"'The Killing Moon' é a melhor música já escrita. Eu acredito nisso. Ela é simples e bela e soa como nenhuma gravação que eu já tenha escutado”.
Ian McCulloch
O Echo and the Bunnymen, originado no cenário do finalzinho do punk britânico, em seu 4º disco, enchia seu som de cordas, arranjos monumentais apresentava ao mundo o excelente “Ocean Rain”. A participação de músicos de orquestra na maioria das faixas dá uma característica mais emocional ao som pós-punk da banda e um ar todo grandiloquente à obra. O resultado são canções belíssimas e majestosas.
O disco abre com um dos clássicos da banda, a ótima “Silver” com suas adoráveis passagens com violinos; “Nocturnal Me”, uma das melhores do disco é simplesmente grandiosa com sua perfeita integração dos elementos orquestrais com os tradicionais do rock; a também excepcional, “Yo Yo Man” tem uma excelência e imponência tais que lhe conferem um tom épico; já "Chrystal Days” e "Thorn of Crowns" se aproximam mais do som original dos três primeiros discos da banda e o rock mais elétrico se impõe à leveza das cordas.
Outro clássico, “Seven Seas” também frequenta a fronteira entre o punk e o belo com sua bateria bem marcada do refrão, numa composição absolutamente bem amarrada; a simpática “My Kingdom” talvez seja a 'menos boa', por assim dizer, mas mesmo assim nada que faça cair a qualidade do todo; e “Ocean Rain” se encarrega de fechar o disco graciosamente numa canção lenta e melancólica de extema beleza.
Mas a grande canção do disco mesmo é “The Killing Moon”, clássico absoluto da banda, na qual tudo parece mágico, cada instrumento, cada acorde, cada verso, numa interpretação precisa e envolvente de Ian McCulloch. Uma canção que o próprio autor acredita não conseguir repetir.
E acredito que não tenha conseguido mesmo. Ainda que o próprio McCulloch tenha feito coisas incríveis, a banda tenha produzido coisas excepcionais, canções marcantes, discos interessantíssimos, parece que o sumo da obra do Echo and the Bunnymen está em “Ocean Rain” e nele, efetivamente, “The Killing Moon” seja sua obra definitiva. Sua obra-prima.
********************* FAIXAS: 1.Silver 2.Nocturnal Me 3.Crystal Days 4.The Yo Yo Man 5.Thorn of Crowns
6.The Killing Moon 7.Seven Seas 8.My Kingdom
9.Ocean Rain
********************** Ouça: Echo and The Bunnymen Ocean Rain
"você quer saber o que há de errado com este mundo?"
(do texto do encarte do álbum)
Que baita disco!
Daqueles excelentes da primeira à última.
Gravado ainda sob a sombra do punk, “Crocodiles” do Echo and the Bunnymen, tinha o vigor e a energia do estilo vigente naquele final de anos
70, mas já antecipava tendências do som dos 80, do pós-punk e do gótico.
“Going Up”, a canção que abre “Crocodiles’ não podia ser um
exemplo melhor, com sua primeira parte pegada, crua, guitarrada, e seu trecho
final arrastado, soturno, sombrio. Já “Stars are Stars” fica num bom meio termo
entre as sonoridades e “Rescue”, de riff marcante, vocal preciso e refrão fácil é mais
cadenciada já sinalizando para uma linha
que a banda seguiria dali para a frente; “Villiers Terrace”, agressiva à sua
maneira, tem sonoridade forte suavizada por um piano que lhe confere um certo
charme; e “Pictures on my Wall’, com seu climão meio western, já remete mais à
melancolia dark oitentista.
Mas se o assunto é pegada punk, “Pride”, que chega a ser
suja e gritada, não desonra a classe; e “All That Jazz” com seu furioso ‘refrão
instrumental’ é uma das melhores do disco. Já “Monkeys”,
um pop-rock cuja crueza fica um pouco disfarçada pela produção cuidadosa,
funciona de forma fundamental como gancho de entrada para “Crocodiles”, um punk-rock
furioso, agressivo, cheio de energia, daqueles de convidar para a roda de ‘pogo’.
O disco fecha com a fantasmagórica “Happy the Man”, canção lúgubre
e obscura que acaba com o já mencionado trecho final de “Going Up”,
igualmente sorumbático e sombrio, de certa forma terminando o disco por onde começou.
Impecável no
começo, impecável no fim. Ou seja, álbum perfeito do começo ao fim.
Baita disco!
**********************************************
FAIXAS:
"Going Up" – 3:57
"Stars Are Stars"
– 2:45
"Pride" – 2:41
"Monkeys" – 2:49
"Crocodiles" –
2:38
"Rescue"
– 4:26
"Villiers
Terrace" – 2:44
"Pictures on My Wall" (Sergeant, McCulloch, Pattinson) – 2:52
“A The La’s é a [banda] que está mais próxima do sublime.”
Liam
Gallagher
O mais puro e original som saído diretamente de Liverpool e que marcou as gerações futuras de roqueiros. Quatro jovens rapazes, que, por um curto espaço de tempo, promoveram uma revolução na música pop. Não, não estamos falando dos Beatles. Outra banda da mesma cidade do noroeste da Inglaterra, guardadas as devidas proporções de abrangência e profusão, também teve papel fundamental para a linha evolutiva do rock feito na Terra da Rainha: a The La's.
Se Paul, John, George e Ringo transformaram a música mundial em menos de 10 anos, a atuação deste outro quarteto, liderados por Lee Mavers (voz e guitarra), mais Peter "Cammy" Cammell (guitarra), Neil Mavers (bateria) e John Power (baixo, vocais), foi ainda mais meteórica. Tanto que, diferentemente dos primeiros, autores de 13 discos de estúdio nos libertários anos 60, a The La’s registrou apenas um histórico e irreparável álbum no início da instável e inconstante última década do século passado. Tempo suficiente, contudo, para seu rock sintético, melodioso e inspirado influenciar toda a geração do rock britânico dos anos 90, a qual teria na figura da Oasis a sua maior representação. Aliás, tanto a banda dos irmãos Gallagher quanto outras como Blur, Ride, Lemonheads e Supergrass, que, juntamente com a leva do grunge norte-americano, dominaram a cena rock noventista. O self-titled da The La’s, o qual completa 30 anos de lançamento, ao lado do igualmente estreante da Stone Roses, de um ano antes, ajudariam a formatar a estrutura que o britpop passaria a ter a partir de então.
Esta perspectiva sonora passa, como não poderia deixar de ser, pelos originais rapazes de Liverpool. Melodias vocais apuradas, riffs criativos, reelaboração das bases do blues e a energia da Swingin’ London que remetem inevitavelmente a Fab Four. No entanto, o trunfo da The La’s vai além disso, uma vez que captam tudo aquilo que veio antes deles em termos de rock, como o glam, o punk, o pós-punk, o collage, o shoegaze e o indie. Isso faz com que o som do grupo, muito bem produzido pelo craque Steve Lillywhite junto com Mark Wallis, soe certeiro, objetivo, sem rodeios. Psicodélico na medida certa e com tudo no lugar: timbres, vocais, arranjos e instrumentação.
O quarteto liderado por L. Mavers: inconstância que lhes rendeu apenas um álbum
Rock, aliás, quando é bom, não tem muito o que se falar. Basta curtir. É o que faixas como a de abertura, “Son of a Gun” (rock no melhor estilo Buffalo Springfield), “I Can't Sleep” (cujo riff já ouvi de uma dita original banda brasileira...) e ”Timeless Melody” (mais Oasis, impossível) fazem: deixar quem as escuta sem palavras – porém, altamente empolgado. Que riffs grandiosos! A postura propositiva típica de um rock puro com seu saudável grau de afetação, mas despido de egocentrismo desnecessário. É rock bom e pronto! “Liberty Ship”, “Doledrum” e “Feelin'” são aulas de como fazer um country-rock. Igual pedagogia são as bluesers “I.O.U.” e “Failure”, esta última, com uma pegada do psychobilly da The Cramps. Nesta linha também, mas retrazendo a atmosfera picaresca de Syd Barrett, “Freedom Song”, outra excelente. Ainda, a balada “Looking Glass”, que encerra dignamente o álbum sob de uma melodiosa base de violão e os vocais saborosamente insolentes de Lee Mavers.
O conceito da The La's foi seguido, naqueles anos 90 de ascensão do tecno e da acid house, por outros artistas que não deixaram a música pop degringolar e repuseram o rock no seu lugar de destaque. Repetindo a "volta às raízes" que os Bealtes propuseram em “Let It Be”, os tarimbados R.E.M. (“Monster”, 1993) e Titãs (“Tudo ao Mesmo Tempo Agora”, 1991) seguiram a linha da The La’s de reencontrar a “pureza perdida”. Para novas bandas de então, como The Strokes, The Killers e Kings of Leon, pode-se dizer ainda mais fundamental a proposta desses irmãos dos Beatles. Seja de maneira mais conceitual ou por influência direta, o fato e que seu único e exemplar disco relembrou ao gênero rock, o qual recorrentemente se desvirtua demais de si mesmo, que “menos é mais”, que o “certo é o fácil”. Ter entendido este ensinamento talvez tenha sido o grande mérito da Oasis, cujo sucesso mundial provavelmente seria ameaçado caso a própria The La’s não ficasse somente no primeiro tiro, o que, mesmo cultuados, inegavelmente lhes limitou ao meio underground.
Tá certo: é exagero comparar a The La’s aos autores de "Yesterday", afinal, esta disputa talvez seja somente cabível quando se fala em Rolling Stones. Mas que a The La’s é a segunda melhor banda de Liverpool (junto com a Echo & the Bunnymen, claro), isso é bem provável. Rankings como dos 40 grandes álbuns únicos de um artista/banda da Rolling Stone, em que o disco aparece em 13º, e da Pitchfork, no qual é apontado como um dos principais álbuns do britpop de todos os tempos, não deixam mentir. Por motivos pouco explicados, logo após lançá-lo, Mavers encheu-se e quebrou os pratos com os parceiros. A cara dos anos 90: instável e inconstante. Mesmo tendo havido esporádicos retornos posteriormente, o principal resultado daquilo que produziram fez com que virassem lenda, que é este incrível álbum. O primeiro e, como o próprio nome da banda sugere, “último”. E se não fosse o azar de terem nascido na mesma terra dos Beatles, eles seriam certamente os primeiros.
Corre pro abraçaço, Caetano! Você tá na liderança.
Como de costume, todo início de ano, organizamos os dados, ordenamos as informações e conferimos como vai indo a contagem dos nossosÁLBUNS FUNDAMENTAIS, quem tem mais discos indicados, que país se destaca e tudo mais. Se 2020 não foi lá um grande ano, nós do Clyblog não podemos reclamar no que diz repsito a grandes discos que apareceram por aqui, ótimos textos e colaborações importantes. O mês do nosso aniversário por exemplo, agosto, teve um convidado para cada semana, destacando um disco diferente, fechando as comemorações com a primeira participação internacional no nosso blog, da escritora angolana Marta Santos, que nos apresentou o excelente disco de Elias Dya Kymuezu, "Elia", de 1969. A propósito de país estreante nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, no ano que passou tivemos também a inclusão de belgas (Front 242) e russos (Sergei Prokofiev) na nossa seleta lista que, por sinal, continua com a inabalável liderança dos norte-americanos, seguidos por brasileiros e ingleses. Também não há mudanças nas décadas, em que os anos 70 continuam mandando no pedaço; nem no que diz respeito aos anos, onde o de 1986 continua na frente mesmo sem ter marcado nenhum disco nessa última temporada, embora haja alguma movimentação na segunda colocação. A principal modificação que se dá é na ponta da lista de discos nacionais, onde, pela primeira vez em muito tempo, Jorge Ben é desbancado da primeira posição por Caetano Veloso. Jorge até tem o mesmo número de álbuns que o baiano, mas leva a desvantagem de um deles ser em parceria com Gil e todos os de Caetano, serem "solo". Sinto, muito, Babulina. São as regras. Na lista internacional, a liderança continua nas mãos dos Beatles, mas temos novidade na vice-liderança onde Pink Floyd se junta a David Bowie, Kraftwerk e Rolling Stones no segundo degrau do pódio. Mas é bom a galera da frente começar a ficar esperta porque Wayne Shorter vem correndo por fora e se aproxima perigosamente. Destaques, de um modo geral, para Milton Nascimento que, até este ano não tinha nenhum disco na nossa lista e que, de uma hora para outra já tem dois, embora ambos sejam de parcerias, e falando em parcerias, destaque também para John Cale, que com dois solos, uma parceria aqui, outra ali, também já chega a quatro discos indicados nos nossos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
Dá uma olhada , então, na nossa atualização de discos pra fechar o ano de 2020:
PLACAR POR ARTISTA INTERNACIONAL (GERAL)
The Beatles: 6 álbuns
David Bowie, Kraftwerk, Rolling Sones e Pink Floyd: 5 álbuns cada
Miles Davis, Talking Heads, The Who, Smiths, Led Zeppelin, Wayne Shorter e John Cale* **: 4 álbuns cada
Stevie Wonder, Cure, John Coltrane, Van Morrison, Sonic Youth, Kinks, Iron Maiden, Bob Dylan e Lou Reed**: 3 álbuns cada
Björk, The Beach Boys, Cocteau Twins, Cream, Deep Purple, The Doors, Echo and The Bunnymen, Elvis Presley, Elton John, Queen, Creedence Clarwater Revival, Herbie Hancock, Janis Joplin, Johnny Cash, Joy Division, Lee Morgan, Madonna, Massive Attack, Morrissey, Muddy Waters, Neil Young and The Crazy Horse, New Order, Nivana, Nine Inch Nails, PIL, Prince, Prodigy, Public Enemy, R.E.M., Ramones, Siouxsie and The Banshees, The Stooges, U2, Pixies, Dead Kennedy's, Velvet Underground, Metallica, Grant Green e Brian Eno* : todos com 2 álbuns
*contando com o álbum Brian Eno e John Cale , ¨Wrong Way Out"
**contando com o álbum Lou Reed e John Cale, "Songs for Drella"
PLACAR POR ARTISTA (NACIONAL)
Caetano Veloso: 5 álbuns
Jorge Ben: 5 álbuns *
Gilberto Gil*, Tim Maia e Chico Buarque: 4 álbuns
Gal Costa, Legião Urbana, Titãs e Engenheiros do Hawaii: 3 álbuns cada
Baden Powell**,, João Bosco, João Gilberto***, Lobão, Novos Baianos, Paralamas do Sucesso, Paulinho da Viola, Ratos de Porão, Sepultura e Milton Nascimento**** : todos com 2 álbuns
*contando o álbum Gilberto Gil e Jorge Ben, "Gil e Jorge" ** contando o álbum Baden Powell e Vinícius de Moraes, "Afro-sambas" *** contando o álbum Stan Getz e João Gilberto, "Getz/Gilberto" **** contando com os álbuns Milton Nascimento e Criolo, "Existe Amor" e Milton Nascimento e Lô Borges, "Clube da Esquina"
PLACAR POR DÉCADA
anos 20: 2
anos 30: 3
anos 40: -
anos 50: 15
anos 60: 90
anos 70: 132
anos 80: 110
anos 90: 86
anos 2000: 13
anos 2010: 13
anos 2020: 1
*séc. XIX: 2 *séc. XVIII: 1 PLACAR POR ANO
1986: 21 álbuns
1985, 1969 e 1977: 17 álbuns
1967, 1973 e 1976: 16 álbuns cada
1968 e 1972: 15 álbuns cada
1970, 1971, 1979 e 1991: 14 álbuns
1975, e 1980: 13 álbuns
1965 e 1992: 12 álbuns cada
1964, 1987,1989 e 1994: 11 álbuns cada
1966, 1978 e 1990: 10 álbuns cada
PLACAR POR NACIONALIDADE*
Estados Unidos: 171 obras de artistas*
Brasil: 131 obras
Inglaterra: 114 obras
Alemanha: 9 obras
Irlanda: 6 obras
Canadá: 4 obras
Escócia: 4 obras
México, Austrália, Jamaica, Islândia, País de Gales: 2 cada
País de Gales, Itália, Hungria, Suíça, França, Bélgica, Rússia, Angola e São Cristóvão e Névis: 1 cada
*artista oriundo daquele país
(em caso de parcerias de artistas de páises diferentes, conta um para cada)
Rita e Sakamoto nos deixaram esse ano mas seus ÁLBUNS permanecem e serão sempre FUNDAMENTAIS
Chegou a hora da nossa recapitulação anual dos discos que integram nossa ilustríssima lista de ÁLBUNS FUNDAMENTAIS e dos que chegaram, este ano, para se juntar a eles.
Foi o ano em que nosso blog soprou 15 velinhas e por isso, tivemos uma série de participações especiais que abrilhantaram ainda mais nossa seção e trouxeram algumas novidades para nossa lista de honra, como o ingresso do primeiro argentino na nossa seleção, Charly Garcia, lembrado na resenha do convidado Roberto Sulzbach. Já o convidado João Marcelo Heinz, não quis nem saber e, por conta dos 15 anos, tascou logo 15 álbuns de uma vez só, no Super-ÁLBUNS FUNDAMENTAIS de aniversário. Mas como cereja do bolo dos nossos 15 anos, tivemos a participação especialíssima do incrível André Abujamra, músico, ator, produtor, multi-instrumentista, que nos deu a honra de uma resenha sua sobre um álbum não menos especial, "Simple Pleasures", de Bobby McFerrin.
Esse aniversário foi demais, hein!
Na nossa contagem, entre os países, os Estados Unidos continuam folgados à frente, enquanto na segunda posição, os brasileiros mantém boa distância dos ingleses; entre os artistas, a ordem das coisas se reestabelece e os dois nomes mais influentes da música mundial voltam a ocupar as primeiras posições: Beatles e Kraftwerk, lá na frente, respectivamente. Enquanto isso, no Brasil, os baianos Caetano e Gil, seguem firmes na primeira e segunda colocação, mesmo com Chico tendo marcado mais um numa tabelinha mística com o grande Edu Lobo. Entre os anos que mais nos proporcionaram grandes obras, o ano de 1986 continua à frente, embora os anos 70 permaneçam inabaláveis em sua liderança entre as décadas.
No ano em que perdemos o Ryuichi Sakamoto e Rita Lee, não podiam faltar mais discos deles na nossa lista e a rainha do rock brasuca, não deixou por menos e mandou logo dois. Se temos perdas, por outro lado, celebramos a vida e a genialidade de grandes nomes como Jards Macalé que completou 80 anos e, por sinal, colocou mais um disco entre os nossos grandes. E falando em datas, se "Let's Get It On", de Marvin Gaye entra na nossa listagem ostentando seus marcantes 50 anos de lançamento, o estreante Xande de Pilares, coloca um disco entre os fundamentais logo no seu ano de lançamento. Pode isso? Claro que pode! Discos não tem data, música não tem idade, artistas não morrem... É por isso que nos entregam álbuns que são verdadeiramente fundamentais. Vamos ver, então, como foram as coisas, em números, em 2023, o ano dos 15 anos do clyblog:
*************
PLACAR POR ARTISTA (INTERNACIONAL)
The Beatles: 7 álbuns
Kraftwerk: 6 álbuns
David Bowie, Rolling Sones, Pink Floyd, Miles Davis, John Coltrane, John Cale* **, e Wayne Shorter***: 5 álbuns cada
Talking Heads, The Who, Smiths, Led Zeppelin, Bob Dylan e Lee Morgan: 4 álbuns cada
Stevie Wonder, Cure, Van Morrison, R.E.M., Sonic Youth, Kinks, Iron Maiden , U2, Philip Glass, Lou Reed**, e Herbie Hancock***: 3 álbuns cada
Björk, Beach Boys, Cocteau Twins, Cream, Deep Purple, The Doors, Echo and The Bunnymen, Elvis Presley, Elton John, Queen, Creedence Clarwater Revival, Janis Joplin, Johnny Cash, Joy Division, Madonna, Massive Attack, Morrissey, Muddy Waters, Neil Young and The Crazy Horse, New Order, Nivana, Nine Inch Nails, PIL, Prince, Prodigy, Public Enemy, Ramones, Siouxsie and The Banshees, The Stooges, Pixies, Dead Kennedy's, Velvet Underground, Metallica, Dexter Gordon, Philip Glass, PJ Harvey, Rage Against Machine, Body Count, Suzanne Vega, Beastie Boys, Ride, Faith No More, McCoy Tyner, Vince Guaraldi, Grant Green, Santana, Ryuichi Sakamoto, Marvin Gaye e Brian Eno* : todos com 2 álbuns
*contando com o álbum Brian Eno e John Cale , ¨Wrong Way Out"
**contando com o álbum Lou Reed e John Cale, "Songs for Drella"
*** contando o álbum "Five Star', do V.S.O.P.
PLACAR POR ARTISTA (NACIONAL)
Caetano Veloso: 7 álbuns*
Gilberto Gil: * **: 6 álbuns
Jorge Ben e Chico Buarque ++: 5 álbuns **
Tim Maia, Rita Lee, Legião Urbana, Chico Buarque, e João Gilberto* ****, e Milton Nascimento*****: 4 álbuns
Gal Costa, Titãs, Paulinho da Viola, Engenheiros do Hawaii e Tom Jobim +: 3 álbuns cada
João Bosco, Lobão, João Donato, Emílio Santiago, Jards Macalé, Elis Regina, Edu Lobo+, Novos Baianos, Paralamas do Sucesso, Ratos de Porão, Roberto Carlos, Sepultura e Baden Powell*** : todos com 2 álbuns
*contando com o álbum "Brasil", com João Gilberto, Maria Bethânia e Gilberto Gil
**contando o álbum Gilberto Gil e Jorge Ben, "Gil e Jorge"
*** contando o álbum Baden Powell e Vinícius de Moraes, "Afro-sambas"
**** contando o álbum Stan Getz e João Gilberto, "Getz/Gilberto"
***** contando com os álbuns Milton Nascimento e Criolo, "Existe Amor" e Milton Nascimento e Lô Borges, "Clube da Esquina"
+ contando com o álbum "Edu & Tom/ Tom & Edu"
++ contando com o álbum "O Grande Circo Místico"
PLACAR POR DÉCADA
anos 20: 2
anos 30: 3
anos 40: -
anos 50: 121
anos 60: 100
anos 70: 160
anos 80: 139
anos 90: 102
anos 2000: 18
anos 2010: 16
anos 2020: 3
*séc. XIX: 2 *séc. XVIII: 1 PLACAR POR ANO
1986: 24 álbuns
1977 e 1972: 20 álbuns
1969 e 1976: 19 álbuns
1970: 18 álbuns
1968, 1971, 1973, 1979, 1985 e 1992: 17 álbuns
1967, 1971 e 1975: 16 álbuns cada
1980, 1983 e 1991: 15 álbuns cada
1965 e 1988: 14 álbuns
1987, 1989 e 1994: 13 álbuns
1990: 12 álbuns
1964, 1966, 1978: 11 álbuns cada
PLACAR POR NACIONALIDADE*
Estados Unidos: 211 obras de artistas*
Brasil: 159 obras
Inglaterra: 126 obras
Alemanha: 11 obras
Irlanda: 7 obras
Canadá: 5 obras
Escócia: 4 obras
Islândia, País de Gales, Jamaica, México: 3 obras
Austrália e Japão: 2 cada
Itália, Hungria, Suíça, França, Bélgica, Rússia, Angola, Nigéria, Argentina e São Cristóvão e Névis: 1 cada
*artista oriundo daquele país
(em caso de parcerias de artistas de países diferentes, conta um para cada)
O óleo pode ser venezuelano, mas a incompetência é toda brasileira. Enquanto a poluição avança sobre o litoral sem contenção, nós do Música da Cabeça montamos uma força-tarefa de boas vibrações sonoras. Estão nessa conosco Morcheeba, Kraftwerk, Kleiton & Kledir, The Chemical Brothers, Meirelles e os Copa 5, Chic, Cid Campos, Echo & The Bunnymen e mais. Ainda, "Música de Fato", "Palavra, Lê" e um "Cabeção" bem avant-garde pra não aliviar mesmo. Arregaça as mangas, que o programa de hoje vem pra conter qualquer vazamento. É às 21h, na Rádio Elétrica. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues (e não: não tá tudo azul).
É uma alegria quando se vai ao cinema – coisa que não tenho conseguido fazer com a frequência que gostaria – e o filme supera todas as expectativas. E quando isso acontece com o cinema do meu país, mais ainda. Foi assim com “Meu Nome não é Johnny” (2008), “Castanha” (2014) e “Aquarius” (2015), três dos principais representantes do cinema brasileiro do século XXI. A mesma sensação experimentei ao assistir recentemente “Bingo: O Rei das Manhãs”. O longa é uma história muito bem contada e atenta a todos os aspectos fílmicos que as grandes obras contêm. Além disso, traz outras duas características marcantes dos filmes que vêm para marcar época: cenas inesquecíveis e a possibilidade de leituras subliminares.
A começar pelo argumento, rico e, literalmente, apimentado. O longa narra as desventuras de um artista que sonha em encontrar a fama e que se depara com sua grande chance ao se tornar Bingo, um palhaço apresentador de um programa de TV. Essa é a sinopse sem a luz correta. Virando o holofote para a direção certa, temos a verdadeira história: uma comédia dramática e biográfica inspirada na vida de Arlindo Barreto, ator que foi um dos primeiros intérpretes do palhaço Bozo, sucesso da TV americana que Silvio Santos importou, no começo dos anos 80, para comandar no SBT um programa idêntico. Claro, não tão igual assim, pois, como o filme mostra, precisou de uma boa dose de “brasilidade”, ou seja, ousadia, subversão e até picardia – como, por exemplo, trazer das boates noturnas a cantora Gretchen para sensualizar a milhões de crianças. Resultado: o programa atingiu o primeiro lugar na audiência das pueris manhãs da TV brasileira. Afinal, o que a Globo fazia com Xuxa e Cia. não era nenhum pouco diferente. O que valia mesmo era a guerra pelo Ibope.
Bingo e Gretchen: cenas quentes para crianças na TV brasileira dos anos 80
O diretor Daniel Rezende, requisitado montador de clássicos recentes da cinematografia nacional (“Cidade de Deus”, “Diários de Motocicleta”, “Tropa de Elite 1 e 2”) e internacional (“A Árvore da Vida”, do norte-americano Terrence Malick), soube mexer esse caldeirão de referências e equilibrar os elementos narrativos, a loucura da vida do protagonista com doses certeiras de comédia, dramaticidade, documentarismo e poesia.
O “vida loka” Augusto Mendes é um arquétipo do Narciso: abençoado mas confuso. Brilhantemente protagonizado por Vladimir Brichta, Augusto é um ator frustrado a quem restou apenas as pornochanchadas para atuar. Além disso, é separado da esposa (uma atriz de sucesso na “Globo” que não perde a chance de lhe rebaixar), pai de um menino que o tem como exemplo e filho de uma desvalorizada atriz de uma velha guarda, situação que o magoa por idolatrar a mãe. No entanto, corajoso, amante de sua profissão e convicto de suas habilidades cênicas, ele encontra na figura tão lúdica quanto assustadora do palhaço a máscara ideal para ascender, mas também para buscar a si próprio. Uma metáfora disso está numa das tais cenas inesquecíveis a que me referi: a do hilário e até desconcertante teste de Augusto para o papel de Bingo, momento em que o até então pouco aproveitado ator se transforma. É um lance especial do longa, quando se tem as visões da câmera da TV – objeto de observação do âmbito interno da obra – e a do próprio filme – externa, pela qual o espectador é quem enxerga o que está sendo contado. Esse conjunto/choque de ações interna e externa dá amplitude à obra, haja vista a pegada “documental” e o jogo metalinguístico que isso resulta.
O personagem Augusto diante da imagem idolatrada da mãe: espelho
De fato, Rezende constrói uma narrativa que alia o entretenimento com uma abordagem mais profunda. O elemento “espelho” é referenciado em vários momentos, como o do camarim, que presencia a fusão ator/personagem; o evidente quadro com a imagem de sua mãe, pessoa a quem Augusto se espelha; e a própria tela da televisão, que, algoz, reproduz uma imagem distorcida da realidade. Como o Narciso, Augusto, a quem a beleza do mito grego é representada pelo brilho do talento, tenta buscar incessantemente o seu autoadmirado reflexo imergindo nas águas, mas acaba por (quase) se matar. O fundo do poço em que Augusto chega, bem como a retomada para um novo momento de vida que ocorre no transcorrer da trama, são, enfim, símbolos de morte e renascimento.
O palco, igualmente, é outra referência-chave no filme, seja o estúdio de TV, o picadeiro, o púlpito da igreja ou qualquer lugar que lhe oferecesse olhares, simbolizando o ator que quer incansavelmente os aplausos para, de alguma forma, sublimar o insucesso da mãe. Desse modo, um dos elementos básicos do cinema, a luz, ganha total importância, seja para, de forma prática, iluminá-lo no palco da vida, seja para, metaforicamente, trazer à luz aquilo que está escondido – caso dos loucos bastidores da TV brasileira daquela época e da própria personalidade autodestrutiva de Augusto, que afunda em drogas e sexo sob a capa de uma figura divertida e alegre. Não à toa, um ponto fundamental da trama é o anonimato do ator por trás do palhaço por conta de uma exigência contratual, o que se torna insuportável com o passar do tempo para Augusto e, principalmente, para seu filho, que, com os olhos descomplicados de criança, enxerga nisso uma mentira injustificável.
No palco e sob todos os holofotes
A direção de arte, a fotografia e a trilha sonora, tanto de canções incidentais (de Tokyo a Echo & the Bunnymen, Dr Silvana & Cia.) quanto compostas (Beto Villares), são trunfos de “Bingo”. Porém, muito do acerto do filme está, acima de tudo, nas atuações, em especial de Brichta. É ele quem protagoniza as melhores – e memoráveis – cenas, como as de interação com os “baixinhos” durante o programa, a da incrível “dança de regozijo” – quando atinge a liderança de audiência e é carregado nos braços da plateia de crianças – e a já referida do teste para o papel. Ator de formação em teatro e bastante tarimbado em tevê e cinema, Brichta consegue entrar no personagem de uma forma visceral. Seu êxito tem todos os méritos não só pelo tempo da comédia e pela carga certa de drama exigida mas, mais do que isso, pela interpretação do clown, coisa que qualquer ator sabe o quanto é difícil internalizar.
Criador e criatura se fundem diante do espelho
Brichta, ao encarnar o palhaço mais "sexo, drogas e rock'n' roll" da história, sustenta com muita habilidade a dicotomia principal do filme, que é a amoralidade da vida adulta e a inocência da fase infantil. Fica claro que, quando as questões da infância não são devidamente resolvidas, o adulto recorre a perigosos brinquedos para submergi-las. Como a beleza de Narciso conduzida por Liriope, sua mãe, pelo meio da mentira. Novamente, luz e sombra, o que é e o que não é. Se o público via um palhaço sorridente, na realidade ele carregava por trás da máscara um homem infeliz e perdido no próprio ego.
Pode haver quem critique o desfecho, que em parte credita à conversão do ator à Igreja Evangélica sua recuperação como pessoa. A meu ver, isso passa batido, até por que de muito se sabe que isso realmente ocorrera com Arlindo Barreto, o verdadeiro Bozo. O fato é que estas lendas em torno do Bozoca Nariz de Pipoca que, quando criança, eu e outras milhares assistíamos (sempre o preferi à Xuxa), são trazidas no filme. prestando um serviço documental de uma fase gloriosa – e agora, um pouco menos obscura – da TV brasileira. Agora dá pra entender o que me foi uma decepção na época: quando o Bozo "de verdade" sumiu de repente para entrar o sem graça do Luis Ricardo.
A gente avisou que o véio tava chegando... Deixou chegar agora já era! Wayne Shorter põe mais um disco entre os ÁLBUNS FUNDAMENTAIS em 2025 e agora divide a liderança com os Rapazes de Liverpool com mais obras destacadas na nossa seção entre os artistas internacionais. Já entre os brasileiros, com a inclusão de "Dia Dorim, Noite Neon", entre os nossos Fundamentais, Gilberto Gil empata com o mano Caetano e os baianos agora dividem a liderança nacional. Mas é bom ficarem espertos porque, comendo pelas beiradas como um bom mineiro, Milton Nascimento aproveita a parceria com o agora líder Shorter e se aproxima da ponta também.
Entre os anos que mais entregaram grandes álbuns, não tivemos mudanças no ano que passou e, ainda que a década de 70 tenha mais representantes, o ano de 1986 segue na frente.
2025 nos trouxe alguns estreantes na nossa seção de grandes discos, como os alemães do Trio, os ingleses do Sleaford Mods, o prodígio Father John Misty, o sambista Argemiro Patrocínio e regionalismo do Quinteto Armorial, mas marcou também os 80 anos do grande Ivan Lins e a entrada da Estônia na galeria de países integrantes da nossa lista, com o genial "Tabula Rasa", de Arvo Pärt.
Confere aí, então, como ficaram as posições nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS:
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PLACAR POR ARTISTA (INTERNACIONAL)
The Beatles e Wayne Shorter***: 7 álbuns
Kraftwerk e John Coltrane: 6 álbuns
David Bowie, Rolling Sones, Pink Floyd, Miles Davis, Talking Heads e John Cale* **: 5 álbuns cada
The Who, The Smiths, Led Zeppelin, Bob Dylan, Philip Glass e Lee Morgan: 4 álbuns cada
Stevie Wonder, Cure, Van Morrison, R.E.M., Sonic Youth, Kinks, Madonna, Iron Maiden , U2, Lou Reed**, e Herbie Hancock***: 3 álbuns cada
Björk, Beach Boys, Cocteau Twins, Cream, Chemical Brothers, Sean Lennon, Deep Purple, The Doors, Echo and The Bunnymen, Elvis Presley, Elton John, Queen, Creedence Clarwater Revival, Janis Joplin, Johnny Cash, Joy Division, Massive Attack, Morrissey, Muddy Waters, Neil Young and The Crazy Horse, New Order, Nivana, Nine Inch Nails, PIL, Prince, Prodigy, Public Enemy, Ramones, Siouxsie and The Banshees, The Stooges, Pixies, Dead Kennedy's, Velvet Underground, Metallica, Dexter Gordon, PJ Harvey, Rage Against Machine, Body Count, Suzanne Vega, Beastie Boys, Ride, Faith No More, McCoy Tyner, Vince Guaraldi, Grant Green, Santana, Ryuichi Sakamoto, Chick Corea, Sinéad O'Connor, Marvin Gaye e Brian Eno* : todos com 2 álbuns
*contando com o álbum Brian Eno e John Cale , ¨Wrong Way Out"
**contando com o álbum Lou Reed e John Cale, "Songs for Drella"
*** contando o álbum "Five Star', do V.S.O.P.
PLACAR POR ARTISTA (NACIONAL)
Caetano Veloso e Gilberto Gil* **: 8 álbuns*#
Chico Buarque ++ #: 7 álbuns
Jorge Ben ** e João Gilberto* **** e Milton Nascimento ***** º >: 5 álbuns
Tim Maia, Rita Lee e Legião Urbana: 4 álbuns
Gal Costa, Titãs, Paulinho da Viola, João Donato, Engenheiros do Hawaii, Criolo º e Tom Jobim +: 3 álbuns cada
João Bosco, Lobão, Emílio Santiago, Jards Macalé, Elis Regina, Edu Lobo+, Novos Baianos, Paralamas do Sucesso, Ratos de Porão, Roberto Carlos, Sepultura, Cartola e Baden Powell*** : todos com 2 álbuns
*contando com o álbum "Brasil", com João Gilberto, Maria Bethânia e Gilberto Gil
**contando o álbum Gilberto Gil e Jorge Ben, "Gil e Jorge"
*** contando o álbum Baden Powell e Vinícius de Moraes, "Afro-sambas"
**** contando o álbum Stan Getz e João Gilberto, "Getz/Gilberto"
***** contando com o álbum Milton Nascimento e Lô Borges, "Clube da Esquina"
+ contando com o álbum "Edu & Tom/ Tom & Edu"
++ contando com o álbum "O Grande Circo Místico"
# contando com o álbum "Caetano & Chico Juntos e Ao Vivo"
º contando com o álbum Milton Nascimento e Criolo "Existe Amor"
>contando com o álbuns "Native Dancer", com Wayne Shorter
PLACAR POR DÉCADA
anos 20: 2
anos 30: 3
anos 40: 1
anos 50: 121
anos 60: 103
anos 70: 171
anos 80: 146
anos 90: 111
anos 2000: 22
anos 2010: 19
anos 2020: 3
*séc. XIX: 2 *séc. XVIII: 1 PLACAR POR ANO
1986: 24 álbuns
1977: 22 álbuns
1972: 21 álbuns
1969 e 1985: 20 álbuns
1976: 19 álbuns
1970, 1971 e 1992: 18 álbuns
1968, 1973, 1975 e 1979 17 álbuns
1967 e 1980: 16 álbuns cada
1983, 1965 e 1991: 15 álbuns cada
1988, 1989, 1990 e 1994: 14 álbuns
1987: 13 álbuns
PLACAR POR NACIONALIDADE*
Estados Unidos: 224 obras de artistas*
Brasil: 174 obras
Inglaterra: 131 obras
Alemanha: 12 obras
Irlanda: 8 obras
Canadá: 5 obras
Escócia: 4 obras
Islândia, País de Gales, Jamaica, México: 3 obras
Austrália, França e Japão: 2 cada
Itália, Hungria, Suíça, Bélgica, Rússia, Angola, Nigéria, Argentina, Estônia e São Cristóvão e Névis: 1 cada
*artista oriundo daquele país
(em caso de parcerias de artistas de países diferentes, conta um para cada)