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sábado, 29 de agosto de 2026

CLY LIVE Especial Clyblog 18 Anos - Madonna - "The Girlie Show World Tour" - Estádio Maracanã - Rio de Janeiro/RJ (1993)



Eu sempre fui uma criança cercada de música. Meu pai, músico de profissão, me deu o caminho numa casa sempre cheia de gente e saraus que varavam a madrugada em jam sessions com os amigos. Eu ouvia de tudo, de João Gilberto, paixão da minha mãe, até os progressivos, que meu pai amava.

Nesse meio-tempo, fui desenvolvendo meus gostos de criança. Muito Balão Mágico, os musicais infantis da Globo, "Arca de Noé", "Plunct Plact Zum"

E veio o Michael Jackson! Que loucura, me apaixonei por "Thriller".

Alguns anos depois, com 8 anos, tudo mudou. Eu ganhei da minha vó o "Like a Virgin", da Madonna. Ali comecei a entender o que nem tinha nome: o que era ser uma menina. "What It Feels Like for a Girl". Foi a estrutura de tudo que veio depois, de entender que a gente tinha lutas diferentes, que não seria fácil, mas que era bom, era possível, verdadeiro. Que eu também queria ser livre para ser o que eu quisesse.

Depois, aos 17, vi o primeiro show que ela fez no Brasil, no Maracanã. Meu pai me levou junto com um bonde de amigas adolescentes e, até hoje, é o show mais impactante da minha vida.

Quando começou a tocar "Erotica", e uma dançarina escorregava num pole dance gigante de peito de fora, e Madonna surgia com o cabelo curtíssimo e loiríssimo, com o chicote na mão, as coisas nunca mais foram as mesmas. Foi meu primeiro contato mais direto com um público majoritariamente LGBT. Pensei: “Acho que encontrei a minha galera”. E até hoje é assim: sou grata à Madonna por ter me ensinado o que era ser mulher e a ter orgulho de fazer parte de uma comunidade diversa, incrível, corajosa e abençoada. E sim, encontrei minha galera.


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Madonna apresentando "Erotica", 
na turnê "Girlie Show", em 1993

por  J O A N A   L E S S A


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MARIA JOANA LESSA 
é carioca, 
Flamenguista, 
Mangueirense 
e diretora de audiovisual

domingo, 5 de maio de 2024

Madonna - The Celebration Tour in Rio - Praia de Copacabana - Rio de Janeiro / RJ (05/05/2024)

 


Madonna em vários momentos do show que celebrou
seus 40 anos de carreira.
De tempos em tempos parece que Madonna tem que vir com alguma para lembrar ao mundo quem manda no pedaço. Não devie ter que precisar, mas precisa.
Surge fulana com turnê mirabolante, cicrana com recorde de acessos em tal plataforma, beltrana com lançamento mundial do videoclipe badalado, e o burburinho, a forçação da mídia, as redes sociais, faz muita gente acreditar que aquilo seja algo espetacular, incomum, extraordinário. Aí a verdadeira e única Rainha da Coisa Toda resolve, para coroar sua turnê e 40 anos de carreira, fazer um megashow num dos cartões-postais do mundo, para 1,5 milhões de pessoas, e não só apresenta um espetáculo inesquecível, como esfrega na cara de quem quiser ver, como chegou até o topo desse reinado.

Um espetáculo em que toda a carreira da artista é repassado, passado a limpo, dentro de uma concepção artística, estética, visual, musical, absolutamente mágica, hipnotizante, embasbacante.

Embora esteja entre aqueles que entendem que um show dessa natureza, de um artista pop, com a dinâmica de teatralidade, troca de figurinos, cenários, etc., permita playbacks, devo admitir que fiquei um pouco incomodado e desconfiado quando soube que a apresentação não contaria com uma banda ao vivo. No entanto, ali, assistindo ao show, mostrou-se totalmente justificável a opção. "The Celebration Tour in Rio", antes de ser um concerto musical é um espetáculo artístico que envolve uma série de elementos que, para funcionarem bem, com um resultado impactante para o espectador (seja no local ou na TV), exigia tal 'sacrifício'. As performances, a ocupação de palco, a mecânica, os números musicais, a iluminação, a concepção visual, tudo me convenceu que, nós, público, só ganhamos com essa ideia de show.

Abertura do show com trecho de "Nothing Really Matters"


Dito isso, vamos ao que interessa: QUE SHOW DA PORRA!!!

Repertório bem planejado, blocos de músicas e atos divididos em uma estrutura muito precisa, mixagens e transições sempre interessantes, ótimas coreografias, iluminação incrível, e, é claro, uma estrela ousada, destemido, provocativa e de um talento que transcende a música.

O que foi aquela "Like a Prayer"??? Em uma das melhores músicas da cantora, uma atmosfera eclesiástica ritual, repleta de cruzes, sacerdotes, corpos pendurados, punições, culpa, inquisição... A hipocrisia e a opressão do catolicismo, numa dramática performance de arrepiar. Se teve gente que perguntou por que não projetaram o nome de Madonna no Cristo Redentor, como aconteceu com Taylor Swift, isso bastaria para responder perfeitamente.

Festa à brasileira em "Music".
("Music makes the people come together...")

"Erotica", com uma performance de luta de boxe, foi outra que passou seu recado: um direto no queixo dos moralistas. "Bad Girl" com a filha da cantora, Mercy James, ao piano foi lindíssima, "Burning Up" punkzona foi simplesmente afudê, as homenagens a Prince e Michael Jackson foram especiais, "Hung Up" latinizada ficou bem interessante, "Music", surpreendentemente para mim que a adoro na versão original, ficou incrível naquela releitura batucada brasileira, com uma participação 'apimentada' de Pabblo Vittar, e a espetacular "Vogue" com um desfile de moda ímpar, inigualável, julgado com a participação de Anitta foi uma festa incrível, uma espécie de nova versão do antigo Gala Gay do Copacabana Palace, em versão século XXI.

Madonna fez história de novo!

O Brasil nunca esquecerá esse show.

O mundo sempre lembrará.

Tenho medo de passar hoje por Copacabana e não encontrar o bairro lá  ou encontrá-lo em ruínas, porque, cara... Madonna colocou tudo abaixo. Tudo mesmo! Dúvidas, conceitos, preceitos, preconceitos, resistências, padrões, limites, barreiras... Enfim. ., Ave, Madonna! Estamos todos a teus pés, ó Rainha!

Uma multidão em Copacabana para ver de perto a Rainha do Pop.
(No meu caso, nem tão de perto)



Cly Reis 

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Madonna - The Girlie Show - Estádio do Morumbi - São Paulo / SP (novembro /93)

 



Ingresso do show. Tá velhinho, quebradiço,
mas guardo com carinho
Eu tinha ficado louco quando assisti a "Na Cama Com Madonna". Aquele visual todo, os figurinos, a dança, as performances, a presença de palco, as versões para as músicas...! Fiquei doido para ver um show daquela mulher.
Assim que foi anunciado que Madonna viria ao Brasil em turnê, me mobilizei para ir vê-la. "Ah, mas não é a mesma turnê do filme". É uma pena, gostaria que fosse a mesma mas, só por todo o espetáculo, já vale. "Ah, mas vai ser em São Paulo" (na época eu morava em Porto Alegre). Não interessa. Sendo no Brasil, dá pra ir. "Ah, mas eu não tenho companhia pra ir". Dane-se! Conheço uma galera na viagem e já era.
E assim foi! 
Economizei, troquei dinheiro nacional pra dólar, tratei com a agência de viagens e estava feito! Seria uma viagem bate-e-volta: era chegar em Sampa, ir pro estádio, assistir ao show, sair do estádio, entrar no ônibus, pegar a estrada e voltar pra casa. Seria puxado, cansativo mas, eu não tava nem aí.
Conforme imaginava, conheci um pessoal no busão, me enturmei, a viagem foi legal, tudo correu bem e, afastando um temor que tínhamos, de chegar muito em cima da hora, chegamos bem cedo, ainda no meio da tarde. Como os portões abriam às 16 horas e não tínhamos porquê ficar mofando dentro do ônibus, assim que estacionamos, a algumas quadras do estádio, nos dirigimos para lá. E o que, em princípio, poderia ser um incômodo ou uma chateação, de entrar tão cedo e permanecer umas cinco horas no estádio até o começo da apresentação, acabou por trazer-nos uma agradabilíssima surpresa. Fomos brindados com a passagem de som da tarde com ninguém menos que a própria estrela do show. Madonna, relaxada e descontraída, foi simpática, puxou coros desbocados com a galera, usando e abusando de alguns palavrões que devia ter aprendido naquele dia e, numa pequena prévia do que viria à noite, passou umas três ou quatro músicas. Entre as que ganhamos uma palinha, estava "Erotica" uma das minhas preferidas e mais aguardadas, só que numa versão um pouco diferente que me deixou na dúvida, até a hora do show, se seria aquela mesmo a executada no espetáculo, ou se só havia sido tocada daquela maneira por alguma conveniência técnica para a passagem de som.
Mesmo com aquela canja inesperada e muito bem-vinda, e com um showzinho de abertura de Gabriel, O Pensador pra ajudar a passar o tempo, não teria como não admitir que a espera fora longa e um tanto exaustiva. Sol na cara, calor, público aumentando, espaço diminuindo, ansiedade, expectativa... Nossa!
Mas valeu a pena!
Madonna entrou triunfal, surgindo do chão com seu figurino sadomasô, dominadora, com chicotinho e tudo, e já respondendo à minha curiosidade da tarde sobre a versão de "Erotica" para o show. Sim, era a do ensaio! Um pouco mais misteriosa, um pouco menos sussurrada, mas quase tão boa quanto a original.

Madonna - "Erotica" - The Girlie Show - Austrália (1993)

E daí se seguiram a ótima "Fever", com direito a um mini-striptease para se desfazer do visu fetichista; a sempre aguardadíssima e luxuosa "Vogue", dessa vez com tons meio árabes, indianos ou algo assim;  "Express Yourself" num clima disco setentista com a cantora surgindo no palco de cabelão "black", dependurada num globo espelhado; "Everybody", com direito a camiseta da Seleção Brasileira; a improvável mas de performance muito divertida, "I'm Going Bananas"; "Holiday" excelente, com uma pegada militar; e, assim como "Erotica", a sensualíssima "Justify My Love" ganhava uma versão diferente, bastante interessante e não menos quente que a tradicional, numa performance fantástica com caracterização com roupas de época em um cenário monocromático visualmente fascinante.

Madonna - "Justify My Love" - The Girlie Show _Austrália (1993)

Show terminado, era hora de voltar para o ônibus e encarar 20 horas de viagem, agora sim, muito esgotado e contando as horas para chegar em casa. Mas voltava com a alma satisfeita! Madonna correspondera a tudo a que eu esperava. Um grande espetáculo musical-teatral-visual com uma das artistas mais importantes do nosso tempo.
"Ah, mas ela canta mal". A expressão artística dela compensa qualquer deficiência técnica que, inegavelmente, sabemos que ela tem. "Ah, mas ela dubla no palco". Sim, a gente sabe. Para um espetáculo daquele porte, ágil, dinâmico, com reposicionamentos, troca de figurinos constante, é natural e aceitável que o artista, seja ele quem for, se dê o direito de 'performar' alguns números. "Mas como é que uma cantora que canta mal mal canta pode ser considerada uma das maiores artistas dos últimos tempos?". Madonna construiu uma figura pop e, tendo-a consolidada, utilizou-se dela para provocar, questionar, desafiar paradigmas artísticos, sociais, morais e comportamentais. Foi essa mulher que eu fui lá ver, foi essa mulher que me fez percorrer quilômetros de estrada, ficar horas numa arquibancada. Era tudo isso que eu queria e foi o que eu tive.



Cly Reis

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Mesma melodia, letras diferentes


O fato de apresentar o programa Música da Cabeça, na Rádio Elétrica, é meio que mera desculpa minha para ir à cata de listas. Sempre gostei de criá-las a partir das coisas que curto, das criteriosas às mais estapafúrdias. Uma dessas que me veio à mente para usar no programa se refere a músicas que têm a mesma melodia, mas letras diferentes. A parte musical e o arranjo podem ser idênticos, mas o que é cantado, não. Às vezes, até melodias de voz e cantores diferentes. Dois lados da mesma moeda ou - por que não? - do mesmo disco.

Numa rápida pesquisa de memória, o interessante foi perceber que essa prática é comum nos mais diferentes gêneros, culturas e locais. Seja no Brasil, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Inglaterra ou até na Jamaica, não há quem resista em usar aquela base que ficou superlegal de um outro jeito, numa outra roupagem. 

Pra compor esta lista de 15 + 1 exemplos, ainda contei com a ajuda de meu irmão e parceiro de blog Cly Reis, que contribuiu com algumas das duplas de músicas as quais não tinham me ocorrido.

Tom Zé e Tim: ambos com duas duplas
de músicas na lista
Importante ressaltar que não valem músicas até então instrumentais que ganharam letra depois de um tempo, casos de “Valsa Sentimental” (de Tom Jobim, que, quando letrada por Chico Buarque, virou ”Imagina”) e “A Rã” (originalmente, “O Sapo”, de João Donato, que passou a ter esse novo título na letra de Caetano Veloso). Neste caso, aceitou-se como exceção quando uma delas é instrumental e a outra cantada, mas desde que pertençam a um mesmo artista e que este as tenha composto para um mesmo projeto.

Igualmente, não se incluem canções “reprise” ou de letra mesmo que diferentes entre si, mas que se tratam de duas partes da mesma, nem mesmo versões para idioma diferente do original feita por outro artista. Músicas “irmãs”, tipo “Blue Monday” e “586”, da New Order, ou “Crush with Eyeliner” e “I Took Your Name”, da REM, não cabem, nem muito menos aquelas que samplearam a “alma” do tema que a inspirou, como o rap norte-americano costuma fazer. Essas todas ficam de fora – quem sabe, guardam-se para uma futura outra lista...

Do blues ao samba, do industrial a soul, do shoegaze ao psicodelismo. Têm dobradinhas bem interessantes e variadas.


1. "João Coragem"/ "Padre Cícero" - Tim Maia
Em 1970, Tim estava gravando seu disco de estreia quando Nelson Motta aparece no estúdio e fica maravilhado com "Padre Cícero". Tanto que pediu para Tim e Cassiano alterarem a letra para a música entrar na trilha da primeira novela da Rede Globo, "João Coragem".

2. "Sister Midnight"/ "Red Money" - David Bowie
A fase berlinense rendeu coisas maravilhosas e simbióticas para Bowie. "Sister Midnight", composta por ele e Iggy Pop para abrir "The Idiot", de Iggy, de 1977, serviu para o próprio Bowie finalizar sua própria trilogia na capital alemã dois anos depois com outro título e letra.

O mestre da "preguiça" baiana sabia muito bem fazer sambas geniais com pouquíssimos versos, quando não quase repetidos. Aqui, o que Caymmi repete é a parte instrumental idêntica a ambas, mas com melodias de voz e letras totalmente diferentes entre si.

"Strange Brew", que abre o cláscico disco "Disreali Gears", de 1967, é tão boa que dá vontade de reescutá-la. Não precisa, pois Clapton/Bruce/Baker a põem no fim do disco, só que com outro nome e letra. 


5. "Mã""Nave Maria" – Tom Zé
Uma mais percussiva, a outra mais world music, mas ambas de abertura de seus discos "Estudando o Samba", 1976, e "Nave Maria", 1984) e sobre o genial riff do baiano de Irará.

6. "Teenage Lust"/ "Heat" - Jesus & Mary Chain
"Teenage Lust" é um clássico da banda que coroa uma fase inspirada, marcada pelo disco "Honey's Dead", de 1992. "Heat", por sua vez, está na coletânea de B-sides "Stoned and Detoned", de um ano depois.

Vindo de Moz, artista que produz muito, não seria estranho haver esse tipo de repetição. No caso, "Alma Matters", hit do disco "Maladjusted", de 1997, tem como sombra "Nobody..,", da coletânea "My Early Burglary Years", de 1998.

8. "Waiting""Do You do It?" – Madonna
No talvez melhor disco de Madonna, "Erotica" (1992), a ousadia de pôr um mesmo tema duas vezes, sendo a segunda cantada não por ela, mas pelos rappers Mark Goodman e Dave Murphy.

9. "Pocket Calculator"/ "Dentaku" – Kraftwerk
Totalmente iguais, não fosse uma ser cantada em inglês e a outra em japonês. Aí os alemães conseguiram fazer, pro disco "Computer World", de 1981, duas obras totalmente diferentes sendo a mesma coisa.

Quase iguais, não fosse o título e algumas partes da letra. Mesmo estando no mesmo disco, o clássico "Pet Sounds", de 1966, é tão bonita que não há nenhum problema em "reouvi-la" com pouca diferença entre uma e outra.

11. "Os Escravos de Jó"/ "Caxangá" – Milton Nascimento
A censura, que comeu praticamente todas as letras de "Milagre dos Peixes", de 1973, inclusive "Os Escravos de Jó", parceria de Milton com Fernando Brant, já havia abrandado um pouco anos depois quando Elis Regina gravou "Caxangá" e depois o próprio Milton.

12. "Graveyard""Another" – P.I.L.
A instrumental "Graveyard", de "Metal Box" (1979), é, literalmente, a "Outra" em "Commercial Zone", disco de sobras de estúdio da mesma época. Coisas da cabeça conceitual de John Lydon e sua Public Image Ltd..

13.  "Jimi Renda-se"/ "Dor e Dor" – Tom Zé
A mente inquieta de Tom Zé faz com que, mais de uma vez, ele revisite a própria obra. Assim como "Mã"/"Nave Maria", a metaliguagem pega nestas duas também, de 1970 e 1972 respectivamente.

14. "Slave to the Rythmn""The Fashion Show" – Grace Jones
O disco de Grace "Slave to the Rhythm", de 1985, em si, é todo cunhado sobre a mesma base, mas estas duas não não são iguais pela letra.


15. "With no One elseAround"/ "Pra Você Voltar" – Tim Maia
Tim não tinha vergonha de reaproveitar melodias suas mais de uma vez, mas aqui ele fez melhor: uma em inglês, para o arrasador álbum de 1978, e outra na língua de Camões, um ano depois ("Reencontro"), em que até o sentido das letras são totalmente diferentes.


****************

+1. "À Flor da Pele""À Flor da Terra" – Chico Buarque
O título é igual, "O que Será?", eu sei, mas o fato de o subtítulo ser diferente faz, com perdão da redundância, toda a diferença. Escritas por Chico para a trilha sonora de "Dona Flor e seus Dois Maridos", de 1976, uma inicia o filme e outra o encerra - e as letras são totalmente distintas.


cena final do filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos" - tema: "À Flor da Pele"


Daniel Rodrigues

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Copa do Mundo Madonna - Grande Final


E chegamos ao grande momento!
Ao momento tão esperado.
Teremos a decisão Copa do Mundo Madonna. Frente a frente, Vogue, canção do álbum "I'm Breathless", trilha sonora do filme Dick Tracy, de 1990; e Music, faixa que dá nome ao disco do qual faz parte, do ano de 2000.
Vogue, para chegar à decisão, tirou Miles Away, na primeira fase; Secret, na segunda; e depois três faixas do álbum "Erotica" na sequência, Fever, nas oitavas-de-finais, Erotica, nas quartas e Deeper and Deeper na semifinal.
Music, por sua vez, eliminou Get Together na primeira fase; Borderline, na segunda; True Blue nas oitavas; Justify My Love nas quartas-de-final e na semifinal, Into the Groove. 
Como pode-se perceber, o caminho para a final não foi nada fácil. Mas agora, como será o confronto das duas? Nossos técnicos-comentaristas-especialistas decidirão quem fica com a taça. 
Que comece a decisão...

***

VOGUE
X
MUSIC


Cly Reis: E as equipes estão em campo. Vai começar mais uma final. Duas equipes de respeito. Dois grandes times. E a bola está rolando. Logo de início, aquela introdução "Hey Mr. DJ, put a record on... I want dance with my baby" já garante um gol relâmpago e Music sai na frente. Mas Vogue é time grande e logo na saída de bola, com aquele seu clássico "Strike a pose", empata rapidinho. Jogada manjada mas que o adversário não soube conter. O jogo segue igual, duas equipes ofensivas, de ritmo pra frente, que jogam em busca do gol. O refrão de Vogue é fantástico, um dos mais emblemáticos da carreira da cantora, e garante o 2x1; mas o de Music não fica pra trás e empata novamente. Que jogo, senhoras e senhores!!!
Depois dos respectivos refrões, começa o segundo tempo e o andamento de Music acelera imitando Trans-Europe Express do Kraftwerk e aí é bola na rede! Music toma a frente no placar novamente. Mas por pouco tempo porque aquele andamento dançante elegante de Vogue põe tudo de novo em números iguais. 2x2. 
A listagem dos astros de Hollywood é um golaço de Vogue, 3x2; e aquela ênfase final logo em seguida, até a "lacração" com aquele "VOGUE" ecoado, garante mais um no placar. 4x2. Mesmo marcando mais um golzinho com aquela finaleira cheia de evoluções eltrônicas de seus excelentes DJ's produtores, Music não consegue empatar e o placar fica nisso mesmo: Vogue 4 x Music 3. Um confronto digno de uma final de Copa do Mundo.
VOGUE, para mim, é a Campeã da Copa do Mundo Madonna.

Eduardo Almeida: Hey, Mr. DJ. Se fosse na Copa do Mundo dos Smiths, você seria enforcado, mas nessa final você é a estrela. Dois times fortíssimos. Competentes ao extremo pra fazer a torcida dançar e festejar. As firulas das movimentações da equipe de Vogue surtem efeito logo de cara: 1 x 0. Music parte para o ataque, pressiona com uma cadência maravilhosa, muda o ritmo, mas Vogue toma a bola, gira pra cá, gira pra lá e marca o segundo.Parece um jogo de ataque contra defesa. Vogue não se abate. Leva tudo na malemolência e sacramenta o placar com mais um belo gol. Agora é só posar pra foto com a taça, que sairá nos jornais no dia seguinte. "STRIKE A POSE".
Final: Vogue 3 X O Music
VOGUE vence.

Iris Borges: Vogue ganha pq é onde Madonna se consagra agradando todos os públicos, onde toca o povo dança e se bobear faz a coreografia.
Music é música de divulgação de disco por mais que Madonna tenha tentado ser moderna, embala mas se mudar a música no meio da pista não faz diferença. Toma!
VOGUE vence.

José Júnior: E chega a grande final. VOGUE x MUSIC. O juiz apita, a bola rola em campo. Music chegou à final com sua disco music, levantando a torcida e chamando pra pista, unindo as pessoas. Vogue carrega uma personalidade ímpar, com dribles orquestrados, passes perfeitos, como em suas poses. Chega o final do jogo, por 3x1 o time vencedor para e pergunta: "What are you looking at?". A torcida vai à loucura.
VOGUE é campeã!

Daniel Rodrigues: Bola rolando para a final da Copa Madonna! Em campo, a tradicional “Vogue” com o retrospecto de eliminar as melhores músicas do melhor disco da cantora, “Erotica”. Do outro lado, “Music”, a melhor canção pós-“Bedtime Stories” e uma surpresa no campeonato. Jogo difícil no início, com oportunidades para os dois lados, haja vista que são times ofensivos. Faltou só capricho no último toque. O primeiro tempo ficou assim, sem ninguém abrir o placar. Na etapa decisiva, o favoritismo e a camisa de “Vogue” fizeram a diferença. Impondo seu bem armado, meteu um aos 10 min. Aos 18 min, o segundo. Depois, fechou a defesa e segurou o ímpeto de “Music” até o final. Com placar clássico como a própria...
VOGUE se sagra a campeã da Copa Madonna!


***

VOGUE
CAMPEÃ DA COPA DO MUNDO
MADONNA



segunda-feira, 18 de junho de 2018

Copa do Mundo Madonna - Os finalistas


Já são conhecidos os finalistas da Copa do Mundo Madonna. E o título, com certeza, estará em boas mãos independente de quem conquistá-lo. Duas grandes canções, dois clássicos. A emblemática "Vogue", uma música que quase se mistura à imagem da própria cantora sendo uma dos títulos mais marcantes da música pop em todos os tempos; e a embaladíssima "Music", uma das melhores composições do repertório de Madonna, que explora os elementos de dance-music com maestria tornando-a irresistível para as pistas de dança. 
Apesar de todos os méritos e qualidades das duas não foi fácil chegar à final. Para chegar até aqui as duas tiveram que percorrer um longo e árduo caminho e derrubar outras gigantes como elas. Vamos então recapitular os adversários que estiveram no caminho das nossas duas finalistas e comparar quem teve mais dificuldades e ainda, para ajudar na difícil decisão de quem deve levar o caneco, ouvir as duas e analisar time por time: composição, ritmo, vocal, produção, clipe, figurino... Tudo que possa ser levado em consideração e ajudar a definir o grande campeão.


***


VOGUE

primeira fase: Miles Away
segunda fase: Secret
oitavas-de-finais: Fever
quartas-de-finais: Erotica
semifinal: Deeper and Deeper




vs.



MUSIC

primeira fase: Get Together
segunda fase: Borderline
oitavas-de-finais: True Blue
quartas-de-finais: Justify My Love
semifinal: Into The Groove

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Copa do Mundo Madonna - Semifinais

Agora é que eu quero ver quem tem garrafa vazia pra vender, como diria aquele antigo locutor.
Quem tem bala na agulha, quem tem café no bule...
Só restaram quatro.
Quatro mega-hits!
Dois jogaços!
Chegamos à reta final da Copa do Mundo Madonna e agora apenas duas grandes canções da Rainha do Pop chegarão à grande decisão.
Não há mais possibilidade de clássico local, jogo de times do mesmo disco, pois cada um dos semifinalistas representa um álbum da cantora. "Into The Groove", a mais antiga entre elas, vem lá do álbum "Like A Virgin", de 1984; "Vogue" vem de uma trilha sonora de um filme, "Dick Tracy", o subestimado disco "I'm Brethless", de 1990; "Deeper and Deeper" do polêmico "Erotica" de 1992; e "Music" que dá nome ao disco lançado no ano 2000. 
Que disputa, hein, amigos!
Quem será que fica com as duas vagas pra a finalíssima?
Os jogos já estão nas mãos dos nossos analistas técnicos que, por certo, terão muito trabalho para definir as partidas abaixo.


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Copa do Mundo Madonna - classificados para as Semifinais


Chegamos aos momentos decisivos do maior certame futebolístico-musical do planeta. A Copa do Mundo Madonna pega fogo de vez e daqui pra frente, apenas quatro estarão habilitados ao título.
As quartas-de-finais foram duras, hein! Alguns jogos poderiam tranquilamente terem sido a final do campeonato mas novamente, grandes clássicos da nossa Rainha tiveram que ficar pelo caminho. 
A propósito de clássicos, agora passa a ser impossível termos dérbis locais, enfrentamentos do mesmo álbum, até a final, uma vez que restaram apenas uma representante de cada disco.
Confira abaixo como definiram as partidas o nosso time de técnicos-analistas que, a partir desta fase conta com Eduardo Almeida, que já participara conosco da Copa do Mundo The Smiths, fazendo parte da nossa Seleção até o final do torneio.


***
  • DEEPER AND DEEPER x GIVE ME ALL YOUR LUVIN'
por Eduardo Almeida

GIVE ME possui um trio de atacantes de impor respeito: Nicky, Madonna e M.I.A. E logo de cara marcam um gol com a categoria de sempre da Madonna, expert nas "contratações" de suas parcerias. Mas Deeper and Deeper possui uma cadência de jogo que te envolve rapidamente, o que leva a equipe ao empate no fim do primeiro tempo. No segundo tempo, Nicky e M.I.A. aparecem, mas não estão no seu melhor. Jogam bem, mas estão muito discretas. Deeper não perde tempo e marca novamente, e vai envolvendo a equipe adversária, marcam o terceiro, e a torcida grita olé, pula e dança na arquibancada. Final: Deeper and Deeper 3 x Give Me All Your Luvin' 1.
DEEPER AND DEEPER classificada


  • INTO THE GROOVE x HUMAN NATURE
por Iris Borges

Into the Groove é aquela música que funciona super com o clipe, do filme "Procura-se Susan Desesperadamente", e na pista de dança de qualquer festa porque é alegre. Human Nature música de lounge ou pra andar de carro na boa, mas o clipe é uma mistura de "Encaixotando Helena" masoquista com Flashdance onde Madonna fica se revirando na cadeira como se tivesse com pó de mico.
Ganha INTO THE GROOVE.


  • JUSTIFY MY LOVE x MUSIC
por José Júnior

Até aqui nenhum dos jogos foi uma pelada, mas a situação complicou. Justify My Love contra Music significa, para mim, vestir duas camisas, torcer por dois times. O jogo segue duro, JML tem mais posse de bola e Music é mais perigosa no contra-ataque, Zero a zero mostra o placar e o jogo é decidido nos pênaltis.
MUSIC classifica!

  • VOGUE X EROTICA
por Daniel Rodrigues

Expectativa antes do jogo para ver como as equipes estariam armadas. Afinal, é outra final antecipada da Copa Madonna. “Vogue”, com a experiência de hit definidor da carreira da Rainha do Pop; “Erotica”, a virada arrebatadora da carreira. O que se viu foi respeito dos dois lados, jogo de meio campo, o que resultou num placar de 0 x 0 todo o primeiro tempo. As equipes vão para o intervalo e todos se põe a pensar: “o que os técnicos vão armar para o segundo tempo?” “Que táticas vão usar para romper (a defesa, viu?) do adversário?”. Quem dá a resposta logo no início da etapa final é “Erotica” que, com sua malícia, abre o placar. Mas não dá 2 min e “Vogue”, aguerrida, empata. E passa a pressionar. Até que fura o bloqueio e vira a partida numa jogada bem armada e um cruzamento na área, que o atacante cabeceia e não perdoa. “Vogue”, na raça e na qualidade, vence um dos mais difíceis adversários do torneio. E com o perdão da insinuação – por que futebol vive de flauta, ainda mais quando o tema é música e Madonna –: de virada é mais gostoso.
VOGUE classificada para as semi!

domingo, 10 de junho de 2018

Copa do Mundo Madonna - Quartas-de-Finais

Não sabe brincar, nem desce pro play porque agora a coisa aqui é só de gente grande.
Só restaram oito e, a gente sabe, que oito hits de Madonna, tem que se respeitar.
Realizado o sorteio, saíram os confrontos das quartas-de-finais e não tem refresco pra ninguém. É só jogaço! O ruim, que a gente sabe, é que quatro grandes músicas da Rainha vão ficar pelo caminho.
Novamente não tivemos clássicos locais e de agora em diante, apenas o álbum "Erotica" que colocou dois representantes nas quartas, poderá ter um enfrentamento direto na próxima rodada ou na final. Já as outras vagas dessa fase ficaram com os álbuns "Like a Virgin", "Bedtime Stories", "Music", "I'm Breathless", "MDNA" e com a coletânea "The Immaculate Collection" que trazia duas inéditas, uma delas, nossa representante nas quartas-de-finais.
Confira abaixo os enfrentamentos da atual fase da Copa do Mundo Madonna:



terça-feira, 5 de junho de 2018

Copa do Mundo Madonna - oitavas-de-finais

Sorteados os confrontos das oitavas.
Por enquanto nada de clássicos locais, de enfrentamentos de músicas do mesmo disco, mas o que não significa que não teremos emoções. 
Os discos Erotica e True Blue botam três representantes, cada, nesta fase, enquanto o Like a Virgin põe dois, e os álbuns Music, Like a Prayer, Bedtime Stories, I'm Brethless, MDNA, o primeiro álbum, Madonna, e a coletânea Immaculate Collection, cada um leva um para a atual disputa. Confessions On a Dance Floor, Ray Of Light, American Life, Hard Candy, Who's That Girl, Something To Remember e Rebel Heart por sua vez, não tem mais como levar a taça pois não tem mais times na competição.
Apertou a coisa, hein!
Muito time bom vai ter que ficar pelo caminho.
Depois daqui, só restarão oito.
Confira abaixo os jogos das oitavas-de-finais.



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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Copa do Mundo Madonna - classificados para as oitavas-de-finais

Tá afunilando! Tá afunilando!
Restaram só dezesseis e ficaram pelo caminho, nesta segunda fase, times grandes como Live To Tell, 4 Minutes, Sorry, Frozen, Open Your Heart. Por outro lado, surpresas como as não tão badaladas Human Naure que se destaca depois de ter derrubado duas gigantes e "Dress You Up" sucesso lá dos velhos tempos, estão dispostas a escreverem seu nome na história definitivamente. Os discos Erotica e True Blue garantiram três representantes cada um na próxima fase, em compensação, bons discos como Cofessions On A Dance Floor e Ray Of Light ficam sem nenhum representante. Confira, abaixo, destacados em amarelo, os classificados para as oitavas-de-finais da Copa do Mundo Madonna.


Classificadas: Human Nature, Everybody, Into the Groove, Papa Don't Preach, Erotica, True Blue, Like a Virgin, Dress You Up, Music, La Isla Bonita, Give Me All Your Luvin', Justify My Love, Vogue, Fever, Deeper and Deeper e Express Yourself.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Copa do Mundo Madonna - classificados da primeira fase

Pois é, torcedores, a coisa começou quente e nem tinha como ser diferente em se tratando de Madonna e suas canções. Já teve jogão logo de cara e, como alguém tem que sobrar, algumas grandes já foram mais cedo pra casa logo na primeira fase. Potenciais favoritas como Rain, Hung Up, Give It to Me, Like a Prayer deram adeus à competição e agora vão assistir do sofá a segunda etapa da competição, quando adversários do mesmo álbum poderão se encontrar.
Agora sim a chapa esquenta de vez, hein!
Confira abaixo todos os classificados da primeira fase marcados em vermelho e aguardem, em breve, o sorteio da seguinte.




Classificadas: Fever, Girl Gone Wild, Live to Tell, Give Me All Your Luvin', Justify MyLove, Human Nature, True Blue, Into The Groove, Papa Don't Preach, Celebration, 4 Minutes, Secret, La Isla Bonita, Jump, Spanish Eyes, Material Girl, Erotica, Vogue, Everybody, Frozen, Sooner Or Later, Sorry, Music, Turn Up The Radio, Open Your Heart, Take a Bow, Don't Tell Me, Like a Virgin, Deeper and Deeper, Dress You Up, Express Yourself e Borderline.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Madonna - "Erotica" (1992)



"Eu não acho que sexo é algo ruim,
eu não acho que nudez seja algo ruim.
Eu não acho que estar em contato com sua sexualidade
e ser capaz de falar sobre isso seja ruim.
Acho que o problema é que todo mundo é tão encanado sobre sexo
que fazem isso parecer ruim."
Madonna



Álbum um tanto eclipsado pelas polêmicas dos filmes “Na Cama com Madonna”  e “Corpo em Evidência”, e principalmente do bombástico livro “Sex”, “Erotica”, de 1992, é, no entanto para mim, o melhor disco de Madonna, com um trabalho de produção impecável, sonoridades interessantíssimas, trabalhos vocais elogiáveis, e atitude e provocação no grau máximo. A Material Girl encarnava a personagem Dita e deixava correr soltas todas as suas perversões: a brilhante faixa título, "Erotica", com sua base de baixo sampleada, propositalmente chiando como em um LP, acompanhada de um funkeado hipnótico, já é o cartão de visitas de Dita, com Madonna praticamente declamando os versos, sussurrando, numa interpretação sedutoramente ameaçadora. Dita volta a aparecer em outro grande momento do disco, a matadora “Waiting”, um hip-hop pesadão, com samples muito bem sacados e mais uma violenta dose de pimenta da safada personagem criada por Madonna para expor com mais naturalidade todas suas fantasias. E já que estamos nesse assunto, a ótima “Where the Life Begins”, um funk cadenciado, com tendências rythm’n blues e samples de cordas, é outra que não fica para trás no quesito putaria, uma vez que La Ciccone literalmente 'cai de boca', falando sobre sexo oral sem muitas cerimônias.
Mas falando assim parece que o álbum resume-se a um monte de hip-hop's sacanas pra chocar a galerinha menos avisada. Não! Embora a muitas faixas apresentem essa tendência, “Erotica” trazia Madonna passeando por outras tendências, experimentando desde a disco, na espetacular “Deeper and Deeper”; passando por uma espécie de ragga high-tech, com a ótima “Why’s it So Hard”, um manifesto contra preconceitos; revisitando Peggy Lee, lá dos anos 50, numa versão competentíssima de “Fever”; e logicamente trazendo aquelas canções pop que só ela sabe fazer, como “Rain”, provavelmente uma das melhores canções da cantora até hoje, numa interpretação inspirada e marcante.
Outros grandes momentos são a ótima balada “Bad Girl”, a bem ritmada e muito interessante “Words”; a vingativa e (até) divertida “Thief of Hearts”; na melancólica “In This Life”, para um amigo falecido pela AIDS; “Did You Do It?”, com uma performance à parte de dois MC’s, trabalhando sobre a base de “Waiting”, do próprio álbum; e o grande final com a sensual e misteriosa “Secret Garden”, um hip-hop lento, com ares de jazz, novamente com uma interpretação maviosa e precisa da loura, encarnando uma Dita dessa vez fragilizada e confessional.
 O fato é que se o hip-hop, os ritmos negros, as revisitas à disco, ao funk e aos rythm’n blues viraram moda dali para a frente naquele início dos 90’s, provavelmente em “Erotica” pela primeira vez aqueles elementos eram explorados de uma maneira eficiente e bem acabada por uma artista pop.
É isso que faz o diferencial de Madonna. Sempre um pouquinho à frente. Sempre mostrando como se faz.
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FAIXAS:
1. "Erotica"
2. "Fever"
3. "Bye Bye Baby"
4. "Deeper and Deeper"
5. "Where Life Begins"
6. "Bad Girl"
7. "Waiting"
8. "Thief Of Hearts"
9. "Words"
10. "Rain"
11. "Why's It So Hard?"
12. "In This Life"
13. "Did You Do It?"
14. "Secret Garden"


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Ouça:


Cly Reis

terça-feira, 22 de maio de 2012

Madonna - "MDNA" (2012)


Dei de presente pra ‘patroa’ o novo CD da Madonna, o “MDNA”, e mesmo não tento lá grandes expectativas por conta do último trabalho da cantora, 'Hardy Candy", uma vez o tendo em casa, então, resolvi escutá-lo e dar uma chance. Mas,contrariando a minha má vontade, minha desconfiança para minha agradável surpresa o disco é bem interessante. Bom disco, mesmo! Havia lido em algum lugar que o disco era excessivamente diversificado e por isso não tinha uma identidade, mas na minha opinião a variedade de possibilidades propostas por Madonna e seus produtores, é exatamente um dos principais méritos do trabalho. Se é pra ter uma linha e ficar na mesmice do álbum anterior, tal coerência de linguagem é completamente contraproducente, mas neste, a exemplo de “Like a Prayer”, onde atacava na música negra (‘Like a Prayer”), pop básico (“Express Yourself”), funk minimalista (“Love Song”), balada à espanhola (“Spanish Eyes”),  Madonna e seus parceiros, dentro de uma linguagem de música eletrônica, desfilam diversas facetas e alternativas, tendo como resultado um produto final altamente interessante.
Já havia gostado muito de “Give me All Your Lovin” quando a ouvi pela primeira vez no intervalo do Superbowl e ouvindo agora, a sensação só se confirma, nesta música que tem um dos refrões mais bacanas da música pop nos últimos tempos com aqueles gritos de cheerleaders e aquele clima super up. Mas surpreenderam-me muito positivamente também a primeira faixa do álbum “Girl Gone”, um bom cartão de visitas; a minimalista, agressiva, de batida forte e marcada, “Gang Bang”; a lenta “Masterpiece”, uma espécie de ragga com tons espanhóis; e a excelente “I’m Addicted” com sua levada furiosa e uma performance impecável da cantora, num 'punk-eletrônico' que lembra de certo modo Kraftwerk (sei que é redundância dizer que música eletrônica lembra os robôs, mas em especial remete às músicas do “Computer World”). Madonna ainda se aventura em “Free Falling” que fecha o disco, a cantar sobre uma base orquestrada de cordas, numa canção que soa quase como uma oração, e, surpreendam-se, senhores, sai-se muitíssimo bem dando um final mais que digno pra o álbum.
De resto, algumas são popzinhos competentes, outras, na verdade, descartáveis outras poucas dispensáveis, mas no geral, Madonna, cercada de uma boa retaguarda (William Orbit, Martin Solveig, Benny Bennassi) consegue de novo nos proporcionar mais um bom trabalho em sua discografia.
Não chega a ser um "True Blue", um “Erotica”, um “Like a Prayer” mas é um filho legítimo que não pode negar que ali tem o DNA da Rainha do Pop.

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Ouvir: