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sábado, 13 de dezembro de 2025

67º Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo - Melhor Reportagem Cultural a Daniel Rodrigues - Auditório da Farsul - Porto Alegre/RS (12/12/2025)


"Não por coincidência, o senso de justiça é parte crucial da história deste filho de Xangô com Oxum chamado Renato Dornelles. Jornalista, escritor e cineasta, Renatinho, como é conhecido entre colegas e amigos, aprendeu desde cedo que, como pessoa preta, precisava achar a sua forma vencer na vida."
Trecho da matéria do Jornal do Comércio vencedora do Prêmio ARI

E deu! 1º Lugar no Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo em Reportagem Cultural, concedido pela Associação Riograndense de Imprensa. Após minha conquista do Prêmio Açorianos de Literatura, em 2013, veio, mais de uma década depois, o reconhecimento àquilo que me é mais valioso enquanto fazer: o Jornalismo. 

Essa premiação representa a mim uma série de conquistas. Primeiro, pela qualidade dos finalistas com quem concorri, alguns deles, como o amigão Marcello Campos, e Juarez Fonseca, uma referência do Jornalismo Cultural no Brasil, caras de quem tenho os livros em casa e aprendo diariamente. Afora eles, também Ana Stobbe, do Jornal do Comércio, e Camila Bengo, de GZH, jovens jornalistas que merecem todo respeito.

Página inicial da matéria do JC
publicada em abril
Segundo, porque, como alguém do cinema, é uma enorme satisfação poder tratar desse assunto através da escrita. O Jornal do Comércio me abriu espaço este ano no caderno Viver para reportagens como esta, e ninguém menos simbólico pra isso como o objeto da minha matéria: o jornalista e cineasta Renato Dornelles. A matéria, intitulada "Das páginas policiais para as imagens do cinema", foi produzida em março e publicada em 17 de abril.

Sobre Renatinho, então, o terceiro e importante símbolo dessa vitória: trata-se de uma matéria de um jornalista preto sobre um outro jornalista preto cujas famílias, vindas do mesmo quilombo urbano (que hoje chamam de Rio BRANCO...), sustentam-se pela resistência e ancestralidade. Dividi essa alegria e orgulho, inclusive, com o ilustre presidente da ARI, José Maria Nunes, primeiro presidente preto da associação em nove décadas... Diz muito. 

A ARI, aliás, também merece um aparte: são 90 anos de instituição, criada, lá nos indos de 1935, por ninguém menos que Erico Verissimo, este totem da literatura e da cultura gaúcha e brasileira que, em 2025, completa 120 anos de nascimento e 50 de morte. Tudo muito simbólico, ainda mais num ano em que perdemos, justamente, seu ilustre filho, o genial Luis Fernando Verissimo. Fora isso, o Prêmio ARI em si, em sua 67ª edição, soube ser o mais longevo do Brasil - e não só no seguimento do Jornalismo, mas em todas as áreas!

Por fim, a conquista de alguém que se sente no seu lugar e premiado por seus pares: os jornalistas. A militância do repórter, reduzida por muitos anos, foi retomada por mim este ano a todo vapor pelas páginas do JC e... taí o resultado!

Fiquem, então, com alguns momentos desse feliz momento e a listagem de todos os premiados.

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Com o mestre Renato Dornelles celebrando o prêmio e nossa ancestralidade


Dividindo a felicidade preta com o atual presidente da ARI, José Maria Nunes


Selfie com a amiga - e também vencedora na categoria
Reportagem em TV - Isabel Ferrari


Presença preta no Prêmio ARI: colega de profissão e de ACCIRS
Chico Izidro com Renatinho e eu


Foto geral dos vencedores


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Troféu Reportagem Especial – FIERGS: RS Mais Forte”
"O Fim do Futuro" – Geórgia Santos e Filipe Speck (Vós)

Troféu ARI/Banrisul de Jornalismo Universitário
"Capital da Improvisação" – Cecília Filappi (UFRGS)

Categoria Profissional - Charge
1º Lugar : "Grande Sacada" – Gabriel Renner (Grupo Editorial Sinos)
2º Lugar: "Ponto de Vista" – Iotti (Fumetta.com)
3º Lugar: " Netanyahu” Elias Ramires (Jornal Grifo)
4º Lugar: “Enchente” Santiago (Revista Digital Grifo)
5º Lugar: A última ceia" – Iotti (Fumetta.com)

Categoria Profissional - Crônica
1º Lugar: "A noite em que cheguei sangrando no hospital" – Marcela Donini (Matinal)
2º Lugar: "Bons mestres não morrem" – Juliana Bublitz (Zero Hora e GZH)
3º Lugar: "O ano do mate" – Marcela Donini (Matinal)
4º Lugar: “Coisas do Coração” – Pedro Garcia (Diário Gaúcho)
5º Lugar: “ Só sei viver em esquinas” –  Vitor Necchi (Revista Parêntese/Matinal)

Categoria Profissional - Design Editorial
1º Lugar: "Novo projeto gráfico do Caderno GeraçãoE" – Gustavo Van Ondheusden (Jornal do Comércio)
2º Lugar: "Caderno Especial 130 Anos do Correio do Povo" – Pedro Dreher e Leandro Maciel (Correio do Povo)
3º Lugar: "Mapa Econômico do Rio Grande do Sul" – Gustavo Van Ondheusden (Jornal do Comércio)
4º Lugar:” Novo Projeto Gráfico do Correio do Povo – Pedro Dreher (Correio do Povo)
5º Lugar: Ilhota: símbolo da cultura negra de Porto Alegre e berço de figuras ilustres da dupla Gre-Nal – Carlos Garcia (Zero Hora e GZH)

Categoria Profissional - Documentário em Áudio
1º Lugar: "Coronéis do Futebol - A nova face do sistema" – Rodrigo Oliveira, Eduardo Gabardo e Rafael Lindemann (Rádio Gaúcha)
2º Lugar: "Quilombo - corredor do samba de Porto Alegre: ontem, hoje e sempre" – Alan Barcellos, Matheus Freitas da Rosa e Alexandre Leboutte da Fonseca (Rádio FM Cultura - 107,7)
3º Lugar: "Desabrigados: A vida e a esperança da população atingida pelas enchentes nos centros humanitários" – Fabrine Fiss Bartz (Grupo Bandeirantes)
4º Lugar: Cinco anos da Covid no RS – André Malinoski (Rádio Gaúcha)
5º Lugar: “Bioma Pampa: das raízes familiares à luta pela preservação” – Leno Falk (Agência Radioweb

Categoria Profissional - Documentário em Vídeo
1º Lugar: "Imprescindível Jair Krischke" – Milton Cougo, Marco Villalobos, Timóteo Santos Lopes e Daniele Alves (Chuva Filmes)
2º Lugar: "Huni Kuï - Povo Verdadeiro" – Renato Dornelles, Tatiana Sager e Gabriel Sager Rodrigues (Panda Filmes/Falange Produções)
3º Lugar: "RBS.Doc -1 ano da enchente" – Isabel Ferrari, Ariane Xavier Borba Jorej Nobre, Anderson Vargas, Mauricio Gasparetto e Caroline Berbick (RBS TV)
4º Lugar: “A Reconstrução” – Mariana Ferrari(RecordPlus / Record)
5º Lugar: “Darcy Fagundes: meu famoso pai desconhecido” – Luciane Fagundes (Produtora Século 21)

Categoria Profissional - Fotojornalismo
1º Lugar: "Superação do Trauma com Rodas que Transformam" – Ricardo Giusti Schuh Reif
2º Lugar: "Silêncio" – Itamar Aguiar (JÁ On Line)
3º Lugar: "A dor da mãe que perdeu a filha para o feminicídio" – Mateus Bruxel (Zero Hora)
4º Lugar: ” Cozinha Solidária exige passagem” – Jorge Leão – (Brasil de Fato)
5º Lugar: “O gato preto” – Duda Fortes (Zero Hora)

Categoria Profissional - Reportagem Cultural
1º Lugar: "Das páginas policiais para as imagens do cinema" – Daniel Rodrigues (Jornal do Comércio) 
2º Lugar: "Cruz Alta e Erico, entre o real e o imaginado" – Ana Stobbe (Jornal do Comércio)
3º Lugar: “Conheça a história de Nega Lu, ícone negro e LGBT+ que faz parte da memória coletiva de Porto Alegre” – Camila Bengo(GZH)
4º Lugar: “Cultura de Bandeja” – Marcello Campos (Jornal do Comércio)
5º Lugar:”Os 80 anos de Elis Regina” – Juarez Fonseca (Jornal do Comércio)

Categoria Profissional - Reportagem Econômica
1º Lugar: "Mapa Econômico RS" – Eduardo Torres, Ana Stobbe e Guilherme Kolling (Jornal do Comércio)
2º Lugar: "Trump quer transformar os EUA na maior ‘superpotência’ do bitcoin" – Marcus Meneghetti (Jornal do Comércio)
3º Lugar: "Passo Fundo tem ampla expansão imobiliária" – Ana Stobbe (Jornal do Comércio) 
4º Lugar: “Maior parte das empresas superou a enchente, mas quadro ainda traz desafios” – Karina Schuh Reif (Correio do Povo)
5º Lugar:” De peixe a café: bancas do Mercado Público se tornam indústrias e expandem negócios” – Guilherme Gonçalves (Zero Hora)

Categoria Profissional - Reportagem em Áudio
1º Lugar: "O Fim do Futuro" – Geórgia Santos e Filipe Speck (Vós)
2º Lugar: "Série Especial: Tragédia da Boate Kiss: memória, silêncio e impunidade" – Eduardo Covalesky (Grupo Radioweb)
3º Lugar: "Pequenos invisíveis: a cada 24 horas, sete crianças ou jovens sofreram maus-tratos no RS" – Kathlyn Moreira e Vicente Nolasco (Rádio Gaúcha)
4º Lugar:” Um maio depois: Histórias da enchente – Fabrine Fabrine Fiss Bartz (Grupo Bandeirantes)
5º Lugar:” Desatenção e hiperatividade: como é a vida de pessoas com TDAH?  - Renê Almeida (Agência Radioweb)

Categoria Profissional - Reportagem em Texto
1º Lugar: "Crianças órfãs de feminicídio : traumas, perdas e a luta por direitos" – Fabiana Reinholz (Brasil de Fato RS)
2º Lugar: "Evasão escolar pós-enchente" – Isabella Sander (Zero Hora)
3º Lugar: "Violência contra crianças e adolescentes cresce no RS e atinge níveis alarmantes, mostra levantamento" – Fabiana Reinholz (Brasil de Fato RS)
4º Lugar:” Crimes que marcaram o Rio Grande do Sul” – Deivison Ávila (Jornal do Comércio)
5º Lugar:” Violência no ambiente escolar: as lições para evitar o pior” – Ermilo Drews(Grupo Sinos)

Categoria Profissional - Reportagem em Vídeo
1º Lugar: "O drama da moradia provisória - um registro de 6 meses após a enchente" – Isabel Ferrari (Fantástico/Rede Globo)
2º Lugar: "JA Repórter: O sonho da moradia digna" – Mary Silva , Fayller Aprato, Felipe Toledo, Marco Matos, Bárbara Cezimbra, Ronaldo Sabin, Sid Rafael e Moisés Costa (RBS TV)
3º Lugar: "Artur: o menino cego que narrou futebol do estádio" – Kelly Teixeira da Costa, Bruno Halpern, Rafael Techera, William Ramos e Eduardo Ostermayer (RBS TV)
4º Lugar:” JA Repórter: caçadores promovem matança em área de preservação do RS – Vitor Rosa (RBS TV)
5º Lugar:” Corre RS: Histórias de Maratona – Eduardo Rachelle (RBS TV)

Categoria Profissional - Reportagem Esportiva
1º Lugar: "Por que as entrevistas sumiram do futebol?" – Victória Rodrigues e João Paulo Jobim Fontoura (Correio do Povo)
2º Lugar: "Como a internet mudou o cenário do futebol" – Carlos Correa (Correio do Povo)
3º Lugar: "Série especial 'Esporte Atrás das Grades'" – André R. Herzer (Zero Hora)
4º Lugar:” Nossa Voz 2024 –  Mariana Dionisio (RBS TV, ge.globo/rs, GZH, Zero Hora e Diário Gaúcho)
5º Lugar:” Acabou a Grandeza?!? – Fabrício Falkowski (Correio do Povo)

Categoria Profissional - Reportagem Nacional
1º Lugar: "Cortina de Vapor" – Pedro Nakamura (O Joio e o Trigo)
2º Lugar: "Tubarão ameaçado no prato" – Karla Mendes, Philip Jacobson, Kuang Keng Kuek Ser e Fernanda Wenzel (Mongabay Brasil)
3º Lugar: "As marcas do racismo na escola" – Iara Balduino, Paulo Leite, Rogerio Verçoza, André Pacheco, Sigmar Gonçalves, Carolina Oliveira, Patrícia Araújo, André Eustáquio, Márcio Stuckert, Alex Sakata, Caroline Ramos , Wagner Maia, Alexandre Souza, Dailton Matos, Edivan Viana , Rafael Calado e Thiago Pinto (TV Brasil)
4º Lugar:” A TECNOLOGIA USADA COMO INSTRUMENTO PARA FORTALECER A CULTURA DE UM POVO INDÍGENA DO ALTO XINGÚ EM MATO GROSDO” – Eunice Ramos (TV GLOBO / TVCA)
5º Lugar:” Perseguição institucional e distúrbios mentais: o efeito dos crimes sexuais nas forças policiais do país – Herculano Barreto Filho (Do UOL)

Categoria Universitária - Fotojornalismo
1º Lugar: "Capital da Improvisação" – Cecília Filappi (UFRGS)
2º Lugar: "Disposição para recomeçar" – Diogo Beltrão Duarte, Felipe Kramer Damian, Gabriel Vieira da Silva e Lorenzo Vieira de Castro (UFRGS)

Categoria Universitária - Projeto Especial em Jornalismo
1º Lugar: "5198: profissão prostituta" – Vittória Becker, Thayna Weissbach, Pedro Stahnke , Isadora Prigol e Gustavo Marchant (PUCRS)
2º Lugar: "Wacki Jacko: Uma análise da representação do cantor Michael Jackson nas matérias do jornal tabloide The Sun " – Renata Rosa (UFRGS)
3º Lugar Menção honrosa: “Bi-chas, trans e sapatões de Porto Alegre” – Vittória Becker, Thayna Weissbach e Alana Borges (PUCRS)
4º Lugar Menção honrosa :” O Papel do Jornalista no Resgate de Histórias Silenciadas: Uma análise da apuração de Christa Berger para a biografia
de Jurema Finamour”–  Ana Julia Zanotto(UFRGS)
5º Lugar Menção honrosa:'Show de Copa em Zero Hora': uma análise da cobertura do periódico da Copa do Mundo de 1970 – João Pedro Bernardes
( UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Áudio
1º Lugar: "Podcast Causa Mortis: Misoginia" – Maria Luiza Rocha, Amanda Steimetz Thiesen e Manuela Saudade Cassano (PUCRS)
2º Lugar : "O Preço da Sorte" – Felipe Kramer Damian, Lorenzo Vieira de Castro, Isabela Daudt e Diogo Beltrão Duarte (UFRGS)
3º Lugar Menção honrosa: "Comércio da Salvação" – Gabriel Magagnin Fernandes, Tainan Nunes, Roberta Kunt, Gabriela Dalmas, Sofia Utz,
Theo Castro e Jean Carlos (PUCRS)
4º Lugar Menção honrosa: Encurraladas - Histórias de mulheres jornalistas sobre violência de gênero – Laura Cunha( UniRitter)
5º Lugar Menção honrosa: Raízes que Resistem: Comunidades Quilombolas em Porto Alegre –  Amanda Schultz (UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Texto
1º Lugar: "Denúncia contra projeto do Zaffari expõe falhas no licenciamento ambiental em Porto Alegre" – Dener Pedro, Bárbara Cezimbra de Andrade e
Juliano Lannes de Oliveira (Unisinos)
2º Lugar: "Gerontologia ambiental traz alternativas para o envelhecimento seguro em meio às mudanças climáticas" – Francisco Avelino Conte (UFRGS)
3ºLugar Menção honrosa: "O que afasta os jovens do ensino superior? " – Rafaela Bobsin e Júlia Cristofoli Campos (UFRGS)
4º Lugar Menção honrosa: Tragédia sem rosto: quem eram as vítimas da Pousada Garoa? – Pedro Pereira (PUCRS)
5º Lugar Menção honrosa: Sobre viver no limbo –   Thomas Gregório (UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Vídeo
1º Lugar: "Os Centenários de Porto Alegre " – Arthur Reckziegel, Tânia Meinerz e Nathan Lemos (Unisinos)
2º Lugar: "Improviso e Resistência: A realidade das escolas indígenas gaúchas" – Fernanda Axelrud, Beatriz ,Antônio de Macedo Ferraz de Campos,
João Pedro Kovalezyk Bopp, André Jakubowski Zoratto, Ana Carolina Lorenzini e Nathalia Ferrari da Silveira (PUCRS)
3ºLugar Menção honrosa: "Vozes do Esporte" – Vitor Christofoli (UniRitter)
4º Lugar Menção honrosa: Direito à cidade: A luta por moradia em Porto Alegre – Luciana Weber (PUCRS)
5º Lugar Menção honrosa: Violência Policial no Rio Grande do Sul –  Nikelly de Souza (UFRGS)


texto: Daniel Rodrigues
fotos: Mariana Czamanski (ARI) e Isabel Ferrari

sábado, 27 de setembro de 2025

Exposição “Teatro Experimental do Negro nas fotografias de José Medeiros” - Instituto Tomie Ohtake - São Paulo/SP

 

São Paulo, entre as várias delícias culturais e gastronômicas que vivenciamos nos dias em que estivemos lá em junho, trouxe a mim especialmente uma aproximação com um tema o qual já venho perscrutando cada vez mais: a negritude. Afora passar horas percorrendo os corredores do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, extremamente ricos em obras e referências ao tema, outro espaço que fizemos questão de visitar foi o Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros, onde estava em cartaz a exposição “Teatro Experimental do Negro nas fotografias de José Medeiros”.

Projeto coletivo pioneiro iniciado em 1944 por Abdias Nascimento, o TEN foi criado para transformar, por meio do teatro, “as estruturas de dominação, opressão e exploração raciais implícitas na sociedade brasileira dominante”. Ativo e militante nos palcos até a década de 1960, o grupo desenvolveu obras de forte impacto, enfrentou o racismo e abriu caminhos para a formação e o reconhecimento de expoentes como Ruth de Souza e Léa Garcia.

A magnífica arquitetura interna do
Instituto recebendo a expo sobre o TEN 
A mostra, uma parceria do Instituto Tomie Ohtake e do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), trouxe fotos do consagrado fotógrafo José Medeiros, que ao longo de anos, produziu diversos registros fotográficos do grupo e presenteou Abdias Nascimento com um importante acervo onde convergem fotografia, teatro e engajamento. Com poses e enquadramentos modernos influenciados pela prática teatral, as fotos, imponentes, são um testamento do orgulho e da força do artista negro em uma época em que isso era uma ofensa.

Presenciar essa exposição fotográfica foi um reencontro. Primeiro, no que se refere ao Instituto Tomie Ohtake, o belíssimo prédio em homenagem à artista visual nipo-brasileira projetado pelo seu filho, o arquiteto Ruy Ohtake e o qual havia conhecido em 2010, em visita a São Paulo na companhia de minha mãe. Desta vez, a parceria foi de Leocádia, que pisava neste espaço cultural pela primeira vez como eu fazia há 15 anos. Hoje, é possível perceber que a programação do local conta com diversas atividades e parcerias que tocam na questão da negritude, seja por meio de cursos, debates, exposições, etc.

Mas o reencontro maior se deu, claro, pelo objeto da exposição: o TeatroExperimental do Negro. No curso sobre cinema negro que ministro, há cruzamentos que traço com o TEN, como a presença dos atores Aguinaldo Camargo e Ruth de Souza em um dos filmes clássicos dessa temática no Brasil, “Também Somos Irmãos”, de 1948, que bebe bastante na fonte da companhia teatral através do conceito de atuação e, mais que isso, no protagonismo dado a eles e à questão racial, bastante abafada àqueles idos.

Além de Ruth, Léa e Aguinaldo, já mencionadas, as fotos de Medeiros trazem outras figuras emblemáticas das artes cênicas pretas brasileiras, como Haroldo Costa, Marina Gonçalves, José Monteiro, Renée Ferreira e, claro, o próprio Abdias, descrito pelo Ipeafro como o mais completo intelectual e homem de cultura do mundo africano do século XX. Poeta, escritor, dramaturgo, artista visual e ativista pan-africanista, é ele quem mobiliza as ações do TEN, montando a pioneira peça “O imperador Jones”, em 1945, e diversas outras, como “Todos os Filhos de Deus têm Asas” (1946), “Auto da Noiva” (1947) e “Othello” (1949).

Abdias, a mente pro trás do TEN

Na sequência, alguns registros das fotos de José Medeiros, que carregam a força e a expressividade da arte preta brasileira nos palcos e nos seus arredores de coxias, camarins e ensaios. As fotos mesmo falam por si, tendo em vista que algumas foram tiradas em condições de iluminação precárias, mas que, mesmo assim, e com muita habilidade técnica do fotógrafo, existiram. Persistiram. Resistiram.

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Então, vamos à exposição!

 Ensaio da peça O filho pródigo, com Ruth de Souza, Abdias Nascimento, José Monteiro,
Aguinaldo Camargo, Marina Gonçalves e Roney da Silva

Impressionante foto de Aguinaldo Camargo em
elenco em impressionante cena de O imperador Jones

 Ruth de Souza e Ilena Teixeira na peça
"Todos os filhos de Deus têm asas"

Ruth novamente, em Othello, totalmente diva negra

Elenco masculino ensaiando a pioneira peça "O Imperador Jones", de 1945 

Abdias e Léa Garcia em cena: que dupla

Uma panorâmica pela exposição de 
José Medeiros sobreo TEN


Detalhe de cena com Aguinaldo Camargo e Fernando Araújo

A  Orquestra Afro-Brasileira, que mantinha parceria com o TEN

José Medeiros captou também o momento de pausa na aula de balé

O jovem Haroldo Costa

 Aula de alfabetização oferecida pelo TEN à comunidade
preta  dos anos 40. Revolucionário

Em "Filhos de santo", Addias contracena com Ruth (1949)

Retratos: Haroldo, Abdias, Ruth e Léa

Foto imperfeita tecnicamente, mas brilhante em expressividade

Outro pioneirismo do TEN: o jornal Quilombo,
publicação só sobre assuntos da negritude

A bela Renée Ferreira em "Aruanda", de 1948

Outra preciosidade de José Medeiros: Abdias
e Léa encenando Shakespeare



fotos e vídeo: Leocádia Costa, Daniel Rodrigues e Acervo Abdias Nascimento / Ipeafro

terça-feira, 23 de setembro de 2025

A potência transformadora do cinema em sala de aula*

 

Burnett: educação pelo cinema
O cinema é uma arte com enorme potencial transformador no ambiente escolar. Essa qualidade, se bem empregada, pode ser direcionada para o combate a um dos grandes problemas sociais da humanidade: o racismo.

Nos anos 1970, nos Estados Unidos, a Escola de Cinema da Universidade da Califórnia (UCLA) criou, em resposta à necessidade de reparação e inclusão da população negra no Ensino Superior e no setor audiovisual, um programa voltado a estudantes pretos e de onde saíram alguns dos mais celebrados cineastas da atualidade, como Spike Lee e Charles Burnett. Além de formar realizadores engajados na causa preta, o meio acadêmico-escolar oportunizou a eles o contato com diversas cinematografias capazes de lhes expandir conhecimentos e entender a si próprios como cidadãos e sociedade.

O exemplo da UCLA é emblemático quando se faz referência à formação humanista aliada à educação. Salvo tratar-se de uma instituição de Ensino Superior, o que a universidade norte-americana fez há aproximadamente 50 anos serve como amostra de que é possível, por meio de sessões direcionadas, mostras internas, formação de cineclubes, exibições especiais, entre outras alternativas, levar o cinema para dentro da sala de aula e fomentar o debate sobre temas urgentes como o preconceito racial.

Percebe-se, no entanto, um caminho pedagógico ainda pouco explorado por parte de instituições de ensino particulares no Rio Grande do Sul. A força de penetração e de estímulo à reflexão que a arte cinematográfica possui é sui generis, talvez a maior em termos de potencialidades diante de outras, como as artes visuais, a música, a dança e a literatura, visto que, em sua complexidade formal, encerra elementos de todas essas manifestações.

Há, no cinema nacional atual, importantes filmes que propõem um discurso antirracista, como “Marte Um”, “O Dia que te Conheci” e “Kasa Branca”, todos de realizadores negros. Mas não apenas: existem clássicos, acessíveis pelas plataformas de streaming, como “Também Somos Irmãos”, de 1948, e “Quilombo”, de 1984, que deveriam chegar ao público infantil e juvenil dadas as temáticas e abordagens das questões sociais e históricas do racismo no Brasil. Filmes que muito bem podem ser trabalhados junto aos alunos em atividades extra ou intracurriculares.

O clássico "Também Somos Irmãos",
pioneiro em tratar o racismo no cinema brasileiro

Há exemplos positivos no ensino particular gaúcho. Criado durante a pandemia, o Clube de Cinema do Colégio João XXIII, de Porto Alegre, começou totalmente virtual e depois avançou para encontros presenciais. Embora inativo no momento, o clube chegou a ter, em 2023, mais de 20 alunos do 5º ao 9° ano do Ensino Fundamental, numa dinâmica totalmente factível: os estudantes assistem ao filme em casa e, durante a aula, promovem um debate em meio a exibição de trechos.

Contudo, ainda é pouco. Criar acervos virtuais com títulos direcionados – com a devida consultoria de profissional da área – é, por exemplo, um caminho bastante viável a instituições particulares, que têm recursos para isso. No mais, a própria ida a uma sala de cinema com os alunos pode gerar saudáveis discussões e trabalhos de sala de aula a depender do tema tratado. E se esse tema for o racismo, o mais nocivo mal que a sociedade brasileira precisa extinguir, tão melhor.

*artigo originalmente publicado na revista eletrônica Educação em Pauta, do Sinepe-RS


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Daniel Rodrigues


terça-feira, 8 de julho de 2025

Claquete Especial Mês da Luta Antirracista - "A regra é o respeito"*

 

O competente e precursor De e seu Dogma Feijoada
Em 2000, o cineasta paulista Jeferson De, em colaboração com outros realizadores negros, lançava, durante o 11º Festival Internacional de Curtas de São Paulo, o chamado Dogma Feijoada, marco daquilo que se pode chamar de cinema negro brasileiro moderno. Embora a prática do audiovisual entre realizadores negros no Brasil se dê de muito antes, o movimento em si ainda parece bastante válido 25 anos após seu lançamento. De – que posteriormente prosseguiria contribuindo com a própria ideia de um cinema feito por negros com filmes como “Bróder”, de 2011, e “Doutor Gama”, de 2021 – apresentava um programa composto, além de outras atividades, pelo manifesto Gênese do Cinema Negro Brasileiro. Em referência ao Dogma 95, criado pelos cineastas europeus Thomas Vinterberg e Lars Von Trier cinco anos antes e que defendia a necessidade de produções mais realistas e menos comerciais, o Dogma Feijoada interrogava uma urgência histórica bem mais doméstica: “o que entendemos como cinema negro brasileiro?”

Dentre as diretrizes e exigências do manifesto, havia sete “regras” para a produção de um cinema negro: (1) o filme tem de ser dirigido por realizador negro brasileiro; (2) o protagonista deve ser negro; (3) a temática do filme tem de estar relacionada com a cultura negra brasileira; (4) o filme tem de ter um cronograma exequível. Filmes-urgentes; (5) personagens estereotipados negros (ou não) estão proibidos; (6) o roteiro deverá privilegiar o negro comum brasileiro; e (7) super-heróis ou bandidos deverão ser evitados.

Tal como devem ser os manifestos políticos, o Dogma Feijoada trouxe o tema à tona de forma abertamente impositiva. Não haveria de ser de outro jeito. Afinal, estava-se, naquele momento, virada do século 20 para o 21, resgatando não apenas uma fatia econômico-produtiva dentro de uma indústria há muito existente no Brasil. Mas, sim, estava-se, ao menos no setor audiovisual, recuperando séculos de total desumanização de um povo pela prática da escravidão e outros quase 120 anos de sequestro intencional e deliberado da mão de obra negra após a Lei Áurea, de 1888, e o projeto estatal de embranquecimento e substituição dos “ex-escravos” por imigrantes europeus brancos.

"Kasa Branca!, dos exemplos da nova safra do
cinema preto brasileiro
Passadas mais de duas décadas desde a provocação de De e sua turma, a boa notícia é que, sim: avançou-se de lá para cá em termos de produção negra no cinema nacional. Senão em todos, pelo menos em vários dos requisitos elencados. Quando a Dogma Feijoada foi parar no estômago do cinema brasileiro, algumas ações na direção de uma maior equidade de oportunidades e compensação histórica estavam sendo preparadas. No Senado Federal, consolidava-se, também em 2000, o Comitê Permanente pela Promoção da Igualdade de Gênero e Raça. Naquele mesmo ano, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovava uma lei que reservava metade das vagas das universidades estaduais para estudantes de escolas públicas, semente do que resultaria na exitosa Lei de Cotas, conhecida também como Lei 12.711, aprovada em 2012. 

A realidade do audiovisual brasileiro mudou bastante, principalmente a partir de então. Mas é fato que ainda insuficiente para dar conta da demanda reprimida da comunidade negra. Em 2024, a Cinemateca Negra realizou um levantamento inédito, que mapeou 1.104 filmes dirigidos por pessoas negras no Brasil desde a década de 1940. O estudo revelou que 83% dessa produção surgiu, justamente, entre 2010 e 2020. Contudo, essa parcela representa somente 10% dos filmes brasileiros lançados no mesmo período.

Hoje é possível se verem filmes como “O Dia que te Conheci”, de 2024, dirigido pelo cineasta negro André Novais Oliveira e realizado pela produtora mineira Filmes de Plástico, que privilegia em suas produções personagens negros da vida real, ou seja, longe de se passarem por “super-heróis ou bandidos”. A “urgência” se evidencia ao abordar o tema da depressão e das pressões da vida social, enquanto o item da “cultura negra”, outra exigência posta em manifesto, está inserido de forma naturalizada em seus protagonistas, que tentam existir na cidade com suas ancestralidades e bagagens pessoais.

O tocante "O Dia que te Conheci": cinema negro 
em essência e na prática

Outro título emblemático para o novo cinema brasileiro é “Marte Um”, de 2022, também da Filmes de Plástico, este, dirigido pelo igualmente cineasta negro Gabriel Martins. Ao natural, também atende a todos os predicados ditados pelo Dogma Feijoada: protagonismo negro atrás e na frente da tela, representação da vida de pessoas comuns, questões sociais imperiosas, quebra dos modelos preconcebidos, projeto exequível. E o mais importante: ambos são histórias bem contadas, humanas, tocantes, que aproximam tanto o público negro da tela quanto demonstra a realizadores afrodescendentes que, sim, “nós podemos” realizar um cinema honesto e de qualidade sobre as nossas coisas.

Bulbul, figura essencial para o
cinema negro no Brasil
Se “O Dia que te Conheci”, “Marte Um” e outros filmes da atualidade (como “Kasa Branca”, “Mussum - O Films” e “Othelo, O Grande”) representam o objetivo traçado anos atrás, é evidente que, para se chegar a tal estágio, muito se precisou caminhar. Precursores do cinema negro brasileiro, como Cajado Filho e Haroldo Costa, tiveram em Zózimo Bulbul, Adélia Sampaio, Odilon Lopes e Joel Zito Araújo, principalmente, a consolidação de um cinema preto no Brasil. 

No entanto, o que pareceu escapar à ambição momentânea do grupo do Dogma Feijoada é um dos gargalos do cinema nacional atualmente: como distribuir e onde exibir tais produções? Como fazer esse cinema tão importante para a autoidentificação de um país chegar ao público de interesse? Numa busca na internet por alguns títulos nacionais que tratam das questões do negro, como “Todos Somos Irmãos” (1949) ou “Quilombo” (1984), é possível encontrá-los disponíveis no Youtube. Porém, vários outros, principalmente os mais recentes, somente nos streamings – e de forma paga. 

Com salas de cinema cada vez mais escassas, iniciativas como a 1ª Mostra de Cinema Negro na Escola, que ocorre até dia 11 na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, são louváveis. Com sessões gratuitas e uma seleção de filmes negros brasileiros, a iniciativa irá exibir filmes com temática afro-brasileira para estudantes e professores de 50 escolas estaduais e municipais da capital e da região metropolitana, atingindo cerca de cinco mil alunos e docentes.

Em um mês marcado por várias datas de combate ao racismo (Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, 3, Dia Internacional Nelson Mandela, 18, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, 25), é fundamental que iniciativas e programas públicos como este fomentem a exibição de produções pretas como forma de ampliar o acesso ao que realizadores negros têm a dizer e ao que os olhares (sejam pretos ou não) têm a enxergar. Aproximar o público daquilo que lhe interessa e pertence. A visibilidade das histórias e contribuições da comunidade negra deve proporcionar um espaço de reflexão e diálogo, tão fundamental a uma sociedade democrática que se pretende igualitária. E sem que se precise enumerar regras para isso, como a bem pouco tempo. Oxalá a única regra seja ditada por apenas uma sentença: respeito. 

*artigo originalmente publicado no Segundo Caderno do jornal Correio do Povo em 27 de junho de 2025


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Daniel Rodrigues


sexta-feira, 4 de outubro de 2024

"Othelo, O Grande", de Lucas H. Rossi dos Santos (2024)



Othelo, o ainda maior

Uma das características emblemáticas das personagens criadas por William Shakespeare é a profundidade existencial. Há sempre nelas uma série de sentimentos que lhes podem ser associados e, não raro, mais de um ao mesmo tempo. Inveja, rancor, ciúme, ganância, torpor, vaidade, estoicismo, insegurança, euforia, culpa. E quanto mais se leem as obras do autor inglês, mais se identificam essências do comportamento humano, como se nunca chegasse a decifrar a complexidade e a grandiosidade dessas personagens.

Não é por acaso que o maior ator brasileiro de todos os tempos tenha recebido, ainda na infância, quando começava a revelar seu talento nos palcos, uma alcunha referente a um personagem shakespeariano: Othelo. Afinal, para minimamente dimensionar o tamanho simbólico deste pequeno mineiro de extenso nome Sebastião Bernardes de Souza Prata para a arte brasileira é justo associá-lo a um personagem tão fascinante quanto controverso e cuja personalidade ainda é uma esfinge a ser decifrada mesmo 4 séculos após a estreia da peça original. 

Curiosamente, o documentário “Othelo, O Grande”, de Lucas H. Rossi dos Santos, espelha a mesma contradição: um grande filme, mas insuficiente para dar a ideia da grandiosidade de seu protagonista. Mas como classificar de "grande filme" se este aparentemente falha em expressar com inteireza exatamente o objetivo analisado? A resposta está no próprio "objeto" analisado, Grande Othelo.

A opção narrativa do filme concentra todas as explicações, das quais decorrem o que é bom e o que não é tanto assim. Construído em forma de autodepoimentos, o documentário se vale de diversas e muito bem pesquisadas entrevistas, vídeos e fotos do múltiplo Grande Othelo, ator, comediante, cantor, poeta, compositor, produtor e entrevistador. Diante do que se propõe a narrar, o material, aliás, dá conta muito bem. A começar pela impactante sequência inicial em que se escuta a voz do ator falando de si mesmo numa entrevista para o Museu da Imagem e do Som enquanto, num outro registro, este, visual, ele, à vontade no sofá de casa, mira com olhar penetrante a câmera, que o foca em zoom até fechar em seu rosto sob o som de um samba enfezado. A junção de tempos de cada material e o "descompasso" entre o que se fala e o que se cala expressam muito bem uma das ideias centrais de “Othelo, O Grande”: a dificuldade de inserção de um homem negro e fora dos padrões excludentes da sociedade em uma nação jovem e preconceituosa. Mas também, metaforicamente, acaba por simbolizar uma fragilidade do filme.

Olhar forte e penetrante do maior ator do Brasil na sequência inicial do filme

Com uma edição impecável, capaz de interligar ideias distintas da cosmologia do ator e imprimir um ritmo muito interessante à narrativa, visto que convidativo à observação e à reflexão, o filme acerta ao trazer a voz na primeira pessoa, recuperando falas de Grande Othelo como as que ele rememora a infância, a primeira experiência com a Companhia Negra de Revistas, nos anos 20, a vez em que contracenou com Josephine Baker e a admiração que despertou em Orson Welles. As falas também são contundentes, como as que reclama abertamente do racismo que sofreu, da falta de oportunidades na carreira e de ver seu talento relegado. É revelador ouvi-lo dizer, em certo momento, que a Atlântida, estúdio de cinema responsável pelo sucesso das chanchadas dos anos 40/50, tinha dois símbolos: o chafariz, que estampa sua logo, e... Oscarito. Piada, só que não. Qualquer um que minimamente conheça as comédias "teatro de revista" desta fase do cinema brasileiro se refere à dupla indistintamente como a cara da Atlântida. Na hora de assinar os contratos, no entanto, não era bem assim, visto que o ator negro entre os dois era menos valorizado.

Há uma certa melancolia e até sisudez na forma como a figura de Grande Othelo aparece, contrapondo a imagem cômica que o Brasil guardou dele do cinema ou da TV. Essa quebra ideológica, proposital e perfeitamente aceitável, abre porta, contudo, para um dos aspectos em que o filme peca, que ė não ter explorado tudo que seu protagonista ofereceu em vida. As entrevistas que Grande Othelo conduziu na TV, espaço desejado por todos os artistas da época, e as esquetes humorísticas na Globo nos anos 60 (quando batizou Antônio Carlos Bernardes Gomes de Mussum) não são visitados. Igualmente, as novelas em que brilhou, como “Feijão Maravilha” e “Uma Rosa com Amor”. Também, o lado não só sambista, mas de poeta ou o envolvimento com o comunismo, visto que mantinha amizade próxima com Luís Carlos Prestes. Aspectos que não são mencionados e que ajudariam bastante a dar maior consistência ao teor "não-satírico" proposto.

Na história da dramaturgia brasileira, a percepção de Grande Othelo mais como ator e não apenas "escada" para outros começa a mudar na segunda fase do Cinema Novo, nos anos 60. Ele relembra que foi Joaquim Pedro de Andrade que o fez, já veterano, renascer no tropicalista "Macunaíma", de 1969, uma analogia com a clássica cena do parto inicial do filme – muito bem aproveitada, aliás, sob esta perspectiva simbólica no documentário. A montagem em que faz passar da cena de Macunaíma no rio para a de “Fitzcarraldo” é digna de aplauso. Porém, novamente o diretor parece ter se preocupado em não exagerar na exemplificação da magnitude de seu protagonista. "Barão Othelo e o Barato dos Milhões", a comédia non-sense escrita especialmente por Miguel Borges para o ator em 1971, é restringida a poucas cenas ilustrativas e sem maiores créditos.

Cena de "Quilombo": ausente no filme
Outro aspecto sobre Grande Othelo ausente no filme salta aos olhos de quem se acostumou a vê-lo no cinema brasileiro dos últimos 50 anos. Sua participação em obras marcantes da cinematografia nacional, por menor que fosse, sempre teve o poder de abrilhantá-las. Poder, aliás, que atores experientes e com considerável bagagem atingem a partir de determinada fase da carreira, como Jack Nicholson em “Questão de Honra” ou Marlon Bando em "Apocalipse Now". O filme não esquece de ressaltar esse fator ao resgatar muito bem a ponta de Grande Othelo em "Fitzcarraldo", a grande produção de Werner Herzog filmada na Amazônia brasileira em 1982. No entanto, haveria mais. Othelo, quando em cena, redimensiona com sua atuação filmes como "Quilombo", em que faz o sábio Baba, "Natal da Portela" (Seu Napoleão) e "Lúcio Flávio - O Passageiro da Agonia" (Dondinho). O filme, portanto, poderia ter trazido essa percepção exaltadora à figura de Grande Othelo, tão consciente na cultura norte-americana, dona da indústria cinematográfica mais pujante do mundo, e talvez muito pouco clara em terras tupiniquins.

Essa contradição, aliás, é desculpada até certo ponto em razão de refletir a própria vida de Grande Othelo, um artista subaproveitado. Fosse nos Estados Unidos, os diretores se estapeariam para colocá-lo em seus projetos. A se ver por Brando, cuja idolatria em seu país se assemelha a de Othelo no Brasil, não faltaram produções em que tenha protagonizado até que, por motivos próprios, se distanciasse das telas. Grande Othelo, pelo contrário, nunca o volume de convites acompanhou o reconhecimento popular. Até nisso o doc de Santos acerta indiretamente: não explora a totalidade da obra de um homem que não a teve em vida explorada em sua totalidade.

Mesmo com tudo isso, “Othelo, O Grande” é, sem dúvida, dos melhores documentários produzidos no país neste século. Excelentes edição, roteiro e condução. Entretanto, tal como o general mouro de Veneza, o Othelo do Brasil teria muito mais othelos para serem revelados, principalmente em um filme cujo título propõe, justamente, a dar a ideia do quão magnânimo é o seu homenageado. A sensação é que, mal comparando, ocorre com "Othelo,  O Grande" o mesmo que "O Palhaço" (Selton Mello): um ótimo filme que, por detalhe, perdeu a chance de ser uma obra-prima. Num documentário biográfico, não que seja obrigatório incluir tudo sobre o pesquisado, mas a impressão que fica é de que havia mais a ser dito e para conseguir amarrar tudo a seu jeito, preferiu-se omitir algumas coisas. 

O êxito da obra, embora essas lacunas, deve-se, claro, à competência de quem o dirigiu, capaz de lhe dar coesão e coerência discursiva ao que se propôs, mas também ao próprio personagem. Mesmo inexplorado, Grande Othelo garante ao espectador, principalmente, o brasileiro, o orgulho de também pertencer à mesma terra. Como falou o cineasta, professor e filósofo Dodô Oliveira: “Grande Othelo vive em mim”. Uma grandeza maior até do que aquilo que se silencia.

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trailer de "Othelo, O Grande"


"Othelo, O Gtrande"
Direção: Lucas H. Rossi dos Santos
Gênero: Documentário
Duração: 83 min.
Ano: 2024
País: Brasil
Onde encontrar: Cinemas


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Daniel Rodrigues

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Copa do Mundo Gilberto Gil - classificados da segunda fase


Eis os classificados na segunda fase, que avançam no nosso pequeno certame futebolístico-musical.
Rapai..., a coisa foi braba nessa segunda fase! Nossos julgadores tiveram enorme dificuldade e alguns nomes grandes, potenciais candidatos, ficaram pelo caminho: "A Paz", "Se eu quiser falar com Deus", "Barracos", Ê, povo, ê", "Parabolicamará", "Extra", foram algumas das "camisetas pesadas" que deram tchau para a competição.  
E quer saber? 
Vai piorar. 
Ou melhorar, dependendo do ponto de vista. 
A partir de agora, a coisa afunila mesmo, e só as fortes sobreviverão. 
Aguardemos para ver. Aguardemos.
Confere aí, abaixo, quem avança na competição:






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resultados de Leocádia Costa


La Renaissence Africane 2x3 Ilê Ayê
O jogo virou e favoreceu esse hino que ecoa ancestralidade por todos os poros. Vitória justa!


Copo Vazio 1x3 Marginália 2
A poesia profética e cortante de Torquato Neto arrasou a canção cheia de lirismo. Sem chance de reação.


O Som da Pessoa 3x2 O Eterno Deus Mu Dança!
A disputa foi acirrada, mas “O Som da Pessoa” é pura poesia. E esse violão, minha gente!!! Agitou a galera!


Filhos de Gandhi 4x0 Ê, Povo, Ê
A canção que arrasta milhares de pessoas quando esse bloco sai em Salvador emociona demais. Essa música é “Filhos de Gandhi”. Clássico é clássico!


Three Little Birds 3x0 Ela
Bob Marley na voz de Gil é mágico. É como Garrincha jogando com Pelé, sabe? Essa canção é uma das minhas prediletas. Me sinto voando quando a escuto.


Panis et Circenses 3x2 Refavela
Jogo difícil, porque ambas são muito representativas, timaços em campo. Dessa vez fico com a lendária “Panis et Circenses”, que migrou para outros intérpretes e continua intacta, eterna.


Serafim 1x 3 Sítio do Pica-Pau Amarelo
O jogo foi fácil, porque o emocional atingiu a concentração dos competidores. Primeira infância emplacando os corações.


Oriente 3x0 Chuck Berry Fields Forever
A magistral canção que cresce quando executada não deu espaço e ganhou de lavada do adversário.

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resultados de Kaká Reis


Flora 1x0 Joao Sabino
Essa disputa já chegou de forma bem desafiante! Joao Sabino era até então desconhecida por mim, porém de uma enorme genialidade. Mesmo assim, nessa disputa. Flora vence por 1x0.

Esotérico 5x0 Norte da Saudade
Nem bem o juiz apitou e Esotérico meteu 5 bolas na rede! Essa é quase imbatível!

Punk da Periferia 1x3 Domingo no Parque
Complicou o meio de campo! O jogo abre com Domingo No Parque abrindo vantagem. Punk da Periferia consegue emplacar um gol, mas antes do final do 2º templo, Domingo no Parque fecha o Placar em 3x1. É muita música!!!!

Amarra o teu arado a uma estrela 1x0 Cores Vivas
Mais um confronto com uma “inédita” pra mim. Dessa vez, dificílimo julgamento da juiza! Rs. E acreditem se quiser, nessa disputa, conseguiu cravar 1x0 em Cores Vivas, ganhando a disputa.


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resultados de Joana Lessa


Drão 3x2 Barracos
Num clássico como esse, a disputa é apertada. Drão veio metendo 2, até que Barracos encostou. Mas no final deu Drão.


Lamento sertanejo 1x2 Andar com Fé
Placar apertado, mas pode se dizer que Andar Com Fé ganhou com uma certa tranquilidade.


Zumbi 5x2 Batmacumba
Zumbi já chegou goleando, mesmo com uma pequena reação de Batmacumba


Cinema Novo 1x3 Vitrines
Vitrines levou com facilidade. Já era superior antes mesmo de entrar em campo.


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resultados de Rodrigo Dutra


Lugar Comum 0x2 Maracatu Atômico
Ah, eu amo Lugar Comum por ser a cara de Donato, mas “Maracatu Atômico” é de Jorge Mautner e lembro como a versão de Chico Science definiu o Mangue Beat nos anos 90. “Manamaê ô!”


Quilombo, o Eldorado Negro 0x1 Aquele Abraço
“Aquele Abraço” pros quilombos. A música que Gil fez pra se despedir do Brasil é uma das favoritas ao título. Alô, Alô ClyBlog, olha o breque!


Queremos Saber 1x2222 Expresso 2222
Uma pena “Queremos Saber” enfrentar esse verdadeiro trem de ferro que é a magnífica “Expresso 2222”. É o retorno de Gil pro Brasil, é o olhar pro futuro, além do balanço forrozeiro único. Goleada absurda!


Procissão 0x0 Palco (2x3)
“Palco” ganha nos pênaltis, porque “Procissão”, embora seja pura poesia e tenha ouvido tanto na vida, não atinge o grau festeiro, oitentista, sagrado e popular de “Palco”, trilha até de Chiquititas.


Parabolicamará 2x4 Tempo Rei
Sou noveleiro, mas tenho que reverenciar a Coroa. “Tempo Rei” ganha com autoridade oitentista. Clássica!


Back in Bahia 1x0 Geleia Geral
Essa faço chorando, porque “Geleia Geral” é tão legal! Torquato Neto, Tropicália, Pindorama, a mistura regurgitofágica desses anos de ouro. Mas “Back in Bahia” é mais poderosa, em melodia e significado.


A Paz 4x5 Toda Menina Baiana
Outra parada duríssima. Queremos paz para nuestro pueblo, mas as meninas baianas imperfeitas se sobressaem. Foi um placar acirrado que Deus deu.


Kaya N'gan Daya 2x0 Nêga
“Nêga” caiu no ritmo contagiante da tribo fumacê jamaicana e perdeu o jogo. Trench Town ganhou de Londres.


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resultados de Daniel Rodrigues


Pai e Mãe 0x3 Refazenda 
Clássico Regional! Jogo de clubes (músicas) do mesmo lugar (disco). Mas é mais ou menos Inter x São José, Flamengo x Ameriquinha ou Atlético Mineiro x América Mineiro, sabe? Por mais que “Pai e Mãe” tenha bons momentos, emocionantes até, não tem como competir com “Refazenda”, que impõe seu esquema, refazendo tudo. Time que tem paciência de ver amadurecer o gol. Sabes ao que estou me referindo, né? O tempo demora a trazer o gol, mas, sem desistir, “Refazenda” chega ao primeiro e depois a bonança veio ao natural. Com tranquilidade, “Refazenda” fecha com uma quase goleada de 3 x 0.


Extra 0x1 Realce 
Reggae versus disco music. Seriedade versus alegria. Reflexão versus espontaneidade. Quem sai vencedor neste duelo de opostos? “Realce” se vale de seu futebol propositivo, sem medo de ser feliz, enquanto “Extra” tem um esquema bem pensado, que sabe onde quer chegar. Mas “Realce” não desespera, pois quando vai pro ataque fere a tal ponto que nenhum mágico interferirá. Tanto foi que, de repente, brilhou: “Realce” marca ali pela metade do primeiro tempo aquele que seria o gol da vitória. Apertada, mas suficiente para lhe colocar na próxima fase da Copa Gil. E a organizada LGBTQIA+ na arquibancada vai à loucura!


Super-Homem (A Canção) 2x1 Tradição 
Outro clássico de músicas irmãs. Os dois se sentem em casa. Mas “Super-Homem” entra em campo com uma vantagem, pois é ela que antecede justamente “Tradição” no disco e tem a função de lhe “passar a bola”. Só que ela devolve a bola no círculo central, porque conseguiu abrir o placar. Mas não tem jogo perdido! É o tipo da partida que tem emoção até o fim. “Tradição”, como o nome diz, tem uma camiseta pesada e muito recurso de gingado e empata. No segundo tempo, segue a igualdade: a emotividade de “Super-Homem” e a qualidade amadiana de “Tradição”. Até que, mudando como um Deus o curso da história, o super-homem veio restituir sua canção à glória, que marca no finazinho (ali quando Gil dá aquele agudo lindo: “Por causa da mulheeeer...”) e esta grande partida se encerra assim: 2 x 1 para “Super-Homem (a canção)”


Essa é pra tocar no rádio 0x1 São João Xangô Menino 
Jogo disputado, com muitas oportunidades de cada lado, chances de gol, bola na trave, gol anulado e... nada de sair do zero. Times bem parelhos: “São João” com status de Doce Bárbaros e “Essa...”, que já entra em campo desta vez não com a formação de “Refavela”, mas a de “Gil & Jorge”, ou seja, com um futebol mais malandro, ousado, pautado no “dibre”. Mas ninguém resiste àquele refrão móvel de “São João”, ainda mais naquele em que tasca várias referências a discos de Caetano, Gil, Gal e Bethânia (“Viva Refazenda/ Viva Dominguinhos/ Viva qualquer coisa/ Gal canta Caymmi/ Pássaro proibido”). Partida resolvida no detalhe, “São João” marca o seu e solta foguete pra comemorar. 1 x 0, placar final.


Meio de Campo 0x1 Raça Humana 
Outra parada dura. “Meio de Campo” se vale do privilégio de ser das poucas músicas de Gil com referência ao futebol, o que já a põe em vantagem. Outro fator importante: música pra voz de Elis Regina. Ou seja, daquelas de respeito. Só que ela, naquela filosofia “Eu não sou Pelé nem nada, se muito for eu sou um Tostão”, atacava, atacava, e nada de sair do zero. “Fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão”, falou o técnico já irritado. E como camiseta não ganha jogo e não adianta manter o jogo só no meio de campo, a adversária, com leitura cirúrgica do fator humano, riscou, rabiscou e pintou um golaço na meta defendida pelo goleiro que joga na seleção. “Entrou com bola e tudo!”, disse o narrador. E foi assim que a partida se resolveu: com um belo gol, construído com trabalho de Deus. 1 x 0 “Raça Humana”.


Haiti 1x0 Se eu quiser falar com Deus 
Pedreira num jogo de iguais, mesmo que de épocas diferentes. A diferença de 12 anos a mais não fez com que “Se eu...” se intimidasse com o vigor da adversária e abre o placar. Mas “Haiti” não se assusta com a reza brava da adversária e reage em seguida, empatando. A partir daí o jogo fica encroado, nervoso, com os dois times se respeitando. Foi então que, numa distração de “Se eu...”, a ousada “Haiti” aproveita uma escapada pela ponta, na hora do rap de Gil (“111 presos, mas presos são quase todos pretos...”) e define: 1 x 0. “Haiti”, que não veio pra brincadeira nessa Copa, tira uma das fortes candidatas. Mas futebol é isso, e a torcida canta: “O Haiti é aqui!”


Cálice 2x0 Tenho Sede 
“Tenho Sede” é daquelas músicas tão bonitas que lhe cabe com precisão o termo “terna”. Só que pra jogar um torneio tão disputado tem que estar com a condição física em dia. “Cálice”, agressiva e com time bem posicionado (tendendo, muitas vezes, a fazer suas jogadas pela esquerda, obviamente), vale-se que a adversária cansou um pouco, precisava se hidratar, e aproveita essa queda de rendimento para forçar o jogo. Depois de uma tabelinha entre Gil e aquele atacante contratado do Politheama fã de Canhoteiro, o Chico, mete na rede. Na comemoração, dedinho em riste no lábio mandando recado pra torcida adversária: “Cale-se!”. Com mais um pra decretar o placar final, “Cálice” faz 2 x 0 e fecha a conta.


Só quero um xodó 0x1 Barato Total
Sabe aquele time que tem um futebol bonito, que todos gostam de ver, e que tem carisma junto ao público? “Só quero um xodó” é assim. Parceria Gil e Dominguinhos não poderia dar noutra coisa, né? Mas o problema é que ela pegou pela frente a potente “Barato Total”. Música de muitos recursos (rítmicos, timbrísticos, harmônicos, vocais), que entra em campo com aquela aparente displicência, cantando “lalalá”, mas, no fundo, tá superligada na partida. A aposta é no futebol alegre, afinal, quando a gente 'tá contente, nem pensar que está contente a gente quer: a gente quer, a gente quer, a gente quer é fazer gol, claro! Vitória simples de 1 x 0, que poderia ter sido 2 ou 3 se “Barato...” não se esquecesse de vez em quando do seu compromisso de ganhar a partida.


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CLASSIFICADOS PARA A TERCEIRA FASE:
Drão
Andar com Fé
Zumbi
Vitrines
Barato Total
Cálice
Haiti
Raça Humana
São João Xangô Menino
Super-Homem (A Canção)
Realce
Refazenda
Kaya N'gan Daya
Toda Menina Baiana
Back in Bahia
Tempo Rei
Palco
Expresso 2222
Maracatu Atômico
Aquele Abraço
Flora 
Esotérico
Amarra o teu arado a uma estrela
Domingo no Parque
Oriente
Sítio do Pica-Pau amarelo
Panis et Circences
Ilê Ayê
Marginália 2
O Som da Pessoa
Filhos de Gandhi
Three Little Birds



Agora, tem novo sorteio, e nos próximos dias, 
divulgaremos os confrontos da nova fase da Copa Gil.