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terça-feira, 3 de novembro de 2009

The Stone Roses - "The Stone Roses" (1989)





"I'm the Ressurection
and I'm the life"



Adquiri sábado, irresponsavelmente , a edição de 20 anos aniversário do álbum “The Stone Roses”. Digo irresponsavelmente por que uma edição dessas com o álbum original, mais um de demos, mais o DVD, foi uma verdadeira facada no rim ($$$). Mas e daí? Que se dane!
O grande disco dos Stone Roses, um dos marcos da cena chamada Madchester, daquela renovada onda de psicodélicos ingleses do final dos 80 acabou por ser na verdade um dos discos mais importantes da década seguinte que já estava ali às portas. Muitos como Charlatans, Ride, An Emotional Fish, Inspiral Carpets, já estavam na estrada e tinham o seu som, mas os Roses, certamente ajudaram a direcionar e abrir novas possibilidades.
Novas possibilidades como em “Warerfall” com sua melodia hipnótica que lá pelas tantas parece acabar e começa a tocar invertida mas continua sendo cantada normalmente. Já vimos isso com Hendrix em “Are You Experienced”? Já. Certamente. Mas aquela sonoridade da Grâ-Bretanha no final dos 80 precisava destas reinjeções, destas reexperimentações.
É lógico que nada se cria. Muito do disco é Beatles puro. Puro, não, aliás. Quase puro. Quase impuro. Sempre entendi que os Beatles deram os passos que ninguém havia dado até então, mas quando chegou a hora de seus discípulos (inesgotávies) os darem, o fizeram com um resultado melhor porque o caminho já estava trilhado. Por isso algumas coisas são totalmente influenciadas pelos Fabfour mas acabam, aquelas alturas, em 1989, tendo um resultado mais conciso. “I Wanna Be Adored” é um exemplo disso, “Bye Bye Badman” é outra muito próxima daquela sonoridade mas soa bem contemporânea e “Elizabeth My Dear” também não deixa de ter esta característica, mas tem aquela tocada mais melancólica, num breve acústico que funciona quase como uma ponte dentro do álbum.
Pontos altos na minha opinião são “Made of Stone”, que foge um pouco da característica do resto do disco, com uma pegada mais forte, e a clássica “I’m the Ressurrection” que é uma metamorfose contínua ao longo de seus quase 9 minutos.
A edição ainda tem uma bônus no disco principal que é a ótima “Fools Gold”, também totalmente psicodélica e mutável, que sem sofrer variações bruscas, vai indo, indo e termina bastante diferente de como começou.
O segundo disco é praticamente só de versões demo, sendo a maior parte de músicas daquele álbum mesmo, além de uma faixa inédita até então, “Pearl Bastard”; e o DVD traz parte de uma apresentação ao vivo em Blackpool com 6 músicas.
“The Stone Roses” com certeza é um dos meus álbuns preferidos e por certo, também, um dos mais influentes e importantes de todos os tempos, freqüentador assíduo de listas de melhores álbuns de todos os tempos e apontado, por exemplo, pela New Musical Express como o “maior álbum britânico de todos os tempos”.
Entre os 10, deve estar, sim.

**********************************************************

FAIXAS "The Stone Roses" 2009 20th. Aniversary Release:
  • disco 1
The Stone Roses album
1."I Wanna Be Adored" 4:52
2."She Bangs the Drums" 3:42
3."Waterfall" 4:37
4."Don't Stop" 5:17
5."Bye Bye Badman" 4:00
6."Elizabeth My Dear" 0:59
7."(Song for My) Sugar Spun Sister" 3:25
8."Made of Stone" 4:10
9."Shoot You Down" 4:10
10."This Is the One" 4:58
11."I Am the Resurrection" 8:12
12."Fools Gold" (UK 12" single version; bonus track) 9:53

  • disco 2
The Lost Demos
1."I Wanna Be Adored" (Demo) 3:42
2."She Bangs the Drums" (Demo) 3:46
3."Waterfall" (Demo) 4:45
4."Bye Bye Badman" (Demo) 4:03
5."(Song for My) Sugar Spun Sister" (Demo) 3:30
6."Shoot You Down" (Demo) 4:25
7."This Is the One" (Demo) 4:00
8. "I Am the Resurrection" (Demo) 6:38
9."Elephant Stone" (Demo) 3:13
10."Going Down" (Demo) 2:40
11."Mersey Paradise" (Demo) 2:47
12."Where Angels Play" (Demo) 3:16
13."Something's Burning" (Demo) 3:03
14."One Love" (Demo) 6:22
15."Pearl Bastard" (Demo; previously unreleased track) 3:42

  • disco 3
Music videos
1."Waterfall" (Video) 3:36
2."Fools Gold" (Video) 4:14
3."I Wanna Be Adored" (Video) 4:33
4."One Love" (Video) 3:47
5."She Bangs the Drums" (Video) 3:41
6."Standing Here" (Video) 3:15

*******************
Ouça:

sexta-feira, 28 de junho de 2013

100 Melhores Discos de Estreia de Todos os Tempos

Ôpa, fazia tempo que não aparecíamos com listas por aqui! Em parte por desatualização deste blogueiro mesmo, mas por outro lado também por não aparecem muitas listagens dignas de destaque.
Esta, em questão, por sua vez, é bem curiosa e sempre me fez pensar no assunto: quais aquelas bandas/artistas que já 'chegaram-chegando', destruindo, metendo o pé na porta, ditando as tendências, mudando a história? Ah, tem muitos e alguns admiráveis, e a maior parte dos que eu consideraria estão contemplados nessa lista promovida pela revista Rolling Stone, embora o meu favorito no quesito "1º Álbum", o primeiro do The Smiths ('The Smiths", 1984), esteja muito mal colocado e alguns bem fraquinhos estejam lá nas cabeças. Mas....
Segue abaixo a lista da Rolling Stone, veja se os seus favoritos estão aí:

Os 5 primeiros da
lista da RS
01 Beastie Boys - Licensed to Ill (1986)
02 The Ramones - The Ramones (1976)
03 The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced (1967)
04 Guns N’ Roses - Appetite for Destruction (1987)
05 The Velvet Underground - The Velvet Underground and Nico (1967)
06 N.W.A. - Straight Outta Compton (1988)
07 Sex Pistols - Never Mind the Bollocks (1977)
08 The Strokes - Is This It (2001)
09 The Band - Music From Big Pink (1968)
10 Patti Smith - Horses (1975)

11 Nas - Illmatic (1994)
12 The Clash - The Clash (1979)
13 The Pretenders - Pretenders (1980)
14 Jay-Z - Roc-A-Fella (1996)
15 Arcade Fire - Funeral (2004)
16 The Cars - The Cars (1978)
17 The Beatles - Please Please Me (1963)
18 R.E.M. - Murmur (1983)
19 Kanye West - The College Dropout (2004)
20 Joy Division - Unknown Pleasures (1979)
21 Elvis Costello - My Aim is True (1977)
22 Violent Femmes - Violent Femmes (1983)
23 The Notorious B.I.G. - Ready to Die (1994)
24 Vampire Weekend - Vampire Weekend (2008)
25 Pavement - Slanted and Enchanted (1992)
26 Run-D.M.C. - Run-D.M.C. (1984)
27 Van Halen - Van Halen (1978)
28 The B-52’s - The B-52’s (1979)
29 Wu-Tang Clan - Enter the Wu-Tang (36 Chambers) (1993)
30 Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006)
31 Portishead - Dummy (1994)
32 De La Soul - Three Feet High and Rising (1989)
33 The Killers - Hot Fuss (2004)
34 The Doors - The Doors (1967)
35 Weezer - Weezer (1994)
36 The Postal Service - Give Up (2003)
37 Bruce Springsteen - Greetings From Asbury, Park N.J. (1973)
38 The Police - Outlandos d’Amour (1978)
39 Lynyrd Skynyrd - (Pronounced ‘Leh-‘nérd ‘Skin-‘nérd) (1973)
40 Television - Marquee Moon (1977)
41 Boston - Boston (1976)
42 Oasis - Definitely Maybe (1994)
43 Jeff Buckley - Grace (1994)
44 Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
45 The Jesus & Mary Chain - Psychocandy (1985)
46 Pearl Jam - Ten (1991)
47 Pink Floyd - Piper At the Gates of Dawn (1967)
48 Modern Lovers - Modern Lovers (1976)
49 Franz Ferdinand - Franz Ferdinand (2004)
50 X - Los Angeles (1980)
51 The Smiths - The Smiths (1984)
52 U2 - Boy (1980)
53 New York Dolls - New York Dolls (1973)
54 Metallica - Kill ‘Em All (1983)
55 Missy Elliott - Supa Dupa Fly (1997)
56 Bon Iver - For Emma, Forever Ago (2008)
57 MGMT - Oracular Spectacular (2008)
58 Nine Inch Nails - Pretty Hate Machine (1989)
59 Yeah Yeah Yeahs - Fever to Tell (2003)
60 Fiona Apple - Tidal (1996)
61 The Libertines - Up the Bracket (2002)
62 Roxy Music - Roxy Music (1972)
63 Cyndi Lauper - She’s So Unusual (1983)
64 The English Beat - I Just Can’t Stop It (1980)
65 Liz Phair - Exile in Guyville (1993)
66 The Stooges - The Stooges (1969)
67 50 Cent - Get Rich or Die Tryin’ (2003)
68 Talking Heads - Talking Heads: 77’ (1977)
69 Wire - Pink Flag (1977)
70 PJ Harvey - Dry (1992)
71 Mary J. Blige - What’s the 411 (1992)
72 Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)
73 Norah Jones - Come Away with Me (2002)
74 The xx - xx (2009)
75 The Go-Go’s - Beauty and the Beat (1981)
76 Devo - Are We Not Men? We Are Devo! (1978)
77 Drake - Thank Me Later (2010)
78 The Stone Roses - The Stone Roses (1989)
79 Elvis Presley - Elvis Presley (1956)
80 The Byrds - Mr Tambourine Man (1965)
81 Gang of Four - Entertainment! (1979)
82 The Congos - Heart of the Congos (1977)
83 Erik B. and Rakim - Paid in Full (1987)
84 Whitney Houston - Whitney Houston (1985)
85 Rage Against the Machine - Rage Against the Machine (1992)
86 Kendrick Lamar - good kid, m.A.A.d city (2012)
87 The New Pornographers - Mass Romantic (2000)
88 Daft Punk - Homework (1997)
89 Yaz - Upstairs at Eric’s (1982)
90 Big Star - #1 Record (1972)
91 M.I.A. - Arular (2005)
92 Moby Grape - Moby Grape (1967)
93 The Hold Steady - Almost Killed Me (2004)
94 The Who - The Who Sings My Generation (1965)
95 Little Richard - Here’s Little Richard (1957)
96 Madonna - Madonna (1983)
97 DJ Shadow - Endtroducing ... (1996)
98 Joe Jackson - Look Sharp! (1979)
99 The Flying Burrito Brothers - The Gilded Palace of Sin (1969)
100 Lady Gaga - The Ame (2009)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

OS 100 MELHORES DISCOS DE TODOS OS TEMPOS

Coloquei no blog o primeiro da minha lista do melhores álbuns de todos os tempos e então agora resolvi listar o resto.
Sei que é das tarefas mais difíceis e sempre um tanto polêmica, mas resolvi arriscar.
Até o 10, não digo que seja fácil, mas a concepção já está mais ou menos pronta na cabeça. Depois disso é que a gente fica meio assim de colocar este à frente daquele, tem aquele não pode ficar de fora, o que eu gosto mais mas o outro é mais importante e tudo mais.
Mas na minha cabeça, já ta tudo mais ou menos montado.
Com vocês a minha lista dos 100 melhores discos de toda a história:



1.The Jesus and Mary Chain “Psychocandy”
2.Rolling Stones “Let it Bleed”
3.Prince "Sign’O the Times”
4.The Velvet Underground and Nico
5.The Glove “Blue Sunshine”
6.Pink Floyd “The Darkside of the Moon”
7.PIL “Metalbox”
8.Talking Heads “Fear of Music”
9.Nirvana “Nevermind”
10.Sex Pistols “Nevermind the Bollocks"

11.Rolling Stones “Exile on Main Street”
12.The Who “Live at Leeds”
13.Primal Scream “Screamadelica”
14.Led Zeppellin “Led Zeppellin IV
15.Television “Marquee Moon”
16.Deep Purple “Machine Head”
17.Black Sabbath “Paranoid”
18.Bob Dylan “Bringing it All Back Home”
19.Bob Dylan “Highway 61 Revisited”
20.The Beatles “Revolver”
21.Kraftwerk “Radioactivity”
22.Dead Kennedy’s “Freshfruit for Rotting Vegettables”
23.The Smiths “The Smiths”
24.The Stooges “The Stooges”
25.Joy Division “Unknown Pleasures”
26.Led Zeppellin “Physical Graffitti
27.Jimmy Hendrix “Are You Experienced”
28.Lou Reed “Berlin”
29.Gang of Four “Entertainment!”
30.U2 “The Joshua Tree”
31.David Bowie “The Rise and the Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”
32.David Bowie “Low”
33.My Bloody Valentine “Loveless”
34.The Stone Roses “The Stone Roses”
35.Iggy Pop “The Idiot”
36.The Young Gods “L’Eau Rouge”
37.The 13th. Floor Elevators “The Psychedelic Sounds of The 13th. Floor Elevators”
38.The Sonics “Psychosonic”
39.Ramones “Rocket to Russia”
40.The Beatles “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”
41.PIL “Album”
42.REM “Reckoning”
43.Love “Forever Changes”
44.Madonna “Erotica”
45.Grace Jones “Nightclubbing”
46.Pixies “Surfer Rosa”
47.Pixies “Doolitle”
48.Rolling Stones “Some Girls”
49.Michael Jackson “Off the Wall”
50.Michael Jackson “Thriller”
51.Beck “Odelay”
52.Nine Inch Nails “Broken”
53.The Fall “Bend Sinister”
54.REM “Green”
55.Neil Young and the Crazy Horse “Everybody Knows This is Nowhere”
56.Kraftwerk “Trans-Europe Expreess”
57.The Smiths “The Queen is Dead”
58.New Order “Brotherhood”
59.Echo and The Bunnymen” Crocodiles”
60.Prince “1999”
61.Morrissey “Viva Hate”
62Iggy Pop “Lust for Life”
63.Pixies “Bossanova”
64.Chemical Brothers “Dig Your Own Hole”
65.Prodigy “Music For Jilted Generation”
66.Van Morrisson “Astral Weeks”
67.Pink Floyd “Wish You Were Here”
68.Muddy Waters “Electric Mud”
69.Sonic Youth “Dirty”
70.Sonic Youth “Daydream Nation”
71.Nirvana “In Utero”
72.Björk “Debut”
73.Nirvana “Unplugged in New York”
74.Björk “Post”
75.Jorge Ben “A Tábua de Esmeraldas”
76.Metallica ‘Metallica”
77.The Cure "Disintegration"
78.The Police ‘Reggatta de Blanc”
79.Siouxsie and the Banshees “Nocturne”
80.Depeche Mode “Music for the Masses”
81.New Order “Technique”
82.Ministry “Psalm 69”
83.The Cream “Disraeli Gears”
84.Depeche Mode Violator”
85.Talking Heads “More Songs About Building and Food”
86.The Stranglers “Black and White”
87.U2 “Zooropa”
88.Body Count “Body Count”
89.Massive Attack “Blue Lines”
90.Lou Reed “Transformer”
91.Sepultura “Roots”
92.John Lee Hooker “Hooker’n Heat”
93.The Cult “Love”
94.Dr. Feelgood “Malpractice”
95.Red Hot Chilli Peperrs “BloodSugarSexMagik”
96.Guns’n Roses “Appettite for Destruction”
97.The Zombies “Odessey Oracle”
98.Johnny Cash “At Folson Prison”
99.Joy Division “Closer”
100.Cocteau Twins “Treasure”

domingo, 20 de abril de 2025

cotidianas #861 - Eu Sou a Ressurreição

 




Pra baixo, você me põe pra baixo
Eu escuto você batendo na minha porta
E eu não consigo dormir a noite

Seu rosto não tem lugar
Nenhum lugar na minha casa
Eu preciso ficar sozinho

Não gaste suas palavras eu não preciso de nada de você
Eu não ligo pra onde você esteve ou o que você planeja fazer

Dá o fora, eu espero que você aprenda

Existe um tempo e um lugar pra tudo
Eu tenho que aprender isso

Relaxe porque você já era
Eu não poderia aguentar mais um segundo com sua companhia

Não gaste suas palavras eu não preciso de nada de você
Eu não ligo pra onde você esteve ou o que você planeja fazer

Apedreje-me, porque você não consegue ver?

Você é um sem lar e que ficaria melhor morto
Sua língua é muito grande
E não gosto de como ela suga e pronuncia
de forma incompreensível cada uma das minhas palavras

Eu sou a ressurreição e  eu sou a vida
Eu não poderia sempre me forçar a te odiar como eu gostaria

*****************************
tradução da letra da canção
"I'm the Resurrection"
da banda The Stone Roses

Ouça:

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

The La's - "The La's" (1990)

Os (outros) quatro rapazes de Liverpool


“A The La’s é a [banda] que está mais próxima do sublime.” 
Liam Gallagher

O mais puro e original som saído diretamente de Liverpool e que marcou as gerações futuras de roqueiros. Quatro jovens rapazes, que, por um curto espaço de tempo, promoveram uma revolução na música pop. Não, não estamos falando dos Beatles. Outra banda da mesma cidade do noroeste da Inglaterra, guardadas as devidas proporções de abrangência e profusão, também teve papel fundamental para a linha evolutiva do rock feito na Terra da Rainha: a The La's

Se Paul, John, George e Ringo transformaram a música mundial em menos de 10 anos, a atuação deste outro quarteto, liderados por Lee Mavers (voz e guitarra), mais Peter "Cammy" Cammell (guitarra), Neil Mavers (bateria) e John Power (baixo, vocais), foi ainda mais meteórica. Tanto que, diferentemente dos primeiros, autores de 13 discos de estúdio nos libertários anos 60, a The La’s registrou apenas um histórico e irreparável álbum no início da instável e inconstante última década do século passado. Tempo suficiente, contudo, para seu rock sintético, melodioso e inspirado influenciar toda a geração do rock britânico dos anos 90, a qual teria na figura da Oasis a sua maior representação. Aliás, tanto a banda dos irmãos Gallagher quanto outras como Blur, Ride, Lemonheads e Supergrass, que, juntamente com a leva do grunge norte-americano, dominaram a cena rock noventista. O self-titled da The La’s, o qual completa 30 anos de lançamento, ao lado do igualmente estreante da Stone Roses, de um ano antes, ajudariam a formatar a estrutura que o britpop passaria a ter a partir de então. 

Esta perspectiva sonora passa, como não poderia deixar de ser, pelos originais rapazes de Liverpool. Melodias vocais apuradas, riffs criativos, reelaboração das bases do blues e a energia da Swingin’ London que remetem inevitavelmente a Fab Four. No entanto, o trunfo da The La’s vai além disso, uma vez que captam tudo aquilo que veio antes deles em termos de rock, como o glam, o punk, o pós-punk, o collage, o shoegaze e o indie. Isso faz com que o som do grupo, muito bem produzido pelo craque Steve Lillywhite junto com Mark Wallis, soe certeiro, objetivo, sem rodeios. Psicodélico na medida certa e com tudo no lugar: timbres, vocais, arranjos e instrumentação.

O quarteto liderado por L. Mavers: inconstância 
que lhes rendeu apenas um álbum

Rock, aliás, quando é bom, não tem muito o que se falar. Basta curtir. É o que faixas como a de abertura, “Son of a Gun” (rock no melhor estilo Buffalo Springfield), “I Can't Sleep” (cujo riff já ouvi de uma dita original banda brasileira...) e ”Timeless Melody” (mais Oasis, impossível) fazem: deixar quem as escuta sem palavras – porém, altamente empolgado. Que riffs grandiosos! A postura propositiva típica de um rock puro com seu saudável grau de afetação, mas despido de egocentrismo desnecessário. É rock bom e pronto! “Liberty Ship”, “Doledrum” e “Feelin'” são aulas de como fazer um country-rock. Igual pedagogia são as bluesers “I.O.U.” e “Failure”, esta última, com uma pegada do psychobilly da The Cramps. Nesta linha também, mas retrazendo a atmosfera picaresca de Syd Barrett, “Freedom Song”, outra excelente. Ainda, a balada “Looking Glass”, que encerra dignamente o álbum sob de uma melodiosa base de violão e os vocais saborosamente insolentes de Lee Mavers.

O conceito da The La's foi seguido, naqueles anos 90 de ascensão do tecno e da acid house, por outros artistas que não deixaram a música pop degringolar e repuseram o rock no seu lugar de destaque. Repetindo a "volta às raízes" que os Bealtes propuseram em “Let It Be”, os tarimbados R.E.M. (“Monster”, 1993) e Titãs (“Tudo ao Mesmo Tempo Agora”, 1991) seguiram a linha da The La’s de reencontrar a “pureza perdida”. Para novas bandas de então, como The Strokes, The Killers e Kings of Leon, pode-se dizer ainda mais fundamental a proposta desses irmãos dos Beatles. Seja de maneira mais conceitual ou por influência direta, o fato e que seu único e exemplar disco relembrou ao gênero rock, o qual recorrentemente se desvirtua demais de si mesmo, que “menos é mais”, que o “certo é o fácil”. Ter entendido este ensinamento talvez tenha sido o grande mérito da Oasis, cujo sucesso mundial provavelmente seria ameaçado caso a própria The La’s não ficasse somente no primeiro tiro, o que, mesmo cultuados, inegavelmente lhes limitou ao meio underground

Tá certo: é exagero comparar a The La’s aos autores de "Yesterday", afinal, esta disputa talvez seja somente cabível quando se fala em Rolling Stones. Mas que a The La’s é a segunda melhor banda de Liverpool (junto com a Echo & the Bunnymen, claro), isso é bem provável. Rankings como dos 40 grandes álbuns únicos de um artista/banda da Rolling Stone, em que o disco aparece em 13º, e da Pitchfork, no qual é apontado como um dos principais álbuns do britpop de todos os tempos, não deixam mentir. Por motivos pouco explicados, logo após lançá-lo, Mavers encheu-se e quebrou os pratos com os parceiros. A cara dos anos 90: instável e inconstante. Mesmo tendo havido esporádicos retornos posteriormente, o principal resultado daquilo que produziram fez com que virassem lenda, que é este incrível álbum. O primeiro e, como o próprio nome da banda sugere, “último”. E se não fosse o azar de terem nascido na mesma terra dos Beatles, eles seriam certamente os primeiros.

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The La's - Clipe de "There She Goes"


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FAIXAS:
1."Son Of A Gun" - 1:56
2. "I Can't Sleep" - 2:37
3. "Timeless Melody" - 3:01
4. "Liberty Ship" - 2:30
5. "There She Goes" - 2:42
6. "Doledrum" - 2:50
7. "Feelin'" - 1:44
8. "Way Out" - 2:32
9. "I.O.U." - 2:08
10. "Freedom Song" - 2:23
11. "Failure" - 2:54
12. "Looking Glass" - 7:52
Todas as composições de autoria de Lee Mavers

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OUÇA O DISCO:

Daniel Rodrigues

sexta-feira, 22 de março de 2013

Beck - "Odelay" (1996)




Um Homem (que perdeu a chance de ser) Célebre



"E aí voltaram as náuseas de si mesmo,
o ódio a quem lhe pedia a nova polca da moda,
e juntamente o esforço de compor alguma coisa ao sabor clássico,
uma página que fosse, uma só, mas tal que pudesse ser encadernada entre Bach e Schumann."
trecho do conto "Um Homem Célebre"
de Machado de Assis

De um modo geral, procuro nunca nutrir expectativas quanto a artistas. O que ele já fez e eu goste me basta, e o que vier de bom pela frente é lucro. Porém, a uma exceção me permito: Beck Hansen, autor do espetacular “Odelay”, de 1996. Sem exagero, Beck ficou ali-ali para parear com gênios da música norte-americana como Stevie Wonder, Gil Scott-Heron, Bob Dylan ou Tom Waits  mas, parecido com o personagem Pestana do conto “Um Homem Célebre”, de Machado de Assis, nunca superou a si mesmo – e provavelmente não o fará mais talvez por autobloqueio. Beck despontou na cena alternativa no início dos anos 90 já prometendo. Veio numa crescente e trouxe ao showbizz o excelente “Mellow Gold”, de 1994, difícil de superar. Mas ele superou. Para mim o maior disco da música pop da sua década, “Odelay” é uma obra radicalmente criativa, transgressora e crítica, um disco caleidoscópico que traz em si todas as referências musicais possíveis e imagináveis, num caldeirão sonoro de composição, execução e produção na mais absoluta sintonia.

A coisa toda já começa tirando o fôlego com “Devils Haircuit”, pós-punk com um riff repetitivo carregado de distorção, um sequenciador eletrônico propositadamente simplório e muitos, mas muitos samples, colagens, efeitos de mesa, tudo que se possa imaginar. Impressionante. “Hotwax”, na sequência, começa com uma viola caipira e muda direto para um inusitado rap-folk. E assim o álbum segue, pois tudo cabe nesta “desordem organizada” criada por Beck: folk, funk, blues, hardcore, rap, indie, soul.  As faixas são como uma montanha russa, pois tudo pode mudar a qualquer momento. E muda. Alta riqueza de texturas, sonoridades, ritmos, notações. Um barroquismo moderno esculpido por psicodelia e experimentalismo. Assim é “Lord Only Knows”, que inicia com um grito ensandecido e passa, como se nada tivesse acontecido, a uma balada folk desenhada pelos lindos canto e voz de Beck.

“Derelict”, densa e percussiva, tem um tom dark com seus elementos indianos e árabes, lembrando as peças étnico-pop de David Byrne e Brian Eno de "Remain in Light" e "My Life in the Bush of Ghosts". Já “Novacane”, outra magnífica, é um rock carregado cantado como hip-hop, com um baixo pesado e bateria marcada, ao estilo do new-rock inglês de Stone Roses e Primal Scream e um riff feito apenas na modulação da distorção da guitarra no amplificador, uma ideia estupenda. Porém, o que parece num primeiro momento uma execução de músicos cai por terra quando entra sem aviso um sample que substitui tudo, voltando, logo em seguida, ao andamento anterior. Ou seja: uma quebra que serve para mostrar que tudo era apenas um produto artificial. Para causar ainda mais espanto, a música, em sua parte final avança para uma tensão de ruídos que se transformam num ritmo de break, como que saído de um Nintendo, terminando deste jeito: noutra textura e absolutamente diferente de como começou. É como se Beck pusesse à prova o que é tocado e o que não é, pois em todo o disco é quase impossível definir isso com exatidão, como se fosse uma música feita de plástico.

Esse conceito de reciclagem está também em “Jack-Ass”, mas em forma de tributo, visto que, num lance, Beck homenageia dois mestres da música pop universal: Van Morrison e Bob Dylan. Do primeiro, ele sampleia a linda base de "It's All Over Now, Baby Blue", um clássico de Dylan que Morrison versara para o Them em 1966. E o mais importante: o faz sem parecer preguiça ou falta de criatividade, pois recria uma nova música – ao estilo Dylan, propositadamente – em cima da melodia de uma outra recriação, a do Them, num processo semiótico. “Where it’s At”, hit do disco, é mais uma brilhante. Inicia com o chiado de uma agulha sendo posta sobre um vinil, que dá lugar a um soul retrô originalíssimo com direito a scratchs, samples diversos, ruídos, microfonias e um refrão pegajoso.

Pra não deixar que a coisa desvirtue para uma palhaçada pretensamente “cabeça”, “Minus” vem mostrar que rock bom é rock básico e sem firula. Sonic Youth na veia: seca, às guitarradas, voz furiosa e ritmo punk mantido na linha do baixo, que rosna. Depois, “Sissyneck”, uma mistura de folk e eletrofunk, assonante e harmonicamente complexa, mas com um refrão saboroso e totalmente agradável ao ouvido. Já “Readmade” segue a linha de massa sonora, com muitos efeitos, texturas e trabalho de estúdio, descendo o tom do disco novamente como foi em “Derelict”. Sóbria, traz curiosamente em seu sample de destaque uma frase sonora de “Desafinado”, clássico de Tom e Vinicius na versão de Sérgio Mendes.

Quase terminando o álbum, Beck sai com outra joia: “High 5”. Um break dance ao estilo Afrika Bambaata em que não faltam scratches, efeitos de voz e, claro, guitarras pesadas. Referências aparentemente díspares convivem e se entrosam perfeitamente nesta faixa. Inicia com um violão na batida de bossa-nova, que, em seguida, dá lugar às vozes de Beck e outros rappers com vozeirão de negrão do Harlem. Lá pelas tantas, o andamento é interrompido para entrar um trecho de... “O Lago dos Cisnes”! Como se não bastasse, depois de voltar no que era e de uma breve incursão daquela mesma melodia com som de videogame barato que desfecha “Novacane”, Beck adiciona a “High 5” cuícas de samba, encontrando a tal “batida perfeita” que Marcelo D2 tanto procura mas sem precisar fazer marketing disso.

Toda essa variedade torna “Odelay” quase uma obra aleatória, uma “obra aberta”, como definiria Umberto Eco. Aí entra uma das grandes questões que o disco levanta: ele questiona o papel do músico moderno diante da tecnologia e das novas formas de interação social através das mídias. É impossível o músico hoje ter total autenticidade de sua obra, pois esta, mesmo que ele não queira, será afetada pelos efeitos externos da vida contemporânea. Trata-se de uma nova autenticidade, a das TVs cuspindo publicidades e Big Brothers, do lixo eletrônico, do lixo pornográfico, do lixo midiático, do lixo sonoro. É “a nova poluição”, termo que dá título a uma das mais geniais faixas do disco: um drum n’ bass, espécie de “Tomorrow Never Knows” pós-moderno, mantido numa base inteligente de guitarra e colagens sem receio de esconder as “sujeiras”. Ou seja, é possível escutar os remendos entre um sample e outro de propósito. Sinal dos novos tempos, em que o músico não pode mais esconder que sua música se vale de elementos que estão além dele próprio. É a “estética do arrastão”, como diria Tom Zé.

Fechando o disco, depois de todo esse arsenal de sons e ideias, Beck dá um novo recado aparentemente contraditório: o de que, se o papel do músico-autor ficou mais subjetivo hoje, não quer dizer que ele não tenha ainda espaço para compor “à moda antiga”. É isto que está incutido em “Ramshackle”: acústica, só nos violões, voz e percussão. Sem sequem qualquer efeito de computador. O que seria um final “tradicional”, num disco como “Odelay” se torna ainda mais transgressor.

Isso que Beck trouxe em “Odelay” não é necessariamente uma novidade. Miles Davis já anunciava tal fusão conceitual no final dos anos 60 com "Bitches Brew"  na mesma época, Milton Nascimento e a galera do Clube da Esquina, assim como os tropicalistas, já experimentavam toda essa musicalidade, só que com aparato técnico mais deficiente; Prince e David Bowie também já formularam com precisão essa química. Beck mesmo já mostrara muito disso no seu trabalho anterior, e os Beastie Boys já faziam tal mescla de estilos e referências numa roupagem moderna desde Paul’s Boutique, de 1989. Mas Beck apresenta tudo isso com uma maestria diferente, denso, original, além de manter um senso de ironia constante uma vez que interroga a fundo a sociedade de massas, seu massacre de informações e imagens, suas ideologias distorcidas, suas ideias que se tornam abstratas de tão sem sentido. E ele faz isso reciclando tudo que já fora produzido em música pop até então, gerando um produto pós-moderno incrivelmente bem acabado.

Depois de “Odelay”, Beck caiu na pior armadilha que um artista pode cair: a de supervalorizar a sua arte. Passou a fazer trabalhos sempre apontando para um nível técnico altíssimo, sem, contudo, concentra-se no que interessa: a alma da obra. Neste sentido, lembra o dilema de Pestana, do conto machadiano, que, descontente por compor apenas polcas, tentava, mesmo com o sucesso popular destas, produzir em vão uma obra “respeitável”, a qual, no entanto, não conferia com seu espírito. É parecido com o que aconteceu com Beck: por causa de uma ideia genuína bem executada, “Odelay”, ele passou a inverter a lógica, ou seja, a tornar forçadamente uma boa execução numa ideia genuína. Já deu várias provas disso, sendo a última em 2012, quando lançou seu novo disco. Só de partituras (!). Nada consumível ou próximo do público como foram seus triunfos com “Mellow Gold” e, obviamente, “Odelay”, que, se não tem substituto até hoje, é porque talvez ele mesmo, Beck Hensen, não se disponha a superá-lo. Pelo menos, é o que se percebe: enquanto Pestana tinha neura em se superar, Beck tem medo do autoenfrentamento.

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FAIXAS:
1 "Devils Haircut" – 3:14
2 "Hotwax" – 3:49
3  "Lord Only Knows" – 4:14
4 "The New Pollution" – 3:39
5 "Derelict" – 4:12
6 "Novacane" – 4:37
7 "Jack-Ass" – 4:11
8 "Where It's At" – 5:30
9 "Minus" – 2:32
10 "Sissyneck" – 3:52
11 "Readymade" – 2:37
12 "High 5 (Rock the Catskills)" – 4:10
13 "Ramshackle"  – 7:29

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vídeo de Where it’s At




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Ouça:




quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Música da Cabeça - Programa #26


O inverno mal acabou e a gente já tá quente aqui no Música da Cabeça! Isso porque hoje, às 21h, vai ter muito ecletismo para esquentar a sua quarta-feira nas ondas da Rádio Elétrica. Duvida? Que tal, então, juntar Nat King Cole, Secos e Molhados, Di Melo e The Stone Roses no mesmo programa? Ah, achou que era exagero? Não é não: o negócio é quente mesmo! Tudo isso pra te dizer: aqueça-se à vontade com o programa de hoje. Produção, apresentação e lança-chamas sonoro: Daniel Rodrigues.



Ouça: Programa #26

domingo, 31 de outubro de 2021

"Salomão Ventura, O Caçador de Lendas nº1 - A Maldição do Saci", de Giorgio Galli - Gico Mix (2011)


"A premissa da HQ é mostrar as lendas do nosso folclore
do jeito que a tradição oral as apresenta,
capturadas pelo mestre Luís da Câmara Cascudo em sua bibliografia.
Em resumo: são histórias de terror feitas para assustar."

"E minha escolha para essa primeira edição 
não poderia ser outra:
quem foi mais descaracterizado e infantilizado
do que o diabrete Saci Pererê?
Que em sua origem, conforme relatado pelo mestre Cascudo,
foi vítima de assassinato, tornou-se alma penada
e tem como objetivo causar morte e dor?
Não é para crianças..."

Giorgio Galli,
prefácio de "A Maldição do Saci"



Na data mais conhecida pela comemoração norte-americana do Halloween, mas que por aqui, simbolizando toda a riqueza de nosso folclore, é simbolizada no Saci, nosso destaque vai para um dos projetos mais legais da cena independente de quadrinhos nacional. É o projeto do artista Giorgio Galli, que, com sua série Salomão Ventura, explora as tradições folclóricas brasileiras, lançando sobre elas um olhar mais sombrio e aterrorizante, transformando lendas e personagens de tradição popular em temíveis criaturas sinistras. Assim, o Curupira e o Saci, por exemplo, têm recuperadas características estudadas por historiadores e folcloristas, e passam a ser, na visão artística de Galli, criaturas sobrenaturais e ameaçadoras que, por mais que tenham justificativas para existirem e demandas legítimas, devem voltar para seus lugares, no mundo do além, longe dos humanos. Para isso, o caçador de assombrações, Salomão Ventura, um misto de Constantine e Van Helsing, sai em busca das aberrações sobrenaturais e, com seus métodos, nada gentis (e nem podia ser diferente) mas muito "convincentes", as captura e manda de volta para o lugar de onde nunca deviam ter saído.
O primeiro número da série do Caçador de Lendas, criado por Galli, é exatamente "A Maldição do Saci", personagem de origem sinistra cujas características foram humanizadas e suavizadas para ficar mais palatável e poder fazer parte dos sítios-dos-pica-paus-amarelos da vida, mas que a bem da verdade, não é nada menos que uma alma-penada vingativa e odiosa, fruto de um brutal assassinato. O moleque tem seus motivos para voltar das trevas para alimentar sua sede de vingança, punir pais e fazer justiça em lares onde crianças são maltratadas como ele foi, só que Salomão Ventura, por mais que compreenda isso, não pode deixá-lo à solta por aí e vai atrás do pretinho endiabrado se valendo da única maneira possível de pegá-lo... (você sabe qual é, não sabe?).
Um projeto que, ao contrário do que muitos pensam, que demoniza personagens da cultura popular, na verdade a resgata e valoriza, levando ao encontro de muitos mergulhados na cultura norte- americana, um pouquinho mais das raízes brasileiras.
Trabalho de muito talento desenvolvido, como o autor mesmo revela no prefácio, ao som de The Cure, The Smiths, Jesus & Mary Chain, Titãs, Cartola, PixiesStone Roses, Kraftwerk e outras coisas mais. Com inspirações dessas, só poderia sai coisa boa, mesmo.

Página da HQ. O início da sina vingativa do Saci.


por Cly Reis



O projeto Salomão Ventura infelizmente, num primeiro momento, não foi muito adiante e ficou só em quatro números, Saci, Curupira, Lobisomem e De Volta Pra Casa, mas ao que parece, o artista resolveu pôr a mão na massa e parece estar produzindo novos episódios do caçador das trevas. Não é tão fácil de se encontrar exemplares mas volta e meia se acha em feiras de quadrinhos e eventos do tipo, além do próprio site do artista (salomaoventura.com.br).

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

MGMT - "Oracular Spectacular" (Espetacular, mesmo!!!)


Passei daquela fase de ficar procurando bandas novas legais, sons interessantes e tal. Ate' pq, na minha opinião, elas estão bem mais escassas e a busca, chega uma hora, começa a ficar inglória, ate' mesmo.

Atualmente estou esperando as coisas chegarem ate' mim e mesmo assim, passarem por um crivo bem critico e exigente. E elas acabam chegando de uma forma ou de outra. Apesar de não procurar, estou sempre atento ((((Antenas ligadas)))

Desde os anos 90 pouca coisa vem me impressionando a ponto de me fazer comprar CD, ir a show, etc. Nos últimos anos me chamaram a atenção os White Stripes com seu som cheio de blues e singular pela ausência de baixo, especialmente o excelente album "Elephant". Me impressionou também o primeiro disco do Kings of Leon, "Youth and Young Manhood", mas que pelo que andei ouvindo do ultimo álbum não confirmaram as qualidades que apresentavam ali.

Dia desses estou zapeando na TV com meu controle remoto e passando no MTV Hits (que costuma ser um lixo, sempre com aquelas negras gostosas americanas, que fazem a gente ter que baixar o volume pq so' vale a pena ver) me vejo obrigado a parar pq me aparece um daqueles negócios, assim, que impressiona em poucos segundos. Continuo ouvindo e a sensação vai melhorando. E o clipe e' um barato. Umas sobreposições de imagem bem toscas (propositalmente, e' claro) num clima muito psicodélico.

Pronto! Esse me pegou! Espero ate' o final do clipe pra saber o que e' e descubro que a banda chama-se MGMT e a canção chama-se "Time to Pretend". E ai', qdo me interessa vou atras.

Fui pesquisar e trata-se de uma dupla novaiorquina, cujo álbum "Oracular Spectacular", de 2008, foi produzido pelo cara que ja' havia trabalhado com Flaming Lips e Mercury Rev, Dave Friedmann (o que ja credencia bem o disco).

Então fui ouvir o álbum... Cara, e' demais! Das melhores coisas que ouvi nos últimos tempos. Producao caprichada, sonoridade marcante mas sem exageros, um álbum com peso e sofisticação. O clima psicodélico do clipe "Time to Pretend" também comanda o restante do álbum com influencias que vão desde o brit-pop dos anos 90, de bandas como Ride e Charlatans, passando evidentemente por bandas como New Order, Depeche, nos 80, e bebendo de elementos dos 70 também ate' mesmo aos progressivos.
Particularmente, me lembrou muito Primal Scream e Stone Roses, com um pouco mais de eletrônico mas tem toda a sua peculiaridade o que lhe garante originalidade o suficiente para nao virar uma mera colagem de referencias.
Alem da ja' citada "Time to Pretend", que e' uma joia, destaco também a doce e acida "Youth" e a vigorosa "Future Reflections" que fecha brilhantemente o álbum.

Depois de algum tempo, algo que vale a pena ouvir da primeira `a ultima faixa.

Baita disco!

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Ouça:
MGMT Oracular Spectacular

sábado, 25 de outubro de 2008

MGMT - Tim Festival - Marina da Glória - Rio de Janeiro (24/10/0)




Marca do Festival na parte externa, recebendo o público


Conformei eu imaginava o tal do The Nationals não vale nada. Muito fraco.
O vocalista parece dispender um esforço hercúleo pra cantar e o pior é que não sai nada. Só fiquei torcendo para que acabesse de uma vez para eu ver o MGMT que eu esperva que confirmasse ao vivo a ótima impressão que me passaram no álbum.
Os caras corresponderam. Show competente e vibrante. E o que é legal: um show com alma. Poderia-se pensar que o show fosse frio por conta dos recursos eletrônicos que a dupla utiliza em estúdio, mas o caso é que eles vieram acompanhados de uma banda, aliás bem qualificada, que acabou por dar uma vibração muito legal pro show.
Achei que eles tinham gasto seu melhor cartucho quando tocaram o hit "Time to Pretend" lá pelo meio do show e que dali pra frente poderiam não sustentar muito bem. Que nada! Continuaram contagiados e contagiantes e encerraram maravilhosamente com "Kids".
MGMT no palco.
O MGMT tem um som muito peculiar no sentido de que traz muitas referências consigo sem, contudo, imitar efetivamente alguma coisa, estilo ou época. O som parece ir de Dylan a Bee Gees, de Rolling Stones a Stone Roses, de Cure a Pink Floyd e essa diversidade é um ingrediente interessantíssimo ao vivo.
A lamentar apenas a qualidade do som e duração do show. Curto demais. Mas também, neste caso, acho que eles não poderiam levar muito mais adiante, uma vez que só tem dois álbuns na carreira. Mas faltaram coisas, por exemplo, do último disco, "Oracular Spectacular" e mesmo que tocassem coisas mais desconhecidas do público do álbum de estréia , a galera tava curtindo e iria dar uma boa resposta.
Valeu o risco de ter ido ver uma novidade. Normalmente não arrisco assim.





Cly Reis

terça-feira, 17 de março de 2009

The 13th. Floor Elevators "The Psychedelic Sounds of the 13th. Floor Elevators" (1966)




"Rocky Erikson e seus 13th. Floor Elevators
 foram basicamente a primeira banda de rock psicodélico
lá por 1965.
Johhny Depp, ator e músico




Não sei como é que eu cheguei até aqui na minha vida sem ter ouvido The 13th. Floor Elevators!
Fiquei curioso para ouvi-los depois que li sobre o álbum ‘The Psychedelic Sounds of the 13th. Floor Elevators”, no livro “1001 Discos para ouvir antes de morrer”, que mencionava, por exemplo, o fato do Primal Scream ter gravado a música deles “Slip Inside this House”. Achei que só pelo fato de ter merecido uma releitura em 1992 de uma banda tão vanguarda como o Primal Scream, já recomendaria bem a música em questão e a própria banda.
Não me enganei!
“Slip Inside this House” é realmente grandiosa e é tão boa quanto sua versão posterior (cada uma com méritos diferentes, é claro), só que não era do mesmo disco. Esta compõe o álbum “Easter Everywhere” e o que eu queria era ouvir o “Psychedelic Sounds...”.
Fui ouvir o tal do disco e é simplesmente demais. A capa já é uma viagem e dá uma mostra do que nos espera. O álbum com todo seu psicodelismo, é praticamente um precursor do que se chamou de “madchester”, cenário no qual figuraram bandas como o próprio Primal Scream, Stone Roses, Ride e outros tantos. Criativos, doidos, ousados, fizeram uma mistura sonora que ia desde um ensaio de progressivo a uma tendência punk. Músicas como “Reverberation”, também regravada pelo Jesus & Mary Chain, mostram claramente que os Elevators foram uma das fontes que os irmãos Reid beberam para consolidar sua sonoridade. “You’re Gonna Miss Me” é fantástica, “Kingdom of Heaven” é um blues ácido psicodélico, “Roller Coaster” é uma verdadeira montanha-russa com sua inconstância de ritmo e “Fire Engine” mantém a doideira mas com uma veia de surf music tradicional.
Imperdoável que nunca tivesse ouvido falar nessa banda vendo hoje o quão influentes eles foram e continuam sendo.
Bom, antes tarde do que nunca para eu ter descoberto o 13th. Floor Elevators.
Acesso pelo elevador principal pros caras!
Destino: décimo terceiro andar.
Sobe, sobe, sobe... até ficar bem alto.

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FAIXAS:
  1. "You Don't Know (How Young You Are)" (Powell St. John)
  2. "Through the Rhythm" (T. Hall, S. Sutherland)
  3. "Monkey Island" (Powell St. John)
  4. "Roller Coaster" (T. Hall, R. Erickson)
  5. "Fire Engine" (T. Hall, S. Sutherland, R. Erickson)
  6. "Reverberation" (T. Hall, S. Sutherland. R. Erickson)
  7. "Tried to Hide"* (T. Hall, S. Sutherland)
  8. "You're Gonna Miss Me" (R. Erickson)
  9. "I've Seen Your Face Before (Splash 1)" (C. Hall, R. Erickson)
  10. "Don't Fall Down" (T. Hall, R. Erickson)
  11. "The Kingdom Of Heaven (Is Within You)" (Powell St. John)  
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Ouça:

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

30 grandes músicas dos anos 80 (não necessariamente as melhores)

Os irlandeses da U2, no topo da lista, em foto de
Anton Corbjin da época de "Bad"
Sabe aquela música de um artista pop que você escuta e se assombra? E o assombro ainda só aumenta a cada nova audição? “Caramba, que som é esse?!”, você se diz. Pois bem: todas as décadas do rock – principalmente a partir dos anos 60, quando as variações melódico-harmônicas se multiplicaram na reelaboração do rock seminal de Chuck Berry, Little Richard e contemporâneos – são repletas de músicas assim: clássicos imediatos. Mas por uma questão de autorreconhecimento, aquelas produzidas nos anos 80 me chamam bastante a atenção. É desta década que mais facilmente consigo enumerar obras desta característica, as que deixam o ouvinte boquiaberto ou, se não tanto, admirado.

Conseguiu entender de que tipo de música estou falando? Creio que talvez precise de maior elucidação. Bem, vamos pela didática das duas maiores bandas rock de todos os tempos: sabe “You Can´t Always Get What You Want”, dos Rolling Stones, ou “A Day in the Life”, dos Beatles? É esta espécie a que me refiro: podem não ser necessariamente as músicas mais consagradas de seus artistas, nem grandes hits, mas são, inegavelmente, temas grandiosos, emocionantes, que elevam. Você pode dizer: “mas têm outras músicas de Stones ou Beatles que também emocionam, também são grandes, também provocam elevação”. Sim, concordo. Porém, estas, além de terem essa característica, parecem conter em sua gênese a ideia de uma “grande obra”. Dá pra imaginar Jagger e Richards ou Lennon e McCartney – pra ficar no exemplo da tabelinha Beatles/Stones – dizendo-se um para o outro quando compunham igual Aldo, O Apache em "Bastardos Inglórios": “Olha, acho que fizemos nossa obra-prima!”

Quer mais exemplos? “Lola”, da The Kinks; “Heroin”, da Velvet Underground; “Marquee Moon”, da Television; "We Are Not Helpless", do Stephen Stills; "Kashmir", da Led Zeppelin. Sacou? Todas elas têm uma integridade especial, uma alma mágica, algo de circunspectas, quase que um selo de "clássica". 

Pois bem: para ficar claro de vez, selecionamos, mais ou menos em ordem de preferência/relevância, as 30 músicas do pop-rock internacional dos anos 80 as quais reconhecemos esse caráter. Para modo de poder abarcar o maior número de artistas, achamos por bem não os repeti, contemplando uma música de cada - embora alguns, evidentemente, merecessem mais do que apenas uma única indicada, como The Cure, U2 e The Smiths. Haverá as que são mais conhecidas ou mais obscuras; as que, justamente por conterem certo tom épico, se estendem mais que o normal e fogem do padrão de tempo de uma "música de trabalho"; artistas de maior sucesso e outros de menor alcance popular; músicas que inspiraram outros artistas e outras que, simplesmente, são belas. 

E desculpe aos fãs, mas, claro, muita gente ficou de fora, inclusive figurões que emplacaram superbem nos anos 80, como Michael Jackson, Elton John, Bruce Springsteen e Queen. Até coisas que adoraria incluir não couberam, como “Hollow Hills”, da Bauhaus, “Hymn (for America)”, da The Mission, "51st State", da New Model Army, "Time Ater Time", da Cyndi Lauper, "Byko", do Peter Gabriel, "Up the Beach", da Jane's Addiction, "Pandora", da Cocteau Twins, "I Wanna Be Adored", da Stone Roses... Mas não se ofendam: tendo em vista a despretensão dessa listagem, a ideia é mais propositiva do que definidora. Mas uma coisa une todos eles: criaram ao menos uma música diferenciada, daquelas que, quando se ouve, são admiradas de pronto. Aquelas músicas que se diz: “cara, que musicão! Respeitei”. 


1 – “Bad” - U2 ("The Unforgatable Fire", 1984) OUÇA
2 – “Alive and Kicking” - Simple Minds (Single "Alive and Kickin'", 1985) OUÇA
3 –
Capa do compacto de
"How...", dos Smiths
“How Soon is Now?”
- The Smiths 
("Hatful of Hollow", 1984) OUÇA








4 – “Nocturnal Me” - Echo & The Bunnymen ("Ocean Rain", 1984) OUÇA
5 – “A Forest” - The Cure ("Seventeen Seconds", 1980) OUÇA
6 – “World Leader Pretend” - R.E.M. ("Green", 1988) OUÇA
7 – “Ashes to Ashes” - David Bowie ("Scary Monsters (and Super Creeps)", 1980) OUÇA
8 – “Vienna” - Ultravox ("Vienna", 1980)

Videoclipe de "Vienna", da Ultarvox, tão 
clássico quanto a música


9 – “Road to Nowhere” - Talking Heads ("Little Creatures", 1985) OUÇA
10 – “All Day Long” - New Order ("Brotherhood", 1986) OUÇA
11  “Armageddon Days Are Here (Again)” - The The ("Mind Bomb", 1989) OUÇA
12 – “The Cross” - Prince ("Sign' O' the Times", 1986) OUÇA
13 – “Live to Tell” - Madonna ("True Blue", 1986) OUÇA

Madonna estilo diva, no clipe de "Live..."

14 – “Hunting High and Low” - A-Ha ("Hunting High and Low", 1985) OUÇA
15 – “Save a Prayer” - Duran Duran ("Rio", 1982) OUÇA
16 – “Hey!” - Pixies ("Doolitle", 1989) OUÇA
17 – “Libertango (I've Seen That Face Before) - Grace Jones ("Nightclubbing", 1981) OUÇA
18 – “Black Angel” - The Cult ("Love", 1985) OUÇA
19 – “Children of Revolution” - Violent Fammes ("The Blind Leading the Naked", 1986) OUÇA
Os pouco afamados
Alternative Radio
emplacam a fantástica
"Valley..."
20 – “Valley of Evergreen” - Alternative Radio 
("First Night", 1984) OUÇA









21  “USA” - The Pogues ("Peace and Love'", 1989) OUÇA
22  “Decades” - Joy Division ("Closer", 1980) OUÇA
23 – “Easy” - Public Image Ltd. ("Album", 1986) OUÇA
24  “Teen Age Riot” - Sonic Youth ("Daydream Nation", 1988) OUÇA
25 – “One” - Metallica ("...And Justice for All", 1988) OUÇA
26 – “Little 15” - Depeche Mode ("Music for the Masses", 1987) OUÇA
27 – "Never Tear Us Apart" - INXS ("Kick", 1987)

Hits também têm seu lugar: 
"Never Tear Us Apart", da INXS


28 – “Lands End” - Siouxsie & The Banshees ("Tinderbox", 1986) OUÇA
29 – “US 80's–90's” - The Fall ("Bend Sinister", 1986) OUÇA
30 – “Brothers in Arms” Dire Straits ("Brothers in Arms", 1985) OUÇA


Daniel Rodrigues