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segunda-feira, 16 de março de 2026

Oscar 2026 - Os Vencedores


E não deu pro nosso “O Agente Secreto”! Diferentemente do ano passado, quando “Ainda Estou Aqui” sagrou-se com o Oscar de Melhor Filme Internacional, desta vez, o longa de Kleber Mendonça Filho saiu de mãos vazias da cerimônia da maior premiação de cinema do mundo. Em Filme, no qual concorria, o grande vencedor foi, merecidamente, “Uma Batalha após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, que também levou outros cinco, sendo quatro dos principais: Diretor, Roteiro Adaptado, Edição e Ator Coadjuvante para Sean Penn. Em Filme Internacional, o que mais se esperava para “O Agente...”, quem ganhou foi o norueguês “Valor Sentimental”, confirmando as últimas previsões. Dói dizer, mas foi um prêmio justo, uma vez que o filme de Joachim Trier é realmente brilhante.

O filme brasileiro ainda concorreu em outras duas categorias, que também foram para outras produções. Na nova categoria de Seleção de Elenco, Wagner Moura, junto com outros representantes de cada um dos filmes concorrentes, subiu ao palco para, em inglês, destacar o trabalho do Diretor de Elenco de “O Agente...”, Gabriel Domingues. Mas quem levou mesmo foi, novamente, “Uma Batalha....”. Ainda mais em se tratando de uma categoria nova, era de se imaginar que um filme estrangeiro, por melhor que fosse, como é o caso de “O Agente...”, não levasse. Normal.

Mas o gostinho amargo ficou mesmo na de Ator, que consagrou Michael B. Jordan por sua dupla atuação em “Pecadores”. Era de se esperar que o filme do talentoso Ryan Coogler abocanhasse algumas estatuetas, visto que é o recordista em indicações na história do evento (16), o que se confirmou para menos apenas nas de Fotografia, Trilha Sonora Original e Roteiro Original. Embora a importância histórica da conquista de Jordan, apenas o sexto ator negro a ganhar nesta categoria em 98 edições do prêmio, não se trata de uma atuação tão merecida. Somados, o imbróglio com Timothée Chalamet semanas antes do Oscar com suas declarações tão arrogantes quanto o personagem que encarna em “Marty Supreme” (filme que saiu de mãos abanando, aliás), bem como o inconcebível episódio de racismo sofrido por Jordan durante a cerimônia do Bafta, fizeram com que o Oscar caísse no colo dele. 

A questão é que, atuação por atuação, a de Wagner é bem melhor. Jordan, em sua primeira indicação, já atuara muito melhor nos dois primeiros filmes da série “Creed”, ambos dirigidos por Coogler, sem ser devidamente valorizado por ser "filme de boxeador". Agora, diante da falta de opções domésticas, a Academia nem pestanejou em escolhê-lo de forma a se garantir como “não racista”. Imagina se não dessem para ele o prêmio, o quanto se estaria falando mal do Oscar hoje? Pelo menos, uma lógica se fez presente: entre uma boa atuação em um filme bom e uma boa atuação em um filme nem tão bom, fica-se com o primeiro. Entre “Pecadores” e “Marty Supreme”, esse funcionamento está certo. Mas em comparação com “O Agente...”, infelizmente, não, pois o longa brasileiro encerra as duas coisas: filme bom e boa atuação. E se fosse realmente ortodoxa e não tão situacional a premiação do Oscar, Leonardo DiCaprio, consagrado e já vencedor anos atrás, está muito melhor do que Jordan e Chalamet juntos em "Uma Batalha...".

Outro brasileiro que talvez pudesse ter sido mais valorizado é Adolpho Veloso em Fotografia por seu “Sonhos de Trem”, que perdeu para “Pecadores”. Legal o trabalho de Autumn Arkapaw, primeira mulher (e negra!) a vencer nessa categoria, mas qualquer um que veja “Sonhos...” percebe que a escolha final poderia ser outra. Autumn, no entanto, fez o mais bonito e simbólico discurso da noite, quando convidou todas as mulheres presentes a se levantarem para saudá-las, uma vez que disse não ter chegado até ali sem a contribuição de todas elas.

Independentemente disso tudo, as quatro indicações de “O Agente...”, superando “Ainda...” no ano passado, que teve três, e a visibilidade que o cinema nacional está tendo e, possivelmente, manterá, é uma conquista enorme. Diferentemente de tempos passados, quando, nos anos 90, filmes como “O Que é Isso, Companheiro?” e “O Quatrilho” concorreram, mas sabidamente sem chance de premiação, agora não só estamos no páreo, como - caso de “Ainda...” - não figuramos mais só como patinhos-feios. Estamos "nas cabeças" e, agora, ninguém nos tira daqui! 

E no que se refere ao grande vencedor, "Uma Batalha...", embora sem discurso político - o que ficou a cargo de Javier Barden quando subiu ao palco para anunciar o Oscar de Filme Internacional -, o crítico e mordaz filme fala por si em épocas de governo Trump,

Fora isso, “Guerreiras do K Pop”, que ganhou fácil o Oscar de Animação, levou a melhor na queda de braço com “Pecadores” em Canção Original; o irregular “Frankenstein” abocanhou três técnicos (Figurino, Direção de Arte e Maquiagem e Cabelo); o doc foi para “Um Zé Ninguém contra Putin” e não para “A Vizinha Perfeita’ como suspeitava; Jessie Buckley superou Rose Byrne em Atriz e... abaixo a gente tem a listagem completa de como foi a premiação do 98º Oscar. 

📹📹📹📹📹📹📹📹

Melhor filme

'Uma batalha após a outra'


Atriz

Jessie Buckley


Ator

Michael B. Jordan


Direção

Paul Thomas Anderson


Canção original

'Golden', de 'Guerreiras do K-Pop' 


Filme internacional

''Valor sentimental' - Noruega 


Fotografia

'Pecadores' 


Montagem

'Uma batalha após a outra' 


Som

'F1: O filme' 


Trilha sonora original

''Pecadores'


Documentário

'Um Zé Ninguém contra Putin'


Documentário em curta-metragem

'Quartos vazios'


Efeitos visuais

'Avatar: Fogo e cinzas' 


Direção de arte

'Frankenstein' 


Roteiro original

'Pecadores' 


Roteiro adaptado

'Uma batalha após a outra' 


Ator coadjuvante

Sean Penn


Curta-metragem com atores

'The Singers' 

'Two People Exchanging Saliva' 


Seleção de elenco

'Uma batalha após a outra'


Maquiagem e cabelo

'Frankenstein'


Figurino

'Frankenstein' 


Animação de curta-metragem

''The Girl Who Cried Pearls'


Animação

'Guerreiras do K-Pop'


Atriz coadjuvante

Amy Madigan


📹📹📹📹📹📹📹📹

Daniel Rodrigues

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

“Valor Sentimental”, de Joachim Trier (2025)

INDICAÇÕES
Melhor Filme
Melhor Filme Internacional
Melhor Direção (Joachim Trier)
Melhor Atriz (Renate Reinsve)
Melhor Ator Coadjuvante (Stellan Skarsgård)
Melhor Atriz Coadjuvante (Elle  Fanning)
Melhor Atriz Coadjuvante (Inga Ibsdotter Lilleaas)
Melhor Roteiro Original (Eskil Vogt e Joachim Trier)
Melhor Montagem (Olivier Bugge Coutté)


A pior pessoa do mundo

Nos últimos anos, acompanhando a discussão e o repensar dos papeis de gênero na sociedade através de vários campos do conhecimento como a Psicologia e a Sociologia, o cinema tem trazido a figura masculina com um forte teor crítico. Nunca antes a masculinidade havia sido tão observada e, principalmente, criticada e exposta. Somente entre os filmes concorrentes ao Oscar nas principais categorias, ao menos três deles – “Bugonia”, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” e “Se eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria” – têm protagonistas mulheres e, mais do que isso, colocam a figura do homem numa posição, se não secundária, fragilizada. Outro filme também do Oscar, no entanto, vai ainda mais fundo nesse desnudamento masculino com suas fragilidades e fraquezas: o norueguês “Valor Sentimental”, do cineasta Joachim Trier.

Hábil questionador das relações humanas, Trier volta seu olhar desta vez para a família. Se no seu filme anterior, o exitoso “A Pior Pessoa do Mundo”, ele trazia uma personagem feminina em busca interna pelo seu lugar no mundo, em “Valor...” o diretor não deixa de mirar a câmera também na mulher, não à toa com a mesma atriz de “A Pior...”, Renate Reinsve. É Nora, uma consagrada atriz de teatro, que desencadeia os conflitos de toda uma rede de laços familiares e ancestrais motivada pela conturbada relação com o pai, o cineasta Gustav Borg, vivido pelo excelente Stellan Skarsgård – ator de papeis inesquecíveis no cinema (como o doutor de “Dançando no Escuro”, Jack de “Melancolia”, e Bootstrap Bill Turner de “Piratas do Caribe”).

O brilhante roteiro original (de Trier e Eskil Vogt) consegue contemplar todo o ecossistema dos Borg – com os ótimos flashbacks, que recontam a história familiar e seus traumas, na medida certa para elucidar esfinges do presente – sem, contudo, desviar-se do protagonismo feminino. Soma-se a esse enfoque, para o qual Trier demonstra ter grande sensibilidade, as personagens Agnes, irmã de Nora, e a atriz Rachel Kemp (Elle Fanning), que, por conta do filme que Gustav pretende rodar sobre a sua própria história, vai ficando, por influência nociva dele, cada vez mais parecida física e emocionalmente com Nora.

“Valor...” é um filme sofrido. Há poucos respiros de “não-sofrimentos”, pois tudo dói. Tudo retorna àqueles pontos mal resolvidos, num círculo vicioso em que a figura masculina/paterna se mostra bastante despreparada. Gustav, que cometeu abandono no passado afetivo, é incapaz de conviver com as filhas sem um punhado de microagressões nas mãos, sem recorrer à sua falta de inteligência emocional. Quem é mesmo o sexo frágil? Existe sexo frágil? A dureza do longa, nesse sentido, é perfeitamente plausível, uma vez que, na vida real, problemas de relacionamento tão basais como os de laços familiares, quando não resolvidos, passam a ficar latentes. Ora aqui, ora ali, aparecem, até que sejam identificados e, quiçá, amenizados ou sanados. Por isso, “Valor...” é por vezes cruel, mas muito coerente, e é importante que o cinema trate temas importantes dessa forma séria a comprometida.

E se a mulher é vista como alguém consciente de suas fragilidades, mas suficientemente forte para buscar acolher o que lhe faz mal, o homem, na figura de um pai de família da classe alta, nórdico e de uma geração pós-Guerra, tem grande dificuldade de expressar emoções e resolver seus traumas. E pior: é alguém pouco disposto a mudar. É em personagens como Gustav que se vê o declínio do homem como se construiu culturalmente ao longo dos séculos. Antes, o dono do mundo; hoje, a pior pessoa do mundo. Nada diferente do que se observa na sociedade – e nem precisa ser nórdica para isso. Trier opta por expor esse despreparo emocional do homem, ao contrário de "ocultá-lo" como em outros recentes filmes críticos da masculinidade, cuja figura do macho, tão aberrante quanto patética (como um monstro em forma de gente), mal aparece, a se ver por “Se Eu Tivesse Pernas...”. Fato é que urge repensar a psique masculina e a falida cultura que sustenta o machismo e o patriarcado na sociedade. Os filmes estão gritando esse alerta.

Concorrente a nove estatuetas do Oscar, “Valor...”, que se mostrava um forte adversário do brasileiro “O Agente Secreto” na categoria Longa Internacional quando o Oscar chegasse, parece ter perdido musculatura desde o Globo de Ouro, quando levou apenas Ator Coadjuvante para Skarsgård, quase um prêmio de consolação. Em Longa Internacional, além do filme de Kleber Mendonça Filho, “A Voz de Hind Rajab” ganhou mais força nas últimas semanas e começa a ver o norueguês pelo retrovisor. Mas embora os melhores filmes da temporada sejam de fato “O Agente...” e “Foi Apenas um Acidente” (o outro filme concorrente nesta categoria junto com "Sïrat"), não seria nada estranho se “Valor...” ganhasse. Qualidade para isso tem.

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trailer de "Valor Sentimental"


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"Valor Sentimental"
título original: "Affeksjonsverdi/ Sentimental Value"
direção: Joachim Trier
gênero: drama
duração: 2h13min.
país: Noruega/ Alemanha
ano: 2025
onde assistir: Mubi e cinemas



Daniel Rodrigues


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Oscar 2026 - Os Indicados


Nosso "O Agente Secreto" é o Brasil no Oscar. De novo!
Desde a manhã desta quinta-feira, 22 de fevereiro, nós brasileiros podemos afirmar: “ainda estamos aqui!” O “aqui” a que me refiro, claro, é o Oscar, que o filme brasileiro “O Agente Secreto”, multivencedor em diversos festivais pelo mundo, inclusive o Globo de Ouro em duas categorias a pouco mais de uma semana, tornou-se um dos indicados a quatro estatuetas. O parafraseado que remete ao filme “Ainda Estou Aqui”, indicado a três Oscar e vencedor em Filme Internacional no ano passado, não é mera brincadeira semântica, visto que tem, sim, relação com o feito de “O Agente...”, que dá seguimento a esta visibilidade ao cinema nacional e também empata em indicações com outro filme brasileiro, “Cidade de Deus”, de 2002. Ou seja: já está fazendo história.

É importante que se diga que estas quatro indicações ao Oscar para o filme de Kleber Mendonça Filho são ainda mais significativas. A grande diferença desta vez é que, ao invés de apenas ser uma grande conquista as indicações em si, “O Agente...” tem grandes chances de ganhar em pelo menos uma dessas categorias, que acredito ser a de Filme Internacional, ao contrário de “Cidade...”, que não ganhou nenhum na época. Isso mostra que estamos num momento muito mais maduro do cinema brasileiro em relação à sua visibilidade internacional, ao contrário de quando concorremos com “Cidade...” em que a imagem que tínhamos era muito mais de “azarão” ou de “distantes”, mesmo com toda a influência que o filme de Fernando Meirelles e Katia Lund exerceu no cinema mundial à época. Isso, somado ao sucesso de “Ainda...” desde o ano passado e de vários outros filmes brasileiros que também têm sido apreciados lá fora e aqui dentro, deixa claro que estamos, sim, num momento histórico para o cinema brasileiro.

“O Agente...” entra no páreo também na categoria de Ator, para Wagner Moura, embora a tendência é premiarem, depois de tantas indicações, Timothée Chalamet por “Marty Supreme”. Não diria que é injusto, mas filme por filme, fico com “O Agente...”, o que engrandece, a meu ver, a atuação de Wagner. Veremos, mas seria a glória que o baiano ganhasse, hein? Noutra em que o filme concorre é a de Direção de Elenco, a nova categoria do Oscar incluída este ano. Novamente, o brasileiro mereceria, até pela perícia de realizar um filme repleto de personagens e tendo vários atores locais (o chamado “desconhecidos” para os gringos). Porém, “Pecadores” e “Uma Batalha após a Outra” saem na frente, principalmente o longa de Paul Thomas Anderson, repleto de atores top e com a sua conhecida habilidade de direção de atores.

Enfim, a categoria menos provável a que “O Agente...” se sagre campeão, que é a de Filme. Nesta, novamente “Uma Batalha...” desponta, acompanhado de perto de “Hamnet”. Entretanto, assim como para com “Ainda...” em 2025, contar com um brasileiro (e falado em português!) entre os 10 selecionados – mérito que cresce ainda mais considerando que, junto com o norueguês “Valor Sentimental”, é o único estrangeiro da lista.

De resto, o bom “Pecadores” sai supervalorizado, talvez até em demasia, com 16 indicações, recorde em quase 100 anos de Oscar, batendo “Tudo sobre Eva” (1950), “Titanic” (1997) e “La La Land” (2016). Embora goste do diretor Ryan Coogler, torço mesmo para que ganhe Música Original e ator coadjuvante para Delroy Lindo. No mais, Chloé Zhao rivaliza com P.T. Anderson em Direção, legal ver Amy Madigan indicada a Atriz Coadjuvante pelo terror “A Hora do Mal” e “Valor Sentimental”, badalado até o Globo de Ouro, onde ficou apenas com o de Ator em Drama e perdeu "musculatura", embora indicado a 9 Oscar (recorde para um filme da Noruega), talvez saia com um ou dois (Atriz Coadjuvante, Roteiro Original...). Tomara que naquela que é sua maior chance, Filme Internacional, “confirme a derrota” para “O Agente...”.

Mas o Brasil está em evidência não só em quatro categorias, mas em cinco! Isso porque o brasileiro Adolpho Veloso concorre em Fotografia pela produção norte-americana “Sonhos de Trem”. Entretanto, “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, que concorreu sete anos atrás a Documentário por “Democracia em Vertigem”, desta vez não entrou na lista. Aqui, a aposta é no impactante “A Vizinha Perfeita”.

Confiram, então, a lista completa dos indicados ao Oscar 2026, agora em plena torcida para “O Agente...” e Veloso, que o Brasil diz que ainda estamos aqui, na vitrine do cinema mundial, e daqui não queremos mais sair. 

🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥

Melhor Filme

"Bugonia"

"F-1"

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"O Agente Secreto"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"

"Sonhos de Trem"


Melhor Direção

Chloé Zhao, por "Hamnet"

Josh Safdie, por "Marty Supreme"

Paul Thomas Anderson, por "Uma Batalha Após A Outra"

Joachim Trier, por "Valor Sentimental"

Ryan Coogler, por "Pecadores"


Melhor Ator

Timothée Chalamet, por "Marty Supreme"

Leonardo DiCaprio, por "Uma Batalha Após A Outra"

Ethan Hawke, por "Blue Moon"

Michael B. Jordan, por "Pecadores"

Wagner Moura, por "O Agente Secreto"


Melhor Atriz

Jessie Buckley, por "Hamnet"

Rose Byrne, por "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"

Kate Hudson, por "Song Sung Blue"

Renat Reinsve, por "Valor Sentimental"

Emma Stone, por "Bugonia"


Melhor Ator Coadjuvante

Benicio del Toro, por "Uma Batalha Após A Outra"

Jacob Elordi, por "Frankenstein"

Delroy Lindo, por "Pecadores"

Sean Penn, por "Uma Batalha Após A Outra"

Stellan Skarsgård, por "Valor Sentimental"


Melhor Atriz Coadjuvante

Elle Fanning, por "Valor Sentimental"

Inga Ibsdotter Lilleaas, por "Valor Sentimental"

Amy Madigan, por "A Hora do Mal"

Wunmi Mosaku, por "Pecadores"

Teyana Taylor, por "Uma Batalha Após A Outra"


Melhor Elenco

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"O Agente Secreto"

"Pecadores"


Melhor Roteiro Original

"Blue Moon"

"Foi Apenas Um Acidente"

"Marty Supreme"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"


Melhor Roteiro Adaptado

"Bugonia"

"Frankestein"

"Hamnet"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Sonhos de Trem"


Melhor Filme de Animação

"Arco"

"Elio"

"Guerreiras do K-pop"

"A Pequena Amélie"

"Zootopia 2"


Melhor Filme Internacional

"O Agente Secreto"

"Foi Apenas Um Acidente"

"Valor Sentimental"

"Sirāt"

"The Voice of Hind Rajab"


Melhor Documentário em Longa-Metragem

"Alabama: Presos no Alabama"

"Embaixo da Luz Neon"

"Cutting Through Rocks"

"Mr Nobody Against Putin"

"A Vizinha Perfeita"


Melhor Documentário em Curta-Metragem

"Quartos Vazios"

"Armed Only with a Camera: The Life and Death of Brent Renaud"

"Children No More: Were and are Gone"

"O Diabo Não Tem Descanso"

"Perfectly A Strangeness"


Melhor Curta-Metragem em Live Action

"Butcher's Stain"

"A Friend Of Dorothy"

"Jane Austen's Period Drama"

"The Singers"

"Two People Exchanging Saliva"


Melhor Animação em Curta-Metragem

"Butterfly"

"Forevergreen"

"The Girl Who Cried Pearls"

"Retirement Plan"

"The Three Sisters"


Melhor Trilha Sonora

"Bugonia"

"Frankestein"

"Hamnet"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"


Melhor Canção Original

"Dear Me", de "Diane Warren: Relentless"

"Golden", de "Guerreiras do K-pop"

"I Lied To You", de "Pecadores"

"Sweet Dreams Of Joy", de "Viva Verdi!"

"Sonhos de Trem", de "Sonhos de Trem"


Melhor Som

"F-1"

"Frankenstein"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"

"Sirāt"


Melhor Fotografia

"Frankenstein"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Sinners"

"Sonhos de Trem"


Melhor Design de Produção

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"


Melhor Figurino

"Avatar: Fogo e Cinzas"

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Pecadores"


Melhor Cabelo e Maquiagem

"Frankenstein"

"Kokuho"

"Pecadores"

"Coração de Lutador: The Smashing Machine"

"A Meia-Irmã Feia"


Melhor Montagem

"F-1"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"


Melhores Efeitos Visuais

"Avatar: Fogo e Cinzas"

"F-1"

"Jurassic World: Recomeço"

"O Ônibus Perdido"

"Pecadores"


Daniel Rodrigues


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Globo de Ouro 2026 - Os Vencedores

 

Quando soube das filmagens de um novo filme de Kleber Mendonça Filho, ainda em 2024, que se passaria no período da ditadura militar no Brasil e que já se sabia que se chamaria "O Agente Secreto", já dava para imaginar que seria algo especial. Aí veio o reconhecimento no melhor festival de cinema do mundo, Cannes, onde o filme estreou e ganhou dois prêmios. Quando assisti, tempo depois, confirmei a expectativa. Depois, mais premiações importantes: 54 no total, sendo 20 internacionais.

Até que, enfim, "O Agente..." - já um pré-indicado a Oscar de Filme Internacional e provavelmente Filme e a ator pra Wagner Moura - chega ao Globo de Ouro e.... vence! E vence em duas categorias superimportantes: Filme em Língua Não-Inglesa e em Ator em Drama! Superando, inclusive, "Ainda Estou Aqui", que no ano passado deu o globo a Fernanda Torres, mas perdeu para o questionável "Emília Perez". E ainda o filme bate fortes concorrentes, como o essencial "Foi Apenas um Acidente", o Palma de Ouro do ano, e o badalado "Valor Sentimental" (que foi bem rejeitadinho, convenhamos).

Mas não teve pra ninguém! É o Brasil de novo nas cabeças! Ah, teve outras premiações, né? "Uma Batalha Após a Outra" levou os principais? "Hamnet" lascou o de Filme de Drama? "Adolescência" abocanhou o que devia em série de TV? Sim, mas permitam que, desta vez, eu destaque o filme brasileiro, que marcou história já ao ser indicado a três categorias no Globo de Ouro e, mais do que isso, levou dois!

Mas, ok, ok! Vou deixar que saibam quem foram os outros premiados. (mas já na torcida para "O Agente..." agora no Oscar!)

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Melhor filme de drama

"Hamnet: A vida antes de Hamlet"


Melhor filme de comédia ou musical

"Uma batalha após a outra" 


Melhor ator em filme de drama

Wagner Moura, "O Agente Secreto" 


Melhor atriz em filme de drama

Jessie Buckley, "Hamnet: A vida antes de Hamlet"


Melhor série de comédia ou musical

"The Studio"


Melhor minissérie, antologia ou filme para a TV

"Adolescência"


Melhor série de drama

"The Pitt"


Melhor atriz em série de drama

Rhea Seehorn, "Pluribus"


Melhor performance de comédia stand-up na TV

Ricky Gervais, "Ricky Gervais: Mortality"


Melhor atriz coadjuvante na TV

Erin Doherty, "Adolescência"


Melhor filme em língua não-inglesa

"O Agente Secreto"


Melhor filme de animação

"Guerreiras do K-Pop" 


Melhor direção em filme

Paul Thomas Anderson, "Uma batalha após a outra"


Melhor destaque em bilheteria

"Pecadores"


Melhor atriz em minissérie, antologia ou filme para a TV

Michelle Williams, "Dying for Sex"


Melhor ator em minissérie, antologia ou filme para a TV

Stephen Graham, "Adolescência"


Melhor ator em filme de musical ou comédia

Timothée Chalamet, "Marty Supreme"


Melhor atriz em filme de musical ou comédia

Rose Byrne, "Se eu tivesse pernas, eu te chutaria"


Melhor roteiro em filme

Paul Thomas Anderson, "Uma Batalha Após a Outra"


Melhor trilha sonora de filme

"Pecadores" 


Melhor canção em filme

"Golden", "Guerreiras do K-Pop"


Melhor podcast

"Good Hang with Amy Poehler" 


Melhor ator em TV de musical ou comédia

Seth Rogen, "The Studio"


Melhor ator coadjuvante na TV

Owen Cooper, "Adolescência" 


Melhor atriz em série de musical ou comédia

Jean Smart, "Hacks"


Melhor ator em série de drama

Noah Wyle, "The Pitt"


Melhor ator coadjuvante em filme

Stellan Skarsgard, "Valor Sentimental"


Melhor atriz coadjuvante em filme

Teyana Taylor, "Uma Batalha Após a Outra"



Daniel Rodrigues

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

“Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson (2025)

 
INDICAÇÕES
MELHOR FILME
MELHOR DIREÇÃO
MELHOR ROTEIRO
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
MELHOR ATOR COADJUVANTE
MELHOR ATOR
MELHOR ATOR COADJUVANTE
MELHOR FOTOGRAFIA
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
MELHOR MONTAGEM
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
MELHOR FIGURINO
MELHOR SOM

A premiação do Oscar, às vezes, depende da configuração dos astros. Mas não os daqui da Terra, aqueles que estrelam os milionários filmes de Hollywood e, sim, os que estão no firmamento e que comandam os movimentos do universo. Isso talvez explique por que há casos em que determinado cineasta não ganha a estatueta por filmes que merecia mas, curiosamente, seja premiado justamente por um não necessariamente o seu melhor trabalho. Isso já aconteceu com Martin Scorsese, por exemplo. Várias vezes indicados por grandes filmes durante quatro décadas, só foi receber o Oscar em 2006, por “Os Infiltrados”, obra, sim, carregada de seus elementos fílmicos, mas não uma obra-prima como “Os Bons Companheiros” ou “Touro Indomável”. E tudo bem. Antes tarde do que nunca.

Algo semelhante deve ocorrer com outro desses multi-indicados ao Oscar neste ano: o cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson. Ele provavelmente concorrerá com o empolgante “Uma Batalha Após a Outra”, o qual tem boas chances de levar para casa o título tanto de Filme quanto de Direção. Porém, por melhor que seja, e semelhantemente a seu mestre Scorsese, não supera aquilo que ele mesmo já fez, no caso, as obras-primas “Magnólia”, “Boogie Nights: Prazer sem Limites” e “Sangue Negro”. Indicado 16 vezes ao Oscar tanto como roteirista quanto como diretor, Anderson, porém, tem tudo para, desta vez, emplacar com sua nova e fabulosa aventura cômica sobre os limites do extremismo político.

Na trama, Bob (Leonardo DiCaprio) e Perfidia (Teyana Taylor) fazem parte do grupo revolucionário antifascista 75 Franceses. Eles têm como missão mudar o mundo a partir da fronteira entre os Estados Unidos e o México por meio de atos de terrorismo doméstico, principalmente em defesa dos imigrantes. Mas tudo dá errado quando Perfídia é capturada por seu arqui-inimigo, o Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn). 19 anos depois, Perfídia se foi, e Bob, agora drogado e paranoico, vive isolado de qualquer façanha revolucionária, dedicado à criação de sua filha adolescente, Willa (Chase Infiniti). Enquanto isso, Lockjaw aspira se juntar a um tipo de organização maçônica elitista e supremacista, mas tem medo que segredos de seu passado venham à tona. A decisão, então, é eliminar qualquer vestígio de evidência, algo que Bob será forçado a sair da inércia e impedir.

Com a edição caprichada de sempre, a excelente trilha do “Radiohead” Johnny Greenwood, cenas tecnicamente perfeitas e – também como sempre – direção de atores muito bem conduzida por Anderson, trata-se de um filme distinto e, ao mesmo tempo, necessário para estes tempos de polarização política no mundo. Senhor de algumas das melhores cenas da história do cinema dos últimos 30 anos, como a da explosão do poço de petróleo em "Sangue..." ou o plano-sequência da festa de ano novo de final trágico de "Boogie...", Anderson não deixa por menos em "Uma Batalha...". São várias as ótimas cenas do filme, espacialmente a da perseguição de carros na estrada com declives em que se vale de movimentos de câmera muito bem pensados e diferentes lentes para adicionar uma sensação de vertigem à eletrizante ação. 

Ao passo que escancara a fragilidade e o isolamento existencial provocados pela utopia da extrema-esquerda, o filme também evidencia o quão patéticos são os poderosos fascistas travestidos de liberais. O que estes têm é poder e dinheiro, mas nenhuma ética ou sensibilidade humanística. Os radicais revolucionários, no entanto, embora também criticados, são, no fim das contas, desculpados em sua inocência por Anderson, pois estão a serviço de uma causa maior. Igualmente à regeneração dos viciados em sexo e drogas de “Boogie...”, ou à memorável chuva de sapos de “Magnólia”, responsável por render as pessoas ao perdão, em seu novo filme o diretor mostra que “a batalha continua”. Uma após a outra, uma a cada dia para desbancar esse mundo perverso e assassino da classe dominante. 

Sean Penn brilhante no papel do escroto (e patético) Coronel Steven

Afora Anderson e seu filme, o Oscar pode também cair no colo Penn ou Del Toro como Ator Coadjuvante. Para qualquer um dos dois, se vier, está bem entregue. Já a categoria de Ator, por mais que DiCaprio desempenhe como só ele sabe fazer, em princípio parece que, nesta corrida, ele perde para outros concorrentes, inclusive Wagner Moura por “O Agente Secreto”. É outro caso de oscarizado que já fazia por merecer há bastante tempo até, enfim, recebê-lo por “O Regresso”, em 2015. Desta vez, não parece que a Academia esteja disposta a premiá-lo novamente.

Premiado ou não, DiCaprio está impecável. Poucos ou nenhum ator da atualidade é capaz como ele de dar a medida certa a personagens tão desiguais como Bob. Não à toa diretores como Scorsese, Clint EastwoodQuentin Tarantino e Alejandro González Iñárritu procuram-no, pois DiCaprio é hábil nesses papeis de difícil equação. Como Bob, ele vai da candura ao cômico, da insegurança à histeria sem perder o fio. Há algo neste papel de Jordan Belfort, de "O Lobo de Wall Street", de Randall Mindy, de "Não Olhe para Cima", e Rick Dalton, de "Era Uma Vez... em Hollywood", todos em que precisou exercitar extremos de expressividade cênica.

Quanto às chances do filme, embora mudanças possam ocorrer nessa última corrida até o Oscar, em março, ocorre que entre alguns dos principais concorrentes de “Uma Batalha...” estão títulos bem cotados para Filme Internacional, casos do norueguês “Valor Sentimental”, do franco-iraniano “Foi Apenas um Acidente” e, claro, do brasileiro “O Agente...”. Ou seja: esses possivelmente disputem entre si nesta segunda categoria, deixando-lhe o caminho mais livre. Já das outras produções norte-americanas, parecem ter menos força “Avatar: Fogo e Cinzas”, “Pecadores” ou mesmo “Bugonia”, “Jay Kelly” e “Hamnet”. A de Direção, um pouco mais descolada de Filme, é mais incerto, mas possível que vá para P.T. Anderson. Para alguém tão talentoso e que já bateu na trave tantas vezes, talvez os astros se alinhem desta para premiá-lo. Só ele sabe o quanto é necessário trilhar sua trajetória com um filme após o outro para, quem sabe, um dia receber o reconhecimento que há tantos anos merece. 

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trailer de "Uma Batalha Após a Outra"


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"Uma Batalha Após a Outra"
título original: "One Battle After Another"
direção: Alexandre Bustillo e Julien Maury
elenco: Paul Thomas Anderson
gênero: ação, comédia, aventura
duração: 2h41min.
país: Estados Unidos
ano: 2025
onde assistir: HBO Max, Amazon Prime e Apple TV



Daniel Rodrigues



quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

"Ainda Estou Aqui", de Walter Salles (2024)

GANHADOR DO OSCAR DE
MELHOR FILME INTERNACIONAL


Democracia em ação

por Daniel Rodrigues

Poderia elencar uma série de qualidades e aspectos para falar de “Ainda Estou Aqui”, esse fenômeno de bilheteria e sucesso de crítica que vem arrebatando plateias ao redor do mundo. O filme acaba de ser indicado ao Oscar de Melhor Filme e de Melhor Filme Internacional, além da indicação de Fernanda Torres a melhor Atriz, ela que, no último dia 5 de janeiro, já havia vencido um prémio inédito e importantíssimo para o cinema nacional, o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama. Poderia falar sobre os outros importantes prêmio, como o de Melhor Roteiro no Festival de Veneza, e aclamações, como em Toronto. Poderia falar do alvoroço em torno do filme de Walter Salles e sua possível vitória no Oscar de Filme Internacional e, quem sabe, em mais de uma categoria. Porém, o que mais me salta aos olhos e ao coração quando “Ainda...” vêm à retina da memória é a palavra “integridade”. Em mais de um sentido: na sua feitura, nas atuações, no respeito aos personagens e à história recente do Brasil.

A começar pela direção de Waltinho. Pode soar negativo, mas não se enganem: “Ainda...” não me fez chorar como a muitos espectadores. Não retiro a razão e muito menos o direito das pessoas se emocionarem. Longe disso. Afinal, a história da família Paiva durante o período da ditadura militar no Brasil, quando a matriarca Eunice, após seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, ser levado pelos militares e desaparecer, precisa se reinventar e traçar um novo futuro para si e seus filhos enquanto busca pela verdade é, sim, tocante em diversos aspectos. Porém, por se tratar da reprodução de um período doído e repleto de fatores interligados (políticos, civis, humanos, judiciais, etc.) capazes de despertar diversos sentimentos. No meu caso, o que mais faz emergir é a indignação e o assombro com o horror da ditadura – o que não me leva a lágrimas, mas muito mais ao espanto e à fúria. Em comparação àquele que considero a obra-prima do cineasta, “Central do Brasil” (1998), daqueles filmes de se debulhar chorando, “Ainda...” não passa nem perto de provocar tamanha comoção, não deste jeito sentimental.

Porém, como fiz questão de advertir, isso não é um demérito de “Ainda...”, e, sim, resultado de uma de suas principais qualidades: a integridade de como conta-se a história. Cuidadoso com a reprodução da verdade em seus mínimos detalhes, Salles valeu-se de um roteiro (Murilo Hauser e Heitor Lorega) que respeita as páginas do livro que motivou o filme, escrito por um deu seus ativos personagens, o escritor Marcelo Rubens Paiva, um dos cinco filhos de Rubens e Eunice e que aparece no filme em vários momentos, da infância à fase adulta. Disso, Salles captou o que melhor serviria para o audiovisual, parte onde, aí sim, é o olhar de cineasta que age. No entanto, desse híbrido “realidade/memória” + “tradução”, resta um filme rigoroso, ciente de sua responsabilidade em cada enquadramento, cada cenário, cada movimento, cada temperatura da foto. Basta ver a comparação de tomadas do filme com fotos da família da época, que estão circulando pelas redes sociais.

Fernanda Torres: vencedora do Globo
de Ouro e indicada ao Oscar
 
A emotividade recai com mais propriedade na atuação dos atores, principalmente, claro, na de Fernandinha. A atriz está dona da cena. Extremamente absorvida pela personagem, ela usa de toda sua experiência de uma carreira de mais de 55 anos para expressar em cada olhar, cada pronúncia, cada gesto a dignidade, a integridade de Eunice. O pavor, a incerteza, a amorosidade, a coragem, tudo envolve o corpo da atriz. Ela faz com que se torne verossímil (pois a intenção foi a de ser o mais fiel  possível aos fatos) a personalidade ao mesmo tempo frágil e valente de Eunice, que reage e age diante de tamanha brutalidade, mesmo com o mundo em suas costas e a repressão sobre sua cabeça. É tão real a personificação dada por Fernanda, que a mim passa mais um sentimento de assombro do que qualquer outro sentimento. É como se se estivesse vendo aqueles momentos de pavor diante dos olhos e, nesta hora, é muito mais pasmo do que choro que me acomete.

Comparativamente a outros filmes sobre a ditadura no Brasil, “Ainda...” também é diferente, visto que emprega uma austeridade narrativa mais profunda, o que lhe volta como potência para a tela. “O que É Isso, Companheiro?”, de 1997 (um dos três concorrentes do Brasil ao Oscar de Melhor Filme Internacional nos últimos 30 anos, juntamente com “O Quatrilho”, de 1995, e o já citado “Central...”), “Batismo de Sangue”, de 2006, e “Zuzu Angel”, também de 2006, para citar três filmes de ficção brasileiros que abordam histórias reais dos anos de chumbo, são todos mais escancaradamente violentos, principalmente “Batismo...”, que contém fortes cenas de tortura nos porões militares. No caso de “Ainda...” essa violência é muito mais interna da ação, uma vez que os fatos se dão a partir do ponto de vista e Eunice – que, embora presa e torturada psicologicamente, não assistiu às cenas de horror as quais escutava pelos corredores do DOI. A barbárie está lá e o espectador nem precisa vê-la para arrepiar-se junto com a protagonista.

É apavorante, contudo, pensar noutra coisa: não apenas o sucesso, mas a existência deste filme em uma época de obscurantismo como o que vivemos anos atrás no Brasil. Fosse no contexto político anterior, certamente se travaria uma batalha entre os realizadores e o então governo, como ocorrera com “Marighella”, quase impedido de ser lançado. Ver “Ainda...” podendo provocar discussões e a corrida de gerações mais novas e pouco informadas em busca da própria história em sociedade é de uma riqueza incalculável. É a própria democracia em ação. Como em alguns poucos momentos da nossa recente história como nação democrática, é possível perceber o brasileiro dando, mesmo que indiretamente, valor àquilo que lhe é mais caro: a liberdade. Isso sim é realmente tocante e íntegro graças a "Ainda Estou Aqui".

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trailer oficial de  "Ainda Estou Aqui"


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O Brasil Ainda Está Aqui

por Rodrigo Dutra

Uma obra to-tal-men-te aclamada. "Ainda Estou Aqui" estreou em novembro de 2024 e já alcançou mais de 3 milhões de espectadores brasileiros. Está trilhando uma jornada de sucesso em festivais conceituados pelo mundo, desde sua apresentação em Veneza. O ápice deste caminho foi a entrega emocionante e inédita do Globo de Ouro para Fernanda Torres, como melhor atriz dramática, 25 anos depois da “Fernandona” ser indicada por "Central do Brasil", também com direção de Walter Salles. Mas enquanto redijo essas palavras, os indicados ao badalado Oscar 2025 ainda estão por vir. Quem sabe até o final do texto teremos mais novidades sobre, como disse Cláudia Laitano, “...o filme nacional mais importante deste século.”?

Cresci em um ambiente militarista, com família orgulhosa pelos “heróis generais, duques e marechais” do passado, dos presidentes não eleitos pelo povo e, lógico, dos seus próprios integrantes nas Forças Armadas. Eu até quase segui este caminho. Mas o período da ditadura sempre foi negado (e é negado por um mar de pseudopatriotas). Essa mancha sombria na história não é explorada explicitamente no filme de Salles, adaptado do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens Paiva, político cassado pela ditadura e que foi morto pelos militares. Nota-se a opção de não chocar o público com sangue e cenas de tortura, mas sim com gritos de desespero de pessoas sendo torturadas no Dops, ouvidos por Eunice Paiva, a viúva admirável, obstinada e resiliente, além de toda a atmosfera nebulosa de capangas, fardas e armas. 

A Eunice de Fernanda Torres é uma versão assombrosa, hipnótica, determinada, com uma força inexplicável que só as mulheres extraordinárias possuem (como Eunice e Fernanda). O começo solar da família Paiva começa a desmoronar a partir da cena marcante da foto na praia, onde todos estão felizes na pose, e o olhar aguçado de Eunice mirando um tanque do exército ao longe. Essa cena mostra que o “monocordismo” de Fernanda só existe na cabeça de gente ignorante, que nunca teve o prazer de assistir a "Eu Sei que Vou Te Amar" (ela ganhou como melhor atriz em Cannes em 1986), ou "Terra Estrangeira", ou a libertina baiana de "A Casa dos Budas Ditosos", ou Vani, ou Fátima e tantos outros trabalhos percorrendo dramas e comédias deste patrimônio cultural brasileiro, filha de dois gigantes da nossa cultura. 

Além da exuberância da interpretação de Fernanda Torres, quero destacar outros aspectos do filme que explicam o seu sucesso mundial. O cuidado com a restituição da época. Salles convidou colecionadores de carros antigos e fechou a avenida para que eles circulassem, não precisando resgatar imagens reais antigas para utilizar. As crianças e jovens que interpretam os filhos da família Paiva são espetaculares, desde os pequenos, incluindo os cãezinhos, até Valentina Herszage e Bárbara Luz, nova geração de atrizes de gabarito. A trilha sonora é de uma beleza absurda, reinflando o hino contra a ditadura "É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo", de Roberto e Erasmo, além de Tim Maia, Tom Zé e até, vejam só vocês, de Juca Chaves, que morreu tristemente defendendo uma nova intervenção militar. E, por fim, os poucos minutos de silêncio de Fernanda Montenegro na parte final do filme, desestabilizando o público com sua interpretação não-verbal histórica e arrepiante.

Deve ser extremamente difícil, para os defensores da ditadura, testemunhar a expansão da família Paiva, a relevância de Rubens Paiva na história política, o ativismo pelos direitos humanos de Eunice, o sucesso literário e intelectual de Marcelo. A luta contra o fascismo e a extrema direita está mais viva do que nunca e nesse momento temos que comemorar essas 3 indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme, fato inédito na história cinematográfica nacional. A vida presta, como diz Fernanda. Acima de tudo, o cinema brasileiro presta....e muito!

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trailer internacional de "Ainda Estou Aqui"



segunda-feira, 26 de agosto de 2019

ClyBlog 11 anos. Parabéns para nós!

O tempo passa... É, parece que foi ontem que começamos um blog meio sem saber o que queríamos, como fazer, o que colocaríamos nele e, hoje o nosso ClyBlog chega a seu décimo primeiro ano. Uma trajetória muito positiva que nos fez crescer junto com o blog. Crescer em conteúdo, conhecimento, ousadia, ambição, em criatividade, em qualidade. A plataforma que meramente nos propiciava a exposição de nossas produções criativas, escritas, visuais, gráficas ou quaisquer outras que pudessem se manifestar, nos possibilitou o reconhecimento destas manifestações artísticas em publicações literárias e gráficas, valorizando, sobremaneira, o conteúdo publicado no blog. Se antes utilizávamos nosso espaço para, humildemente, expormos nossas impressões pessoais sobre música, cinema e outros assuntos de nosso interesse, hoje, parceiros, amigos e convidados altamente qualificados se juntam a nós, alguns de forma constante e outros eventualmente, em ocasiões especias, dando suas colaborações nas mais diversas seções do nosso veículo, sempre demonstrando imensa satisfação em fazer parte do nosso projeto.  Além disso, as vivências e experiências de eventos, espetáculos, viagens, passeios, foram ampliadas trazendo mais variedade, informação e imagens em canais específicos para cada segmento. Ou seja, de 2008 para cá, o ClyBlog está cada vez melhor e mais interessante.
E tudo isso só se deve ao fato de que nós, as cabeças do ClyBlog, Daniel Rodrigues e eu, Cly Reis, continuamos pilhados, sempre estimulados, sempre a fim de fazer algo legal, algo diferente, acrescer qualidade, novidades, conteúdo instigante, coisas que sejam legais para o leitor, visitante ou seguidor porque seriam legais para nós. É isso que  fez com que o ClyBlog chegasse até aqui,aos 11 anos, e fará com que siga em frente, se depender de nós, ainda por muito tempo.
Nesses 11 anos tivemos um monte de coisas bacanas no ClyBlog: fomos a shows e contamos como foi, viajamos por diversos lugares e relatamos as experiências, fomos selecionados para publicações, , participamos de outros espaços em outras plataformas, tivemos convidados importantes escrevendo no ClyBlog... Enfim, foram muitos bons momentos. Não dá pra colocar todos aqui, afinal são 11 anos, mas dá pra destacar alguns. Assim, lembramos aqui um momento para cada ano desde o início do ClyBlog.



2008
Madonna no Maracanã - No ano da criação do ClyBlog, um dos momentos marcantes foi a volta da Rainha do Pop a terras brasileiras. A expectativa era grande mas o show não foi lá essas coisas. Mesmo assim, relatamos tudo, num dos primeiros ClyLive, a seção de shows do ClyBlog.

Madonna, show de constrangimentos
Vi no filme "Na Cama com Madonna" o trechos da turnê Blonde Ambition e fiquei fascinado. Quis ver aquilo! No entanto a turnê seguinte, que acabou passando pelo Brasil, foi a Girlie Show, que apesar de não ser tão boa quanto a anterior, de não ter os figurinos do Gaultier nem a performance libidinosa de "Like a Virgin" foi um belo espetáculo e me proporcionou boas surpresas.
Anos depois resolvi ir ver novamente a Madonna ao vivo pelo mero fato de ser a Madonna. Sabia já que o álbum "Hard Candy" era um horror porém guardava a expectativa de que o show, o espetáculo, o tudo, valesse a pena.
Olha, foi um circo do lamentável (...) Leia mais...




2009
Viagem ao Velho Continente: Em 2009, tive a oportunidade de ir à Europa e visitar algumas das cidades mais famosas do mundo e alguns dos destinos turísticos mais procurados. Estive em Paris, Londres, Roma, Florença e Veneza e, é claro, tudo foi para no ClyBlog, na nossa seção Arquivo de Viagem.

ARQUIVO DE VIAGEM: Europa
Aeroporto, mala, poltrona desconfortável, sono ruim, hotel, informações e é em inglês, em italiano e é em francês, e dá-lhe fotografia, fotografia, fotografia, e de novo hotel, e outro dia mais fotografia, e tome outro aeroporto, ou estação de trem, ou táxi, e outro hotel, e mais foto, foto, foto... É, isso é viajar! Mas é bom! E principalmente para a Europa que era uma antiga aspiração. O roteiro? Londres, Paris, Roma, Florença e Veneza.
A primeira parada, a terra da Rainha, que mais do que todas as outras eu tinha uma enorme vontade de conhecer por causa principalmente de toda a atmosfera rock do lugar, por causa das bandas que admiro ou mesmo por toda a influência musical e comportamental que exerce sobre grande parte do mundo, não me decepcionou (...) Leia mais...
LONDRES: Passeio por LondresFabric,  The Telegraph Pub
PARIS: Paris
ROMA: Roma
FLORENÇA: Florença
VENEZA: VenezaJazz em Veneza - Bàccaro Jazz



2010
Internacional Bicampeão da Libertadores - Neste ano, tive a felicidade de presenciar o segundo título de Libertadores da América do meu time do coração, o Sport Club Internacional, in loco, no Beira-Rio. E, como não podia deixar de ser, documentei a noite mágica do Bi da América para o ClyBlog.

Era uma vez na América (ou melhor, DUAS vezes)

Eu tinha assistido à semifinal contra o Olímpia em 89. Eu estava lá no Gigante. Não, não podia acontecer de novo.
Quando os mexicanos do Chivas fizeram o primeiro gol do jogo aquele filme de terror me veio à cabeça. E eu lá de novo. Seria EU o culpado? Teria, EU, me desbarrancado do Rio de Janeiro a Porto Alegre, sem ingresso na mão, desembarcando 4 horas antes do jogo, conseguido incrivelmente a tal entrada, tudo isso para EU dar azar pro eu time? (Torcedor pensa cada coisa, não?) Mas por certo não fui só eu. Outros devem ter pensado que aquilo estava acontecendo porque não usaram a mesma cueca, não conseguiram sentar no mesmo lugar no estádio, porque não seguiram determinados rituais, ou sabe-se lá mais o que; mas de todos estes não sei quantos ali haviam presenciado a maior "tragédia" do Beira-Rio. E eu estava lá (...) Leia mais...
Inter x Chivas
Museu do Inter




2011
"Screamadelica", do Primal Scream, ao vivo na íntegra - Enquanto na Cidade do Rock, rolava o Rock in Rio, com todas suas estrelas e nomes badalados, no Circo Voador, na Lapa, bem menos incensado, um dos discos mais importantes dos anos 90 e da história do rock era tocado na íntegra por uma das bandas mais influentes do pop rock britânico. O Primal Scream, liderado pelo dissidente do Jesus and Mary Chain, Bob Gillespie, celebrava o vigésimo aniversário de lançamento do álbum "Screamadelica" com um show sensacional que foi ainda mais especial uma vez que assisti na companhia de meu irmão, Daniel Rodrigues, que andava pelas bandas do Rio de Janeiro naquele momento. A cúpula do ClyBlog, curtindo junto um show tão especial como esse, só podia ser um dos grandes momentos de 2011.


Primal Scream - "Screamadelica 20th Anniversary Tour" - Circo Voador - Rio de Janeiro (23/09/2011)


Nesta última sexta-feira aconteceu a primeira noite de apresentações do Rock in Rio... Bom, e dai?
Azar de quem foi à tal Cidade do Rock e não estava na Lapa, como eu, delirando com o show da turnê de aniversário de 20 anos do álbum "Screamadelica" do Primal Scream.
Que Rock in Rio que nada! O verdadeiro rock no Rio de Janeiro estava acontecendo lá no Circo Voador. E se toda a cidade estava mobilizada para assistir às rihanas cláudiasleittes da vida, ali na Lapa, um pequeno grupo de fieis assistia a um show histórico, que diga-se de passagem, foi, com louvor, proporcionado por eles mesmos, que num esforço incomum fizeram trazer ao Rio uma atração que estava praticamente descartada para cá (...) 
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2012
O punk e a moda - 2012 marca o lançamento do livro "Anarquia na Passarela - A Influência do Movimento Punk nas Coleções de Moda", do irmão e parceiro de blog Daniel Rodrigues, como um dos fatos mais importantes daquele ano no ClyBlog. Um estudo profundo e criterioso sobre a música e a moda caminhando juntas, sem cair na chatice ou na mesmice com uma linguagem fácil e dinâmica. Eu posso até ser suspeito para elogiar por ser irmão, mas acho que o júri do Prêmio Açorianos, que consagrou o livro como melhor ensaio de literatura e humanidades tem isenção o suficiente.

"Anarquia na Passarela - A Influência do Movimento Punk nas Coleções de Moda", de Daniel Rodrigues (Ed. Dublinense, 2012)

(...) O livro é uma caixa de som! Sai música dele. Mas não só isso: dá vontade de usar aquela calça rasgada no joelho, de usar aquele bracelete de couro, uma camisa com dizeres desaforados...
Ele é extremamente bem fundamentado, estudado, repleto de referências, citações, com alto grau e profundidade de pesquisa mas passa longe de ser pedante e cansativo. Ele flui. Flui muitíssimo bem. 
Consegue conjugar um gosto pessoal musical, inequívoco e indesmentível, com muita informação, embasamento teórico e análise detalhada e  numa proporção perfeita e exata de modo a tornar a leitura absolutamente agradável e sempre interessante (...) Leia mais...

Anarquia em Porto Alegre - Noite de autógrafos de Daniel Rodrigues - Pinacoteca Café



2013
Álbuns Fundamentais Especial de 5 anos do ClyBlog - O quinto ano do ClyBlog foi marcado por uma série de comemorações e publicações especiais. Uma delas foi a participação especialíssima do ex-Replicante, Carlos Gerbase, na seção ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, falando sobre o cultuado disco de estreia da banda "O Futuro é Vortex". Tinha alguém mais autorizado a falar sobre o assunto?

Os Replicantes - "O Futuro é Vortex" (1986)

A palavra “Vortex” já significou muitas coisas na minha vida. Meu primeiro encontro com ela foi em meados dos anos 70, numa máquina de fliperama, aquelas antigas, de bolinha, imortalizadas no musical “Tommy”.  Os desenhos da máquina eram futuristas, misturando sexo e violência em doses perfeitas para a adolescência.  Na minha interpretação, esses desenhos representavam um planeta distante, cheio de monstros e mulheres maravilhosas. Eu jogava e, mesmo perdendo as cinco bolas rapidamente, curtia o visual (...) Leia mais...






2014
Copa do Mundo Rock - Era ano de Copa e o ClyBlog resolveu fazer a sua Copa do Mundo também. Só que a nossa foi uma Copa do Mundo Rock. Isso mesmo! Música contra música para descobrirmos qual a melhor obra de determinado artista. Em 2014 três bandas tiveram suas competições, The Cure, uma das favoritas dos donos do blog, Legião Urbana, também uma das nossas queridinhas, e, nada mais nada menos que os maiores de todos, os Beatles. "Comentaristas", jurados convidados decidiam os confrontos que eram sorteados e avançavam de fase, afunilando até a grande final. Foram copas com definições diferentes: resultado incontestável, favorito ganhando, decisão apertada... Enfim, um grande barato essa experiência músico-futebolística na qual quem ganhou, mesmo, foi quem acompanhou.

Copa do Mundo Rock

Qual a melhor maneira de escolher a melhor música de uma banda?
No clyblog a gente escolhe no mata-mata.
Vai começar a Copa do Mundo Rock (...)







2015
Tributo a Bukowski - Uma das coisas legais de 2015 foi outro acontecimento literário. Fui selecionado, com um conto, para integrar a coletânea "Big Buka", homenagem a Charles Bukoswki, escritor pelo qual tenho grande admiração, o que tornou ainda mais especial minha inclusão na publicação.

“Big Buka: para Charles Bukowski”, organização: Afobório (Vários Autores) - ed. Os Dez Melhores (2015)

A proposta nasceu ousada: homenagear o norte-americano Charles Bukowski , escritor de forte influência a vários outros, de grande apelo com o público e dono de um estilo muito peculiar, que vai da crueza de mau gosto e a putaria à mais doce beleza sentimental. Um homem que, por detrás da obscenidade e da contundência, era extremamente profundo, poético e comprometido com suas verdades. Assim, a coletânea "Big Buka: para Charles Bukowski" (ed. Os Dez Melhores, 2015), da qual soube do projeto ano passado, encarou o desafio de reunir dez textos que remetessem ao universo de Bukowski tanto em temática quanto em estilo. Para que tal funcionasse, contudo, os contos deveriam ser muito bem selecionados, uma vez que o risco de não corresponder à altura do mestre tornava-se um erro fácil de cometer (...)




2016
Juntos no mesmo livro - Eu já havia sido selecionado para algumas coletâneas de contos, Daniel já tinha seu próprio livro solo, mas em 2016, pela primeira vez integraríamos uma mesma publicação. Por meio de uma seletiva da editora Multifoco, contos nossos vieram a ser escolhidos para a antologia "Conte Uma Canção, vol. 2", que tinha como proposta a ligação do conto com determinada música. Posteriormente, naquele mesmo ano, promovemos um pequeno sarau, na sede da editora, no Rio de Janeiro, onde lemos nossos contos para convidados.

“Conte uma Canção – vol. 2”, organização Frodo Oliveira e Marla Figueiredo (Vários autores) – Ed. Multifoco (2016)

O Clyblog tem o orgulho de anunciar que mais uma vez nós, os editores-chefes deste espaço, Daniel Rodrigues e eu, Cly Reis, temos contos selecionados para publicações coletivas (...) Leia mais...

Já está nos pontos de venda a antologia “Conte uma Canção – vol. 2”, pela editora Multifoco, da qual meu irmão e editor deste blog, Cly Reis, e eu, subedidor, fazemos parte com um conto cada um. O livro teve lançamento no último dia 30, durante a 24ª Bienal do Livro de São Paulo, no Anhembi (...) Leia mais...

A ocasião era oportuna: meses após o lançamento da antologia "Conte Uma Canção - vol.2", da editora Multifoco, na qual participamos meu irmão Cly Reis e eu cada um com um conto, estaríamos juntos no Rio de Janeiro, sede da editora. Então, por que não fazermos um encontro que abordasse isso? Foi o que aconteceu no dia 16 de dezembro. A partir de uma ideia de Leocádia Costa, que nos deu o privilégio de fazer as honras, realizamos um sarau de leitura de ambos os contos no bistrô da própria Multifoco, na Lapa (...) Leia mais...





2017
Museu Nacional -O destaque de 2017 fica por conta da nostalgia, da lástima, da saudade, da falta que faz... Naquele ano eu visitava mais uma vez o Museu Nacional, recentemente devorado pelas chamas do descaso em um trágico incêndio, e o fazia, na ocasião, para o ClyBlog trazia, na ocasião o registro de seu acervo, sua beleza e importância. 

Museu Nacional / UFRJ - Rio de Janeiro / RJ

(...) Desta vez visitamos o Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, prédio histórico que serviu à Família Imperial brasileira no séc. XIX, que esteve meio abandonado, meio largado mas que agora, embora não na plenitude de suas condições, apresenta boas condições de visitação e um acervo muito significativo e em bom estado. O Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, é voltado à pesquisa científica, histórica e antropológica possuindo um acervo valiosíssimo em todos os seus segmentos. Possui, por exemplo, significativos fósseis de procedências diversas; registros materiais humanos de datas remotas; artefatos e relíquias de civilizações de diversos sítios; múmias de altíssimo valor histórico em ótimo estado de conservação; grande variedade de amostras animais e geológicos; e itens impressionantes como é o caso do meteorito encontrado na Bahia em 1784 exposto orgulhosamente logo na entrada do circuito (...) Leia mais...



2018
ClyBlog 10 anos - O décimo ano do ClyBlog foi comemorado com entusiasmo e durante os 12 meses do ano tivemos atrações em todos nosso segmentos, com diversos e qualificadíssimos convidados especiais em todas as áreas, como, entre outros, o diretor de teatro Cleiton Echeveste falando sobre Andrei Tarkovski, o fotógrafo Wladimyr Ungaretti apresentando-nos suas imagens que estimulam a imaginação, o ex-DeFalla Castor Daudt relatando um fato curioso com um ex-integrante do Joy Division e o músico Lucio Brancatto, inovando e destacando cinco discos de uma vez só num Super-Álbuns Fundamentais. Isso é que é aniversário. Assim vale a pena ficar mais velho.

Especiais de 10 anos no ClyBlog

Não é toda hora que se comemora dez anos, não é? E tratando-se de uma marca tão especial,conforme já adiantamos, 2018 terá uma série de atrações e participações especiais em várias seções do nosso blog. Convidados contarão histórias e desfilarão poesia nas nossas COTIDIANAS; falarão sobre seus discos preferidos e marcantes nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS; sobre grandes obras da literatura no LIDO; clássicos da sétima arte no CLAQUETE; mostrarão sua visão do mundo pelas lentes de suas câmeras na seção CLICK; e suas criações no CLYART; enfim, todos os nossos espaços estarão abertos às valiosas contribuições de nossos talentosos amigos. Então, fiquem ligados porque a partir de fevereiro, a qualquer momento poderá pintar uma das publicações especiais de 10 anos do ClyBlog. Posso garantir que vem coisa muito legal por aí.



2019
"Meia-Noite: Contos da Escuridão" -E 2019 ainda está na metade e já temos coisa boa: assim como em 2016, a pareceria se repete e Daniel e eu integraremos juntos novamente uma antologia de contos. Fomos recentemente selecionados para a coletânea "Meia-Noite: Contos da Escuridão", do selo Fantastic da editora Autografia, e teremos uma história arrepiante de cada um na publicação que será lançada daqui a alguns dias, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Além do aniversário, mais um motivo para comemorar.
Abaixo, matéria publicada no site Literatura RS sobre nossa participação na publicação.


Irmãos integram coletânea de contos de editora carioca
Dois autores gaúchos, os irmãos Daniel Rodrigues e Clayton Reis, foram selecionados para integrar a coletânea de contos de terror Meia-Noite: Contos da Escuridão, publicada pelo selo Fantastic da editora carioca Autografia. Organizada pelo editor Frodo Oliveira, a obra contou com processo seletivo no qual concorreram autores de todo o Brasil. Dentre os contos selecionados, estão Clichês, de Reis, e O Monstro do Armário, de Rodrigues. O livro será lançado em sessão de autógrafos no dia 4 de setembro, às 13h30min, durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no estande da editora (Pavilhão Verde, R32). Na ocasião, ambos os autores estarão presentes. (...) Leia mais...



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