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segunda-feira, 12 de março de 2012

Red Hot Chilli Peppers - "Blood Sugar Sex Magik" (1991)


"They're Red Hot"
Robert Johnson


Eles pintaram como uma interessante surpresa ali pela metade do anos 80 com sua mistura rock-funk-rap. Não que aquilo fosse uma absoluta novidade, mas o som daqueles malucos do Red Hot Chilli Peppers trazia um pouco mais de malícia, de tempero, de pimenta. Mas tinha outro diferencial em relação a outras bandas que tentassem fazer aquele tipo de som: um baixista habilidosíssimo de formação no hard-rock e punk, mas de influências jazzísticas notórias.
Os primeiros discos da banda causaram boa impressão, prometiam mas não pareciam tirar o máximo que eles podiam dar, em "Mother's Milk" de 1989 já mostravam um som mais encorpado, mas foi em "Blood Sugar Sex Magik" de 1991, seu 5° trabalho que os Red Hot Chilli Peppers, com a ajuda do mestre de estúdio, Rick Rubin, conseguiram lapidar seu som e produzir uma das obras-primas dos anos 90.
O funk dos caras estava calibrado, as composiçõe mais ousadas e seguras, as tentativas iam na mosca e Flea, o homem do baixo, estava, especialmente, endiabrado.
"The Power of Equality" vem à frente já para comprovar tudo isso: com uma linha de baixo swingada, a guitarra preenchendo os espaços e o vaocal rappeado de Kieds, abre o disco em grande estilo.
"If You Have to Ask" tem um refrão totalmente Funkadelik, num funk à antiga com uma guitarra novamente muito bacana. Aliás, mesmo sem grandes arroubos, com um estilo discreto, jogando mais pro time do que em nome da glória pessoal, o guitarrista John Frusciante mata a pau em várias como na gostosa "Apache Rose Peacock", na embalda "Funky Monks" e na selvagem "Greeting Song".
Com uma evidente ão do produtor, "Breaking the Girl", uma das grandes dos disco, é ousada em sua concepção com suas influências indianas, instrumentação com flautas e com ênfase no trabalho de bateria e percussão.
Não há como não destacar "Give It Away", o grande hit do álbum. Um funkaço alucinado com um a guitarra retinindo, uma incrível linha de baixo sinuosa e escorregadia, e um dos refrões mais bacanas e originais da história do rock.
Na sequência já vem outra das minhas preferidas onde uma batida marcada e pesada seguida de um riff com wah-wah apresentam "Blood Sugar Sex Magik" que tem outra interpretação marcante de Anthony Kieds, quase sussurrando nos versos e expplodindo em vigor nos refrões.
E tem a ótima "Suck My Kiss", forte ,aressiva e pesada; "The Righteous and the Wicked " com outro baixão mataror de Flea; a superlegal "Naked in the Rain"; e a boa "My Lovely Man" que homenageia o ex-guitarrista falecido Hillel Slovak.
A rotação só baixa mesmo no disco com "I Could Have Lied" e "Under the Bridge", uma balada sobre drogas com um coral apoteótico no final. "Sir Psycho Sexy" poderia tranquilamente ter a honra de fechar o disco  pela grandiosidade que vai assumindo ao longo de sua extensão de mais de 8 minutos, mas a tarefa fica bem nas mãos de "They're Red Hot", cover de Robert Johnson aceleradíssima e ensandecida, que faz jus aos adjetivos que carregam no nome: Eles são relamente quentes!
******************************

FAIXAS:
1. "The Power of Equality" 4:03
2. "If You Have to Ask" 3:37
3. "Breaking the Girl" 4:55
4. "Funky Monks" 5:23
5. "Suck My Kiss" 3:37
6. "I Could Have Lied" 4:04
7. "Mellowship Slinky in B Major" 4:00
8. "The Righteous and the Wicked" 4:08
9. "Give It Away" 4:43
10. "Blood Sugar Sex Magik" 4:31
11. "Under the Bridge" 4:24
12. "Naked in the Rain" 4:26
13. "Apache Rose Peacock" 4:43
14. "The Greeting Song" 3:14
15. "My Lovely Man" 4:39
16. "Sir Psycho Sexy" 8:17
17. "They're Red Hot (Robert Johnson)" 1:11

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Ouça:
Red Hot Chilli Peppers Blood Sugar Sex Magik





sábado, 6 de novembro de 2010

Robert Johnson - "The Complete Recordings" (1990) - gravações originais de 1936 e 1937 *


"Robert Johnson foi
o mais importante cantor de blues
 que já viveu."
Eric Clapton


Ele pode não ter sido o inventor do blues, mas com certeza é seu nome mais importante. Sei que existe um B.B. King, existe um Hooker, um Diddley, um Sonny Boy... Sei, sei. Mas nada se compara à técnica, à genialidade, à singularidade, à sua lenda.
Robert Johnson é daqueles músicos inovadores na sua arte. Daqueles caras que são divisores de águas, tipo: até ali a coisa era assim, a partir dali... Johnson mudou a batida do gênero, mudou o tom tradicional, saiu do trivial, e tudo isso só com um violão, que diga-se de passagem, reza a lenda, era velho e de péssima qualidade.
A propósito, não só o próprio R.J. por si só já é legendário, como muitos fatos que o cercam tem versões duvidosas e mal contadas: a começar pela sua data de nascimento, totalmente imprecisa, com registros de 1909, 1912, mas em princípio considerada oficialmente como 8 de maio de 1911; tem essa do violão, que além de ruim, diz-se, teria cordas enferrujadas quando Johnson fez as gravações (e no entanto, saiu o que saiu); outra é sobre as da versões de sua morte, prematura, aos 27 anos; uma delas atribuída a um uísque envenenado por um marido ciumento cuja esposa teria tido algo com Johnson; outra versão dá conta que teria levado um tiro por circunstâncias semelhantes; numa outra, pneumonia; em outra, sífilis; em outra ainda que teria sido encontrado urrando no corredor de um hotel e então ali morrido; o fato é que na certidão de óbito só consta "sem médico". Mas independente da causa mortis oficial, independente do modo como tenha acontecido, conta outra lenda, a mais impressionante e sobrenatural delas e a mais conhecida, que teria acontecido tão cedo, com apenas 27 anos de vida, por causa do resgate de uma dívida de Johnson com o demônio, que teria cobrado a alma prometida pelo cantor em um suposto pacto, que tivera o objetivo de obter talento e sucesso na carreira de cantor. Há uma outra ainda, vinculada à esta última, que sugere que haveria uma trigésima música (Johnson só gravou 29 canções) que teria ficado 'presa' em uma encruzilhada, onde o blueseiro teria feito seu trato maligno. Aliás, títulos como "Me & My Devil Blues" e "Crossroad Blues" que ajudam a alimentar a lenda.
A história do pacto é tão conhecida, tão rodeada de uma aura fantástica e poética que inspirou, por  exemplo, músicas como "Mississipi" de Celso Blues Boy e o filme "A Encruzilhada" que conta exatamente a história de um rapaz que procura a tal da 30° música de Johnson. Demais é o duelo de guitarras do garoto contra o demônio, que no filme é nada menos que Steve Vai.
Mas voltando à obra de Robert Johnson, não há um álbum propriamente dito, já que todas as canções foram gravadas em 1936 e 1937 e na época as gravações era em compactos com uma ou duas músicas apenas. A compilação definitiva com todas as faixas (possíveis) e seus outtakes saiu em 1990 numa bela caixa em edição de luxo com dois CD's chamada "The Complete Recordings", e, amigos, esta caixa é fundamental. Ali está toda a essência do blues e o alicerce do rock. Tem ali toda a alma, a batida, o ritmo, a melancolia e a beleza. Todas as 41 faixas são bala, mas as minhas favoritas são "When You Got a Good Friend", "Sweet Home Chicago" e "They're Red Hot", só pra citar algumas.
Robert Johnson é ainda hoje um dos nomes mais influentes do blues frequentemente citado e gravado por uma porrada de músicos de rock, nos seus mais variados estilos e qualidade, como Rolling Stones, Simply Red, Eric Clapton, White Stripes, Red Hot Chilli Peppers, Led Zeppelin, entre tantos outros.
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FAIXAS:
ROBERT JOHNSON- THE COMPLETE RECORDINGS (1936-1937)

Disco 1
1. Kind Hearted Woman Blues 2:49
2. Kind Hearted Woman Blues (alternate take) 2:31
3. I Believe I'll Dust My Broom 2:56
4. Sweet Home Chicago 2:59
5. Rambling on My Mind 2:51
6. Rambling on My Mind (alternate take) 2:20
7. When You Got a Good Friend 2:37
8. When You Got a Good Friend (alternate take) 2:50
9. Come On in My Kitchen 2:47
10. Come On in My Kitchen (alternate take) 2:35
11. Terraplane Blues 3:00
12. Phonograph Blues 2:37
13. Phonograph Blues (alternate take) 2:35
14. 32-20 Blues 2:51
15. They're Red Hot 2:56
16. Dead Shrimp Blues 2:30
17. Cross Road Blues 2:39
18. Cross Road Blues (alternate take) 2:29
19. Walkin' Blues 2:28
20. Last Fair Deal Gone Down 2:39

Disco 2
1. Preaching Blues (Up Jumped the Devil) 2:50
2. If I Had Possession over Judgment Day 2:34
3. Stones in My Passway 2:27
4. I'm a Steady Rollin' Man 2:35
5. From Four Till Late 2:23
6. Hellhound on My Trail 2:35
7. Little Queen of Spades 2:11
8. Little Queen of Spades (alternate take) 2:15
9. Malted Milk 2:17
10. Drunken Hearted Man 2:24
11. Drunken Hearted Man (alternate take) 2:19
12. Me and the Devil Blues 2:37
13. Me and the Devil Blues (alternate take) 2:29
14. Stop Breakin' Down Blues 2:16
15. Stop Breakin' Down Blues (alternate take) 2:21
16. Traveling Riverside Blues 2:47
17. Honeymoon Blues 2:16
18. Love in Vain 2:28
19. Love in Vain (alternate take) 2:19
20. Milkcow's Calf Blues 2:14
21. Milkcow's Calf Blues (alternate take) 2:20

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Ouça:
Robert Johnson The Complete Recordings


Cly Reis

sábado, 26 de agosto de 2023

SUPER-ÁLBUNS FUNDAMENTAIS Especial de 15 anos do ClyBlog - 15 discos impecáveis da primeira à última faixa




Amigos do clyblog, muito honrado pelo convite de contribuir com essa resenha rockeira! 
Vou falar sobre um assunto que com certeza já foi bastante debatido nas redes, que é o fato de 
que hoje em dia, o mercado musical só produz single ou E.P.! São muitos artistas com sucesso 
de uma música só! E isso não é exclusividade do universo tupiniquim. Sempre existiram bandas 
que só fizeram sucesso com uma música. Mas o projeto hoje em dia é só comercial. Vender, 
esgotar, exaurir a paciência até que a música vire jingle de supermercado. Faz parte!

Venho compartilhar com vocês algumas memórias afetivas de uma época onde o álbum era o 
auge do artista. Ali ele colocava toda coerência estética e criatividade, todo seu ineditismo e sua 
inventividade artística, do "Lado A ao Lado B". Estou falando de um tempo em que o vinil reinava 
e chiava nas nossas vitrolas e, talvez, esse universo analógico e antológico sempre tenha seu 
lugar. Seja Pop, underground, vintage… Quem não adoraria ter o disco da sua banda favorita em 
vinil, mesmo nos dias de hoje? O vinil não saiu de moda, ficou caro!!! Hoje é só dar o play no 
WAVE e MP3 e pronto: random na veia! 

 Fiz esse pequeno preâmbulo para situar a galera no tempo e trazer, na minha visão, alguns 
dos álbuns fonográficos que são verdadeiras "obras completas". Não tem música ruim: o disco 
é bom do começo ao fim!

Segue abaixo os 15 mais, mas com certeza tem muuuito mais… 

E você que está lendo, pensa aí e me diz, qual álbum você acha perfeito, do início ao fim?

★★★★★★

1 - Pink Floyd - "The Wall" (1979)


FAIXAS:
1. "In the Flesh?"  
2. "The Thin Ice"  
3. "Another Brick in the Wall (Part I)"  
4. "The Happiest Days of Our Lives"  
5. "Another Brick in the Wall (Part II)"  
6. "Mother"  
7. "Goodbye Blue Sky"  
8. "Empty Spaces"  
9. "Young Lust"  
10. "One of My Turns"  
11. "Don't Leave Me Now"  
12. "Another Brick in the Wall (Part III)"  
13. "Goodbye Cruel World" 

14. "Hey You"  
15. "Is There Anybody Out There?"  
16. "Nobody Home"  
17. "Vera"  
18. "Bring the Boys Back Home"  
19. "Comfortably Numb"  
20. "The Show Must Go On"  
21. "In the Flesh"  
22. "Run Like Hell"  
23. "Waiting for the Worms"  
24. "Stop"  
25. "The Trial"  
26. "Outside the Wall"  

Ouça:



2 - Dire Straits - "Brothers In Arms" (1985)


FAIXAS:
1. So Far Away
2. Money for Nothing
3. Walk of Life
4. Your Latest Trick
5. Why Worry
6. Ride Across the River
7. The Man's Too Strong
8. One World
9. Brothers in Arms  

Ouça:



3 - Santana - "Santana" (1969)


FAIXAS:
1."Waiting"
2. "Evil Ways" 
3. "Shades of Time" 
4. "Savor"
5. "Jingo" 
6. "Persuasion" 
7. "Treat"
8. "You Just Don't Care"
9. "Soul Sacrifice" 

Ouça:



4 - Yes - "Close to the Edge" (1972)


FAIXAS:
1.Close to the Edge
  • I. The Solid Time of Change
  • II. Total Mass Retain
  • III. I Get Up I Get Down
  • IV. Seasons of Man
2.And You and I
  • I. Cord of Life
  • II. Eclipse
  • III. The Preacher the Teacher
  • IV. The Apocalypse
3.Siberian Khatru

Ouça:



5 - Legião Urbana - "Dois" (1986)


FAIXAS:
1. Daniel Na Cova Dos Leões 
2. Quase Sem Querer 
3. Acrilic On Canvas 
4. Eduardo e Mônica 
5. Central Do Brasil 
6. Tempo Perdido
7. Metrópole 
8. Plantas Embaixo do Aquário 
9. Música Urbana 2 
10. Andrea Doria 
11. Fábrica 
12. Índios

Ouça:



6 - Red Hot Chilli Peppers - "Californication" (1999)


FAIXAS:
1. Around the World
2. Parallel Universe
3. Scar Tissue
4. Otherside
5. Get on Top
6. Californication
7. Easily
8. Porcelain
9. Emit Remmus
10. I Like Dirt
11. This Velvet Glove
12. Savior
13. Purple Stain
14. Right on Time
15. Road Trippin

Ouça:



7 - A Cor do Som - "Ao Vivo: Montreux International Jazz Festival" (1980)


FAIXAS:
1. "Dança Saci"
2. "Chegando da Terra"
3. "Arpoador"
4. "Cochabamba"
5. "Brejeiro"
6. "Espírito Infantil"
7. "Festa na Rua"
8. "Eleanor Rigby"
 
Ouça:

 
 
8 - Linkin Park - "Live in Texas" (2003)


FAIXAS:
1. Somewhere I Belong
2. Lying from You
3. Papercut
4. Points of Authority
5. Runaway
6. Faint
7. From the Inside
8. Pushing Me Away
9. Numb
10. Crawling
11. In the End
12. One Step Closer

Ouça:


9 - Rush - "Moving Pictures" (1981)


FAIXAS:
1. Tom Sawyer
2. Red Barchetta
3. YYZ
4. Limelight
5. The Camera Eye
6. Witch Hunt
7. Vital Signs

Ouça:



10 - Led Zeppelin - "Led Zeppelin" ou "Led Zeppelin I" (1969)


FAIXAS:
1. Good Times Bad Times
2. Babe I’m Gonna Leave You
3. You Shook Me
4. Dazed And Confused
5. Your Time Is Gonna Come
6. Black Mountain Side
7. Communication Breakdown
8. I Can’t Quit You Baby
9. How Many More Times

Ouça:



11 - Jimi Hendrix - "Electric Ladyland" (1968)


FAIXAS:
1. …And The Gods Made Love
2. Have You Ever Been (To Electric Ladyland)
3. Crosstown Traffic
4. Voodoo Child
5. Little Miss Strange
6. Long Hot Summer Night
7. Come On
8. Gypsy Eyes
9. The Burning Of The Midnight Lamp
10. Rainy Day, Dream Away
11. 1983… (A Merman I Should Turn To Be)
12. Moon, Turn The Tides… Gently, Gently Away
13. Still Raining, Still Dreaming
14. House Burning Down
15. All Along The Watchtower
16. Voodoo Child (Slight Return)

Ouça:



12 - Kraftwerk - "Electric Café" ou "Techno Pop" (1986)


FAIXAS:
1. Boing Boom Tschak
2. Techno Pop
3. Musique Non Stop
4. The Telephone
5. Sex object
6. Electric Cafe

Ouça:



13 - Secos e Molhados - "Secos e Molhados" (1971)



FAIXAS:
1. Sangue Latino
2. O Vira
3. O Patrão Nosso de Cada Dia
4. Amor
5. Primavera nos Dentes
6. Assim Assado
7. Mulher Barriguda
8. El Rey
9. Rosa de Hiroshima
10. Prece Cósmica
11. Rondó do Capitão
12. As Andorinhas
13. Fala

Ouça:



14 - Jethro Tull - "Benefit" (1970)


FAIXAS:
1. With You There To Help Me 
2. Nothing To Say 
3. Alive And Well And Living In 
4. Son 
5. For Michael Collins, Jeffrey And Me
6. To Cry You A Song 
7. A Time For Everything ? 
8. Inside 
9. Play In Time 
10. Sossity; You're A Woman

Ouça:



15 - Bob Marley & The Wailers - "Legend" (1984)


FAIXAS:
1. Is This Love
2. No Woman, No Cry (Live)
3. Could You Be Loved
4. Three Little Birds
5. Buffalo Soldier
6. Get Up, Stand Up
7. Stir It Up
8. One Love / People Get Ready
9. I Shot the Sheriff
10. Waiting in Vain
11. Redemption Song
12. Satisfy My Soul
13. Exodus
14. Jamming

Ouça:



por J O Ã O   M A R C E L O   H E I N Z


★★★★★★



João Marcelo Heinz
é músico, compositor, produtor musical e educador com 30 anos de estrada.
É integrante da banda Cidadão Free, com trabalho pop-rock autoral e com versões de 
clássicos do rock nacional e internacional
Tem participações em produções para cinema, composições audiovisuais para artes plásticas, dirigiu peças teatrais, além de ter sido produtor musical e de eventos do centro cultural Othello, na Lapa, no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

As 20 Melhores Músicas de Rock dos Anos 90

Terá sido "Smells Like Teen Spirit"
a melhor música dos anos 90?
Reouvindo uma das músicas que mais gosto do Nirvana, ocorreu-me: que outras canções de rock da década de 90 competiriam com ela? Já havia me batido essa curiosidade ao escutar outras obras da mesma época, mas desta vez a proposição veio com maior clareza de resolução. A música referida é “Serve the Servants”, que Cobain e cia. gravaram no último disco de estúdio da banda antes da morte do compositor e vocalista, o memorável “In Utero”, de 1993. Aí, interessou-me ainda mais quando percebi que o mesmo grupo, referência do período, encabeçaria a seleção. Pus-me, então, à gostosa prática de inventar uma lista: quais os 20 maiores sons de rock ‘n’ roll dos anos 90? Como critério, estabeleci que valem só composições escritas na década mesmo e sem produções contemporâneas de roqueiros veteranos, como Iggy Pop (“To Belong” podia tranquilamente vigorar aqui), The Cure (“Fascination Street”, que desbancaria várias) ou Jesus and Mary Chain (“Reverance”, como diz a própria letra, matadora). Quanto menos competir com versões definitivas para músicas mais antigas, como a de Johnny Cash para “Personal Jesus”, do Depeche Mode, ou a brilhante “The Man Who Sold the World” de David Bowie pelo Nirvana, em seu "MTV Unplugged in New York" .
Esta lista vem se juntar com outras que o clyblog  já propôs aqui (inclusive, a uma não de músicas, mas de álbuns dos anos 90) e que, como qualquer listagem que lida com gostos e preferências, é apenas uma janela (aberta!) para que outras elencagens sejam propostas. Querem saber, então, o meu ‘top twenty’ do rock noventista? Aí vai – e com muita guitarrada e em volume alto, como sempre será um bom e velho rock ‘n’ roll:

1 – “Smells Like Teen Spirit” – Nirvana (1991)


2 – “Lithium” – Nirvana (1991)
3 – “Unsung” – Helmet (1992)
4 – “Only Shallow” – My Bloody Valentine (1991)
5 – “Paranoid Android” – Radiohead (1992)
6 – “Gratitude” – Beastie Boys (1992)



7 – “All Over the World” – Pixies (1990)
8 – “Enter Sandman” – Metallica (1991)
9 – “Eu Quero Ver o Oco” – Raimundos (1996)
10 – “Wish” – Nine Inch Nails (1991)
11 – “Kinky Afro” – Happy Mondays (1990)
12 – "There Goes the Neighborhood" – Body Count (1992)
13 – “N.W.O.” – Ministry (1992)
14 - "Suck My Kiss" – Red Hot Chilli Peppers (1991)
15 - “Serve the Servants” – Nirvana (1996)
16 – "Jeremy" – Perl Jam (1991)
17 - “Army of Me” – Björk (1995)
18 - “Govinda” – Kula Shaker (1995)
19 - “Da Lama ao Caos” – Chico Scince e Nação Zumbi (1994)
20 - "Dirge" – Death in Vegas (1999)




quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Música da Cabeça - programa #356

 


Carnaval chegando e a mensagem é clara: "não é não"! "Sim" só pro MDC desta semana, que vem pronto pra entrar na avenida. 

Echo & The Bunnymen , RPM , Caetano Veloso , Red Hot Chilli Peppers , Don Von Vliet e outros. Ainda, um Cabeção com o compositor polonês Witold Lutoslawski. 

Na folia, mas de boa, o programa põe o bloco na rua às 21h. Produção, apresentação e "respeita as mina": Daniel Rodrigues






terça-feira, 31 de julho de 2012

Stevie Wonder - "Innervisions" (1973)



“Ou isso é uma visão em minha mente?”
verso da canção “Visions”



Quando vi  Paul McCartney ao vivo chorei praticamente do início ao fim do show. Eu já previa que isso ia ocorrer, tendo em vista meu sentimento por sua obra, tão formativa quanto vital para a história da arte moderna – e até porque o podia fazer sem constrangimento, já que todo o estádio fazia igual a mim. Porém quando assisti pela TV Stevie Wonder no Rock in Rio 2011 eu não esperava que o mesmo acontecesse. E aconteceu... via satélite. Chorei música atrás de música, tanto nas lentas quanto nas agitadas – o que virou motivo de chacota entre os amigos. Mesmo já tendo boa parte da discografia dele há muito tempo, essa reação me surpreendeu, pois eu mesmo não tinha noção do quanto a obra mágica deste gênio (e isso eu já sabia) tinha tanto a ver comigo e que estava tão impregnada em minha alma. Mas se todas as músicas me tocavam, parei para pensar naquela hora, entre soluços e uma felicidade imbecil, com qual disco eu mais me identificava, uma vez que gosto de todos. A resposta veio como numa visão: “Innervisions”.
A escolha só podia ser de cunho emocional, pois TODA a discografia de Stevie Wonder dos anos 70 até o início dos 80 é fundamental. Assim como o lindo  "Talking Book"  (1972), já resenhado aqui, o exuberante “Songs in the Key of Life” (1976) ou a magnífica trilha sonora “Journey Through the  Secret Life of Plants” (1979), “Innervisions” é item obrigatório na prateleira de qualquer diletante. Um marco da black music considerado pelos críticos um dos melhores da música pop de todos os tempos. Mas o que para mim o diferencia e lhe dá um significado ainda maior é a relação estreita com universo onírico e figurativo de um artista que, cego desde a infância, é capaz de produzir uma arte absolutamente fulgurante, cristalina, repleta de verdade e sentimentos genuínos. Sua música vai no fundo do fundo do fundo.
“Innervisions” é o auge criativo de Stevie Wonder. A estas alturas, 1973, ele já não era mais o Little Stevie de quando surgira, aos 16 anos, como um prodígio; mas, sim, o consagrado Stevie Wonder, sucessor de uma linhagem que vem de Sam Cooke, Solomon Burke, Ray Charles, James Brown e que vai parar nos criativíssimos artistas negros da gravadora Motown como ele. Compositor nato, multi-instrumentista e dono de uma voz potente e deliciosa, capaz de ir de uma escala à outra sem esforço, Stevie já era nesta época um artista planetário que vendia milhões de discos. Mas, mais do que isso, “Innervisions”, Grammy de Melhor Álbum do Ano em 1974, é o resultado de um autoacolhimento pessoal, de um sentimento muito íntimo e definitivo de reconhecimento dele mesmo enquanto portador de uma deficiência. Não é à toa que a obra se refere justamente ao sentido que ele não possui: a visão (e será que não possui mesmo?...). Ali Stevie está pleno de si, fazendo com que o problema da falta de visão não seja um problema, mas, pelo contrário, um canal sensitivo que o fez se tornar alguém tão sensível que suas percepções se afinam a tal ponto de não precisar mais enxergar. Prova maior disso é que ele compõe, toca, canta, arranja e produz todo o disco. Até (pasmem!) a capa é concebida por ele: um desenho bastante simbólico em que a energia produzida por seus olhos ganha a atmosfera e a amplidão.
E as músicas, o que dizer? Somente nove faixas, perfeitas em tudo: melodia, harmonia, execução, arranjo, canto, edição de áudio. Clássicos do cancioneiro norte-americano e mundial, marcos do que de mais sofisticado e criativo se fez em música pop no século XX. O álbum abre mandando ver com “Too High”, um funk-jazz fusion cheio de um suingue tão contagiante que isso chega a exalar por sua voz e por todos os sons que emanam. Moderníssima em sonoridade e texturas, é tudo o que músicos cool de hoje gostariam de fazer mas não conseguem atingir. “Too fine”!
Se o clima começa animado e dançante, “Visions”, uma melancólica balada tocada em guitarra base, baixo acústico e guitarra-ponto entra delicada mas dizendo a que veio. De arrepiar. Cantada com extremo lirismo, sua letra fala de igualdade entre os homens e de um princípio natural capaz de promover paz para todos. “A lei nunca foi aprovada/ Mas de alguma forma todos os homens sentem que estão verdadeiramente livres finalmente/ Será que realmente fomos tão longe no espaço e no tempo/ Ou isso é uma visão em minha mente?”.
Não seria exagero se Stevie quisesse acabar o disco já na segunda faixa, que é daquelas canções definitivas. Mas o bom é que não acaba!, e na sequência vêm o arrebatador tema-denúncia “Living for the City”, show de vocais e sintetizadores que aborda a opressão aos negros, e “Golden Lady”, um soul romântico e suingado tão belo que chega a reluzir. Sempre colando uma faixa à outra – como é característico de seus discos –, o astral leve de “Golden Lady” dá lugar ao funkão pesado de “Higher Ground”, tão rock em concepção que não precisou muito para que o Red Hot Chilli Peppers  a regravasse anos depois com mais distorção mas sem grande alteração no arranjo. Os versos: “People keep on learnin'/ Soldiers keep on warrin'” (“As pessoas continuam aprendendo/ Os soldados continuam lutando”), viraram clássicos. Incrível, incrível.
Outra de deixar de o queixo caído é “Jesus Children of America”, soul cantado em escala decrescente, mas que, do meio para o fim, aumenta um tom, o que faz Stevie soltar, em várias vozes sobrepostas, seu afinado e cintilante falsete. O clima cai novamente, agora para uma suíte romântica ao piano de fazer qualquer casal brigado reatar: “All in Love is Fair”, típica balada Motown, com sua levada carregada de sentimento e um refrão que explode em emoção. Nessa Stevie dá uma verdadeira aula de canto. De chorar, ainda mais no fim em que bateria, voz e piano dão os suspiros finais.
Mas  se Stevie é hábil nas lentas, também possui o mesmo talento para fazer mexer o esqueleto. “Don’t  You Worry ‘bout a Thing”, que vem logo em seguida, é uma rumba marcada no piano e nos chocalhos que faz enxugar as lágrimas e levantar o astral de novo. Usada mais de uma vez no cinema, como na comédia “Hitch” (a cena do passeio de Jet-ski pelo rio Hudson de Nova Iorque), é daquelas músicas tão alegres que remetem diretamente ao colorido alegórico da cultura africana, influência sempre tão presente e hibridizada na obra de Stevie. O disco encerra na atmosfera melódica e gostosa de “He’s Misstra Know-it-all”, com seus bongôs acompanhando a bateria e o piano num andamento suave e suingado que, ao final, vai sumindo devagarzinho enquanto Stevie improvisa nos vocais.
Essas cores e esse brilho estavam no palco quando vi Stevie pela TV no Rock in Rio. Aos 70 anos, toda aquela verdade e prazer de produzir uma arte pura e elevada podia ainda ser percebida. Não tinha como não ficar tocado. Reouvi “Innervisions” dias depois do show, ainda sob efeito da apresentação. Mas não chorei mais, pois me dei conta de definitivamente se tratar de um dos artistas mais importantes para a minha vida. Ele, que eu já sabia ser um dos maiores de todos os tempos, como Mozart, Ravel , Coltrane , Chico  e o próprio MacCartney. Pode colocá-lo tranquilamente nesta fila, que aqui pra mim o altar dele já está reservado.

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FAIXAS:

1. "Too High"  Stevie Wonder 4:36
2. "Visions"  Wonder 5:23
3. "Living For The City"  Wonder 7:23
4. "Golden Lady"  Wonder 4:58
5. "Higher Ground"  Wonder 3:43
6. "Jesus Children Of America"  Wonder 4:10
7. "All In Love Is Fair"  Wonder 3:42
8. "Don't You Worry 'bout a Thing"  Wonder 4:45
9. "He's Misstra Know-It-All"  Wonder 5:35


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Ouça:
Stevie Wonder Innervisions



quarta-feira, 20 de junho de 2018

Música da Cabeça - Programa #63


Inverno é sinônimo de frio, ok? Ok, mas a gente não se mixa para qualquer temperaturinha baixa! Aqui, a gente só faz aumentar a temperatura! No Música da Cabeça de hoje virão para esquentar nossas almas diletantes Os Mulheres Negras, My Bloody Valentine, The Cure e Red Hot Chili Peppers (afinal, quer coisa mais picante que um Chilli Peppers?!). Também, “Música de Fato”, “Palavra, Lê”, ainda repercutindo a Copa do Mundo, e um “Cabeça dos Outros” pra lá de especial. Isso e muito mais no nosso aquecedor sonoro desta noite aqui na Rádio Elétrica, às 21h. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues.


Rádio Elétrica:

sábado, 31 de outubro de 2026

Parliament - “The Clones of The Doctor Funkenstein” (1976)



“Dr. Funkenstein estava muito à frente de seu tempo."
Bootsie Collins

"À imagem do escolhido: Dr. Funkenstein/
E o funk é sua própria recompensa/
Posso te assustar?"
Trecho do Prólogo de "The Clones of the Doctor Funkenstein"


De todos os artistas da black music dos anos 70 nos Estados Unidos – e olha que não são poucos – certamente George Clinton foi o mais radical e produtivo. Contudo, talvez não tão dimensionado como Marvin Gaye, Stevie Wonder ou Curtis Mayfield naquela época. Filho da Motown, para a qual trabalhou produzindo e compondo por vários anos nas décadas de 50 e 60, ele admirava o funk de James Brown, bem como era um conhecedor de tradição do R&B. Tão conhecedor que entendeu por si próprio que podia adicionar a esse cabedal sonoro da música negra a psicodelia sixtie e potencializá-la. Foi quando tudo se transformou.

Admirador de Sly Stone, Jimi Hendrix e Frank Zappa, Clinton tirou deles os principais elementos para formar seu combo psychofunk Parliament-Funkadelic, as duas bandas que comanda simultaneamente desde 1970. Seja como Parliament (via de regra, mais dançante e festiva) ou Funkadelic (mais psicodélica e pesada em geral), o que prevalece, independente do nome, é a alta criatividade (sorvida a base de muita maconha) e as preciosas e numerosas contribuições de músicos gabaritados – como Bootsie Collins, Bernie Worrell, Maceo Parker, Rick Gardner e os irmãos Brecker –, alguns dos mais de 50 que o ajudaram a criar uma linguagem musical e estética próprias. Uma verdadeira cultura lisérgica e freak, que se disseminou para além da música, virando HQ, desenho animado, filmes, brinquedo e toda uma gama de produtos excêntricos.

Em seu universo de extraterrestres, naves espaciais, seres mitológicos e criaturas monstruosas, “The Clones of The Doctor Funkenstein”, da Parliament, que completa 50 anos de lançamento, é um perfeito exemplar. O título, que inventa um Prometeu negro maligno e cheio de groove (assim como o próprio Clinton), já da a noção dessa mistura catalisadora e liberta de preconcepções. E Clinton puxa um pouco de cada um daquelas suas principais referências. De Sly, a liberdade de adicionar a soul a psicodelia da contracultura, inclusive subvertendo o apartheid do meio musical de então ao convocar brancos para fazer música de preto. De Hendrix, por outro lado, além da lisergia e da extravagância, vinha a liberdade de reivindicar para si o peso das guitarras do rock – afinal, foram os pretos que o inventaram. De Zappa, por fim, a liberdade de misturar sem receio jazz, rock, soul e avant garde, bem como a proficuidade de se permitir produzir muito sem perder a qualidade. Para se ter ideia, além de “Clones...”, pela Funkadelic ele lançava naquele mesmo ano dois outros excelentes álbuns: “Hardcore Jollies” e “Tales of Kidd Funkadelic”. De 1970 até aquele ano, juntando as duas bandas, já se somavam 11 discos fora estes, uma média de mais de dois álbuns anualmente.

Boneco do Dr. Funkenstein
“Clones...”, quinto da discografia da Parliament, mostra um grupo perfeitamente afiado em conceito e sonoridade, além de trazer um verdadeiro alter-ego de Clinton na figura desse “Prometeu Negro”. Tem funk melódico, dançante, romântico, chapado, Tem rock, jazz, R&B, soul. Coros, vocais solo. Arranjos de metais inspiradíssimos. De um tudo num dos álbuns mais diversificado de Clinton & Cia. O começo é com uma sinistra e ao mesmo tempo engraçada apresentação, com a fala de uma voz grave e demoníaca (“Era uma vez o Funk/ Nos dias dos Funkapus/ O conceito de Afronautas especialmente projetados/ Capazes de funkatizar galáxias”) tal a do ator William Marshall como o personagem do filme blackexplotation “Blackula”, e que também inspiraria a famosa voz de Jack Palance em “Thriller”, de Michael Jackson. Em seguida, entra "Gamin' On Ya", um exercício quase instrumental com seu riff de teclados oriental e um excelente arranjo de metais assinados por Worrell, tecladista, compositor e um dos grandes parceiros musicais de Clinton.

Segundo maior sucesso comercial da banda, a música “Dr. Funkenstein”, que chegou ao 43º lugar na parada pop Billboard, trava um diálogo entre criador e criatura quando Clinton conversa com a voz esganiçada do conclamado “Rei do Funk”. Destaca-se, já de cara, o som do baixo de Bootsie, célebre egresso da banda de James Brown e um dos mais ativos integrantes da Parliament-Funkadelic. Além disso, é impagável o coro cantando sob as risadas esquisitas de Funkenstein: “We love to funk you, Funkenstein/ Your funk is the best/ Take my body, give it the mind/ To funk with the rest”.

Assim como a anterior, "Children Of Production", que segue no tema de Funkenstein, porém agora falando de seu diabólico filho, os exímios arranjos de metais são de autoria de outro ex-integrante do conjunto de James Brown: o trombonista e compositor Fred Wesley. Assim como o baterista Frankie Waddy – mais um ex-Mr. Dynamite –, Wesley, de formação jazzística, trazia para a Parliament a sonoridade raiz do R&B. “Getter to Know You” não deixa mentir, em que a linha de metais acompanha o belo vocal solo de Clinton.


Anúncio de TV marcando a volta do Dr. Funkenstein contra a "Síndrome do Placebo"


Se “Dr. Funkenstein” foi o segundo maior sucesso da Parliament, “Do the Stuff” foi o grande hit, alcançando o 23º posto das paradas. Funk gostoso, daqueles de sacolejar o esqueleto. Começa com um show de bateria de Waddy, mas logo todos se apresentam: Bootsie com seu baixo inconfundível, o coro P-Funk, os sopros em frases inspiradas, a guitarra rítmica com chuggings e os teclados cheios de groove. 

Intercalando com Wesley, é Worrell quem assina os arranjos de metais das três últimas faixas. “Everything Is On The One” brinca melódica e metalinguisticamente com a repetição do verso “tudo está em um”. Nesta, a galera aproveita para soltar a voz em melismas e improvisos. Já a espetacular e sensual “I've Been Watching You (Move Your Sexy Body)” dá pinta de que vai encerrar o disco. Funk cadenciado e psicodélico, anda no ritmo de uma transa sob efeito de LSD e sem pressa para acabar aquele barato. Mas para quem achava que “Everything...” fecharia os trabalhos, ainda vem a embalada soul "Funkin' For Fun" só para dar mais cores a essa ópera-rock doidona e saborosa.

“Clones...” alcançou a posição #20 na parada pop da Billboard e se tornou o segundo álbum do Parliament a ser certificado disco de ouro. Assim como este, outros trabalhos do combo P-Funk também foram altamente influentes, como “Maggot Brain”, "Mothership Connection", “Uncle Jam Wants You”, “Funkentelechy vs. the Placebo Syndrome” e “One Nation Under a Groove”, bem como os discos de Bootsie, do spin-off Parlet e da apadrinhada Zapp, a quem 2Pac samplearia mais tarde. E não somente ele, mas toda a geração do rap, como Snoopy Dog, Dr. Dre, Public Enemy, De La Soul e LL Cool J. Mas não só: roqueiros como Red Hot Chilli Peppers e Living Colour, por exemplo, talvez nem existissem não fosse o pioneirismo de Clinton e sua turma. 

O reconhecimento por tudo isso um dia deveria vir. E veio. Em 2012, a Parliament-Funkadelic foi introduzida no Hall da Fama do Rock and Roll. No mesmo ano, a Berklee College of Music concede a George Clinton o título de Doutor Honoris Causa em Música. Após mais de meio século de uma experiência radical na música negra norte-americana, o "cientista do funk" Dr. Funkenstein, finalmente, recebe seu diploma.

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FAIXAS:
1. "Prelude" (Bernie Worrell, George Clinton) - 1:40
2. "Gamin' On Ya" (Worrell, Collins, Bootsie Clinton) - 3:02
3. "Dr. Funkenstein" (Worrell, Collins, Clinton) - :46
4. "Children Of Production" (Worrell, Collins, Clinton) - 3:57
5. "Getten' To Know You (Garry Shider, Clinton) - 5:20
6. "Do That Stuff" (Worrell, Shider, Clinton) - 4:47
7. "Everything Is On The One" (Worrell, Collins, Clinton) - 3:47
8. "I've Been Watching You (Move Your Sexy Body)" (Shider, Clinton, Glen Goins) - 6:01
9. "Funkin' For Fun" (Shider, Clinton, Goins) - 5:56

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OUÇA:

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Daniel Rodrigues