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E eu não estava só. Juntamente comigo e Lincon, estiveram: Carl Marx (sim, eu debati com Carl Marx!), estudante de filosofia na UFRGS e militante do CNAB; Danusa Alhandra, militante da União Brasileira de Mulheres (UBM-RS) e da União Nacional de Negros e Negras (UNEGRO-RS); Eduardo Fortes, professor, quilombista, presidente da ONG UmBUNTU e vereador suplente em Alvorada; e Nicolas Marques, presidente da União Gaúcha dos Estudantes (UGES) e militante da Juventude Pátria Livre.
Todos falaram sobre o filme a partir de suas percepções e vivências, o que certamente gerou um conteúdo rico para a gurizada que participou. De minha parte, comentei brevemente sobre a realização de “Quilombo” e seu contexto dentro da cinematografia negra do cinema brasileiro e a de seu realizador, o cineasta alagoano Cacá Diegues (1940-2025). Também expus minha admiração sobre a obra, talvez o grande épico do cinema nacional, e a importância de trazer à tela heróis negros até muito pouco tempo desvalorizados e invisibilizados na História oficial do país.
No filme, que se passa no Nordeste brasileiro do século 17, diversos escravos fogem e se unem para formar o Quilombo dos Palmares, no interior de Alagoas, aproveitando-se da fraqueza do governo colonial, que enfrenta a invasão holandesa. Sob o comando de Ganga Zumba - e depois de Zumbi -, o quilombo prospera e os ex-escravos tornam-se uma força militar e comercial poderosa, ameaçando o domínio dos colonizadores e a autoridade real. Logo, as forças da ordem se mobilizam para liquidar com os afro-brasileiros rebeldes numa guerra sangrenta que se estenderá por muitos anos. Quilombo dos Palmares existiu/resistiu por cerca de 1 século.
Mais sobre “Quilombo” teria para falar, assim como na ocasião para os alunos da Campos Verdes, a quem expus apenas parte do possível e o mínimo para uma fala que interessante, uma vez que outras vozes trariam a eles outras contribuições. Não coube, por exemplo, mencionar a maravilhosa trilha sonora do filme, feita especialmente por Gilberto Gil em parceria com Wally Salomão. Ao final, já saindo da escola, um dos alunos passou por mim e agradeceu pela oportunidade. Considerei um ótimo retorno, tendo em vista que, se já é cada vez mais difícil as pessoas dizerem alguma coisa, quanto mais adolescentes, que são mais fechados, tímidos ou absorvidos pelos seus próprios mundos. Ademais, nunca se sabe de fato o que as pessoas acharam, mesmo com os protocolares aplausos ao final... Independentemente disso, a oportunidade em si foi única e a iniciativa do CDDC louvável. Por mais atividades culturais e cinematográficas assim para os jovens das nossas periferias.
Confira nas fotos um pouquinho de como foi:
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| Lincon fazendo a abertura |
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| Eu falando um pouco sobre o filme e a obra de Cacá Diegues |
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| Quilombo ao fundo corroborando comigo |
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| A vez de Danusa Alhandra conversar com a galera |
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| O quilombista Eduardo Fortes atraindo as atenções |
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| A numerosa turma do Campos Velho presente |
Por falar em clássico, foi assim que iniciaram a apresentação: emendando nada menos que três de seus maiores sucessos: “Entra Nessa”, “Ana Banana” e “Identidade Zero”. Ufa! Um começo arrasador.. Porém, de certa forma parece que Charles Master, Márcio Petracco, Tchê Gomes, João Maldonado, Fábio Ly, Paulo Arcari e Felipe Jotz gastaram metade da pólvora antes do primeiro quarto de batalha. Não que depois tenha necessariamente decaído ao tocaram músicas menos conhecidas ou tão aclamadas, mas o som mal equalizado (que embolava os sons e dificultava que se entendesse aquilo que já não se sabe de cor), somado à longa duração do show inteiro, deu um certo cansaço.
Mas tudo bem, afinal, show de rock de verdade passa por cima de som ruim ou algum equívoco de repertório, e o público compareceu mesmo para vê-los tocar as músicas que uma geração inteira de gaúchos cresceu ouvindo nas rádios. Caso de “Irmã do Dr. Robert” e “Oh Deby”, esta última, assim como as três citadas do começo do show, composições de autoria de Flávio Basso (ou Júpiter Maçã ou Jupiter Apple). Aliás, ou eu não entendi pelo som embolado das falas entre as músicas ou ninguém mencionou Flávio, que, convenhamos, é o arquiteto da T.N.T., a cabeça mais criativa não só da banda, mas de todo o rock gaúcho em todos os tempos. Estranho...
Além do disco de estreia, teve também coisas das outras fases, como os hits “Não Sei” (“Não sei se eu tô certo ou se eu tô errado/ Mas faço tudo o que eu digo e digo tudo que eu faço”), “Não Vai Mais Sorrir (Pra Mim)” (ambas de “TNT nº 2”, de 1988 e já sem Flávio na formação), “Noite Vem, Noite Vai” e “Quem Procura Acha”, duas do terceiro álbum de estúdio da T.N.T., de 1991. O público gostou.
O hit "Não Sei" com sua melodia a la "Sweet Jane"
Rolou ainda uma participação da Orquestra Rosariense, que não acrescentou muito, na verdade. Tanto que a banda tocou, no bis, exatamente as músicas que haviam rearranjado para as cordas, “Muito Cuidado” e “Nunca Mais Voltar”. Mais para o final, teve outra consagrada, “Cachorro Louco”, desses rocks imbatíveis, dos melhores do BRock anos 80. Para encerrar, “O Mundo É Maior Que o Teu Quarto”, da Cowboys Espirituais, uma das corruptelas da T.N.T. assim como a Tenente Cascavel e a Cascavelletes. Baita música, regravada por gente como Barão Vermelho, mas que, por não terem dosado melhor a narrativa do show e gastado as melhores lá no início, talvez não fosse a mais indicada para encerrar.
Mas, de novo, tudo bem! A noite foi para celebrar o bom e velho rock ‘h’ roll, o que a T.N.T. representa no mais alto grau. Deixa pra lá a acústica ruim, o andamento do repertório. O negócio foi “entrar nessa” e “dançar um rock ‘n’ roll”. Foi o que fizemos - e foi legal.
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| Começa o show da lendária T.N.T. |
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| Acompanhando a letra no telão de "Entra Nessa",clássico do rock gaúcho |
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| Repertório do primeiro e dos outros discos da banda compuseram o show |
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| Mais clássicos |
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| Tocando "Nunca Mais Voltar", das preferidas da galera |
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| Estes dois roqueiros felizes por ver a T.N.T. celebrando os 40 anos de sua estreia |
Num desses dias, o passeio começou de manhã pela orla da
Beira-Mar Norte, um dos cartões-postais de Floripa, com suas pistas para
circulação e prática de esportes por toda extensão, banhado pelo mar represado
entre a ilha e o continente, assim como a icônica ponte Hercílio Luz, que liga
os dois pedaços de terra que compõem a capital catarinense.
Capital esta, um dia chamada de Nossa Senhora do Desterro,
cheia de história, constituída ao longo de 4.500 anos pelas nativas e dizimadas
tribos indígenas Kaingang, Xokleng e Guarani; os escravos negros, vindos principalmente de Moçambique, na África Austral; o
papel desbravador dos oportunistas exploradores Bandeirantes, os açorianos ocupantes e as
figuras históricas catarinenses, tal Anita Garibaldi, Nereu Ramos, Othon da
Gama Lobo d’Eça e o já mencionado Hercílio Luz, engenheiro e político. Parte
disso pudemos ter contato na exposição permanente Museu de Cidade, presente no
Museu de Florianópolis, hoje comandado pelo Sesc SC e que fica num prédio
histórico do Centro, o qual já serviu de Casa de Câmara e Cadeia
Municipal.
Antes, contudo, entre o passeio na Beira-Mar Norte e um
almoço no Shopping Beira-Mar, mais deriva pelas ruas da cidade, que lembram por
vezes Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo, até chegar no Marcado Público,
patrimônio histórico e cultural de Floripa. Dele, tinha vaga e prazerosa
lembrança de quando fui, há uns 20 anos, a qual se confirmou como num deja vu.
Aquele clima de mercado público de metrópole, com suas bancas de souvenires,
artesanato, comidas típicas, gentes e movimentação. Nem pestanejo em dizer que
a melhor comida da viagem foram os sanduíches da banca Paradinha do Fernando,
um pãozinho francês tostado com recheio de omelete com calabresa e outro de bolinho
de carne. Uma atração turística, que se soma à simpatia e o bom atendimento do próprio
Fernando e de sua equipe.
Teve também uma passada na loja de artesanato da Casa da Alfândega,
outro prédio histórico, ao lado do Mercado, um dos pontos iniciais da cidade. Pertencente
ao IPHAN e Inaugurado em 1876, em uma cerimônia que coincidiu com o aniversário
da princesa Isabel, ali, onde hoje se celebra a arte dos artistas indígenas,
sambaquis e nativos da ilha, um dia foi o principal centro alfandegário de Florianópolis,
até o fechamento do porto, em 1964. Um dia, ali se comercializou de um tudo,
que chegava à ilha como mercadoria pelas embarcações. Inclusive escravos.
Essa Florianópolis mais evidente e ao mesmo tempo mais
profunda carrega no seu sol e no calor ameno muita energia, guardada naquelas
construções históricas, naquelas calçadas pedregosas e na complexidade da
intersobrevivência, que se enxerga em quem está vivo +e em quem não está – mas
um dia esteve. Como é, por sinal, todas as cidades históricas.
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| Cena matinal na Beira-Mar Norte |
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| Eu amando Floripa |
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| Mais da manhã ensolarada na Orla de Florianópolis |
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| Detalhe das pedras |
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| O mar e o Continente ao fundo |
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| Barcos |
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| Uma das antigas estações de bombeamento desativadas, mas cujos prédios são patrimônio histórico |
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| Foto de dia anterior com o Mercado Público, ao fundo, e a Casa da Alfândega, em seu tom amarelo característico |
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| Os cachorros do Centro |
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| Movimento interno do Mercado Público |
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| Encontramos Roberto Carlos cantando e lucrando uns trocados no Largo da Alfândega |
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| Loja dentro do prédio histórico Casa da Alfândega |
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| A Bruxa, presente no folclore da Ilha, controlando da porta quem entra em quem sai |
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| Instrumentos dos sambaquis no Museu da Cidade |
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| Fotos de escravos vindos de Moçambique para a Desterro colonial |
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| Esta dupla terminando seu passeio pelo Centro de Floripa |
Com um repertório muito bem montado, que inicia com sucessos, passa por momentos de surpresas, homenagens, sessões livres e termina com as "mais mais" e direito a bis, Corey Glover (vocais, e que vocais!), Vernon Reid (guitarra, gênio!), Doug Wimbish (tocando baixo como se não estivesse fazendo nada difícil) e Will Calhoun (bateria, certamente dos melhores do instrumento) não apenas executam os números: eles brincam de tocar. A construção harmônica e o arranjo das competições favorece a que eles, exímios instrumentistas, improvisem o tempo todo, transformando também as músicas constantemente.
A entrada dos quatro no palco foi triunfal ao som do tema do filme "O Império Contra-ataca", de John Williams, uma sacada bastante sarcástica vindo de um grupo que "contra-atacou" o "império" branco da indústria pop. A abertura, então, foi com "Leave it Alone", do disco “Stain”, de 1993. Prejudicados nos primeiros números em razão da qualidade do som, quando mal se ouvia a voz potente de Glover e a guitarra de Reid era um zunido só, eles fizeram na sequência "Middle Man" e uma magnífica versão, mesmo mal equalizada, de "Memories Can't Wait", da Talking Heads, gravada por eles, assim como a anterior, em "Vivid", de 1988. Até em reggae eles transformaram a música num trecho! Mas o que manda mesmo é a guitarra intensa e melodiosa de Reid, assim como ele faria em muitas outras a seguir.
"Ignorant is Bliss", em que parece que Mr. Dinamite sujou de guitarras pesadas seu groove, e o heavy-metal possante de "Go Away" vieram antes da ótima "Bi", suingada e com toda aquela atmosfera jazzística em cima de um rock vibrante. A altamente variante "Funny Vibe", cuja bateria de Calhoun é que dita o ritmo, indo do hardcore ao funk e ao jazz em poucos compassos, ainda é incrementada com "Fight The Power", dos seus ídolos Public Enemy.
A essas alturas, já com o som ajeitado na mesa de áudio, um dos momentos especiais do show: quando tocam "Hallelujah", de John Cale, só no vocal de Glover e a guitarra de Reid, fazendo suscitar os cânticos de louvor da tradição gospel que está na veia dos rapazes da LC. Lembrei muito de Mahalia Jackson emocionando a multidão quando cantava “Precious Lord, Take My Hand”, para se ter ideia da potência do que seu viu/ouviu no Opinião. Depois, colada, a clássica "Open Letter (to a Landlord)", ao mesmo tempo uma música de protesto e denúncia do racismo e uma oração. A cara da banda. Olha: isso é que é saber compor um setlist!
Mas tinha mais! A pedrada "Pride", um de seus maiores sucessos, levantou ainda mais a galera, composta basicamente de fãs da banda e do Metal. E as improvisações, mesmo em músicas consagradas, impressionantemente nunca param de acontecer. Está no jeito de eles tocarem, de sentirem a própria música. Mas essa liberdade de inventar na hora não quer dizer faça com que o quarteto se perca ou que desvirtuem os próprios temas. Experientes, sabem quando "criar" mais e quando dar apenas "cores livres". Afinal, estamos falando de música preta, de descendentes do improviso do jazz e do blues. Dava para ouvir, em certos momentos, a influência direta do free jazz spiritual de John Coltrane, principalmente em se tratado de Reid. Verdade é que a LC é talvez a única power band em atividade, aquela classificação de grupo em que todos, sem exceção, são grandes músicos.
Pois até a "cozinha" brilhou. Calhoun fez todos ficarem embasbacados com seu solo de bateria e na conjugação com a música “Baianá”, do conjunto brasileiro Barbatuques. Empunhando aquelas baquetas junto com Calhoun, estavam, certamente, Elvin Jones com sua africanidade, John Bonham com sua intensidade, Steve Gadd com sua habilidade, Art Blakey com sua capacidade de criar ritmo. Pouco depois, foi a vez de Wimbish, chamando o público pra cantar e dançar, comandar o palco cantando um medley de três clássicos do hip-hop da Grandmaster Flash & The Furious Five, "White Lines", "Apache" e um dos maiores hits da era break, "The Massage". Demais!
O final do show foi uma sequência de tirar o fôlego, começando com "Glamour Boys", cuja guitarra suingada do riff explode em distorção no refrão cantado pela plateia toda ("I ain't no glamour boy (I'm fierce!)/ I ain't no glamour boy (wow!)"); o blues matador "Love Rears It's Ugly Head", o maior sucesso da LC e cujo clipe gastou de tanto rodar na MTV no início dos anos 90; e a paulada "Type", outro clássico absoluto deles e do rock pesado de todos os tempos. Refrãozasso: "We are the children of concrete and steel/ This is the place where the truth is concealed/ This is the time when the lie is revealed/ Everything is possible, but nothing is real". E Reid, hein?! O que é Vernon Reid tocando?! Ele é por si um show. Definitivamente um dos deuses da guitarra. Contemporâneo de Steve Vai e Joe Satriani, de quem guarda semelhanças no jeito de tocar, Reid é um guitar hero em atividade e que exercita seu estilo não só em solos inventivos (e que não são cansativamente extensos como fazem a maioria dos virtuoses), mas também na maneira de compor. Tanto quanto seus companheiros, vê-lo ao vivo no palco é algo realmente memorável.
Mas, gente: ainda tinha mais, acreditem. O hardcore "Time's Up", que dá nome ao celebrado segundo disco da LC, de 1990, emendou-se com outra de "Vivid", "What's Your Favorite Color?". E, para "encerrar", nada mais nada menos que "Cult of Personality", seguramente um dos 10 maiores riffs do rock dos últimos 40 anos, que foi entoada por todo o pessoal em êxtase que lotava o Opinião. É muito heavy, mas também é muito jazz, principalmente por suas quebras de ritmo, variações de escala e andamento e, claro, a habilidade dos rapazes de improvisar.
Digo "encerrar" assim, entre aspas, porque ainda rolou, como disse no início, bis. E foi primeiro com a calmaria da gostosa "Solace of You" - que em muito lembra a mistura de reggae e ritmos do Caribe de "Alagados", da Paralamas do Sucesso, de alguns anos antes - para, enfim, terminarem com outra de suas covers emblemáticas: a punk "Should I Stay or Should I Go", da The Clash.
Foram só pedradas, só clássicos, que fez lembrar a primeira apresentação da banda no Brasil, no Hollywood Rock de 1992, quando ainda muito jovens, e que não só assisti ao vivo pela TV na época como gravei em K7 e por anos meu irmão e eu escutamos aquele memorável show. Agora, mais maduros, Glover, Reid, Wimbish e Calhoun continuam a tocar o que talvez à época nem tenha me dado conta com tamanha clareza: a de que se trata do mais alto nível de rock que se possa imaginar. O rock melodioso, tocado com alma e, por que não, também barulhento. Um rock negro, tal qual foi criado, há quase 80 anos. Como diz aquela canção, "Lobão tem razão". Às vezes, tem.
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| Quarteto norte-americano no palco do Opinião |
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| Reid, Glover com seus deads e Wimbish com Calhoun ao fundo |
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| Músicos da mais alta qualidade em uma apresentação histórica Momento emocionante - e pulsante - com "Open Letter (to a Landlord)". Louvação e protesto |
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| Clima de festa dos "metaleiros" com as mãos chifradas pra cima |
Celebrando os 40 anos de carreira, o supergrupo (afinal, como se não bastasse, não é apenas Vernon o craque da banda formada por Corey Glover, nos vocais, Muzz Skillings, no baixo, e Will Calhoun, bateria, todos igualmente exímios) se apresentará no próximo dia 26 no Bar Opinião, casa símbolo de rock na capital gaúcha.