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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Os filmes favoritos de todos os tempos (segundo os amigos de Facebook)


"Laranja Mecânica", um dos mais admirados pelos facebookers
Rolam seguidamente aquelas brincadeiras pelas redes sociais convidando as pessoas a escolherem várias coisas de suas preferências, mas nem todas “pegam”. Ou seja, não conseguem mobilizar de fato. O tema “cinema”, entretanto, parece ser capaz de provocar o saudável compartilhamento. Recentemente, a emoção e as memórias afetivas que os filmes despertam foram capazes de envolver vários participantes a cumprirem o seguinte desafio: listar os seus dez filmes favoritos de todos os tempos, um por dia, postando-lhe no Facebook somente uma imagem, sem necessidade de explicação e ainda convidando outra pessoa a cada dia para fazer o mesmo.

O que se viu durante umas duas ou três semanas foi uma gostosa chuva de posts de amigos – e amigos de amigos – a cada filme revelado, a cada imagem descoberta ou não a que obra pertencia, a cada gosto partilhado, a cada surpresa pelo filme escolhido. Esta matéria, assim, traz a listagem de alguns desses facebookers de vários lugares e ocupações, que toparam o desafio de revelar suas preferências cinematográficas e, além disso, a difícil tarefa de escolher APENAS uma dezena. Num mar de filmes marcantes e adorados, selecionar apenas alguns poucos exige esforço. Mas um esforço bom, haja vista que o exercício fez com que se perscrutassem os íntimos à procura daquilo que realmente faz sentido em termos de 7ª Arte. Aqueles filmes que se levaria para uma ilha deserta.

O carisma de Jerry Lewis o fez aparecer mais de uma vez
Uma amostra do resultado desse desafio está aqui. Para tanto, reproduzimos as escolhas, além das de meu irmão e minhas, editores do blog, dos amigos Carolina Costa, Cleiton Echeveste, Diego Marcon, Iris Borges, Leocádia Costa, Pamela Bueno, Paulo Coelho Nunes, Rachel Bins e Simone Hill, que tiveram a persistência de completar o pedido e a quem agradecemos por nos autorizarem a publicação. Entre os títulos, há coincidências, inesperados e outros bem subjetivos. “Fahrenheit 451”, “Laranja Mecânica” e o original de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” foram os campeões em menções, com três delas. Surpreenderam títulos como as comédias “Sessão da Tarde” “Bancando a Ama Seca” e “Goonies”, com duas menções, igual a “Alien”, “Billy Elliot”, “O Sacrifício”, “Bohemian Rhapsody”, “Fellini 8 e ½” e “Blade Runner”. Em compensação, títulos consagrados, como “O Poderoso Chefão”, “Touro Indomável”, “Crepúsculo dos Deuses” e “O Bebê de Rosemery”, seguidamente inseridos em listas oficiais dos melhores filmes de todos os tempos, dignificaram suas tradições com uma menção apenas.

Tarantino: destaque entre os diretores
Em nacionalidades, a esmagadora maioria são produções dos Estados Unidos, mas vale destacar a presença dos filmes nacionais: 10 do total de 110. A Europa ficou com 24, a Ásia com 6 e América Latina, sem contar com os brasileiros, apenas 2. Das décadas, a de 80 foi a que mais compreendeu obras, com 23, acompanhada dos 90, com 19. Entre os cineastas, Quentin Tarantino teve mais filmes diferentes lembrados, 3, seguido por Akira Kurosawa, Ridley Scott, Stanley Kubrick, Jean-Pierre Jeunet, Walter Salles Jr., Tim Burton, Ang Lee, Luc Besson, Andrei Tarkowsky, Stephen Daldry, Milos Forman, Steven Spielberg e Sofia Coppola, todos com 2.

Seja um filme visto no Corujão da Globo, o que provocou arrebatamento na tela grande, aquele que se alugou na videolocadora ou mesmo o assistido via streaming. Independe a ocasião ou plataforma. Seleções como estas mostram o quanto as imagens em movimento mexem conosco e como são importantes na construção de nossos imaginários ao longo do tempo.

Por fim, a ordem dos títulos respeita a de postagens de cada pessoa, mas não quer dizer necessariamente que se trate de uma ordem de preferência do mais gostado para o menos. O importante é que todos os títulos citados, na opinião e no sentimento de cada um, estão guardados na retina e no coração.

Daniel Rodrigues


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Carolina Costa
Pedagoga
(Porto Alegre/RS)
1 - Amadeus, de Milos Forman (1988)
2 - Fahrenheit 451, de François Truffaut (1966)
3 - Alien, o 8º Passageiro, de Ridley Scott (1979)
4 - O Quinto Elemento, de Luc Besson (1997)
5 - Corra, Lola, Corra!, de Tom Tykwer (1998)
6 - ET: O Extraterrestre, de Steven Spielberg (1982)
7 - Billy Elliot, de Stephen Daldry (2000)
8 - A Festa de Babette, de Gabriel Axel (1987)
9 - Aquarius, de Cléber Mendonça Filho (2016)
10 - Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer (2018)


Clayton Reis
Arquiteto, cartunista e escritor
(Rio de Janeiro/RJ)
1 - Fellini 8 e ½, de Federico Fellini (1963)
2 - Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock (1954)
3 - O Sacrifício, de Andrei Tarkowsky (1986)
4 - Outubro, de Sergei Einsenstein (1927)
5 - A Marca da Maldade, de Orson Welles (1958)
6 - Intolerância, de D. W. Griffith (1916)
7 - Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick (1971)
8 - Coração Selvagem, de Alan Parker (1985)
9 - Farenheit 451, de François Truffaut (1966)
10 - Gosto de Cereja,de Abbas Kiarostami (1997)


Cleiton Echeveste
Ator, escritor e dramaturgo
(Rio de Janeiro/RJ)
1 - Minha vida em cor de rosa, de Alain Berliner (1996)
2 - Razão e Sensibilidade, de Ang Lee (1996)
3 - Bancando a Ama Seca, de Frank Tashlin (1958)
4 - A Hora da Estrela, de Suzana Amaral (1985)
5 - O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee (1996)
6 - Uma Noite de 12 Anos, de Álvaro Brechner (2018)
7 - Em Nome do Pai, de Jim Sheridan (1993)
8 - A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Mel Stuart (1971)
9 - Billy Elliot, de Stephen Daldry (2000)
10 - O Sacrifício, de Andrei Tarkowsky (1986)


Daniel Rodrigues
Jornalista, radialista e escritor
(Porto Alegre/RS)
1 - Bagdad Café, de Percy Adlon (1987)
2 - O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (1971)
3 - Fellini 8 e ½, de Federico Fellini (1963)
4 - Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa (1954)
5 - Fanny & Alexander, de Ingmar Bergman (1982)
6 - Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick (1971)
7 - Farenheit 451, de François Truffaut (1966)
8 - Stalker, de Andrei Tarkowsky (1978)
9 - Touro Indomável, de Martin Scorsese (1980)
10 - O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel (1962)


Diego Marcon
Hairdresser, consultor de imagem e empresário
(Buenos Aires/ARG)
1 - A Convenção das Bruxas, de Nicolas Roeg (1990)
2 - Garota, Interrompida, de James Mangold (2000)
3 - Dançando no Escuro, de Lars Von Trier (2000)
4 - Maria Antonieta, de Sofia Coppola (2006)
5 - A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar (2011)
6 - As Horas, de Stephen Daldry (2002)
7 - Moulin Rouge, de Baz Luhrmann (2001)
8 - O Estranho que nós Amamos, de Sofia Coppola (2017)
9 - Piaf, Um Hino ao Amor, de Olivier Dahan (2007)
10 - Os Goonies, de Richard Donner (1985)


Iris Borges
Fotógrafa
(Porto Alegre/RS)
1 - Os Goonies, de Richard Donner (1985)
2 - A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Mel Stuart (1971)
3 - A Lista de Schindler, de Steven Spielberg (1993)
4 - Pulp Fiction: Tempo de Violência, de Quentin Tarantino (1994)
5 - Kill Bill - Volume 1, de Quentin Tarantino (2003)
6 - Dirty Dancing, de Emile Ardolino (1987)
7 - O Bebê de Rosemery, de Roman Polanski (1969)
8 - Curtindo a Vida Adoidado, de John Hughes (1986)
9 - Flashdance, de Adrian Lyne (1983)
10 - Blade Runner: O Caçador de Androides, de Ridley Soctt (1982)


Leocádia Costa
Publicitária, produtora cultural e fotógrafa
(Porto Alegre/RS)
1 - Barravento, de Glauber Rocha (1961)
2 - A Liberdade é Azul, de Krzysztof Kieslowski (1993)
3 - O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci (1988)
4 - A Vida é Bela, de Roberto Begnini (1997)
5 - O Iluminado, de Stanley Kubrick (1979)
6 - Sonhos, de Akira Kurosawa (1990)
7 - Up: Altas Aventuras, de Pete Docter e Bob Peterson (2009)
8 - O Nome da Rosa, de Jean-Jacques Annaud (1986)
9 - Blade Runner: O Caçador de Androides, de Ridley Soctt (1982)
10 - Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer (2018)


Pamela Bueno
Historiadora e estudante de Sociologia
(Canoas/RS)
1 - Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick (1971)
2 - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet (2002) 
3 - Adeus Lênin!, de Wolfgang Becker (2003)
4 - O que é Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto (1997)
5 - Carandiru, de Hector Babenco (2003)
6 - A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Mel Stuart (1971)
7 - Central do Brasil, de Walter Salles (1998)
8 - Os Fantasmas se Divertem, de Tim Burton (1987)
9 - Edward Mãos de Tesoura, de Tim Burton (1991)
10 - Que Horas Ela Volta?, de Ana Muylaert (2015)


Paulo Coelho Nunes
Agente publicitário, continuísta, editor e roteirista
(Goiânia/GO)
1 - Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino (1992)
2 - Easy Rider, de Dennis Hooper (1969)
3 - Betty Blue, de Jean-Jacques Beineix (1985)
4 - Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (1950)
5 - Ladrão de Sonhos, de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet (1993)
6 - Terra Estrangeira, de Walter Salles Jr. e Daniela Thomas (1995)
7 - Amor à Flor da Pele, de Wong Kar-Wai (2000)
8 - Retratos da Vida, de Claude Lelouch (1981)
9 - Dolls, de Takeshi Kitano (2002)
10 - Traídos pelo Desejo, de Neil Jordan (1993)


Rachel Bins
Estudante de Biblioteconomia
(Porto Alegre/RS)
1 - Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, de Michel Gondry (2004)
2 - O Castelo Animado, de Hayao Miyazaki (2005)
3 - Lilo e Stitch, de Chris Sanders e Dean DeBlois (2002) 
4 - O Cemitério Maldito, de Mary Lambert (1989)
5 - O Segredo da Cabana, de Drew Goddard (2012)
6 - Alien, o 8º Passageiro, de Ridley Scott (1979)
7 - Legalmente Loira, de Robert Luketic (2001)
8 - Casa Comigo?, de Anand Tucker (2010)
9 - O Auto da Compadecida, de Guel Arraes (1998)
10 - Cats, de Tom Hooper (2019)




Simone Hill

Coralista e estudante de Música
(Porto Alegre/RS)
1 - Loucos de Paixão, de Luis Mandoki (1990)
2 - Desafio no Bronx, de Robert De Niro (1993)
3 - Amigas para Sempre, de Garry Marshall (1988)
4 - Luzes da Cidade, de Charles Chaplin (1931)
5 - Verdes Anos, de Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil (1984)
6 - Desejos Proibidos, de Max Ophüls (1963)
7 - O Profissional, de Luc Besson (1994)
8 - Grease: Nos Tempos da Brilhantina, de Randal Kleiser (1978)
9 - Bancando a Ama Seca, de Frank Tashlin (1958)
10 - Hair, de Milos Forman (1979)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ClyBlog 5+ Filmes


Ah, se tem um assunto que nos fascina aqui no clyblog é cinema. Tenho certeza que não falo só por mim. Daniel Rodrigues, Leocádia Costa, José Júnior, Luan Pires, parceiros-colaboradores do blog, todos, assim como eu, são fanáticos pela arte dos Lumière.
No embalo das listas comemorativas dos nosso 5 anos, é a vez então de 5 amigos qualificadíssimos escolherem seus 5 grandes representantes da 7ª Arte.
(Ih, no número da arte não deu pra ficar no CINCO. Mas isso é o de menos...)
Enfim, com vocês, clyblog 5+ filmes preferidos.





1 Ana Nicolino
estudante de filosofia
professora de inglês
(Niterói/RJ)
"Meus cinco melhores. 
(Não estão em ordem)
Vai assim mesmo!"

1. "Solaris" - Andrei Tarkovski
2. "Rashomon - Akira Kurosawa


3.  "Morangos Silvestres" - Ingmar Bergman
4. "Fahrenheit 451" - François Truffaut
5. "8 e 1/2" - Federico Fellini

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2 Roberta de Azevedo Miranda
professora
(Niterói)

"Depois de muto pensar em qual seria o tema da minha lista,
achei que este combinaria mais comigo.
Sou amante dos filmes de terror psicológico, por assim dizer."


1. "Psicose" - Alfred Hitchcock
2. "O Bebê de Rosemary" - Roman Polanski
3.  "O Exorcista" - William Friedkin
4. "O Iluminado" - Stanley Kubrick
5. "O Exorcismo de Emily Rose" - Scott Derricson


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3 Álvaro Bertani
empresário
proprietário da locadora "E o Vídeo Levou"
(Porto Alegre/RS)

"Decidi nortear a escolha pela quantidade de vezes que assisti a cada um deles,
e se houvesse a possibilidade de passar o resto da minha vida dentro de um filme,
não restaria qualquer dúvida que seria um dos cinco escolhidos."


1. "8 e 1/2" - Federico Fellini
2. "Cidadão Kane" - Orson Welles
3. "Cópia Fiel" - Abbas Kiarostami
 

 4. "Ponto de Mutação" - Bernt Capra
5.  "Nós que Aqui Estamos Por Vós Esperamos" - Marcelo Masagão

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4 Daniel Rodrigues
jornalista
editor do blog O Estado das Coisas Cine
colaborador do ClyBlog
(Porto Alegre/RS)

" O fato de eu amar “Bagdad Café” é quase que uma tradução de mim mesmo. 
Zelo por aquilo que gosto, e, se gosto, acabo naturalmente mantendo este laço intacto anos a fio.
Assisti pela primeira vez em 1998 e desde lá, a paixão nunca se dissipou.. 
"O Chefão" tem a maior interpretação/personificação do cinema; "Fahrenheit 451" é poesia pura;
"Laranja Mecânica" considero a obra-prima do gênio Kubrick. Jamais imaginaria Beethoven ser tão transgressor;
e 'Stalker", com sua fotografia pictórica e esverdeada, a forte poesia visual,
o andamento contemplativo, o namoro com a literatura russa, a água como elemento sonoro e simbólico
 é para mim, a mais completa e bela obra de Tarkowski."


1. "Bagdad Café" - Percy Adlon
2. "O Poderoso Chefão I" - Francis Ford Copolla
3.  "Fahrenheit 451" - François Truffaut
4. "Laranja Mecânica" - Stanley Kubrick
5. "Stalker" - Andrei Tarkovski

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5 José Júnior
bancário
colaborador do ClyBlog
(Niterói/RJ)

"É a pergunta mais difícil que você poderia me fazer! 
Se eu parar pra pensar tem muitos de muitos estilos variados.
Ih, ferrou!
Não consigo para de pensar em filmes."

O texto de William Burrougs se presta perfeitamente
para as geniais bizarrices de Cronenberg,
em "Mistérios e Paixões"














1. "Mistérios e Paixões" - David Cronenberg
2. "O Exorcista" - William Friedkin
3.  "O Império Contra-Ataca" - Irvin Kershner
4. "Matrix" - Andy e Larry Wachowski
5. "O Bebê de Rosemary" - Roman Polanski



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ludwig van Beethoven - "Sinfonia nº 9" (1824)



"Fora uma noite maravilhosa
e eu só precisava para concluí-la com perfeição
de um pouco do velho Ludwig van (...)
ó, deleite, ó deleite e paraíso.
era a formosura e a formosidade feito carne.
Era como um pássaro de metal raro e celestial,
ou o vinho prateado flutuando numa espaçonave
deixando a gravidade para trás."
personagem Alexander DeLarge
no filme "Laranja Mecânica"


Uma das maiores obras já produzidas na história da humanidade, composta por ninguém menos que aquele que é considerado por muitos, o maior compositor de todos os tempos. A "Sinfonia nº9 em ré menor, opus 125, Coral", última obra completa escrita por Ludwig van Beethoven, no ano de 1824, ou simplesmente a "Nona Sinfonia" como é mais conhecida, é uma das obras musicais mais populares, repetidas, respeitadas e executadas de todos os tempos, utilizada com frequência em meios como comerciais de TV, games, cerimônias e filmes, assumindo, de certa forma, um caráter pop dentro do âmbito da música clássica ou erudita.
A Nona é por exemplo, elemento fundamental na adaptação de Stanley Kubrick para o cinema da obra "Laranja Mecânica", de Anthony Burgess (no livro o autor se fixa na música clássica em si e não especificamente na obra de Beethoven como faz o diretor no filme); foi adotada como hino de instituições ou de eventos; é constantemente tocada em celebrações de toda ordem como olimpíadas, copas, confraternizações, cerimoniais, etc., especialmente seu movimento mais belo, a "Ode à Alegria", um coral imponente onde as vozes conduzem o movimento acompanhado a orquestração, de uma forma absolutamente magnífica e inigualável.
Não vou me alongar aqui em elocubrações técnicas; em dós, rés, e sibemóis porque não sou um profundo entendedor de música. Sequer sou músico. Seria pouco sincero de minha parte. Sou apenas um diletante como muitos, que não se cansa de ouvir, de se encantar e admirar esta majestosa obra deste gênio alemão.
É lógico que a "Nona Sinfonia", como qualquer outra obra desta natureza, não foi concebida no modelo álbum, não foi feita para ser disco, mas é tão importante para o formato, especialmente no que diz respeito à mídia Compact Disc, que a capacidade original do nosso conhecido CD teria sido definida em função da duração da obra. É o que reza a lenda.
Se não for por todos os seus méritos, e não são poucos, só isso já lhe justificaria a inclusão entre os ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
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MOVIMENTOS:

  1. Allegro ma non troppo, un poco maestoso
  2. Molto vivace
  3. Adagio moltoe cantabile
  4. Presto - Allegro assai

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Ouça:
9ª Sinfonia Ludwig Van Beethoven

Cly Reis

domingo, 4 de dezembro de 2022

Fausto Fawcett e Os Robôs Efêmeros - "Fausto Fawcett e Os Robôs Efêmeros" (1987)



"Juliette é a filha bastarda
do Carrossel Holandês,
da Laranja Mecânica"
trecho de "Juliette"



A música brasileira tem uma tradição de contar histórias. Com sua enorme capacidade poético-literária, imaginação e uma musicalidade capaz de combinar esses elementos, artistas brasileiros vêm ao longo de praticamente todo o desenvolvimento da discografia nacional, narrando fatos, episódios, pequenos contos, historietas, acompanhando-as dos mais diversos tipos de melodias e arranjos.

Nos anos 80, em meio à explosão do Rock Brasil, um cara altamente criativo inventava histórias alucinantes, distópicas, surreais, improváveis, ambientadas normalmente num Rio de Janeiro futurista, mergulhado num estado de caos, abandono, desesperança, mas ao mesmo tempo avançado, luxuoso e desfrutando das mais altas tecnologias. Nesse cenário, desfilava "heroínas" singulares, personagens atípicas, damas fatais, meretrizes, mulheres que misturavam requinte com vulgaridade e levavam consigo, de certa forma, alguma dose de veneno.

Fausto Fawcett, um carioca boêmio, nativo típico de Copacabana, lançava em 1987 o disco que levava seu nome e da banda que o acompanhava, "Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros", repleto de todos esses elementos e com as histórias mais piradas que qualquer mente "normal" pudesse imaginar. Ele seguia a tradição brasileira de contar histórias, mas o fazia de uma forma completamente diferente e inusitada. Muito mais um escritor do que propriamente um cantor, Fausto, com uma pegada meio rap e toques disco-music, acompanhado de seu fiel escudeiro o guitarrista Carlos Laufer, praticamente declamava as letras, narrava as histórias com alguma entonação musical, e, no refrão, sim, normalmente, carregava no ritmo. Assim, em uma Copacabana suja e caótica, nos apresentava uma prostituta asiática dona de um furgão rosa-choque, habitante de um apê-kitinete onde aconteciam atividades suspeitas, na disco-oriental "Gueixa Vadia". Conhecíamos também uma grafiteira dos prédios de Copa, "Tânia Miriam", uma jovem loira de vestes extravagantes e hábitos peculiares. Éramos apresentados a uma nova droga vendida por camelôs turcos, o "Drops de Istambul", cujas sensações alucinógenas, a viagem, e as imagens fantásticas são descritas pelos jovens de Copacabana a um repórter para um noticiário local. No embalo do jornalismo, tema recorrente, também no trabalho do autor, "Rap de Anne Stark", imagina uma realidade na qual os telejornais passam a ser uma grande atração de entretenimento, tal qual filmes ou novelas, tendo até mesmo, para seus adeptos, locadoras especializadas, tal como a boutique Paulo Francis localizada no coração de Copacabana, com uma seção dedicada especialmente às mais belas locutoras do mundo inteiro, com fitas dessas musas do telejornalismo narrando notícias ininterruptas, se destacando entre elas, como estrela máxima, a loura Anne Stark.

"Kátia Flávia, A Godiva do Irajá", o grande hit da carreira do cantor, se diferenciava das demais por uma produção mais caprichada. A cargo do mestre brasileiro dos estúdios, Liminha, a faixa trazia um funk agressivo, uma guitarra suingada do parceiro Carlos Laufer e um trabalho vocal mais elaborado, tudo apoiado num refrão irresistivelmente transgressor ("Alô, polícia / Eu tô usando / Um Exocet / Calcinha"). O conto musical narrava a aventura de uma louvação irresistível do subúrbio, do bairro do Irajá, que ficara famosa por cavalgar nua num cavalo branco e que depois de matar o marido bicheiro, rouba uma viatura policial, ruma para Copacabana e ameaça detonar uma calcinha explosiva. Loucura total. Maravilhosamente louco! 

Embora o hit da Godiva do Irajá tivesse sido a música de trabalho do álbum, minha preferida do disco é "Chinesa Videomaker", uma obra absolutamente singular que junta pornografia, fetichismo, multimídia, jornalismo, tecnologia, Escrava Isaura, Gabriela Sabatini e Madonna, tudo em uma só história. Em "Chinesa Videomaker", o autor nos apresenta uma empresária da noite, dona de uma boate, que tem o hobby de capturar homens na madrugada carioca, levá-los ao seu apartamento e exibir imagens de telejornais para o sequestrado enquanto pratica nele uma generosa sessão de sexo oral. O problema é que, depois de desovar o rapaz numa esquina qualquer, ela dá bobeira e é capturada por uma gangue fã de Madonna que leva a chinesa para o alto de um prédio e a joga de lá. Com certeza, a história mais bem construída e estruturada dentre os contos musicais só álbum.

"Estrelas Vigiadas", que a segue, pelo contrário, na minha opinião é a mais fraca, embora apresente um cenário interessantíssimo de uma Copacabana fantasma, suja e semiabandonada, que contrasta com o glamour do Copacabana Palace, sede uma avançadíssima exposição bélico-espacial.

Pra fechar, uma situação bizarra envolvendo um cargueiro de tequila e um iate com belíssimas passistas de escola de samba, nos faz conhecer a loirinha Juliette, uma jovem procurada pela polícia da qual não se tem maiores informações, a não ser o fato de que seria filha ilegítima de um dos jogadores da seleção holandesa de 1974. Num sambinha safado, cantado em parceria com Fernanda Abreu, Fausto enumera todos os jogadores da Laranja Mecânica como possibilidades da paternidade da loira Juliette que, no fim das contas, é perseguida pelo policial que a reconhece em meio aos curiosos pelo inusitado naufrágio, a executa brutalmente e a enterra na areia da praia de Copacabana.

Se não é nenhuma exuberância musical, melódica, "Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros" é um espetáculo literário de criatividade e de histórias fantásticas e improváveis. Em meio à sonoridade pós-punk e as letras engajadas de seus contemporâneos, a filosofia das letras dos Engenheiros, o minimalismo agressivo dos Titãs, da poesia cotidiana de Cazuza, o messianismo da Legião, Fausto Fawcett, à sua maneira também escrevia seu nome de forma significativa na geração rock dos anos 80 com sua sonoridade rap-disco-samba-oriental singular, e contando histórias, como muito já se fez na música brasileira, mas de uma maneira que, até hoje, só ele sabe fazer.

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FAIXAS:

1. "Gueixa Vadia" 6:16
2. "Tânia Míriam" 3:54
3. "Drops de Istambul" 3:57
4. "O Rap d'Anne Stark" 6:35
5. "Kátia Flávia, a Godiva do Irajá" 4:06
6. "A Chinesa Videomaker" 7:02
7. "Estrelas Vigiadas" 5:00
8. "Juliette" (part. Fernanda Abreu) 4:12


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Ouça:




por Cly Reis


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Os Causo de Dois Morro - "O Doismorrense"




A despropósito desse conversê de futebór e tudo mais. Essas coisa de Internacionar ganhá essas copa americana, São Paulo ganhá treis veiz seguido e meia-dúzia no todo... Tudo isso é bobage! Pôca coisa! Bom mesmo era o time do Doismorrense de 1907. Que escrete aquele!!!
O golêro era o Cambraia. Prego, Marafo, Morrão e Panete fazío a defesa. Miscorete, Caiana e Restilo no meio. Uca, Xinapre e Zuninga fazia a linha. Cambraia não tinha uma das mão mas mesmo assim foi o melhor golquíper que eu já vi agarrá. Dos béque o Morrão era daqueles que deixava passá a bola mas nunca o atacante e o Marafo jogava mais na crasse. Nas lateral o Prego era magricela mas ligêro que nem sei, e Panete jogava com uma catiguria tar que foi até arremedada depois pelo tar de Nilton Santos. Os arf... Ah, os arf! Miscorete era um imperador no conduzimento da pelota, Caiana era agudo e Restilo aquele armador que pisava na bola, olhava e maquinava o jogo na cabeça. Na linha da frente o Uca era quase que um farso ponta-direita, Zuninga era rápido que nem que um corisco e o Xinapre não perdoava quando o caroço caía pingando pra ele na frente do golêro diversário.
Tudo isso com o comando do inesquecíver Arlindo Cachaça. Que treinêro! O homem que inovô no futebór. Nada de 4-4-2 ou de 3-5-2. Arlindo inventou o revolucionário esquema 1-10. Um pega cas mão e os otro chuta. Mais tarde o mesmo Arlindo Cachaça assombrô o mundo de novo, perfeiçoando o póprio sistema 1-10. Agora um podia pegar cas mão e os otro chutá só que PÁ FRENTE. Aquilo foi praticamente o princípio utilizado pela Laranja Mecânica muito tempo depois nas Copa de 74.
Inter campeão invictamente? São Paulo 18 jogos sem perdê? Hmmmfff!!! Faço pôco! O Doismorrense ficou 5 ano, dois mêis e 22 dia sem perdê. Foro 426 jôgo sem sabê o que era derrota. E mesmo assim no jogo que perdeu foi ladroage do juiz, que não se dava com o Arlindo Cachaça e quis prejudicá ele. Tanto foi ladroage que o póprio juiz, o Armando Feitosa Barros, feiz o gôlo da vitória do Província, entrando ele mesmo com a bola de baixo do braço dentro da golêra. Pode uma cousa dessa?
Foi uma revorta geral!
O jogo acabô em paulêra!
Aliáis nem acabô.
Teve invasão de campo, briga na torcida, 25 prisão e treis morte. Mas foi o jogo que ficô marcado pra sempre como o dia que o Doismorrense perdeu.
Robado! Robado!


postado por Chico Lorotta

terça-feira, 25 de setembro de 2012

"A Árvore da Vida", de Terrence Malick (2011)




Somente dia desses tive a oportunidade de assistir ao premiado “Árvore da Vida” do cineasta pouco prolífico Terrence Malick, ganhador da Palma de Ouro do festival de Cannes do ano passado e centro de uma certa discussão dos que o colocam como extremamente chato e longo e dos que o vêem como uma obra-prima definitiva. Eu diria que nem tanto ao mar nem tanto à terra. Vi com toda a expectativa para um bom filme, mas também me resguardando do que poderia me esperar, com toda a tenção que pudesse merecer ou necessitar para que detalhes definidores não me escapassem, e com toda a paciência que exigisse. Fiz bem em abranger todas as possibilidades. É um filme que exige que todas estas antenas estejam ligadas. Ele vai exigir sua atenção, sensibilidade, disposição, percepção e tempo.
Mallick alterna sua lente sobre a vida de uma família dos anos 50, cujo pai (Brad Pitt) é rígido em sua educação religiosa; na cabeça perturbada de um dos filhos desta família nos tempos atuais (Sean Penn); em imagens esparsas acompanhadas pela voz de e Penn ou pela mãe da família (Jéssica Ceastain); e em imagens notáveis do surgimento da vida, desde o Big Bang, passando pelas glaciações, pela primeira forma de vida, pelos dinossauros, pelo surgimento de uma árvore, pelo nascimento de uma criança. Tudo isso ao som de temas clássicos que conferem uma atmosfera toda majestosa e etérea à cada cena. Tudo pacientemente. Tudo sem obedecer necessariamente a uma ordem lógica. Mas isso é compensado, na minha opinião, pela fundamental amarração de todos os elementos que é a perda de um dos filhos pela família que traz à tona toda sorte de dúvidas, questionamentos, reflexões por parte da mãe e do irmão e, pretende suscitar no espectador o sentimento mais importante de todos: entendermos que nessa vida, só há uma coisa verdadeiramente importante, só uma coisa que realmente fica, que permanece, e que esta coisa é o amor.
O diretor pacientemente insiste nos mostrar em imagens espetaculares a origem da vida, do universo, do mundo, nos apresenta uma família com problemas, com sentimentos conflitantes, com hábitos particulares, com suas crenças, insiste em mostrar a natureza, questiona Deus, questiona o ser, só para nos dizer no fim das contas que A VIDA É ASSIM. Tudo tem começo, meio e fim. Inclusive nós. Mas nós, humanos, racionais que somos, temos é que viver nossas vidas, sejam elas com pais rigorosos ou não, com religiões ou sem elas, com alegria muitas vezes mas com tristezas também, lidando com a morte, lidando com frustrações, mas fazendo uso dessa capacidade ímpar que temos em relação aos outros seres vivos que é o poder de amar.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra: não é cansativo como muitos classificam, maçante por conta de sua duração, ausência de linearidade ou subjetividade. É filme para se ver mais com os olhos da alma do que com os olhos físicos. Filme que merece a contemplação que ele mesmo sugere. Por outro lado, não o classificaria também como obra-prima. Não chegaria a tanto. Não diria tratar-se de uma das melhores coisas que tenha visto na vida ou o impulsionaria imediatamente ao olimpo das grandes obras do cinema, lá junto com “8 e 1/2”, “Laranja Mecânica”, etc. Muito bom filme,  com certeza. Inegavelmente o é. Apreciável e recomendável pra quem estiver disposto a ver com o coração e a mente abertos.
Porque “A Árvore da Vida” no fim das contas, amigos, não é nada mais nada menos do que um filme sobre... a vida. Sobre a vida.


Cly Reis

terça-feira, 14 de outubro de 2008

The Cult no Circo Voador (13/10/08)



Uau, cruzes, putaquipariu, nossa! Sem palavras!
Estive no show do Cult ontem à noite no Circo Voador e, amigos, vou lhes falar,
foi um dos melhores shows de rock que eu já fui, e por um simples motivo: é um show de ROCK.
Cara, é uma pedrada atrás da outra. Só as melhores, as empolgantes, as fodonas!
A música de entrada da banda já foi matadora, o tema do filme Laranja Mecânica, aí a banda entra e explode com "Li'l Devil", e aí, velho... só seguiu quebrando tudo.
Tocaram "Spiritwalker" que eu gosto muito e achei que não ia rolar, tocaram "Wild Flower" com uma 'ameaça' de emendar "Jean Jeanie" do Bowie e uma "Love Removal Machine" arrasadora que nem eu com meu dedão machucado me contive e tive que ir lá pro meio, pro alvoroço.
Tudo muito bom, fora a segunda parte do show, no bis, onde claramente o vocalista Ian Astbury já não tinha um fio de voz.
O pessoal na "concentração" antes do show..
Voltaram tocando uma das minhas favoritas, 'Nirvana", na qual ele se limitou a cantar o refrão silabicamente pra não precisar esticar a voz e fecharam com a esperadíssima "She Sells Sanctuary" mas que foi um pouco decepcionante por causa do estado vocal do cara e por causa da qualidade de som do local que foi piorando gradualmente.
Mas salvo estes pequenos poréns, um showzaço vibrante e eletrizante.
Nunca tinha visto o Cult. Eliminei mais uma das minhas pendências com uma das minhas bandas favoritas dos anos 80.






Cly Reis

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Copa do Mundo Joy Division - Oitavas-de-Finais - CLASSIFICADOS

 




Nossos especialistas em Joy Division cumpriram sua missão e definiram os últimos 8 classficados na Copa Eterna.

A fase de oitavas não teve nenhuma grande zebra, até porque agora só tem time grande e nenhum resultado é exatamente absurdo.

A cadenciada Candidates eliminando a quase neworderiana Isolation pode ser considerada uma surpresa para alguns, mas a eliminação She's Lost Control mesmo sendo uma das favoritas, passa longe de ser um resultado improvável considerando a qualidade do adversário, a espetacular New Dawn Fades.

Mas enfim, vamos às considerações de cada um dos nossos julgadores e a apreciação de cada confronto das oitavas-de-final definindo os classificados para a fase seguinte.

Restam 8!

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Daniel Rodrigues: 

Transmission 2 x Shadowplay 1

Quase uma final antecipada, ou pelo menos dois candidatos a campeão, que se pegam precocemente. “Shadowplay”, com seu jogo mais agressivo, marca primeiro. “Transmission”, no entanto, com seu estilo mais constante, não se apavora e empata já no primeiro tempo. O jogo vai para a segunda etapa nessa igualdade, com os dois times atacando, lá e cá. Encaminhando-se pro fim da partida, “Transmission” acha um pênalti. Gol de vitória apertada, com direito à comemoração de dancinha ao som do rádio.

Day of the Lords 1 x Love Will Tear Us Apart 3

Confronto pesado de “Unknown Pleaseures” vs. “Closer”. O primeiro, com forma de jogar mais convencional, mas não menos eficiente. O segundo com aquele futebol moderno, que lembra o futebol-total da Laranja Mecânica. Com um time de média de idade alta, “Day...” sabe o que faz e abre o placar numa jogada bem construída. Mas quando eles achavam que ia ser “o dia dos senhores”, o “amor” vem não para “separar”, mas para vencer. Com jogadas bonitas e tabelinha entre todos os integrantes, “Love...” vira o placar em poucos minutos e ainda acerta uma bucha no finzinho pra sacramentar. Na hora da comemoração, o atacante chama a câmera: “Closer! Closer!” E fez o gesto de coração com as mãos. É muito amor.


Roberto Sulzbach:

Candidate 2 x Isolation 1

Não foi fácil. Jogo duro, truncado e complicado. Isolation é formatada para trabalhar intensamente, marcação lá em cima, em um estilo "gen-pressing" que daria inveja ao ex-treinador do Liverpool, o alemão Jurgen Klopp. Já Candidate é mourinista: bloco baixo, jogando por uma bola. Mas, quando vem, é mortal. Isolation é talvez uma das músicas mais animadas de Closer. Segunda na track list, e seguida pelas batucadas envolventes de Atrocity Exhibition, acaba por acelerar o ritmo do disco. Candidate queima devagar; talvez seja a música que mais reforça a temática de UP ao longo da audição sequencial das faixas. Sendo assim, Candidate leva, por 2 a 1, em cima de Isolation.

I Remeber Nothing 0 x Decades 1

Duas canções que apostam no mesmo estilo: letras niilistas, envoltas em uma atmosfera manchesteriana. I Remember Nothing fecha UP de maneira magistral. Decades encerra Closer e te faz sentir em uma capela gótica do século XII, com seus órgãos sintetizados. A dinâmica é a mesma: estranheza e desconforto. Jogo muito parelho, mas Decades traz elementos únicos no catálogo da banda e acaba por levar o confronto.1 a 0, Decades.


luna gentile:

Something Must Break 1 x Disorder 3

Grande partida.Disorder abriu o placar com seu ritmo frenético e a energia inconfundível do baixo, mas Something Must Break reagiu com intensidade e clima sombrio.

No segundo tempo, o impacto histórico de Disorder fez a diferença marcando mais dois gols, garantindo a vitória.

Athrocity Exhibitions 1 x Atmosphere 2

Atrocity Exhibition assustou a defesa no início, mas a Atmosfera tomou conta do estádio e mudou completamente o clima da partida.

No segundo tempo, a pressão ficou no ar, a torcida respirou fundo e Atmosphere marcou o gol da virada nos acréscimos.


Cly reis:

Leader of men 0 x a means to an end 2

Jogo sem muita complicação. Leader of men é aquele time esforçado mas que não tem muito de onde tirar. por outro lado, A Means to An End é bem estruturada, tem um andamento embalado, um trabalho de bateria excelente e uma ótima interpretação de ian curtis. vitória tranquila de A means to an End. placar clássic: 2x0.

She's Lost Control 1 x New Dawn Fades 2

Dois grandes times. Duas camisas pesadas do Unknown Pleasures.

Estilos de jogo distintos. She's Lost Control com seu ritmo constante, jogada repetitiva, insistência. New Dawn Fades com mais alternativas, deslocamentos, variações de jogada.

Cada um à sua maneira, pelas virtudes de cada música, fazem um golfZnho no tempo normal. 1x1 nos 90 minutos.

O jogo vai para o tempo-extra e aí She's Lost Control não consegue controlar as investidas organizadas do adversário. A saída de bola com aquela introdução de bateria, o passe para o baixo, o ganho de intensidade, o solo da guitarra, a interpretação emocionante de Ian Curtis... New Dawn Fades chega com qualidade ao gol, tocando, e vence o jogo na prorrogação. Que jogaço,  senhoras e senhores! 



c.r
d.r.