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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Elvis Presley - "Elvis Presley" ou "Rock 'N' Roll" (1956)



“As pessoas de cor vêm cantando e tocando desse jeito por tanto tempo que nem mesmo sei. Eles tocam assim nos cortiços e ouvem essa música na jukebox. Ninguém deu a mínima até que comecei a cantar esse estilo. 
Aprendi com eles”.
Elvis Presley

"Houve muitos caras durões. Já houve impostores. E houve concorrentes. Mas só há um Rei". 
Bruce Springsteen

Foi em 26 de março de 1956. Esta é a data simbólica do nascimento de algo que revolucionaria a sociedade da idade contemporânea: o surgimento do rock 'n roll. Neste dia, após três anos de carreia musical, Elvis Aaron Presley, então com apenas 21 anos, lançava seu clássico e homônimo primeiro disco, não à toa também intitulado com aquilo que ousa inventar: “Rock ‘N’ Roll”. Muito já se falou sobre este álbum, e muito teria ainda a se falar hoje, 70 anos após sua chegada às lojas, aos ouvidos e aos corações de gerações de fãs. Mas como pede a cartilha de um bom rock, o legal mesmo é falar pouco e curtir, mas curtir muito!

Do primeiro crepitar da agulha no vinil ao último, são só músicas icônicas da cultura mundial, como poucos produtos culturais conseguem oferecer. É impaciente até hoje, e seguirá sendo, aquele início com "Blues Suede Shoes": "Well, it's one for the money" (dois acordes do violão e da bateria), "Two for the show" (mais dois acordes), "Three to get ready”, (bateria antecipando) “Now go, cat, go/ But don't you step on my blue suede shoes”. A partir daí, é a cargo de Elvis ao violão e do incendiário trio: Scotty Moore, guitarra; Bill Black, baixo; e D.J. Fontana, bateria; além de Gordon Stoke, ao piano; e os The Jordanaires, nos vocais de apoio. São os primeiros acordes do começo de um novo mundo. É a liberdade soando pelos ouvidos! 

A atitude, a assimetria, a rebeldia, a imperfeição, a perfeição, a luxúria, a carne, a carne. A música nunca mais foi a mesma depois daqueles 2 minutos chegarem ao fim. Os jornais da época chamariam de “primitivo”, “delinquente”, “vulgar”, “animalesco”, e “que suas performances deveriam ser restritas ao cais do porto e a bordéis, não à televisão nacional”. É tudo isso, sim, meus senhores. Era algo realmente delinquente, primitivo, assustador. E irrefreável. E divino.

Num disco cuja primeira faixa simboliza uma das maiores transformações comportamentais, mercadológicas e artísticas do século 20, ainda havia mais. Já existia "Hound Dog", single daquele mesmo ano com que Elvis pusera o mundo de cabeça para baixo. Bruce Springsteen, fã ardoroso do King, disse por toda uma geração do impacto que a icônica faixa teve para ele na primeira vez que a ouviu: "Ela simplesmente atravessou meu cérebro". Mas o álbum ia além disso, pois materializava em uma obra completa essa revolução. Elvis canta a “Tutti-Frutti” do negro gay e desafiador Little Richards empostando a voz blueser e dando uma outra roupagem a esse marco do rock. Afinal, Elvis mostrava, ainda muito embrionariamente, que rock, esse insubordinado filho direto do blues, se desmembraria em centenas e centenas de outros subgêneros. “Rock and roll can never die”, diria Neil Young em sua canção.

E tem também o country rock "Just Because", uma versão folk para o Standart “Blue Moon” e as baladas indefectíveis "I'll Never Let You Go (Lil' Darlin')" e "I Love You Because", gravações que Elvis registrara em seu período de Sun Records, entre 1953 e 1954, e cujos takes tornaram-se lendários como precursores do rock. E Elvis também canta o gênio Ray Charles ("I Got A Woman"), dos primeiros a fazer generosa ponte entre a música do Oeste com o R&B do Sul; "One-Sided Love Affair", que contém todos os predicados de um rock embalado; e "Trying to Get to You", exemplar country rock, com um show de vocal de Elvis.

E o que dizer de “Money Honey”, outro ícone da cultura contemporânea, muito bem escolhida pelo produtor da RCA, Steve Sholes, para encerrar o disco? Estão ali os maneirismos, a potência vocal, a reverência à tão massacrada cultura afro-americana daquela época. Elvis, alheio a qualquer preconceito de raça, disse: “Lá em Tupelo, Mississippi, eu ouvia o velho Arthur Crudup mandando bala e pensei que se eu conseguisse passar esse mesmo sentimento, minha música não teria igual”. No alvo, mr. Presley. 

A própria capa, centenas de vezes imitada e referenciada com suas letras em rosa na vertical no canto à esquerda e em verde na horizontal, abaixo, é pura ousadia: visceral, potente e até erótica para a época. Mesmo sem ser enquadrada, é possível enxergar, só de ver a expressão de seu rosto, os quadris e as pernas remexendo freneticamente e enlouquecendo de tesão a plateia, tal como a febre Elvis provocaria por anos.

O jovem caipira do Mississipi, nascido numa sociedade racista e colonialista, conviveu e absorveu do povo negro as suas principais referências. Soube ele misturar a enraizada cultura folk, a sonoridade melancólica do country e a visceralidade da tradição negra - o blues, o gospel, o R&B e, claro, o nascente rock ‘n’ roll, que já havia sido criado por mãos negras de Sister Rosetta Tharpe. Elvis juntou os branquelos feiosos Carl Perkins, Bill Halley e Jerry Lee Lewis aos roqueiros negros Little Richards, Chuck Berry e Bo Diddle, mais uma pitada do modern country de Ramblin' Jack Elliott e Woody Guthrie à sua imagem jovial e estonteante e seu carisma e, pronto: estava feita a química para o maior ícone pop de todos os tempos.

Nunca mais se repetirá essa combinação.

Mick Jagger, John Lennon, Madonna, Lou Reed, Elton John, Springsteen, Renato Russo, Lana Del Rey, Paul McCartney, Freddie Mercury, Eddie Vedder, Joan Jett, Bob Dylan, todos, sem exceção, devem ao Rei do Rock.

Elvis Presley, o disco, é muito mais do que um disco. É o raiar de uma era. É a criação da cultura pop. É a invenção de uma nova linguagem. É o florescer de uma revolução comportamental. É o nascer para valer da indústria fonográfica. É a entrada da juventude no mercado consumidor. É a instituição da cultura jovem. É a concretização do fenômeno de massas. É a simbolização da "vitória" dos Estados Unidos na Segunda Guerra, mesmo com a polarização da Guerra Fria (afinal, do outro lado da Cortina de Ferro não havia nada parecido com ele). Elvis, o disco, que alça o artista ao estrelato, é o primeiro efeito multimídia, que vazaria para o cinema, a TV e milhares de produtos do “Américan way of life”. Primeiro disco de rock ‘n’ roll a liderar as paradas, primeiro a passar dez semanas no topo da Billboard Top Pop Albuns. O primeiro do gênero a vender mais de um milhão de cópias. 

Há quem acredite que Elvis, Rei do Rock, foi a encarnação de Jesus Cristo, Rei dos Reis. Embora sua também breve existência, assim como a do filho de Deus, e o forte impacto de sua passagem entre os mortais, mobilizando multidões por onde passsava, não há como comparar. Cheio de defeitos, Elvis foi se mostrando cada vez mais machista, mesquinho e mimado, Elvis foi a representação perfeita não da Redenção, mas, sim, do messiânico rock ‘n’ roll, aquela música que veio à Terra, há exatos 70 anos, para salvar a humanidade. Da caretice do mundo.

🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸

FAIXAS:
1. “Blue Suede Shoes” (Carl Perkins) - 1:58
2. “I'm Counting On You” (Don Robertson) - 2:21
3. “I Got A Woman (Ray Charles) - 2:22
4. “One-Sided Love Affair” (Bill Campbell) - 2:10
5. “I Love You Because” (Leon Payne) - 2:39
6. “Just Because” (Bob Shelton, Joe Shelton, Sid Robin) - 2:32
7. “Tutti Frutti” (Dorothy La Bostrie, Richard Penniman) - 1:57
8. “Tryin' To Get To You” (Singleton, McCoy) - 2:31
9. ”I'm Gonna Sit Right Down And Cry (Over You)” (Biggs, Thomas) - 2:01
10. “I'll Never Let You Go” (Jimmy Wakely) - 2:21
11. “Blue Moon” (Rodgers & Hart) - 2:39
12. “Money Honey” (Jesse Stone) – 2:33

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OUÇA:

🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸


Daniel Rodrigues

terça-feira, 22 de abril de 2025

Sleaford Mods - "Divide and Exit" (2014)

 



“A melhor banda de rock'n'roll do mundo. 
Indubitavelmente, absolutamente e definitivamente, 
a maior banda de rock'n'roll do mundo”
Iggy Pop




Olha, se tem uma coisa legal, instigante, até mesmo original, por assim dizer, no mundo da música hoje em dia, surgido no século XXI é os Sleaford Mods. A fórmula é muito básica, sem nenhum rebuscamento, e talvez por isso seja mais legal. Dois caras: um deles canta-declama-fala as letras, ao estilo rap, de forma extremamente crua e contundente, e o outro rola programações minimalistas, batidas repetitivas e selvagens, bases agressivas carregadas no baixo apoiadas nos famosos três acordes do punk, só que curiosamente sem resquício de guitarras. James Williamson, o vocalista cospe as palavras, as distribui como ofensas, como socos, como uma espécie de Sex Pistols do novo milênio, enquanto Andrew Fearn guarda toda sua mágica no laptop carregado de bases pré-gravadas. 
Isso não é música?
Isso é muito punk!
Sem falar que, ao melhor estilo dos punks originais, lá dos idos 1977, que bradavam contra o governo inglês e sua política, vociferam também pelos problemas sociais do Reino Unido dos dias de hoje.
"Divide and Exit", de 2014, marca, possivelmente, o momento de maturidade sonora da dupla. Nem tão primário quanto um projeto ainda incipiente, nem tão polido quanto uma proposta pop comercial. Bem acabado na medida certa sem perderem nada a contundência. É o caso exatamente da primeira faixa, "Air Conditioning" em que a gente já percebe um vocal mais trabalhado, uma certa pós-produção na batida, mas a fúria está toda lá. "Tied up in Nottz" que a segue e uma das melhores do álbum, tem além da tradicional linha agressiva de baixo, um tecladinho que parece um brinquedo infantil e um arremedo de uma guitarra só pra não dizer que não tem. "A Little Ditty" tem provavelmente a programação de baixo mais violenta do disco, "Strike Force" por outro lado talvez seja a mais cadenciada, o que não significa que tenha um vocal menos intenso. "The Corgi" é bem ritmada, quase um 'samba do inglês-doido'; a ótima "Tiswas" é um punk tão gostoso que dá vontade de poguear; e "Middle Man", por sua vez, um hardcore furioso conduzido aos perdigotos pelo vocal intimidador de Williamson.
"Liveable Shit", para mim a melhor, tem uma linha de baixo pré-gravada elegante, o vocal afrontoso de sempre, e samples com risadas de claque como se o vocalista dividisse uma piada com os ouvintes, o que torna a faixa algo bizarramente divertido.
"Tweet Tweet Tweet" tem uma espécie de 'coro' que lhe confere uma atmosfera um tanto pomposa mesmo sobre uma base tão pobre, conferindo ao disco um final, até mesmo, grandioso por assim dizer.
Um cara que não sabe cantar e fala as letras, um outro que não sabe tocar e leva tudo gravado no seu computador... Isso lá é música?
Isso é punk. 
Isso é muito punk

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FAIXAS:
1. "Air Conditioning" (2:26)
2. "Tied Up in Nottz" (2:40)
3. "A Little Ditty" (2:32)
4. "You're Brave" (2:45)
5. "Strike Force" (2:49)
6. "The Corgi" (2:35)
7. "From Rags to Richards" (3:26)
8. "Liveable Shit" (3:19)
9. "Under the Plastic and N.C.T." (3:17)
10. "Tiswas" (3:12)
11. "Keep Out of It" (2:59)
12. "Smithy" (2:21)
13. "Middle Men" (2:31)
14. "Tweet Tweet Tweet" (3:02)

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Ouça:


por Cly Reis

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Living Colour - "Vivid" (1988)

 

"'Dougie, eu gostei dessa banda. O que você acha que devo fazer?' Eu disse a ele: 'Você é Mick Jagger, cara! Leve-os ao estúdio e faça algo com eles.'"
Doug Wimbish, atual baixista da Living Colour

Chuck Berry e Little Richards nunca esconderam a frustração de, mesmo sendo músicos negros como eles os inventores do rock ‘n’ roll, os louros tenham ido para artistas brancos. Não que Elvis Presley, Jerry Lee Lewis ou Bill Halley não tenham grande valor, mas é fato que a indústria fez abafar por uma imposição mercadológica racista a importância de autores negros como eles ou os irmãos Fats Domino, Bo Diddley e Sister Rosetta Tharpe. Com o passar dos anos, o estilo se desenvolveu e vieram os Beatles, os Rolling Stones, a Pink Floyd, a Led Zeppelin, a Black Sabbath... todos majoritariamente brancos. A Love, rara banda de rock composta somente por membros negros, era uma exceção onde deveria ser regra. Jimi Hendrix, como Pelé, virou um mito sem cor. Os punks Bad Brains e Death nunca tiveram a mesma vitrine que Ramones ou Sex Pistols. A "solução" da indústria? O mesmo mercado que desapropriou a criação do rock dos negros lhes deu o “direito” de serem pais de ritmos inquestionavelmente pretos, como a soul music e o jazz. Ou seja: sistematizou o apartheid musical. 

Claro que Berry e Richards garantiram, por aclamação, seu lugar no panteão da música universal. Porém, por muito tempo pairou aquela sensação de que os negros, os verdadeiros inventores do gênero mais popular do século XX, tinham uma dívida a cobrar. As décadas se passaram desde que o rock veio ao mundo cultural, e a indignação só fazia aumentar. Foi quando uma turma resolveu cobrar com juros e correção monetária esse débito e reclamar para si a verdadeira gênese do rock ‘n’ roll. “É pra gente mostrar que negro faz rock melhor que qualquer um? Então, aqui está!” Com esta vividez corajosa e empoderada surgiu a Living Colour, formada somente por músicos de fina estampa: o vocalista Corey Glover, o baixista Muzz Skillings, o baterista William Calhoun e o guitar hero Vernon Reid, principal compositor do grupo. Negros.

Produzidos pelo tarimbado Ed Stasium e por ninguém menos que Mick Jagger, que apadrinhou a banda após descobri-los tocando no underground de Nova York, “Vivid” é a extensão da própria ideia de uma banda cujo nome ressalta a vivacidade da cor da pele preta. Afinal, como disse o poeta: "Negro é a soma de todas as cores." Nas suas linhas melódicas, na sua potência, na sua sonoridade, nas letras de crítica social, no seu visual, o primeiro disco da banda resgata todos os tons da tradição do rock em um dos mais bem elaborados sons produzidos na música pop em todas as épocas. O rock pesado da Living Colour soa como se fosse inevitável valer-se dos altos decibéis para manifestar com autenticidade tudo aquilo que esteve guardado anos e anos. Tem hard rock, heavy metal e punk pincelados de funk, blues e jazz, aquilo que os negros fazem como ninguém. Ou seja: a Living Colour, com o perdão da redundância, dá cores muito próprias à sua música. O hit "Cult of Personality", faixa de abertura, é como um traço original num quadro que condensa todas essas tintas. Riff arrebatador, daqueles de dar inveja a Metallica e Anthrax. E a letra, na voz potente e afinadíssima de Glover, referencia Malcom X e critica a superficialidade da sociedade: “Olhe nos meus olhos/ O que você vê/ O culto da personalidade/ Eu conheço sua raiva, conheço seus sonhos/ Eu tenho sido tudo o que você quer ser”.

Hard rock de primeira, "I Want to Know" antecipa "Middle Man", outra de sucesso do álbum que também ganhou videoclipe na época de ouro da MTV. Reid, excepcional tanto na criação do riff quanto na condução da melodia e no solo, mostra porque é um dos maiores guitarristas de todos os tempos, capaz de variar de um suingue a la Jimmy Nolen ou fazer a guitarra urrar como uma das big four do trash metal. Já a pesada "Desperate People" destaca o talento de Calhoun nas baquetas, seja no ritmo, que vai do funk ao hardcore, quanto na habilidade e potência, ainda mais quando martela os dois bumbos. Mais um sucesso, e das melhores do repertório da banda, visto que uma tradução do seu estilo: "Open Letter (To a Landlord)". A letra fala da realidade da periferia (“Essa é minha vizinhança/ Aqui é de onde vim/ Eu chamo este lugar de meu lar/ Você chama este lugar de favela/ Você quer expulsar todas essas pessoas/ É assim que você é/ Trata pessoas pobres como lixo/ Vira as costas e ganha dinheiro sujo”) e traz um dos refrãos mais emblemáticos e tristes daquele final de anos 80, o qual, inteligentemente, repete os primeiros versos da letra, só que cantados agora numa melodia vocal especial: “Now you can tear a building down/ But you can't erase a memory/ These houses may look all run down/ But they have a value you can't see” (“Agora você pode derrubar um prédio/ Mas você não pode apagar uma lembrança/ Essas casas podem parecer estar em mau estado/ Mas elas tem um valor que você não pode ver.”).

O punk rock vem com a alta habilidade de músicos de ouvidos acostumados com o jazz fusion em “Funny Vibe”. Isso, no começo, porque depois a música vira um funk ao estilo James Brown com pegadas de rap, principalmente no jeito de cantar em coro – lembrando o hip-hop raiz de Run DMC e Afrika Bambaata – e na participação de Chuck D e Flavor Flav, MC’s da Public Enemy, a banda de rap mais politizada de todos os tempos. Aí, vem outra das grandes da banda: sua versão para a escondida proto-metal “Memories Can’t Wait”, da Talking Heads. Pode ser que, para uma banda estreante como a Living Colour, tenha pesado a indicação de Stasium, que havia trabalhado com o grupo de David Byrne nos anos 70. Porém, a influência do produtor vai até este ponto, visto que a leitura da música é totalmente mérito de Reid e de seus companheiros. O arranjo é perfeito: intensifica os aspectos certos da harmonia, faz emergir o peso subentendido da original e aplica-lhe pequenas diferenças, como leves mudanças na melodia de voz, que personalizam esta que é, certamente, uma das melhores versões feitas no rock dos anos 80.

Já na melodiosa "Broken Hearts", Reid exercita sua técnica deixando de lado o pedal de distorção para usar um efeito slide bastante elegante, assim como o vozeirão aveludado de Glover. Nesta, Jagger solta sua gaita de boca abrilhantando a faixa. Numa linha também menos hard e ainda mais suingada, “Glamour Boys”, que também tocou bastante à época e que tem participação de Jagger aos vocais, precede outra de vital importância para o discurso de reivindicação levantado pela banda: “What's Your Favorite Color?”. Seus versos dizem: "Qual é a sua cor favorita, baby?/ É branco?/ Fora de moda". 

E quando se pensa que se ouvirá mais um heavy metal furioso, com a mesma naturalidade eles enveredam para um funk psicodélico de fazer orgulhar-se dr. P-Funk George Clinton pelos filhos musicais que criou. Noutro hard rock pintado de groove, "Which Way to America?", com destaque para o baixo em slap de Skillings, solta o verbo contra a sociedade de consumo e a ideologia racista da televisão, veículo concentrador das amálgamas no mundo pré-internet, alinhando-se novamente ao discurso dos parceiros Public Enemy, ferozes denunciadores do branconcentrismo da mídia norte-americana.

Com outros bons discos posteriores, como “Times Up”, de 1990, o qual traz o maior hit da banda, “Love Rears It's Ugly Head”, a Living Colour abriu em turnê para os Rolling Stones e foi atração de festivais como Hollywood Rock de 1992, tornando-se, por incrível que pareça, o primeiro grande grupo do rock integralmente formado por negros, mais de 40 anos depois dos precursores mostrarem o caminho para as pedras rolarem. Além disso, mais do que seus contemporâneos Faith no More, eles expandiram as falsas fronteiras do rock pesado, injetando-lhe uma propriedade que somente os “de cor” poderiam realizar. Depois deles vieram a Infectious Grooves, a Body Count, a Fishbone, todos com bastante influência daquilo que ouviram em “Vivid”. Todos que não deixaram esquecer jamais que o rock é, sim, essencialmente preto. E vamos parar com essa palhaçada! As memórias de Berry e Richards agradecem.

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FAIXAS:
1. "Cult of Personality" - 4:54 (Glover/ Skillings/ Reid/ Calhoun)
2. "I Want to Know" - 4:24
3. "Middle Man" - 3:47 (Reid/ Glover)
4. "Desperate People" - 5:36 (Glover/ Skilling/ Reid/ Calhoun)
5. "Open Letter (To a Landlord)" - 5:32 (Tracie Morris/ Reid)
6. "Funny Vibe" - 4:20
7. "Memories Can't Wait" - 4:30 (David Byrne/ Jerry Harrison)
8. "Broken Hearts" - 4:50 
9. "Glamour Boys" - 3:39
10. "What's Your Favorite Color? (Theme Song)" - 3:56 (Reid/ Glover)
11. "Which Way to America?" - 3:41
Todas as composições de autoria de Vernon Reid, exceto indicadas

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OUÇA O DISCO:


Daniel Rodrigues

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

30 grandes músicas dos anos 80 (não necessariamente as melhores)

Os irlandeses da U2, no topo da lista, em foto de
Anton Corbjin da época de "Bad"
Sabe aquela música de um artista pop que você escuta e se assombra? E o assombro ainda só aumenta a cada nova audição? “Caramba, que som é esse?!”, você se diz. Pois bem: todas as décadas do rock – principalmente a partir dos anos 60, quando as variações melódico-harmônicas se multiplicaram na reelaboração do rock seminal de Chuck Berry, Little Richard e contemporâneos – são repletas de músicas assim: clássicos imediatos. Mas por uma questão de autorreconhecimento, aquelas produzidas nos anos 80 me chamam bastante a atenção. É desta década que mais facilmente consigo enumerar obras desta característica, as que deixam o ouvinte boquiaberto ou, se não tanto, admirado.

Conseguiu entender de que tipo de música estou falando? Creio que talvez precise de maior elucidação. Bem, vamos pela didática das duas maiores bandas rock de todos os tempos: sabe “You Can´t Always Get What You Want”, dos Rolling Stones, ou “A Day in the Life”, dos Beatles? É esta espécie a que me refiro: podem não ser necessariamente as músicas mais consagradas de seus artistas, nem grandes hits, mas são, inegavelmente, temas grandiosos, emocionantes, que elevam. Você pode dizer: “mas têm outras músicas de Stones ou Beatles que também emocionam, também são grandes, também provocam elevação”. Sim, concordo. Porém, estas, além de terem essa característica, parecem conter em sua gênese a ideia de uma “grande obra”. Dá pra imaginar Jagger e Richards ou Lennon e McCartney – pra ficar no exemplo da tabelinha Beatles/Stones – dizendo-se um para o outro quando compunham igual Aldo, O Apache em "Bastardos Inglórios": “Olha, acho que fizemos nossa obra-prima!”

Quer mais exemplos? “Lola”, da The Kinks; “Heroin”, da Velvet Underground; “Marquee Moon”, da Television; "We Are Not Helpless", do Stephen Stills; "Kashmir", da Led Zeppelin. Sacou? Todas elas têm uma integridade especial, uma alma mágica, algo de circunspectas, quase que um selo de "clássica". 

Pois bem: para ficar claro de vez, selecionamos, mais ou menos em ordem de preferência/relevância, as 30 músicas do pop-rock internacional dos anos 80 as quais reconhecemos esse caráter. Para modo de poder abarcar o maior número de artistas, achamos por bem não os repeti, contemplando uma música de cada - embora alguns, evidentemente, merecessem mais do que apenas uma única indicada, como The Cure, U2 e The Smiths. Haverá as que são mais conhecidas ou mais obscuras; as que, justamente por conterem certo tom épico, se estendem mais que o normal e fogem do padrão de tempo de uma "música de trabalho"; artistas de maior sucesso e outros de menor alcance popular; músicas que inspiraram outros artistas e outras que, simplesmente, são belas. 

E desculpe aos fãs, mas, claro, muita gente ficou de fora, inclusive figurões que emplacaram superbem nos anos 80, como Michael Jackson, Elton John, Bruce Springsteen e Queen. Até coisas que adoraria incluir não couberam, como “Hollow Hills”, da Bauhaus, “Hymn (for America)”, da The Mission, "51st State", da New Model Army, "Time Ater Time", da Cyndi Lauper, "Byko", do Peter Gabriel, "Up the Beach", da Jane's Addiction, "Pandora", da Cocteau Twins, "I Wanna Be Adored", da Stone Roses... Mas não se ofendam: tendo em vista a despretensão dessa listagem, a ideia é mais propositiva do que definidora. Mas uma coisa une todos eles: criaram ao menos uma música diferenciada, daquelas que, quando se ouve, são admiradas de pronto. Aquelas músicas que se diz: “cara, que musicão! Respeitei”. 


1 – “Bad” - U2 ("The Unforgatable Fire", 1984) OUÇA
2 – “Alive and Kicking” - Simple Minds (Single "Alive and Kickin'", 1985) OUÇA
3 –
Capa do compacto de
"How...", dos Smiths
“How Soon is Now?”
- The Smiths 
("Hatful of Hollow", 1984) OUÇA








4 – “Nocturnal Me” - Echo & The Bunnymen ("Ocean Rain", 1984) OUÇA
5 – “A Forest” - The Cure ("Seventeen Seconds", 1980) OUÇA
6 – “World Leader Pretend” - R.E.M. ("Green", 1988) OUÇA
7 – “Ashes to Ashes” - David Bowie ("Scary Monsters (and Super Creeps)", 1980) OUÇA
8 – “Vienna” - Ultravox ("Vienna", 1980)

Videoclipe de "Vienna", da Ultarvox, tão 
clássico quanto a música


9 – “Road to Nowhere” - Talking Heads ("Little Creatures", 1985) OUÇA
10 – “All Day Long” - New Order ("Brotherhood", 1986) OUÇA
11  “Armageddon Days Are Here (Again)” - The The ("Mind Bomb", 1989) OUÇA
12 – “The Cross” - Prince ("Sign' O' the Times", 1986) OUÇA
13 – “Live to Tell” - Madonna ("True Blue", 1986) OUÇA

Madonna estilo diva, no clipe de "Live..."

14 – “Hunting High and Low” - A-Ha ("Hunting High and Low", 1985) OUÇA
15 – “Save a Prayer” - Duran Duran ("Rio", 1982) OUÇA
16 – “Hey!” - Pixies ("Doolitle", 1989) OUÇA
17 – “Libertango (I've Seen That Face Before) - Grace Jones ("Nightclubbing", 1981) OUÇA
18 – “Black Angel” - The Cult ("Love", 1985) OUÇA
19 – “Children of Revolution” - Violent Fammes ("The Blind Leading the Naked", 1986) OUÇA
Os pouco afamados
Alternative Radio
emplacam a fantástica
"Valley..."
20 – “Valley of Evergreen” - Alternative Radio 
("First Night", 1984) OUÇA









21  “USA” - The Pogues ("Peace and Love'", 1989) OUÇA
22  “Decades” - Joy Division ("Closer", 1980) OUÇA
23 – “Easy” - Public Image Ltd. ("Album", 1986) OUÇA
24  “Teen Age Riot” - Sonic Youth ("Daydream Nation", 1988) OUÇA
25 – “One” - Metallica ("...And Justice for All", 1988) OUÇA
26 – “Little 15” - Depeche Mode ("Music for the Masses", 1987) OUÇA
27 – "Never Tear Us Apart" - INXS ("Kick", 1987)

Hits também têm seu lugar: 
"Never Tear Us Apart", da INXS


28 – “Lands End” - Siouxsie & The Banshees ("Tinderbox", 1986) OUÇA
29 – “US 80's–90's” - The Fall ("Bend Sinister", 1986) OUÇA
30 – “Brothers in Arms” Dire Straits ("Brothers in Arms", 1985) OUÇA


Daniel Rodrigues

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Otis Redding - "Live in Europe" (1967)


"Ele parecia um cavalo de raça
esperando pelo sinal para correr (...)
Quando o show anterior acabou,
Otis entrou por trás do palco,
agarrou o microfone e começou a andar
de uma ponta a outra do palco.
Eu não acreditei no que estava acontecendo:
uma energia que eu nuca tinha visto antes."
Al Bell,
produtor musical
e executivo da Stax



Um dos ao vivo mais eletrizantes que eu já ouvi na minha vida. Energia pura. A gente sente, ouvindo, que uma espécie de êxtase delírio, catarse paira no ar nas apresentações de Otis Redding que fazem parte do disco "Live in Europe" (1967) que apanha fragmentos preciosos dos shows realizados em Paris, na turnê coletiva de artistas da gravadora Stax pela Europa.
Com apresentações curtas por causa do número de artistas que a gravadora levara para as apresentações no Velho Mundo, Otis Redding já tinha que chegar com o pé na porta mostrando que não vinha para brincadeira e por isso mesmo o soulman já saía largando a esfuziante "Respect", cuja interpretação mais marcante, provavelmente, seja a de Aretha Franklin, mas a dele, o autor, não menos clássica, mostra-se, espacialmente ao vivo, tão grandiosa quanto. O povo já ia ao delírio logo de cara.
Sem deixar cair a bola, o disco traz na sequência a vibrante "I Can't Turn You Loose", baixando a rotação logo em seguida com "My Girl", clássico dos Temptations carregada nas doses certas de romantismo, doçura, sensualidade e pungência; e com a dolorida balada "I've Loving You too Long" conquistando ainda mais o público francês.
"Shake", de Sam Cooke, ganhava uma versão de andamento acelerada e muita intensa em que o cantor chegava a rasgar o vocal em alguns momentos, mandando ver e quebrando tudo, acompanhado de sua competentíssima e não menos endiabrada banda.
O clássico riff rasgado de guitarra de Keith Richards, de "(I Can't Get No) Satisfaction" dos Rolling Stones, dava lugar a uma introdução vibrante de baixo, que sucedida por um naipe de metais empolgante, culminaria numa interpretação surpreendente e memorável de Redding, numa daquelas covers que a gente chega a pensar se não chega a ser melhor que a original.
"Fa-Fa-Fa-Fa-Fa" , um soul típico bem característico, tem a participação bacana do público no refrão e "These Arms of Mine" outra balada chorosa, esta com toques gospel, encaminha os momentos finis do álbum.
Assim como fizera com os Stones, Otis dava então a um clássico dos Beatles uma releitura interessantíssima. "Day Tripper" nas mãos do soulman e sua banda ganhava um andamento mais acelerado, um vocal mais ensandecido e uma metaleira marcante.
Final tradicional em todos os shows da turnê europeia, "Try A Little Tenderness", envenenada, frenética, alucinada, em uma interpretação pulsante e atuação de palco memorável enlouquecia definitivamente o Olympia de Paris. Em uma performance histérica na qual a banda terminava a música várias vezes para que o cantor a trouxesse de volta retomando-a ainda mais insanamente, não era difícil perceber ao fundo o público vindo abaixo. Êxtase, num final de espetáculo de deixar qualquer um paralisado, catatônico, incrédulo!
Otis Redding apresentaria-se ainda em  junho daquele mesmo 1967 no festival de Monterey onde teria sua consagração definitiva, infelizmente, por pouco tempo, uma vez que sua carreira e sua vida seriam tragicamente interrompidas por um desastre aéreo ainda no final daquele mesmo ano. Até por isso, "Live in Europe" ganha um papel mais importante dentro da discografia do artista, a de mostrar a qualidade, a performance, o brilhantismo, o carisma e a intensidade de Otis Redding em cima do palco, neste que foi o único registro ao vivo em álbum de sua carreira.
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FAIXAS:
1. Respect 3:43
2. Can't Turn You Loose 3:29
3. I've Been Loving You Too Long (To Stop Now) 4:08
4. My Girl 2:43
5. Shake 2:56
6. (I Can't Get No) Satisfaction 3:01
7. Fa-Fa-Fa-Fa-Fa (Sad Song) 4:04
8. These Arms Of Mine 3:47
9. Day Tripper 3:06
10. Try A Little Tenderness 5:07

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Ouça:
Otis Redding Live in Paris Full Concert

Cly Reis

sexta-feira, 20 de março de 2015

The Rolling Stones - "Aftermath" (1966)




“Foi a primeira vez que
compusemos um disco inteiro”
Mick Jagger




Pela primeira vez os Rolling Stones gravavam um álbum todo com composições próprias e, diga-se de passagem, se restava alguma dúvida, confirmavam a que vinham. “Aftermath” tem a marca da qualidade de composição Jagger e Richards que viria a se eternizar como uma das parcerias mais marcantes e criativas da história da música. “Aftermath” é vigoroso, é abusado, é ousado, é rock'n roll puro sem deixar de lado, obviamente, aquela veia blueseira tradicional do grupo. Além disso, o interesse recente de Brian Jones em instrumentos exóticos é responsável por um enriquecimento musical e ampliação dos horizontes e recursos da banda, o que se mostra logo de cara na excelente “Mother Little Helper” que inaugura o disco.
Mesmo mais simples, menos elaborada, adoro “Stupid Girl” que vem na sequência, pela energia, pela pegada bem rock'n roll mesmo. A bela “Lady Jane”, uma balada, segundo o próprio Richards, “elizabeteana”, e que segundo meu parceiro de blog, Eduardo Wolff  é a música mais Beatles dos Stones é extremamente delicada, bem arranjada, e mais uma das que traz com êxito a marca dos experimentos instrumentais de Jones.
O vocal por vezes rasgado e o indisfarçado machismo da excepcional “Under My Tumb” é outro dos pontos altos não apenas do disco como da carreira da banda ("Agora sou eu quem determina, o jeito que ela fala quando é chamada atenção / Sou eu quem determina, as coisas mudaram, ela está sob meu polegar/ Está tudo bem").
A extensa, experimental “Goin' Home” com seus 11 minutos, cheia de improvisos e imprevistos, é um marco na quebra de duração padrão das canções em álbuns de rock. Literalmente uma GRANDE música.
“High and Dry” com sua harmônica marcante, o vocal indolente de “It's Not Easy”; "Flight 505" com sua introdução matadora de piano; e a ótima “Out of Time”, também colaboram na grandiosidade de “Aftermath. A porpósito de "Out of Time", ela, bem como "Mother's Little Helper" e "Take It Or Leave It" não aparecem na versão americana do álbum, mas que em compensação tem "Paint It Blak logo de abertura, um dos melhores exemplos de uso de cítara por parte de Brian Jones, num rock agressivo e matador cheio de influências indianas e orientais, e fecha com a já citada "Goin' Home', um final muito mais grandioso e adequado do que a boa mas comunzinha "What to Do" que encerra a edição britânica.
Enfim, os Rolling Stones caminhavam por suas próprias pernas, amadureciam seu som, agregavam novas possibilidades musicais chegavam, digamos assim, à maioridade, e se firmavam naquele momento, verdadeiramente, como uma grande banda. O resultado: um ÁLBUM FUNDAMENTAL.
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FAIXAS:

  1. "Mother's Little Helper" – 2:45
  2. "Stupid Girl" – 2:56
  3. "Lady Jane" – 3:08
  4. "Under My Thumb" – 3:41
  5. "Doncha Bother Me" – 2:41
  6. "Goin' Home" – 11:13
  7. "Flight 505" – 3:27
  8. "High and Dry" – 3:08
  9. "Out of Time" – 5:37
  10. "It's Not Easy" – 2:56
  11. "I Am Waiting" – 3:11
  12. "Take It or Leave It" – 2:47
  13. "Think" – 3:09
  14. "What to Do" – 2:32
*a edição americana trazia "Paint It Black"  e não contava com
"Out Of Time", "Mother's Little Helper e "Take It, Or Leave It"

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Ouça:


Cly Reis

sábado, 21 de junho de 2014

The Beatles Rock Cup - finalistas


Bem, amigos do clyblog, chegamos ao momento decisivo da Copa Beatles.
Das 96 canões que iniciaram a competição apenas duas chegam vivas para a batalha final. Foi um longo e doloroso caminho e grandes clássicos ficaram pelo caminho derrubados, no detalhe ou massacrados inapelavelmente, pelas duas finalistas.
E quais são elas?
Bem, nossa bancada beatlelística analisou as duas semifinais e chegou à conclusão de quais as que merecem fazer a grande final.
Veja abaixo, então, as análises dos nossos comentaristas e seus escolhidos para a decisão:








GET BACK x A DAY IN THE LIFE
A Day in the life é composição de Lennon e McCartney e faz parte do álbum "Sgt. Peppers...." É uma das maiores canções do mundo. Tem todos os ingredientes dos Beatles reunidos numa canção só. Você se emociona, se diverte, viaja e como complemento escuta sons indescritiveis mas que fazem bem aos ouvidos.
A DAY IN THE LIFE CLASSIFICA

GOLDEN SLUMBERS x PLEASE PLEASE ME
Golden Slumbers é uma canção de McCartney e desta forma para quem é fã dele também, impossível não incluir na final, ressaltando aqueles vocais que lembram e muito, boa parte musical dos Beatles.
GOLDEN SLUMBERS CLASSIFICA



GET BACK x A DAY IN THE LIFE
 A Day in the Life é um clássico. Gué Bé é um saco. Não evolui, não progride, não diz a que veio. Nunca gostei dessa retomada às origens que eles quiseram fazer, requentar um passado roqueiro glorioso aos 46 do segundo tempo. Enfrentam ADITL que é uma música em 2 partes coladas, uma do Macca e outra do Lennon e a terceira parte com uma mesclagem muito interessante com a letra da primeira e o ritmo da segunda. A própria Get Back havia predito seu destino: “Get back to where you once belonged” A Day in the Life ganha de 3 x 0, placar clássico de goleada.
A DAY IN THE LIFE CLASSIFICA

GOLDEN SLUMBERS x PLEASE PLEASE ME
Semi-final via de regra é um jogo mais disputado que a final. Na final é o “Vamos ver o que é que dá, já chegamos aqui”. A semi-final é o “Quero chegar lá”. Nesse confronto pegamos os extremos da carreira dos Beatles, uma do primeiro e outra do último jogo. O início e o fim. Please Please Me chega motivada pela força da juventude e o espírito de quem ainda quer e tem o que fazer. Golden Slumbers chega com a experiência de anos e anos de música no lombo, e é mais uma música recortada e colada em 3 partes. Slumbers cadencia o jogo suportando a pressão da Please Please Me e na sua segunda parte, ela avisa em alto e bom tom “Boy, you're gonna carry that weight” e é onde ela ganha a disputa, com consistência faz um a zero, com a sessão de solos de guitarra faz 2 x 0, com a frase final liquida a fatura em goleada de 3 x 0.
GOLDEN SLUMBERS CLASSIFICA



GET BACK x A DAY IN THE LIFE
Desta semifinal, com certeza é o confronto mais cascudo. Tudo bem que "Get Back" é uma baita esquadra, tem todo o seu valor histórico. Foi celebrada no Rooftop (o show do telhado). No entanto, algo indica que "A Day In The Life" tem tudo para levantar o caneco. É uma equipe épica, diferenciada, atropelou vários adversários da Copa e merece estar disputando o título.
A DAY IN THE LIFE CLASSIFICA

GOLDEN SLUMBERS x PLEASE PLEASE ME
O estilo moleque de Please Plese Me - formado por um grupo de Sub-20 - foi chegando, chegando e incrivelmente está as semifinais. Mas nessa fase o buraco é mais embaixo e não tem como ser páreo para "Golden Slumbers". Esta é uma equipe com um preparo e maturidade e uma execução mortal e fundamental para ir para a final.
GOLDEN SLUMBERS CLASSIFICA


  • Rodrigo Lemos:

GET BACK X A DAY IN THE LIFE
GET BACK é um time que foi longe na competição. Vai voltar para casa e ter torcida esperando no aeroporto para comemorar a participação nas semifinais. Um time razoável, com um refrão que gruda e uma guitarra vem bacana, mas não pode ir para a final, convenhamos. Ainda mais quando o adversário é como A DAY IN THE LIFE, uma equipe versátil, capaz de mudar de formação e arranjo de uma hora para a outra quando o jogo exige. 3x1 para A DAY IN THE LIFE e o juiz apita o final do confronto.
 A DAY IN THE LIFE CLASSIFICA

GOLDEN SLUMBERS x PLEASE PLEASE ME 
GOLDEN SLUMBERS tem um time seguro e sólido. Defende-se bem do ímpeto juvenil e o embalo dos atacantes de PLEASE PLEASE ME. PLEASE PLEASE me é muito legal, tem a introdução com a gaitinha de boca, as harmonias afiadas do vocal, com agudos ao estilo Little Richards no “Pleeeeease me”, as viradas da bateria, o “come on, come on” no refrão e os pequenos riffs de guitarra. Um baita time, sobretudo na parte ofensiva que não chegou até as semi-finais por acaso. Mas foi o acaso que botou no seu caminho uma equipe afinadíssima, segura e competente. GOLDEN SLUMBERS é uma obra-prima. Uma seleção, do goleiro ao ponta esquerda. Tremendo arranjo, cordas, metais, piano, baixo e bateria, tudo no lugar certo e na medida certa. O vocal do Paul Mc Cartney é matador, inspiradíssimo e a vitória é inevitável.
GOLDEN SLUMBERS CLASSIFICA


então, por unanimidade:

A DAY IN THE LIFE e GOLDEN SLUMBERS 
farão a grande final.

E agora, qual a maior música dos Beatles?
Nosso time de especialistas e a galera do Facebook decidirão nos próximos dias.
Fiquem ligados.
Em breve conheceremos a Campeã das Campeãs!





sábado, 25 de fevereiro de 2012

Chuck Berry - "Chuck Berry is on Top" (1959)



"É difícil para mim falar de Chuck Berry
porque eu copiei todos os acordes
que ele já tocou."
Keith Richards


O que é que aquele negro estava fazendo ali pela segunda metade dos anos 50?
Negros faziam blues, mas aquilo não era blues.
Tinha pitadas, doses de música country, mas não era country, e, afinal de contas country era música pra caipiras brancos.
Tinha um balanço diferente, tinha um embalo impressionante.
Senhores, aquele homem tinha acabado de inventar uma coisa chamada rock'n roll!
Aquela mistura, aquele jeito de tocar, aquela guitarra singular, aqueles riffs, aquele novo ritmo de certa forma desagradava um pouco aos negros porque subvertia o blues; desagradava também aos brancos por ousar mexer com um ritmo característico deles; mas o mais importante é que muito mais gente aprovou, e adorou, e aderiu e, enfim, é por isso que estamos aqui, não é mesmo Chuck?
Embora seu primeiro disco, After School Session" de 1957, seja considerado uma espécie de marco-zero do rock, destaco aqui seu terceiro álbum, "Chuck Berry is on Top" de 1959, por trazer uma maior quantidade de seus grandes hits por metro quadrado entre os primeiros trabalhos de sua carreira: tem a alucinante "Maybelline"; a elétrica "Sweet Little Rock and Roller"; o riff matador de "Johnny B. Goode"; e a empolgante "Roll Over Beethoven"; sem falar em outras como "Around and Around", "Carol" ou "Jo Jo Gunne" por exemplo, igualmente excelentes mas não tão famosas quanto as clássicas.
Não, não é a toa Chuck Berry é considerado por muitos o Pai do Rock, e "Chuck Berry is on Top" está aqui para confirmar isso.

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FAIXAS:

  1. "Almost Grown" – 2:18
  2. "Carol" – 2:44
  3. "Maybellene" – 2:18
  4. "Sweet Little Rock & Roller" – 2:18
  5. "Anthony Boy" – 1:50
  6. "Johnny B. Goode" – 2:38
  7. "Little Queenie" – 2:40
  8. "Jo Jo Gunne" – 2:44
  9. "Roll Over Beethoven" – 2:20
  10. "Around and Around" – 2:20
  11. "Hey Pedro" – 1:54
  12. "Blues for Hawaiians" – 3:22

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Ouça:
Chuck Berry Is On Top


Cly Reis