Desesperado, Nick liga para o médico de Mabel, Dr. Zepp, para avaliar a saúde mental da esposa. Mabel fica agitada, principalmente com a presença da sogra, que a chama de má esposa e mãe inadequada enquanto Nick tenta acalmá-la. Ela se distancia cada vez mais da realidade e resiste violentamente quando o Dr. Zepp tenta aplicar uma injeção de sedativo. Convencido de que ela se tornou uma ameaça para si mesma e para os outros, o médico determina sua internação involuntária.

Abalado e incapaz de lidar com a ausência da esposa, Nick desconta sua raiva nos colegas de trabalho e leva os filhos à praia, tentando criar com eles um momento de conexão. Aqui estão alguns dos momentos mais marcantes do filme: na ausência de Mabel, Nick demonstra ser incapaz de cuidar das crianças, levando-as a uma praia fria e dando-lhes cerveja para “experimentarem”. Contudo, seu comportamento e sua sanidade não são questionados como os de Mabel.

Seis meses após a internação, Mabel retorna para casa. Nick prepara uma festa de boas-vindas e enche a casa de pessoas, mas logo todos percebem que aquele não é o momento para estarem ali e que a família precisa de privacidade. Toda a recepção de Mabel se torna constrangedora: insegura após o período de internação, ela não sabe como se comportar, enquanto o marido insiste para que todos ajam “normalmente”. Mabel parece estar pisando em ovos, cuidando de cada ação para poder rever os filhos. Todos parecem julgá-la e temem o que pode acontecer, mesmo quando seu pedido é razoável: quer que os convidados saiam para que possa ficar sozinha com a família. Memorável a cena em que Mabel pergunta ao seu pai se ele irá lhe dar suporte, e ele se levanta, como se compreendesse a frase de maneira literal. É como se fosse impossível para os outros entenderem Mabel.

Sozinha com Nick, a crise mental e a tensão aumentam. Mabel tenta se ferir e Nick reage com violência. As crianças procuram protegê-la e reafirmam seu amor pela mãe. Depois da crise, Mabel e Nick cuidam dos filhos, tratam o ferimento dela e arrumam silenciosamente a casa, retomando a rotina familiar.

O final é emblemático e possibilita diversas interpretações. Pode representar uma reconciliação, na qual os dois dão uma trégua aos conflitos, ocultam os vestígios da crise e tentam retornar à rotina. Mabel não está necessariamente recuperada, mas volta a desempenhar os papéis de dona de casa, mãe e esposa, dentro de uma realidade que lhe é imposta. Ao mesmo tempo, ela e Nick arrumam a casa juntos como quem deseja restabelecer a ordem das coisas, porque se amam e querem que tudo dê certo. Minha interpretação reúne um pouco de cada uma dessas possibilidades, mas parte, principalmente, da ideia de que a normalidade também é uma performance: os dois se esforçam para desempenhar os papéis que lhes foram impostos e manter a família funcionando. A influência a que o título se refere manifesta-se justamente nessas expectativas que determinam como Mabel deve agir, sentir e amar. Também aprisionam Nick em sua necessidade de controlar e preservar uma ideia de felicidade familiar.

No período em que começaram a pensar o filme, Cassavetes e Rowlands já viviam havia mais de uma década as pressões da parentalidade. Naquele momento, tinham em casa um adolescente, uma menina em idade escolar e uma criança de apenas dois anos. Permaneceram casados até a morte de Cassavetes, em 1989, totalizando cerca de 35 anos juntos. O filme, portanto, não nasceu no começo de uma paixão ou de uma colaboração recente. Foi feito por um casal que já atravessara quase duas décadas de vida em comum, três filhos, períodos de dificuldades financeiras e várias experiências cinematográficas compartilhadas.

Em determinados períodos do casamento, Cassavetes permaneceu em casa cuidando das crianças enquanto a esposa trabalhava como atriz. Penso que, ainda que tenha sido uma experiência temporária, a percepção da solidão, da repetição e do que significa doar seu tempo e sua vida a alguém também tenha ajudado a construir o roteiro.

Em uma entrevista, Cassavetes definiu a obra como um filme sobre pessoas lutando, vivendo, passando por dificuldades e humilhações. Sua ideia era discutir o quanto é preciso pagar pelo amor: “Eu sabia que o amor criava, ao mesmo tempo, um grande momento de beleza e, por outro lado, tornava você um prisioneiro”.


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trailer de "Uma Mulher sob Influência"




por
  K E L L Y   D E M O   C H R I S T


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KELLY DEMO CHRIST é crítica de cinema vinculada à ACCIRS – Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e Diretora de Comunicação do Clube de Cinema de Porto Alegre. É formada em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atua também nas áreas de fotografia e montagem audiovisual, com experiência em televisão, plataformas educacionais, redes sociais, publicidade e mídias digitais. Publica esporadicamente suas críticas no site Cinema de Porão.




COTIDIANAS nº905 Especial 18 anos do ClyBlog - O Conto Nunca Escrito *




Era um escritor que não conseguia escrever.
Não conseguia.
Uma crônica, um conto, uma página, um capítulo, um livro. Nada.
Inspiração, tema, criatividade, bloqueio? Vá lá saber. Não conseguia. E o pior é que seu editor, seu agente, a editora, todos estavam na sua cola. Não paravam de cobrar.
Sentia-se pressionado, angustiado, tenso. Resolveu sair para tomar um ar, respirar ar fresco. Talvez algo
o inspirasse. 
Saiu. Entrou em bares, conversou com bêbados, paquerou umas vadias, bebeu, jogou, brigou, rolou pelas sarjetas, vomitou e quando acordou pela manhã, sabe-se lá como, estava em casa, em sua cama.
Levantou-se, foi ao banheiro, deu uma boa mijada, pegou do criado-mudo uma garrafa de uísque quase vazia, sentou-se na beira da cama e, naquele momento, como que tocado por alguma coisa que não conseguia explicar, de repente sabia exatamente o que fazer. Foi para a frente da máquina de escrever e começou:
Era um escritor que não conseguia produzir nada. Não
conseguia escrever. Simplesmente não conseguia. Uma crônica, um conto, uma página, que fosse. Nada. Falta de inspiração, bloqueio? Sei lá. Não conseguia. E o pior é que seu editor estava na sua cola. Não parava de ligar. O tempo todo.
Sentia-se pressionado.
Mas não adiantava ficar ali parado diante da máquina de escrever. Tinha que fazer alguma coisa.
Resolveu que precisava tomar um ar, respirar ar fresco. Talvez algo o inspirasse, ainda que não acreditasse nessa frescura de “inspiração”.
Saiu. Era uma noite como outra qualquer, daquelas que não têm nada de especial. Nem muito vento, nem muito calor, nem muita gente na rua, nem muitas putas, nem muitos mendigos, nem muitas sirenes, nem nada. Entrou em alguns bares, conversou com um monte de gente, bebeu, deu em cima da mulher de um cara, brigou, bateu, apanhou, bebeu mais, foi jogado pra fora de um boteco, apagou, rolou pelas sarjetas e quando acordou pela manhã, sabe-se lá como, estava em casa, em sua cama todo sujo de vômito.
Levantou-se, foi ao banheiro, tirou a roupa imunda e tomou uma ducha. Depois de uma boa cagada, foi à cozinha e pegou uma cerveja. Sentou-se então na velha poltrona carcomida e esfarrapada e, como que
tocado por algo divino, teve certeza do que deveria fazer naquele instante. Sentou-se então em frente ao computador, mas quando ia começar a escrever, o telefone tocou. Diabos! Por certo devia ser ele. Aquele desgraçado. O editor.
Atendeu.
Não era.
Era Pam.
- Ei, gatão!
- Ei, baby.
- Liguei pra saber se você quer que eu vá até aí. A gente podia fazer um amorzinho gostoso.
- Bom, Pam, na verdade, eu ia começar a escrever agora.
- Mas você mesmo disse que não consegue escrever, tá com bloqueio, falta inspiração ou alguma frescura dessas.
- É, mas exatamente agora, quando parecia que eu ia conseguir, você ligou e me interrompeu.
- Quer dizer que eu só te atrapalho? - perguntou claramente irritada.
- Eu não falei isso...
- É, não falou mas quis dizer isso. Eu sei. - agora já aos gritos - É assim, eu sou um estorvo, uma pedra no seu caminho, um...
- Não é nada disso, baby. Na verdade você me faz muito bem.
Acho até que eu vou escrever melhor ainda depois de ver você.
- Você está falando sério? – quis confirmar, acalmando-se.
- Tô sim, tô.
- Eu posso ir aí, então?
- Claro, vem. Tô te esperando.
- Chego aí em quinze minutos – e desligou.
Droga! As coisas que um cara tem que fazer para não magoar as mulheres.
Não era apaixonado por Pam. Era uma garota legal. Tinha dessas paranoias de vez em quando de estar atrapalhando, de ser um problema para os outros e tal, mas tirando isso era boa gente. Gostava de sua companhia. Isso sem falar nos peitões. Que tetas! Grandes, fartas...
Mas era melhor parar de pensar nos peitos da Pam e retomar o trabalho. Aproveitaria que ela só deveria chegar dali a uns quinze, vinte minutos e, pelo menos, lançaria alguma coisa inicial, um esboço.
Mas e alguma ideia agora? Parecia que aquele momento de criatividade havia sido uma breve iluminação, uma espécie de brincadeira de Deus, se é que Deus existe.
Estava travado de novo. Odiava ser interrompido quando escrevia. Era como se as coisas, assim, puf!, se desvanecessem no ar. E aquela puta da Pam... Tinha que estragar tudo.
Bom, era reorganizar a mente e tentar recomeçar.
Tinha que produzir alguma coisa. Não era possível! O que o impedia? Vamos lá, é uma letra depois da outra, uma palavra depois da outra, uma frase, um parágrafo, uma página, vamos, vamos. Mas o quê?
Podia escrever sobre um escritor que não conseguia escrever, que saíra à noite pra respirar e conseguir inspiração mas acabara entrando em bares, enchendo a cara, se metendo em brigas e, quando se dava conta, acordava em casa pela manhã todo vomitado em sua cama. Aí o cara tomava um banho, dava uma cagada e de repente tinha aquele brilho pra escrever. Sentava então em frente ao papel em branco e quando ia começar o telefone tocava. Era sua namorada ou noiva ou amiga ou amante querendo saber se ele estava a fim de uma trepadinha. Ele até estava, mas a hora era imprópria. Argumentava para a garota que estava tentando escrever, que seu editor até já lhe ameaçara caso não entregasse alguma coisa e que a ligação quebrara sua concentração. Ela se sentiria desprezada, ofendida, discutiriam rapidamente e no fim das contas, para não magoá-la, ele aceitava que ela fosse ao seu encontro. Ela demoraria um pouco para chegar, o que seria tempo suficiente para o cara dar uma partida no trabalho, a não ser pelo fato de que a ligação e toda aquela interrupção o haviam feito perder a linha de raciocínio e voltar à estaca zero. O cara então tentava reorganizar as ideias, botar os pensamentos em ordem. Aí a campainha da porta tocava. Devia ser ela.
- Ei, seu safado! - foi o que escutou assim que abriu a porta sem ver quem era.
Era o editor.
- Oi, Tom.
- “Oi”? É tudo o que você tem pra me dizer? Você tá a fim de foder comigo? Sabe há quanto tempo eu estou esperando aquele seu material novo, sabe?
- É, um bocado de tempo, eu sei.
- E então?
- Eu estava meio... bloqueado, sem inspiração, sei lá.
- Inspiração? Inspiração? - aos gritos - Você deve estar de sacanagem comigo, só pode. Frescura, pura frescura é isso que essa palhaçada de inspiração é. Frescura.
- Tá bom, Tom, tá bom. Mas eu já tô fazendo alguma coisa.
Comecei alguma coisa hoje.
- Hoje? Só hoje que você foi começar? Você deve estar de brincadeira.
- Não, hoje é modo de dizer, faz alguns dias – argumentou, tentando acalmar o editor.
- E o que é? É coisa boa? - perguntou interessado.
- Acho que é bom, escuta só: era um escritor que não conseguia escrever nada. Tava com bloqueio, falta de inspiração ou alguma frescura dessas. O cara resolve sair pra tomar umas, ver gente, conversar, arranjar algum assunto pra escrever o livro dele. O cara vai de bar em bar, bebe pra caramba, arranja umas confusões, briga, apanha, apaga e acorda só no dia seguinte, em casa...
- Como é que ele vai para em casa? - interrompe o editor.
- Isso não interessa agora, Tom. Escuta. O cara acorda em casa na própria cama, todo vomitado e com o olho roxo. Ele vai ao banheiro, dá uma cagada, toma um banho, cuida do olho e de repente parece que toda aquela situação tinha despertado uma coisa nele.
- A porra da inspiração – interrompeu o editor novamente.
- É alguma coisa assim, mas não me interrompe, Tom. Eu perco a linha de raciocínio.
- Tá bom. Segue. Vamos ver onde essa coisa vai chegar.
- Bom,... onde é que eu estava mesmo?
- Na inspiração.
- Ah, é. A inspiração. Bom, aí quando o cara achava que ia conseguir escrever, botar as coisas no papel, o telefone tocava. Era a ex-mulher dele querendo saber se podia ir lá, na casa do cara, conversar.
- Conversar? Conversar? Conversar não vende. Faz a namorada, amiga, amante, sei lá, uma vadia qualquer ir na casa do cara foder com ele ou algo do tipo. Uma com tetas grandes. Os leitores adoram tetas grandes.
- Tá bom, pode ser – concordou o autor só para poder continuar a contar sua história – Então a tal mulher, essa peituda, queria dar uma passadinha lá pra dar uma trepada, uma chupada, que fosse, mas o
cara alegava que não era um bom momento, que estava tentando escrever e que pela primeira vez em muito tempo algo lhe vinha à mente.
- Esse escritor do teu livro era bicha?
- Não, ele só não queria perder o momento, o brilho, mas você vai me deixar contar ou não?
- Continua, continua. Vai.
- Ela ficava chateada achando que na verdade o cara nunca gostara dela mesmo e aquele drama que toda a mulher faz, aí o cara amolecia, pedia meia dúzia de desculpas da boca pra fora e concordava que
ela o visitasse. Como ela combinara chegar em quinze, vinte minutos, aproveitaria aquele tempo vazio pra dar uma adiantada no trabalho. Mas aí...
- Aí o que? - perguntou verdadeiramente curioso o editor.
- Puf! A ideia desaparecera. O telefonema, a discussão, os peitos, a interrupção o tinham feito perder o fio da meada. Perdera tudo.
- Não, não. Agora sim, você só pode estar querendo tirar sarro da minha cara. Você me faz ficar aqui te escutando, perdendo meu precioso tempo, fica horas nesse bla bla bla todo pra no fim o cara não ter ideia nenhuma?
- Calma, Tom, eu ainda estou desenvolvendo. Senta aí, senta – disse apontando para uma poltrona velha e desfiada – Quando você chegou eu estava exatamente na parte que o cara tenta botar a cachola em ordem de novo, tenta recuperar a ideia. Mas aí batem na porta.
- Quem é?
Ninguém responde.
Batem novamente. Mais forte. Com mais insistência. Não devia ser a Pat ainda, não havia se passado nem dez minutos desde que ligara. Devia ser o editor. Puta merda. O cara cobraria de novo aquele material e tudo o que tinha era uma ideia inicial, um esboço.
Supondo ser quem imaginara que fosse, com confiança, foi abrindo a porta, sem espiar quem era, e já dizendo:
- Ei, Theo, desculpe mas...
Não era o editor.
Parado no lado de fora, à soleira, estava um cara. Um cara enorme, um armário, um gorila de terno preto e óculos escuros. Um cara grande mesmo, de verdade.
- Posso ajudar? -perguntou o escritor com um misto de
curiosidade e desconfiança.
- Com certeza pode. – respondeu o grandalhão com um sorriso ameaçador no canto da boca.
- Você é...? - deixou a interrogação aberta para que fosse completada, no fundo, temendo pela resposta.
- Eu diria que sou seu anjo-da-guarda. - sorriu novamente e complementou - Fui enviado pra lhe trazer um pouco de inspiração.
E foi entrando empurrando o escritor para dentro de sua própria casa.
- Ei, calma aí! O que você acha que está fazendo?
- Só vim dar uma refrescadinha na sua memória pra você lembrar que tem um compromisso de entregar um livro. – disse o gorila erguendo o escritor pela camisa.
- Ei, ei...
- Mas não se preocupe, – como se sua frase seguinte pudesse tranquilizasse alguém – não vou machucar muito nem sua cabeça pra você poder pensar em alguma história, nem seus dedos pra você poder
datilografar.
E a última coisa que ouviu antes do soco foi:
- Com os cumprimentos de Theo D'Angelo.
Apagou.
Só acordou no dia seguinte em sua cama com o corpo todo dolorido e com um olho roxo.
Levantou-se com dificuldade, foi ao banheiro, jogou uma água na cara, olhou o próprio rosto no espelho e sorriu para o homem com olho roxo que o encarava. 
Pela primeira vez em meses sabia o que tinha que fazer. 
Foi à cozinha, pegou uma garrafa já aberta de vinho, um copo e tomou posto em frente à sua máquina datilográfica. O telefone tocou, tirou do gancho e deixou o fone sobre a mesa sem atender. Tocaram a campainha da porta, respondeu num grito, “Não estou”.
Colocou um papel em branco na sua Clark-Nova, deu um gole do vinho e, sem titubear, como se tudo tivesse estado o tempo inteiro dentro de sua cabeça, começou:
Era um escritor que não conseguia escrever...


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O Conto Nunca Escrito
Cly Reis
* conto inédito no ClyBlog, até então publicado apenas 
na antologia "Big Buka - Para Charles Bukowski", 
por conta de direitos de publicação

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Música da Cabeça - Programa #474

 

Quem disse que super-herói não existe?! Que o Homem-Aranha combatia os criminosos se sabia, mas que ele metia a porrada em supremacista branco é novidade! Enchendo a mão contra esse imbecis, o MDC veste sua fantasia e aciona os superpoderes de Rufus & Chaka Kahn, Nelson Sargento, The Velvet Underground, Marisa Monte e mais. O bloco especial, Cabeção, traz ainda a compositora e pianista mexicana Consuelo Velasquez. Cada vez mais fãs do Spider-Man, temos nosso programa hoje, 21h, na confrontadora Rádio Elétrica. Produção, apresentação e super-força: Daniel Rodrigues



www.radioeletrica.com