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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Erasmo Carlos - “Banda dos Contentes” (1976)


"'Banda dos Contentes' não é redondo, fechado, nem sufocante. É um trabalho livre, aberto, de um rock muito simples, girando em torno de um mundo real." 
Eliane Martins, em matéria da revista Pop, na época do lançamento de "Banda dos Contentes"

"Mudei. Mudei para melhor. Agora não sou mais galã de Jovem Guarda. Não me preocupo mais com a imagem. Eu estava sufocado, agora estou mais livre." 
Erasmo Carlos, em 1976

Roberto Carlos já havia deitado no divã da psicanálise 4 anos antes. Erasmo Carlos, coautor da canção gravada pelo “irmão camarada” em 1972, sentia que precisava de algo parecido. O Erasmo agora pai, casado, com carreira profissional consolidada e livre de vez da imagem do rapaz suburbano alçado ao estrelato da Jovem Guarda sabia que devia também se entender melhor. Mas se para alguns o processo terapêutico embaralha as emoções, para ele o aprofundamento em si mesmo foi revolucionário – e se deu através da própria música. “Banda dos Contentes”, álbum de 1976 que completa 50 anos de lançamento, é a prova disso, pois capta um homem honesto consigo e que, diante das mudanças do mundo daquela época, buscava se encontrar de coração e asas abertas.

Musicalmente, Erasmo já vinha exercitado seu lado tropicalista e independente da figura neo-romântica de Roberto desde “Erasmo Carlos e os Tremendões”, de 1970, passando pelo celebrado “Carlos, Erasmo”, de 1971, e pelo não menos “memorável” “Sonhos e Memória (1941-1972)”, de 1972. Em “Banda...”, o antigo garotão de “Gatinha Manhosa” e “Fama de Mau” chega maduro como músico e como pessoa. Isso se refletia na banda que escolhera trazer para perto de si: a fidelidade do “mutante” Liminha no baixo, a bateria esperta de Elber Bedaque, a guitarra roqueira de Rick Ferreira e a sofisticação jazz-samba do piano de Antônio Adolfo, além das participações de grandes músicos como Perna Fróes, Ruy Maurity, Rubão Sabino e do grupo Karma nos backings.

A diversidade sonora e a caprichada produção, a cargo de Guti e do próprio Erasmo, dão conta de um repertório que mantém o alto nível do início ao fim, com uma construção narrativa típica de quem sabe o que está fazendo. E mais legal é que, contrariamente a uma possível densidade em razão da influência psicanalítica, o disco une saudavelmente reflexões existenciais e filosóficas com sua caracteristicamente saborosa melodia. Até a arte visual é contaminada por esse olhar. No encarte do LP, Benício desenha vários homens se digladiando violentamente. Todos têm o rosto de Erasmo...

A faixa-título, com letra que parece ter saído fresquinha de uma sessão de terapia, é ao mesmo tempo fatídica e engraçada. ‘Às vezes olho no espelho/ Não vejo minha cara/ E com que cara que eu vou me mostrar/ Dentro de mim/ Com o meu saco cheio/ Porque a vida me fez/ Somente do meu tamanho”, dizem os versos. Mas o olhar freudiano contamina, de uma forma ou de outra, praticamente todo o repertório escolhido. O hit “Filho Único”, que inicia o disco e que foi tema de abertura da novela da Rede Globo Locomotivas, é uma das músicas mais sensíveis de toda aquela geração. Com uma letra que fala da busca de autonomia e independência de um filho sem irmãos para com sua genitora, traz alguns dos versos mais duros que a música brasileira já escreveu, justamente por contar uma verdade pouco admitida na sociedade daqueles idos: a de que os filhos são do mundo, não dos pais. O mundo agora é seu dono, “e nos seus planos não estão você”. Ele e Roberto, autores, abrem dizendo: “Ei mãe, não sou mais menino/ Não é justo que também queira parir meu destino”. Quer sentença mais psicanalítica que essa? Uma das joias do pop rock brasileiro de todos os tempos.

Arte de Benício no encarte do LP: vários Erasmos
contra eles mesmos
Sem deixar cair a peteca, Erasmo traz um então pouco conhecido compositor cearense chamado Belchior, que Elis Regina e Vanusa já haviam gravado mas que ainda nem havia lançado seu primeiro álbum, o hoje histórico “Alucinação”, daquele ano. A faixa é a clássica “Paralelas”, com sua letra forte e poética (“E no escritório em que eu trabalho e fico rico/ Quanto mais eu multiplico, diminui o meu amor”) e melodia/arranjo tanto quanto.

E se é para manter o nível lá em cima, nada melhor do que uma inédita como “Queremos Saber” na sequência. Assim como Caetano Veloso havia dado a Erasmo “De Noite na Cama” anos antes, agora era o outro tropicalista-mor, Gilberto Gil, que lhe presenteava com uma canção. E que canção! Indagadora, esta delicada balada caía como luva para a voz doce de Erasmo. Quem não há de ficar impactado (ou, pelo menos, reflexivo) com esses versos?: “Queremos notícia mais séria/ Sobre a descoberta da antimatéria E suas implicações/ Na emancipação do homem/ Das grandes populações/ Homens pobres das cidades/ Das estepes, dos sertões”. Cássia Eller regravaria “Queremos...” 25 anos depois e as interrogações continuariam as mesmas...

Em época de autoanálise, por que também não promover a investigação do que se põe como externo? É o que Erasmo e Roberto, em mais uma da dupla no disco, fazem, literalmente, com muita “descontração”. Monstro do Lago Ness, Carnaval, 10 Mandamentos, homem na Lua, guerras: está tudo em “Análise Descontraída”. Erasmo mostra-se indignado e incrédulo com o que vê à sua volta. “Eta mundo velho/ Você me parece ainda um ovo/ Ou então precisa urgentemente se acabar pra nascer de novo”. Morte, nascimento, valores ultrapassados, violência, modernidade confusa... Mais uma vez, a bendita terapia pegando.

Uma epifania em um cenário turbulento, “Dia de Paz”, de Jorge Mautner e Adolfo, evoca o Erasmo hippie de “Gente Aberta” e “Por Cima dos Aviões”. Outra que parece se deslocar no tempo e espaço para fugir um pouco da realidade é “Continente Perdido (Terra de Montezuma)”, uma fenomenal composição de Maurity e José Jorge, que conta com flautas e arranjos de Perna e uma sonoridade toda latina de raiz. Ousadias que Erasmão se permitia. Assim como a deliciosa “Baby”, mais uma de autoria com Roberto, um funk matador aos moldes de “Mundo Deserto” em que volta a usar sua verve contestadora para criticar... os homens como ele! Em sua descida às próprias profundezas, Erasmo, diante de uma feminista empoderada, vê-se inerte. “Deixe os seus protestos e os manifestos/ Pra outra periferia/ Não fui eu quem fez as leis/ Que não lhe dão maior autonomia/ Mas, se não dá/ Vamos fazer o nosso amor num outro dia”. Genial! Com uma linha de sopros de primeira, o baixo pulsante de Rubão, a bateria suingada de Pascoal Meirelles e as guitarras de Perna e Gabriel O’Meára, tem ainda o bass vocal de Erasmo marcando o ritmo.

Igualmente a “Dia de Paz”, “Fatos e Fotos”, de Luiz Mendes Jr. e Renato Terra, integrantes da Karma, baixa de novo a rotação numa canção romântica como as que Erasmo era craque em interpretar desde a Jovem Guarda. Isso porque, para encerrar, ele manda ver num country-rock ao mesmo tempo empolgante, lúdico e audacioso: “Billy Dinamite”, dele e de Rick. Audacioso, primeiramente, na concepção, haja vista que é a primeira música, após quase 20 anos de carreira artística, escrita com outro parceiro que não Roberto. Depois dele, viriam muitos outros, de Marisa Monte a Nelson Motta, de Samuel Rosa a Emicida. Narrando uma história típica de um livrinho barato do Tex, em que um mocinho se apaixona pela filha do cacique da tribo inimiga e, sabendo que sentenciara a própria morte por causa do amor, “fez a cama na montanha para ficar mais perto do céu”.

O anterior “Carlos, Erasmo”, seu mais cultuado álbum, bem como os posteriores “Erasmo Carlos Convida” (1980), “Mulher” (1981) e, já da última fase, “Rock‘n’Roll” (2009), são considerados marcos na discografia do Tremendão. Porém, nenhum outro é tão autoral e fala tanto sobre o próprio artista como “Banda...”, um divisor-de-águas em sua carreira. Com sua "cuca legal"“descontente” com o que devia ser, Erasmo antecipava, por exemplo, a crítica à masculinidade tão em voga hoje, expondo angústias, dúvidas, insatisfações e, principalmente, fragilidades do homem moderno. No brutalizado Brasil dos anos 70, de ditadura militar e supremacia da machosfera, Erasmo era um homem que chorava e se permitia emocionar. “Banda...” reflete, assim, mais do que qualquer outro trabalho seu aquilo que sempre lhe atribuíram: o de ser um verdadeiro Gigante Gentil em um mundo de cada vez menos gentilezas. 

videoclipe do Fantástico de "Billy Dinamite"

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FAIXAS:
1. "Filho Único" (Erasmo Carlos/ Roberto Carlos) - 3:40
2. "Paralelas" (Belchior) - 2:55
3. "Queremos Saber" (Gilberto Gil) - 3:54
4. "Análise Descontraída" (Erasmo Carlos/ Roberto Carlos) - 3:30
5. "Dia de Paz" (Jorge Mautner/ Antonio Adolfo) - 3:30
6. "A Banda Dos Contentes" (Erasmo Carlos/ Roberto Carlos) - 3:10
7. "Continente Perdido (Terra de Montezuma)" (José Jorge/ Ruy Maurity) - 5:05
8. "Baby" (Erasmo Carlos/ Roberto Carlos) - 3:25
9. "Fatos e Fotos" (Luiz Mendes Jr./ Renato Terra) - 3:01
10. "Billy Dinamite" (Erasmo Carlos/ Rick Ferreira) - 4:18

🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸

OUÇA O DISCO:

Daniel Rodrigues

segunda-feira, 4 de maio de 2026

"Michael", de Antoine Fuqua (2026)


É impossível assistir à cinebiografia de algum artista que se admira sem relacionar com a própria vida. Ainda mais aqueles que fizeram parte da SUA biografia. Foi o que me aconteceu vendo "Michael", do cineasta Antoine Fuqua. As lembranças da infância, quando eu, com 4 para 5 anos de idade, ia pra frente da TV dançar igual a Michael Jackson em "Thriller", nos idos de 1982/3, vieram à mente. O icônico videoclipe, que impressionara o mundo inteiro com sua abordagem e qualidade cinematográficas, foi um de impacto gigante para mim à época, um dos primeiros contatos com cultura de massa que aquele pequeno menino negro do Sul do Brasil teve juntamente com os desenhos animados da TV aberta.

Somente este contexto já é suficiente para me aproximar tanto do filme, que reduz minha chance de não gostar. Afinal, o aguardado longa de Fuqua, sucesso de bilheteria, é, sim, apreciável, mas abertamente comercial. Com a direção tecnicamente perfeita e a abordagem pop, como lhe é característico, o cineasta, um dos eminentes negros do cinema norte-americano atual, conta a história do maior astro pop de todos os tempos (interpretado por seu sobrinho Jaafar Jackson) de forma cronológica, porém com um recorte acertado, haja visto que não vai até a sua morte. Pegando do começo da vida artística, ainda criança com os irmãos companheiros de Jackson 5, passando pela ascensão da carreira solo, vai até o fatídico momento em que Michael se desenvencilha do opressor pai, Joe - vivido por Colman Domingo, num papel digno de indicação a Oscar. As belas cenas musicais e o realismo de diálogos ajudam a cumprir bem esse recorte narrativo, que nada mais é do que a escolha central da trama: a conturbada relação de Michael com o pai.

No que se refere a Joe Jackson, cabe uma reflexão sociológica. Afinal, como o histórico de racismo, intolerância e perseguição aos negros nos Estados Unidos gerou pais de família afro-americanos rancorosos, mesquinhos, infelizes e invejosos! E pior: dada a baixa autoestima deles, revoltados com uma sociedade que lhes esmagou e não lhes deu oportunidade de brilharem com seus talentos individuais, usam esses sentimentos somenos, justamente, contra aqueles que deviam amar. É o caso de Joe e o caçula Michael, mas também com outros artistas negros do século 20, como Ike Turner para com a esposa Tina Turner e o pastor C. L. Franklin com sua filha Aretha. Todos psicologicamente doentes e tiranos domésticos. Incapazes de admitir que seus próximos são, sim, astros com mais brilho que eles, entram em rota de colisão e numa cruzada para obscurecê-los. É triste de se ver tamanha perversidade, mas explicável em um contexto maior.

Domingo na pele do perverso Joe Jackson:
digno de Oscar
Afora isso, o filme também é incisivo ao apresentar um Michael dono de si e não um artista apenas talentoso levado pela mão por responsáveis como muito se propagou. O empresário John Branca e o produtor Quincy Jones, a quem ele respeitava e admirava, não comandavam, mas, sim, o próprio Michael. Sua consciência de homem preto, inclusive - algo pelo qual também sempre foi duramente criticado em razão do branqueamento da pele e das cirurgias plásticas descaracterizantes - é consistentemente rechaçada na cena em que ele, em 1983, bate pé diante do diretor da sua gravadora para que seu clipe fosse o primeiro de um artista negro a rodar na MTV. E foi.

Para quem acompanhou Michael Jackson desde criança até a fase adulta sabe que muito do que é mostrado faz sentido, mas também que há um cuidado em tratar de temas delicados. Porém, essa é a hora de trazer à tona essas delicadezas, se não, fica estranho.

E é aí que a proximidade de fã com a obra do artista faz com que seja impossível não se notar as lacunas. Quanto mais fã, aliás (e nem sou o maior conhecedor de MJ, repleto de ardorosos apaixonados pelo mundo todo), mais se sabe dos fatos verídicos. E me refiro a lacunas importantes, basais. Em "Michael", um dos assuntos faltantes foi criticado antes mesmo do filme ser lançado: o nebuloso (mas possivelmente verdadeiro) caso de abuso sexual sofrido por ele na infância. Nem uma menção, mesmo que sutil para não escancarar algo tão traumático? Pesa negativamente, uma pena.

Outro ponto faltante: onde está Diana Ross? E Stevie Wonder? Ambos admirações de Michael e com quem ele conviveu, tocou, filmou e gravou. Não foi possível incluí-los no roteiro? Foi uma opção? Há questões contratuais que impeçam? Verba para pagar direitos de imagem duvido que os produtores não tivessem. 

O que me pesou também foi a ausência de referência ao filme "O Pequeno Príncipe", de 1974. Falou-se acertadamente de Gene Kelly, James Brown, Charles Chaplin e Fred Astaire, inspirações mais óbvias de Michael. Mas seria importante informar a quem não sabe de onde vieram várias de suas referências coreográficas: da dança da serpente no deserto, brilhantemente coreografada pelo ator e dançarino Bob Fosse. Há gestuais idênticos aos eternizados por Michael, dentre os quais o famoso passo Moonwalk, marca registrada de MJ. Tiveram medo de expor Michael e ferir sua imagem? Embora a clara semelhança da dança de um e de outro, não parece uma mera imitação e, sim, uma forte inspiração, por isso não faria nenhum mal em se revelar isso ao grande público. Ao contrário: traria mais uma das referências pop que a genial cabeça de Michael conseguia reunir e devolver em forma de arte.

A semelhança das danças de Michael Jackson e Bob Fosse


De tudo que não está em "Michael", no entanto, o que mais me ressenti foi não se mostrar com mais detalhe o processo criativo do Rei do Pop ao compor. Há vídeos de matérias jornalísticas que registram esse processo, algo absolutamente fascinante de se ver, ainda mais considerando que ele, dono de ouvido absoluto, não precisava (assim como Elis Regina e Lupicínio Rodrigues) tocar nenhum instrumento para saber exatamente o que queria em sua música. Fuqua opta por evidenciar mais o processo de criação coreográfica - o que faz com perfeição nas cenas de "Beat It" e "Thriller" -, mas dá menor relevância para a invenção musical. No máximo, situa o conceito impulsionador de determinadas canções, como coisas que ele via na TV. Como fã, saí frustrado por isso, pois esperava por mais.

Cinebiografias não são necessariamente completas, é certo. Mas quem vê, por exemplo, "O Tempo não Para", sobre Cazuza, sente falta de se mencionar ou representar Ney Matogrosso, pessoa sabidamente fundamental na vida íntima e artística do autor de "Ideologia". Contudo, não dá para alguém que conhece o objeto do filme fechar os olhos para o que (não) está vendo. Ainda mais, quando se tratam de informações importantes. 

Há representatividade e "lugar de fala" na direção de Fuqua, uma vez que somente os tempos atuais deram condições a uma produção dessas ser realizada por um cineasta negro. Para ele, pessoalmente, deve ser uma realização abordar um ídolo formativo. Entendo isso. No entanto, fica por aí a reserva autoral. O final de "Michael", que deixa reticências para uma sequência, fecha a tampa dessa abordagem excessivamente comercial da obra: recorta-a até um ponto bem estipulado, mas, fatalmente, não a desfecha com o impacto que merecia. Como geralmente ocorre, o lado business compromentendo o artístico. Mas para um cineasta que esticou até a inanição uma franquia que começou legal como "O Protetor", não é de se estranhar que ainda produza tantas sequências de "Michael" quanto as de "Velozes & Furiosos". E o público do entretenimento, sem maiores distinções, vai adorar.

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Trailer de "Michael", de Antoine Fuqua


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"Michael"
Direção: Antoine Fuqua
Gênero: Drama/Biografia/Musical
Elenco: Jaafar Jackson, Nia Long, Laura Harrier, Juliano Krue Valdi, Miles Teller, Colman Domingo
Duração: 127 min
Ano: 2026
País: Estados Unidos
Onde assistir: Nos cinemas

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Daniel Rodrigues

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Música da Cabeça - Programa #455

 

Essa cara de espanto do quadro não é por causa do estilo cubista e nem em razão da pechincha que foi o leilão desse Picasso. O que realmente causa assombro é o MDC de hoje, só com verdadeiras pinturas em forma de música. The Beatles, Cartola, Bent, Neil Young e Elis Regina revelam seus traços. Igualmente, a gente repete o quadro Cabeção de março de 2021 para celebrar os 90 anos da compositora de vanguarda brasileira Jocy de Oliveira. Com uma paleta muito viva, o programa "pinta" por aqui às 21h na artística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e tintas próprias: Daniel Rodrigues


www.radioeletrica.com


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Gal Costa - “Gal Canta Caymmi” (1976)


"Gal é uma coisa gostosa. Ela é cantada em prosa e verso e se eu falar alguma coisa mais, vão dizer que eu estou copiando. É das cabeludas mais bonitas que conheço".
Dorival Caymmi


Caetano Veloso observou certa vez que a obra de Dorival Caymmi, embora pequena em volume de canções em relação a de outros compositores contemporâneos a ele (tal Ary Barroso ou Lamartine Babo) ou mesmo dos baianos como o próprio Caetano, é proporcionalmente a mais revisitada. Caymmi é pedra-fundamental da música brasileira, um cancionista e poeta capaz de inventar uma nova tradição, a qual encerra o folclore, o samba rural e a vida cotidiana da Bahia de Todos os Santos. Muito fizeram em versá-lo, mas nem sempre com assertividade, visto que sua música leva a uma encruzilhada: de tão original que é, dificulta quem a acessa. De todos, quem melhor resolveu essa equação foi Gal Costa em “Gal Canta Caymmi”, de 1976, disco que completa 50 anos com o mesmo frescor de quando foi lançado, além do show homônimo, um sucesso de público, que estreava exatamente no dia 11 de fevereiro, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.

Rainha das dunas de Ipanema que levavam seu nome, o ponto de encontro da contracultura carioca em tempos de ditadura, Gal exercia um papel central em meados dos anos 70. Era, ao mesmo tempo, a devota de João Gilberto e a roqueira janisjopliana, que havia irrompido no festival de 1968 e abraçado a psicodelia tropicalista, influenciando comportamentos e tornando-se um símbolo feminino libertário e contestador. Os parceiros Caetano e Gilberto Gil já haviam voltado do exílio, é bem verdade. Mas Gal, a diva resistente que segurou a barra do Tropicalismo sozinha na hora da linha-dura, conquistou seu espaço inconteste e ali reinava. Assim, tinha carta branca para empreitar o projeto que desejasse, como este, sugerido por Roberto Menescal, diretor artístico da sua gravadora, a Phillips, e prontamente aceito por ela. Por ideia dele, Gal havia gravado, um ano antes, “Modinha para Gabriela” para a novela da TV Globo, canção de Caymmi. Assim, não foi difícil identificar o próximo passo. Após o sucesso dos revolucionários “FA-TAL”, de 1971, e “Índia”, de 1973, era a vez da aguerrida Gal desafiar os padrões novamente, agora, modernizando o cancioneiro do autor de "Maracangalha" e outros eternos clássicos da MPB.

Mexer no que é sagrado não é para qualquer um, no entanto. E, claro, houve críticas. A imprensa inculta da época classificou "GCC" como "um crime à obra musical de Dorival Caymmi", "avacalhação" e "boçalidade". Porém, a cantora sabia o que estava fazendo e que não estava sozinha. Aliás, via-se muito bem acompanhada e amparada. Na trincheira com ela dois sólidos parceiros: Perinho Albuquerque e João Donato. Eles repetiam a química que definira o clássico “Cantar”, de 1974, marco da maturidade musical e artística de Gal. E se naquele álbum havia a batuta de Caetano orquestrando reportório e atmosfera, neste o papel ficava a cargo exclusivamente desses dois exímios arranjadores. A solução perfeita para versar Caymmi. Ora um, ora outro, produtor e diretor musical, respectivamente, eles assinam os arranjos de todas as faixas, equilibrando a pegada rock de um com o clima latin-jazz de outro sem deixar de soar com impressionante unidade. E, principal: ambos trabalham para dar o suporte necessário às formidáveis voz e interpretação de Gal, “a melhor cantora do Brasil” segundo João Gilberto.

Caymmi participando do show de Gal, em 1976,
no Teatro João Caetano (RJ)
Esse equilíbrio fica evidente nas duas faixas que abrem o álbum: os sambas “Vatapá”, um símbolo do cancioneiro caymmiano transformado em um soul jazz, e "Festa de Rua" (“Meu Senhor dos Navegantes, venha me valer”), numa pegada bastante pop. A primeira, a cargo do mestre Donato, com seus característicos arranjos de metais em tom médio. Já a seguinte, arranjada por Perinho, é colorida dos mesmos sopros e embalada num ritmo de samba soul. O samba-canção “Nem Eu”, da fase carioca de Caymmi, ganha a suavidade da voz de Gal em sua simplicidade composicional, a qual é traduzida em bossa-nova novamente pela mão de Donato, um dos precursores do gênero.

Aí, o negócio fica sério em duas em sequência: “Pescaria (Canoeiro)” e “O Vento”. O que Perinho faz com essas duas peças da célebre fase das “canções praieiras” de Caymmi é simplesmente deslumbrante. As músicas soam vigorosas, arrojadas, dando a medida da modernidade aplicada por Gal à obra do mestre. “Pescaria” conta com a sanfona de Dominguinhos, baixo de Novelli e violão de Menescal. Já em “O Vento”, piano de Antonio Adolfo e bateria de Paulinho Braga. Porém, deslumbrante mesmo é Gal cantando essas duas, certamente músicas que povoaram seu imaginário sonoro desde pequena em Salvador. O que é ela atingindo os agudos quando sobe um tom nos versos: “Ô canoeiro/ bota a rede no mar”?! Ou quando entoa, num ritmo funkeado: “Curimã ê, Curimã lambaio”?! É de arrepiar. A música está nela, capacidade que somente as grandes cantoras, como Sarah Vaughan, Elis Regina, Amy Winehouse ou Aretha Franklin, conseguem. Gal é uma delas.

O lado B, no formato original do LP, abre com mais um clássico inconteste da cidade de Salvador e do folclore baiano, que é "Rainha do Mar", dedicada à Iemanjá. Filha de Omulu, Gal era devota do candomblé, tendo se iniciado no referencial terreiro Ilê Iaomim Axé Iamassê com Mãe Menininha do Gantois. Ao ouvi-la cantar: “Minha sereia é rainha do mar/ Minha sereia é rainha do mar/ O canto dela faz admirar” tem-se a impressão de que está cantando sobre si mesma, tamanha a comunhão corpo/espírito que a música (e sua voz) consegue provocar.

Em seguida, noutra concatenada com Donato, mais um dos sambas cariocas, e outro show de interpretação de Gal. É "Só Louco", cuja melodia e letra têm visível influência de Lupicínio Rodrigues, com quem Caymmi convivera nos boêmios anos 30 no Rio de Janeiro. Animando o clima dor-de-cotovelo deixado pela anterior, "São Salvador" é daqueles temas solares feitos para o vocal de Gal brilhar. Igual a "Peguei Um 'Ita' No Norte", em que Donato novamente capricha no arranjo e onde Gal põe com delicadeza ímpar sua cristalina voz. Fechando num clima de festa, Perinho a ajuda a transformar o samba urbano "Dois de Fevereiro" em um samba-funk suingado.

Com “GCC”, Gal rompera uma barreira na indústria fonográfica brasileira ao produzir um álbum celebrando apenas um compositor, formato que ganharia o nome songbook mais tarde e se tornaria extremamente comum. Dois anos depois dele, foi a vez de Nara Leão gravar somente Roberto Carlos e Erasmo Carlos no disco “...E Que Tudo Mais Vá Pro Inferno”, um de seus maiores sucessos na carreira, favorecendo-se do caminho aberto pela colega baiana. Sinal de que Gal, mais uma vez, estava à frente das coisas. Ao homenagear Caymmi, ela mostrou que era permitido ousar mantendo o respeito à tradição. Gal nasceu assim, cresceu assim, era mesmo assim e foi sempre assim: uma baiana à frente do seu tempo.

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FAIXAS:
1. "Vatapá" - 3:31
2. "Festa de Rua" - 2:10
3. "Nem Eu" - 3:48
4. "Pescaria (Canoeiro)" - 2:53
5. "O Vento" - 4:52
6. "Rainha do Mar" - 3:00
7. "Só Louco" - 3:12
8. "São Salvador" - 2:44
9. "Peguei um 'Ita' no Norte" - 3:28
10. "Dois de Fevereiro" - 3:45
Todas as composições de autoria de Dorival Caymmi

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Daniel Rodrigues

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A arte do MDC em 2025

E lá se foi mais um ano de Música da Cabeça! O oitavo, mais precisamente, sempre com estreia na Rádio Elétrica, às quartas, 21h, e cuja programação é divulgada semanalmente aqui no blog. Programação esta, aliás, invariavelmente associada a artes que, toda semana, haja programa inédito ou não, pintam aqui e nas redes sociais. 

Por isso, como viemos fazendo nos últimos anos e a exemplo da retrospectiva da sessão Clyart, separamos as artes feitas para o MDC que rolaram durante 2026. Já com atraso, inclusive, visto que já estão rolando os programas deste ano. Mas a retrospectiva segue valendo para mostrar as linhas criativas que seguimos nos últimos meses, com temas geralmente do momento, aqueles que motivaram as nossas criações, quase como uma crônica visual. 

São temas da política, da sociedade, dos acontecimentos internacionais ou até mesmo aquele fato curioso que estava pegando durante a semana: muitos deles se transformaram em chamadas para as nossas edições do MDC. 

E dessa vez não teve desculpa de enchente, como a de 2024, que interrompeu o nosso programa por mais de um mês. Com um ano cheio, pudemos deitar e rolar em nossas chamadas. Ou seja: o que não ficou legal foi única e exclusivamente por conta de alguma inabilidade com as ferramentas de criação das artes. Contudo, o avançar dos anos, somado à constante prática de todas as semanas buscar levantar algo criativo visual e tematicamente, vem fazendo com que alguma evolução técnica apareça, mesmo que isso fique somente na menor dificuldade de executar. Pelo menos isso. 

Mas saiu coisa legal, inegavelmente. E com muita variedade, seja em peças ou vídeos. De gozações com a febre nacional “Vale Tudo” à lenga-lenga da contratação de Carlo Ancellotti para técnico da Seleção Brasileira de Futebol Masculino, passando pelo conclave do novo Papa e a morte de ilustres como Sebastião Salgado e Sly Stone, teve de um tudo. Claro: os gritos de guerra “Sem Anistia” e o processo que levou pra cadeia a corja de golpistas, incluindo o execrável ex-presidente, foi acompanhado e registrado no programa, seja através das notícias, seja por meio de suas artes de divulgação.

Enfim, mais um ano cheio de acontecimentos e motivações pra que o programa existisse e, com ele, as artes do MDC, que a gente recupera aqui o que de melhor rolou em 2025. 



Começamos o ano desejando tudo de bom para os ouvintes em 2025


E já na posse de Trump as coisa já não iam bem. Hillary Clinton que o diga 


Mas 2025 começava também com alegria e orgulho pelo filme "Ainda Estou Aqui", naquele janeiro vencedor do Globo de Ouro e concorrente ao Oscar, bem como de Fernanda Torres, que dava show por onde passava - até quando ela falava do MDC


Olha as sandices do Trump de novo! Na ed. de 19 de fevereiro, ele estava querendo mudar o nome do Golfo do México para Golfo... do MDC, claro!


E foi assim que a gente chegou à Quarta-Feira de Cinzas: sorrindo com o Oscar de
"Ainda Estou Aqui", para a ed. de 5 de março


O programa encerrou o segundo mês do ano com edição especial de nº 400, que teve a honra de entrevistar o músico, produtor e jornalista Thomas Pappon, direto de Londres, onde ele reside. Fizemos um vídeo-teaser bem legal, para este que foi um dos melhores programas MDC em 8 anos


Esta arte para a ed. 403, de 19 de março, em comemoração aos 80 anos de Elis Regina, foi das mais bonitas. A Pimentinha merece


Esta também, do programa 406, ficou interessante e visualmente instigante


Primeira vez que houve um díptico para chamar um programa, e foi na ed. 404, em março. Como foi bom ver essa gente sendo presa...


Mais uma bem legal de 2025, esta para a reprise da ed. 240, em abril, com o olhar característico do Carletto


E quando numa mesma semana se perde Nana Caymmi e Cristina Buarque? A gente uniu as duas em uma homenagem no MDC do começo de maio


E teve mais perdas entre maio e juno que viraram arte do MDC: Sebastião Salgado, Pepe Mujica e Sly Stone


Claro que a gente tinha que tirar um sarro da coqueluche do Brasil, "Vale Tudo", novela com a qual o MDC rivalizou tête-à-tête a audiência no horário nobre toda quarta-feira (#SQN)


E quando tivemos a felicidade de interromper a programação para dar a notícia do Plantão MDC, que o Bozo estava preso?! Começávamos a lavar a alma neste programa 422


O MDC 420 também teve atração especial, que foi a entrevista do músico e produtor Xuxa Levy, para o qual montamos esse pequeno vídeo em 23 de julho



E não é que em semanas subsequentes de final de agosto e início de setembro perdemos Jaguar e Verissimo? Só mesmo Sig e as Cobras para nos consolar


O soco que o Wanderlei Silva tomou não podia deixar de ilustrar a arte daquela semana de começo de outubro, né?


Pelo menos o MDC matou Odete Roitman, o que o fez com muita frieza e sem deixar vestígios
em 8 de outubro, para o programa especial 430


Aí o "imbrochável" vai lá e enfia um ferro de solda na tornozeleira eletrônica. Não tem como não virar arte do MDC! 


Outros dois grandes que partiram: Hermeto Pascoal, em setembro, e Lô Borges já em novembro. Foram tema dos nossos MDC 427 e 434 respectivamente


Na semana da Consciência Negra, repetimos o programa de nº 200 com a entrevista com Jards Macalé, outro grande que a gente perdia repentinamente naquele mês, e por isso recuperamos o belo vídeo-teaser que montamos quando de sua exibição em 2011. Salve Macao!



Pra encerrar o ano com mais um prêmio, ninguém melhor que ela, Fernandinha, dando uma chinelada na cara da extrema-direita para nosso MDC de Natal



Daniel Rodrigues

domingo, 25 de janeiro de 2026

Dossiê ÁLBUNS FUNDAMENTAIS 2025

 


Gil comemorando
a liderança nacional nos AF
A gente avisou que o véio tava chegando... Deixou chegar agora já era! Wayne Shorter põe mais um disco entre os ÁLBUNS FUNDAMENTAIS em 2025 e agora divide a liderança com os Rapazes de Liverpool com mais obras destacadas na nossa seção entre os artistas internacionais. Já entre os brasileiros, com a inclusão de "Dia Dorim, Noite Neon", entre os nossos Fundamentais, Gilberto Gil empata com o mano Caetano e os baianos agora dividem a liderança nacional. Mas é bom ficarem espertos porque, comendo pelas beiradas como um bom mineiro, Milton Nascimento aproveita a parceria com o agora líder Shorter e se aproxima da ponta também.
Entre os anos que mais entregaram grandes álbuns, não tivemos mudanças no ano que passou e, ainda que a década de 70 tenha mais representantes, o ano de 1986 segue na frente.
2025 nos trouxe alguns estreantes na nossa seção de grandes discos, como os alemães do Trio, os ingleses do Sleaford Mods, o prodígio Father John Misty, o sambista Argemiro Patrocínio e regionalismo do Quinteto Armorial, mas marcou também os 80 anos do grande Ivan Lins e a entrada da Estônia na galeria de países integrantes da nossa lista, com o genial "Tabula Rasa", de Arvo Pärt.

Confere aí, então, como ficaram as posições nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS:

*************


PLACAR POR ARTISTA (INTERNACIONAL)

  • The Beatles e Wayne Shorter***: 7 álbuns
  • Kraftwerk e John Coltrane: 6 álbuns
  • David Bowie, Rolling Sones, Pink Floyd, Miles Davis, Talking Heads e John Cale*  **: 5 álbuns cada
  • The Who, The Smiths, Led Zeppelin, Bob Dylan, Philip Glass e Lee Morgan: 4 álbuns cada
  • Stevie Wonder, Cure, Van Morrison, R.E.M., Sonic Youth, Kinks, Madonna, Iron Maiden , U2, Lou Reed**, e Herbie Hancock***: 3 álbuns cada
  • Björk, Beach Boys, Cocteau Twins, Cream, Chemical Brothers, Sean Lennon, Deep Purple, The Doors, Echo and The Bunnymen, Elvis Presley, Elton John, Queen, Creedence Clarwater Revival, Janis Joplin, Johnny Cash, Joy Division, Massive Attack, Morrissey, Muddy Waters, Neil Young and The Crazy Horse, New Order, Nivana, Nine Inch Nails, PIL, Prince, Prodigy, Public Enemy, Ramones, Siouxsie and The Banshees, The Stooges, Pixies, Dead Kennedy's, Velvet Underground, Metallica, Dexter Gordon, PJ Harvey, Rage Against Machine, Body Count, Suzanne Vega, Beastie Boys, Ride, Faith No More, McCoy Tyner, Vince Guaraldi, Grant Green, Santana, Ryuichi Sakamoto, Chick Corea, Sinéad O'Connor, Marvin Gaye e Brian Eno* : todos com 2 álbuns

*contando com o álbum  Brian Eno e John Cale , ¨Wrong Way Out"

**contando com o álbum Lou Reed e John Cale,  "Songs for Drella"

*** contando o álbum "Five Star', do V.S.O.P.



PLACAR POR ARTISTA (NACIONAL)

  • Caetano Veloso e Gilberto Gil* **: 8 álbuns*#
  • Chico Buarque ++ #:  7 álbuns
  • Jorge Ben ** João Gilberto*  **** e Milton Nascimento ***** º >: 5 álbuns
  • Tim Maia, Rita Lee e Legião Urbana: 4 álbuns
  • Gal Costa, Titãs, Paulinho da Viola, João Donato, Engenheiros do Hawaii, Criolo º  e Tom Jobim +: 3 álbuns cada
  • João Bosco, Lobão, Emílio Santiago, Jards Macalé, Elis Regina, Edu Lobo+, Novos Baianos, Paralamas do Sucesso, Ratos de Porão, Roberto Carlos, Sepultura, Cartola e Baden Powell*** : todos com 2 álbuns 


*contando com o álbum "Brasil", com João Gilberto, Maria Bethânia e Gilberto Gil

**contando o álbum Gilberto Gil e Jorge Ben, "Gil e Jorge"

*** contando o álbum Baden Powell e Vinícius de Moraes, "Afro-sambas"

**** contando o álbum Stan Getz e João Gilberto, "Getz/Gilberto"

***** contando com o álbum Milton Nascimento e Lô Borges, "Clube da Esquina"

+ contando com o álbum "Edu & Tom/ Tom & Edu"

++ contando com o álbum "O Grande Circo Místico"

# contando com o álbum "Caetano & Chico Juntos e Ao Vivo" 

º contando com o álbum Milton Nascimento e  Criolo "Existe Amor"

>contando com o álbuns "Native Dancer", com Wayne Shorter


PLACAR POR DÉCADA

  • anos 20: 2
  • anos 30: 3
  • anos 40: 1
  • anos 50: 121
  • anos 60: 103
  • anos 70: 171
  • anos 80: 146
  • anos 90: 111
  • anos 2000: 22
  • anos 2010: 19
  • anos 2020: 3


*séc. XIX: 2
*séc. XVIII: 1


PLACAR POR ANO

  • 1986: 24 álbuns
  • 1977: 22 álbuns
  • 1972: 21 álbuns
  • 1969 e 1985: 20 álbuns
  • 1976: 19 álbuns
  • 1970, 1971 e 1992: 18 álbuns
  • 1968, 1973, 1975 e 1979 17 álbuns
  • 1967 e 1980: 16 álbuns cada
  • 1983, 1965 e 1991: 15 álbuns cada
  • 1988, 1989, 1990 e 1994: 14 álbuns
  • 1987: 13 álbuns



PLACAR POR NACIONALIDADE*

  • Estados Unidos: 224 obras de artistas*
  • Brasil: 174 obras
  • Inglaterra: 131 obras
  • Alemanha: 12 obras
  • Irlanda: 8 obras
  • Canadá: 5 obras
  • Escócia: 4 obras
  • Islândia, País de Gales, Jamaica, México: 3 obras
  • Austrália, França e Japão: 2 cada
  • Itália, Hungria, Suíça, Bélgica, Rússia, Angola, Nigéria, Argentina, Estônia e São Cristóvão e Névis: 1 cada

*artista oriundo daquele país
(em caso de parcerias de artistas de países diferentes, conta um para cada)