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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Oscar 2026 - Os Indicados


Nosso "O Agente Secreto" é o Brasil no Oscar. De novo!
Desde a manhã desta quinta-feira, 22 de fevereiro, nós brasileiros podemos afirmar: “ainda estamos aqui!” O “aqui” a que me refiro, claro, é o Oscar, que o filme brasileiro “O Agente Secreto”, multivencedor em diversos festivais pelo mundo, inclusive o Globo de Ouro em duas categorias a pouco mais de uma semana, tornou-se um dos indicados a quatro estatuetas. O parafraseado que remete ao filme “Ainda Estou Aqui”, indicado a três Oscar e vencedor em Filme Internacional no ano passado, não é mera brincadeira semântica, visto que tem, sim, relação com o feito de “O Agente...”, que dá seguimento a esta visibilidade ao cinema nacional e também empata em indicações com outro filme brasileiro, “Cidade de Deus”, de 2002. Ou seja: já está fazendo história.

É importante que se diga que estas quatro indicações ao Oscar para o filme de Kleber Mendonça Filho são ainda mais significativas. A grande diferença desta vez é que, ao invés de apenas ser uma grande conquista as indicações em si, “O Agente...” tem grandes chances de ganhar em pelo menos uma dessas categorias, que acredito ser a de Filme Internacional, ao contrário de “Cidade...”, que não ganhou nenhum na época. Isso mostra que estamos num momento muito mais maduro do cinema brasileiro em relação à sua visibilidade internacional, ao contrário de quando concorremos com “Cidade...” em que a imagem que tínhamos era muito mais de “azarão” ou de “distantes”, mesmo com toda a influência que o filme de Fernando Meirelles e Katia Lund exerceu no cinema mundial à época. Isso, somado ao sucesso de “Ainda...” desde o ano passado e de vários outros filmes brasileiros que também têm sido apreciados lá fora e aqui dentro, deixa claro que estamos, sim, num momento histórico para o cinema brasileiro.

“O Agente...” entra no páreo também na categoria de Ator, para Wagner Moura, embora a tendência é premiarem, depois de tantas indicações, Timothée Chalamet por “Marty Supreme”. Não diria que é injusto, mas filme por filme, fico com “O Agente...”, o que engrandece, a meu ver, a atuação de Wagner. Veremos, mas seria a glória que o baiano ganhasse, hein? Noutra em que o filme concorre é a de Direção de Elenco, a nova categoria do Oscar incluída este ano. Novamente, o brasileiro mereceria, até pela perícia de realizar um filme repleto de personagens e tendo vários atores locais (o chamado “desconhecidos” para os gringos). Porém, “Pecadores” e “Uma Batalha após a Outra” saem na frente, principalmente o longa de Paul Thomas Anderson, repleto de atores top e com a sua conhecida habilidade de direção de atores.

Enfim, a categoria menos provável a que “O Agente...” se sagre campeão, que é a de Filme. Nesta, novamente “Uma Batalha...” desponta, acompanhado de perto de “Hamnet”. Entretanto, assim como para com “Ainda...” em 2025, contar com um brasileiro (e falado em português!) entre os 10 selecionados – mérito que cresce ainda mais considerando que, junto com o norueguês “Valor Sentimental”, é o único estrangeiro da lista.

De resto, o bom “Pecadores” sai supervalorizado, talvez até em demasia, com 16 indicações, recorde em quase 100 anos de Oscar, batendo “Tudo sobre Eva” (1950), “Titanic” (1997) e “La La Land” (2016). Embora goste do diretor Ryan Coogler, torço mesmo para que ganhe Música Original e ator coadjuvante para Delroy Lindo. No mais, Chloé Zhao rivaliza com P.T. Anderson em Direção, legal ver Amy Madigan indicada a Atriz Coadjuvante pelo terror “A Hora do Mal” e “Valor Sentimental”, badalado até o Globo de Ouro, onde ficou apenas com o de Ator em Drama e perdeu "musculatura", embora indicado a 9 Oscar (recorde para um filme da Noruega), talvez saia com um ou dois (Atriz Coadjuvante, Roteiro Original...). Tomara que naquela que é sua maior chance, Filme Internacional, “confirme a derrota” para “O Agente...”.

Mas o Brasil está em evidência não só em quatro categorias, mas em cinco! Isso porque o brasileiro Adolpho Veloso concorre em Fotografia pela produção norte-americana “Sonhos de Trem”. Entretanto, “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, que concorreu sete anos atrás a Documentário por “Democracia em Vertigem”, desta vez não entrou na lista. Aqui, a aposta é no impactante “A Vizinha Perfeita”.

Confiram, então, a lista completa dos indicados ao Oscar 2026, agora em plena torcida para “O Agente...” e Veloso, que o Brasil diz que ainda estamos aqui, na vitrine do cinema mundial, e daqui não queremos mais sair. 

🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥

Melhor Filme

"Bugonia"

"F-1"

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"O Agente Secreto"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"

"Sonhos de Trem"


Melhor Direção

Chloé Zhao, por "Hamnet"

Josh Safdie, por "Marty Supreme"

Paul Thomas Anderson, por "Uma Batalha Após A Outra"

Joachim Trier, por "Valor Sentimental"

Ryan Coogler, por "Pecadores"


Melhor Ator

Timothée Chalamet, por "Marty Supreme"

Leonardo DiCaprio, por "Uma Batalha Após A Outra"

Ethan Hawke, por "Blue Moon"

Michael B. Jordan, por "Pecadores"

Wagner Moura, por "O Agente Secreto"


Melhor Atriz

Jessie Buckley, por "Hamnet"

Rose Byrne, por "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"

Kate Hudson, por "Song Sung Blue"

Renat Reinsve, por "Valor Sentimental"

Emma Stone, por "Bugonia"


Melhor Ator Coadjuvante

Benicio del Toro, por "Uma Batalha Após A Outra"

Jacob Elordi, por "Frankenstein"

Delroy Lindo, por "Pecadores"

Sean Penn, por "Uma Batalha Após A Outra"

Stellan Skarsgård, por "Valor Sentimental"


Melhor Atriz Coadjuvante

Elle Fanning, por "Valor Sentimental"

Inga Ibsdotter Lilleaas, por "Valor Sentimental"

Amy Madigan, por "A Hora do Mal"

Wunmi Mosaku, por "Pecadores"

Teyana Taylor, por "Uma Batalha Após A Outra"


Melhor Elenco

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"O Agente Secreto"

"Pecadores"


Melhor Roteiro Original

"Blue Moon"

"Foi Apenas Um Acidente"

"Marty Supreme"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"


Melhor Roteiro Adaptado

"Bugonia"

"Frankestein"

"Hamnet"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Sonhos de Trem"


Melhor Filme de Animação

"Arco"

"Elio"

"Guerreiras do K-pop"

"A Pequena Amélie"

"Zootopia 2"


Melhor Filme Internacional

"O Agente Secreto"

"Foi Apenas Um Acidente"

"Valor Sentimental"

"Sirāt"

"The Voice of Hind Rajab"


Melhor Documentário em Longa-Metragem

"Alabama: Presos no Alabama"

"Embaixo da Luz Neon"

"Cutting Through Rocks"

"Mr Nobody Against Putin"

"A Vizinha Perfeita"


Melhor Documentário em Curta-Metragem

"Quartos Vazios"

"Armed Only with a Camera: The Life and Death of Brent Renaud"

"Children No More: Were and are Gone"

"O Diabo Não Tem Descanso"

"Perfectly A Strangeness"


Melhor Curta-Metragem em Live Action

"Butcher's Stain"

"A Friend Of Dorothy"

"Jane Austen's Period Drama"

"The Singers"

"Two People Exchanging Saliva"


Melhor Animação em Curta-Metragem

"Butterfly"

"Forevergreen"

"The Girl Who Cried Pearls"

"Retirement Plan"

"The Three Sisters"


Melhor Trilha Sonora

"Bugonia"

"Frankestein"

"Hamnet"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"


Melhor Canção Original

"Dear Me", de "Diane Warren: Relentless"

"Golden", de "Guerreiras do K-pop"

"I Lied To You", de "Pecadores"

"Sweet Dreams Of Joy", de "Viva Verdi!"

"Sonhos de Trem", de "Sonhos de Trem"


Melhor Som

"F-1"

"Frankenstein"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"

"Sirāt"


Melhor Fotografia

"Frankenstein"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Sinners"

"Sonhos de Trem"


Melhor Design de Produção

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"


Melhor Figurino

"Avatar: Fogo e Cinzas"

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Pecadores"


Melhor Cabelo e Maquiagem

"Frankenstein"

"Kokuho"

"Pecadores"

"Coração de Lutador: The Smashing Machine"

"A Meia-Irmã Feia"


Melhor Montagem

"F-1"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"


Melhores Efeitos Visuais

"Avatar: Fogo e Cinzas"

"F-1"

"Jurassic World: Recomeço"

"O Ônibus Perdido"

"Pecadores"


Daniel Rodrigues


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Globo de Ouro 2026 - Os Vencedores

 

Quando soube das filmagens de um novo filme de Kleber Mendonça Filho, ainda em 2024, que se passaria no período da ditadura militar no Brasil e que já se sabia que se chamaria "O Agente Secreto", já dava para imaginar que seria algo especial. Aí veio o reconhecimento no melhor festival de cinema do mundo, Cannes, onde o filme estreou e ganhou dois prêmios. Quando assisti, tempo depois, confirmei a expectativa. Depois, mais premiações importantes: 54 no total, sendo 20 internacionais.

Até que, enfim, "O Agente..." - já um pré-indicado a Oscar de Filme Internacional e provavelmente Filme e a ator pra Wagner Moura - chega ao Globo de Ouro e.... vence! E vence em duas categorias superimportantes: Filme em Língua Não-Inglesa e em Ator em Drama! Superando, inclusive, "Ainda Estou Aqui", que no ano passado deu o globo a Fernanda Torres, mas perdeu para o questionável "Emília Perez". E ainda o filme bate fortes concorrentes, como o essencial "Foi Apenas um Acidente", o Palma de Ouro do ano, e o badalado "Valor Sentimental" (que foi bem rejeitadinho, convenhamos).

Mas não teve pra ninguém! É o Brasil de novo nas cabeças! Ah, teve outras premiações, né? "Uma Batalha Após a Outra" levou os principais? "Hamnet" lascou o de Filme de Drama? "Adolescência" abocanhou o que devia em série de TV? Sim, mas permitam que, desta vez, eu destaque o filme brasileiro, que marcou história já ao ser indicado a três categorias no Globo de Ouro e, mais do que isso, levou dois!

Mas, ok, ok! Vou deixar que saibam quem foram os outros premiados. (mas já na torcida para "O Agente..." agora no Oscar!)

🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬

Melhor filme de drama

"Hamnet: A vida antes de Hamlet"


Melhor filme de comédia ou musical

"Uma batalha após a outra" 


Melhor ator em filme de drama

Wagner Moura, "O Agente Secreto" 


Melhor atriz em filme de drama

Jessie Buckley, "Hamnet: A vida antes de Hamlet"


Melhor série de comédia ou musical

"The Studio"


Melhor minissérie, antologia ou filme para a TV

"Adolescência"


Melhor série de drama

"The Pitt"


Melhor atriz em série de drama

Rhea Seehorn, "Pluribus"


Melhor performance de comédia stand-up na TV

Ricky Gervais, "Ricky Gervais: Mortality"


Melhor atriz coadjuvante na TV

Erin Doherty, "Adolescência"


Melhor filme em língua não-inglesa

"O Agente Secreto"


Melhor filme de animação

"Guerreiras do K-Pop" 


Melhor direção em filme

Paul Thomas Anderson, "Uma batalha após a outra"


Melhor destaque em bilheteria

"Pecadores"


Melhor atriz em minissérie, antologia ou filme para a TV

Michelle Williams, "Dying for Sex"


Melhor ator em minissérie, antologia ou filme para a TV

Stephen Graham, "Adolescência"


Melhor ator em filme de musical ou comédia

Timothée Chalamet, "Marty Supreme"


Melhor atriz em filme de musical ou comédia

Rose Byrne, "Se eu tivesse pernas, eu te chutaria"


Melhor roteiro em filme

Paul Thomas Anderson, "Uma Batalha Após a Outra"


Melhor trilha sonora de filme

"Pecadores" 


Melhor canção em filme

"Golden", "Guerreiras do K-Pop"


Melhor podcast

"Good Hang with Amy Poehler" 


Melhor ator em TV de musical ou comédia

Seth Rogen, "The Studio"


Melhor ator coadjuvante na TV

Owen Cooper, "Adolescência" 


Melhor atriz em série de musical ou comédia

Jean Smart, "Hacks"


Melhor ator em série de drama

Noah Wyle, "The Pitt"


Melhor ator coadjuvante em filme

Stellan Skarsgard, "Valor Sentimental"


Melhor atriz coadjuvante em filme

Teyana Taylor, "Uma Batalha Após a Outra"



Daniel Rodrigues

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

“Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson (2025)

 

A premiação do Oscar, às vezes, depende da configuração dos astros. Mas não os daqui da Terra, aqueles que estrelam os milionários filmes de Hollywood e, sim, os que estão no firmamento e que comandam os movimentos do universo. Isso talvez explique por que há casos em que determinado cineasta não ganha a estatueta por filmes que merecia mas, curiosamente, seja premiado justamente por um não necessariamente o seu melhor trabalho. Isso já aconteceu com Martin Scorsese, por exemplo. Várias vezes indicados por grandes filmes durante quatro décadas, só foi receber o Oscar em 2006, por “Os Infiltrados”, obra, sim, carregada de seus elementos fílmicos, mas não uma obra-prima como “Os Bons Companheiros” ou “Touro Indomável”. E tudo bem. Antes tarde do que nunca.

Algo semelhante deve ocorrer com outro desses multi-indicados ao Oscar neste ano: o cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson. Ele provavelmente concorrerá com o empolgante “Uma Batalha Após a Outra”, o qual tem boas chances de levar para casa o título tanto de Filme quanto de Direção. Porém, por melhor que seja, e semelhantemente a seu mestre Scorsese, não supera aquilo que ele mesmo já fez, no caso, as obras-primas “Magnólia”, “Boogie Nights: Prazer sem Limites” e “Sangue Negro”. Indicado 16 vezes ao Oscar tanto como roteirista quanto como diretor, Anderson, porém, tem tudo para, desta vez, emplacar com sua nova e fabulosa aventura cômica sobre os limites do extremismo político.

Na trama, Bob (Leonardo DiCaprio) e Perfidia (Teyana Taylor) fazem parte do grupo revolucionário antifascista 75 Franceses. Eles têm como missão mudar o mundo a partir da fronteira entre os Estados Unidos e o México por meio de atos de terrorismo doméstico, principalmente em defesa dos imigrantes. Mas tudo dá errado quando Perfídia é capturada por seu arqui-inimigo, o Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn). 19 anos depois, Perfídia se foi, e Bob, agora drogado e paranoico, vive isolado de qualquer façanha revolucionária, dedicado à criação de sua filha adolescente, Willa (Chase Infiniti). Enquanto isso, Lockjaw aspira se juntar a um tipo de organização maçônica elitista e supremacista, mas tem medo que segredos de seu passado venham à tona. A decisão, então, é eliminar qualquer vestígio de evidência, algo que Bob será forçado a sair da inércia e impedir.

Com a edição caprichada de sempre, a excelente trilha do “Radiohead” Johnny Greenwood, cenas tecnicamente perfeitas e – também como sempre – direção de atores muito bem conduzida por Anderson, trata-se de um filme distinto e, ao mesmo tempo, necessário para estes tempos de polarização política no mundo. Senhor de algumas das melhores cenas da história do cinema dos últimos 30 anos, como a da explosão do poço de petróleo em "Sangue..." ou o plano-sequência da festa de ano novo de final trágico de "Boogie...", Anderson não deixa por menos em "Uma Batalha...". São várias as ótimas cenas do filme, espacialmente a da perseguição de carros na estrada com declives em que se vale de movimentos de câmera muito bem pensados e diferentes lentes para adicionar uma sensação de vertigem à eletrizante ação. 

Ao passo que escancara a fragilidade e o isolamento existencial provocados pela utopia da extrema-esquerda, o filme também evidencia o quão patéticos são os poderosos fascistas travestidos de liberais. O que estes têm é poder e dinheiro, mas nenhuma ética ou sensibilidade humanística. Os radicais revolucionários, no entanto, embora também criticados, são, no fim das contas, desculpados em sua inocência por Anderson, pois estão a serviço de uma causa maior. Igualmente à regeneração dos viciados em sexo e drogas de “Boogie...”, ou à memorável chuva de sapos de “Magnólia”, responsável por render as pessoas ao perdão, em seu novo filme o diretor mostra que “a batalha continua”. Uma após a outra, uma a cada dia para desbancar esse mundo perverso e assassino da classe dominante. 

Sean Penn brilhante no papel do escroto (e patético) Coronel Steven

Afora Anderson e seu filme, o Oscar pode também cair no colo Penn ou Del Toro como Ator Coadjuvante. Para qualquer um dos dois, se vier, está bem entregue. Já a categoria de Ator, por mais que DiCaprio desempenhe como só ele sabe fazer, em princípio parece que, nesta corrida, ele perde para outros concorrentes, inclusive Wagner Moura por “O Agente Secreto”. É outro caso de oscarizado que já fazia por merecer há bastante tempo até, enfim, recebê-lo por “O Regresso”, em 2015. Desta vez, não parece que a Academia esteja disposta a premiá-lo novamente.

Premiado ou não, DiCaprio está impecável. Poucos ou nenhum ator da atualidade é capaz como ele de dar a medida certa a personagens tão desiguais como Bob. Não à toa diretores como Scorsese, Clint EastwoodQuentin Tarantino e Alejandro González Iñárritu procuram-no, pois DiCaprio é hábil nesses papeis de difícil equação. Como Bob, ele vai da candura ao cômico, da insegurança à histeria sem perder o fio. Há algo neste papel de Jordan Belfort, de "O Lobo de Wall Street", de Randall Mindy, de "Não Olhe para Cima", e Rick Dalton, de "Era Uma Vez... em Hollywood", todos em que precisou exercitar extremos de expressividade cênica.

Quanto às chances do filme, embora mudanças possam ocorrer nessa última corrida até o Oscar, em março, ocorre que entre alguns dos principais concorrentes de “Uma Batalha...” estão títulos bem cotados para Filme Internacional, casos do norueguês “Valor Sentimental”, do franco-iraniano “Foi Apenas um Acidente” e, claro, do brasileiro “O Agente...”. Ou seja: esses possivelmente disputem entre si nesta segunda categoria, deixando-lhe o caminho mais livre. Já das outras produções norte-americanas, parecem ter menos força “Avatar: Fogo e Cinzas”, “Pecadores” ou mesmo “Bugonia”, “Jay Kelly” e “Hamnet”. A de Direção, um pouco mais descolada de Filme, é mais incerto, mas possível que vá para P.T. Anderson. Para alguém tão talentoso e que já bateu na trave tantas vezes, talvez os astros se alinhem desta para premiá-lo. Só ele sabe o quanto é necessário trilhar sua trajetória com um filme após o outro para, quem sabe, um dia receber o reconhecimento que há tantos anos merece. 

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trailer de "Uma Batalha Após a Outra"


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"Uma Batalha Após a Outra"
título original: "One Battle After Another"
direção: Alexandre Bustillo e Julien Maury
elenco: Paul Thomas Anderson
gênero: ação, comédia, aventura
duração: 2h41min.
país: Estados Unidos
ano: 2025
onde assistir: HBO Max, Amazon Prime e Apple TV



Daniel Rodrigues

sábado, 3 de janeiro de 2026

Clyblood #7 - "Os Gritos de Blácula”, de Bob Kelljan (1973)

 

Sempre enxerguei a Blackexpliotation com uma certa desconfiança. É um gênero do cinema muito atrativo, esteticamente sedutor, exaltador da fantástica cultura afro-americana mas, em última análise, uma mera reprodução dos padrões branconcêntricos e imperialistas. Esse cinema é, em grande parte, alimentado pela teoria do filósofo e médico psiquiatra Frantz Fanon de que o negro, para vencer a alienação imposta pela sociedade branca e passar a oferecer a devida“resistência ontológica”, precisava, necessariamente, passar por um processo de afirmação cultural. Pronto: tudo que vinha acumulado por décadas e décadas de opressão, violência e desumanização da figura do negro norte-americano, foi, por volta dos anos 70, momento culminante desse desenvolvimento social-antropológico, posto em obras cinematográficas como uma forma reativa de se combater o racismo. O método: afirmando a existência do negro com sua cultura e beleza.

Acontece que, como qualquer ação meramente reativa, a chance de se incorrer na superficialidade é grande. E foi o que o ocorreu com a Blackexploitation enquanto movimento: combate à “exploração” da imagem do “negro” através de uma resposta imediata em forma de transposição do espaço ocupado pelo branco, só que agora com figuras pretas na tela. Simples assim: branco por preto, preto no branco. Afora a potência de filmes como “Shaft”, “César Negro” ou “Superfly”, e por conter uma série de qualidades, desde as maravilhosas trilhas sonoras assinadas por gênios da música negra norte-americana até a formação de astros como Pam Grier e Richard Roundtree, há de se dizer que não deu tão certo assim enquanto ação afirmativa. 

Era o momento do movimento Black Power, de um país a poucos anos da conquista dos Direitos Civis, dos Panteras Negras, de conflitos raciais e, ao mesmo tempo, de ascendência de ídolos pretos como James Brown, Sly Stone, Sidney Potier e Angela Davis, Ou seja: muita coisa para se elaborar em muito pouco tempo, e o resultado foi a utilização das ferramentas inadequadas. Para ocupar seu espaço, meramente o inverteu. É o que o próprio Fanon chama de “mímica da representação dos senhores”. Tanto que, após o boom da Blackexploitation, precisou que se caminhasse pelo menos mais 40 anos para que, carregados pela mão firme de Spike Lee até então, o cinema norte-americano, enfim, passasse a contar sua história com a consistência merecida através de nomes como Jordan Peele, Steve McQueen, Ryan Coogler, entre outros.

Tudo isso para dizer que “Os Gritos de Blácula”,  de Bob Kelljan, filme da Blackexploitatiion de 1973, é uma boa exceção àquele discurso autoenganado dos negros norte-americanos com esse cinema. Tive a felicidade de apresentá-lo, no dia 4 de dezembro do ano passado, durante a 12ª edição do festival A Vingança dos Filmes B, coordenado pelo amigo, colega de Associação de Críticos do Rio Grande do Sul (ACCIRS) e colaborador deste blog, Cristian Verardi. Continuação de “Blácula – O Vampiro Negro”, de 1972, “Os Gritos...” se sai melhor do que seu original, visto que consegue avançar não apenas para com sua obra-matriz mas em relação a praticamente todos os outros Blackexploitation na discussão da negritude.

William Marshall no papel de Blácula: patologia e conflito 

O filme começa com a morte da rainha vodu Mama Loa, o que motiva os membros de seu culto a votarem na aprendiz adotiva Lisa Fortier (Pam Grier) como sua sucessora. Isso deixa indignado o arrogante filho biológico da matriarca, Willis (Richard Lawson). Inconformado, ele procura um feiticeiro e, partir dos ossos do Príncipe Mamuwalde, ressuscita Blácula (William Marshall) para vingar-se, mas acaba virando seu escravo. Enquanto um exército sedento por sangue se forma, um policial obcecado por ocultismo passa a perseguir Blácula com o objetivo de dar fim ao reinado do vampiro definitivamente.

Grande qualidade de “Os Gritos...” está, justamente, nessa apropriação da lenda de Drácula, tão branca quanto europeia, trazendo seu conflito para o cerne da questão racial. Príncipe Mamuwalde é, ao mesmo tempo, uma figura essencialmente ligada à ancestralidade africana, como ele mesmo expõe na cena em que presencia o leilão de objetos africanos. Contraditoriamente, entretanto, é amaldiçoado justamente por isso. O que lhe constitui é algo que ele considera impuro, doentio, psicopatológico, mas... é o que lhe constitui. Então, para ser ele mesmo, tem que deixar de ser ele mesmo. Alto grau de conflito existencial – e racial.

Eu na sessão do festival
A Vingança dos Filmes B
Voltando a Fanon, é ainda mais interessante notar como o filme evoca uma das questões cruciais da filosofia do pensador martinicano, que é a da dicotomia “visibilidade e invisibilidade”. Para ele, a experiência vivida do negro será sobretudo dada pelo olhar imperialista do branco, que o inferioriza e, imediatamente, o invisibiliza. Assim, a invenção do negro como um ser inferior o reduz ao silêncio, à não-existência, a nada. Esses atributos negativos podem bem ser empregados à figura do Blácula, cujos instintos selvagens, presentes no personagem original de Bram Stoker, são aqui potencializados pela corporalidade estereotipada que marca o negro. Blácula, que suga o sangue de mulheres e homens indistintamente, é uma ameaça tão sexual quanto de violência, tal qual o negro na sociedade racista.

Cena bastante simbólica desse dilema é a que Blácula dialoga com seu “pupilo” Willis, logo no começo da fita. Ainda sem entender a extensão da maldição que se abateu sobre ele, Willis arruma-se para sair de casa e ir ao uma festa. Além da proibição por parte do carrasco, chama atenção a reação de Willis em relação à famosa característica dos vampiros: não se enxergar no espelho. Incrédulo de que a partir dali nunca mais poderá ver seu reflexo, chega a pedir a Blácula que avalie seu visual, tamanha importância que ele como um negro norte-americano daquela época de “black is beautiful” dava a este aspecto. Não é apenas uma mera afetação ou vaidade: é o “reflexo” de uma comunidade precisando se ver representada, precisando cumprir a sina fanoniana de derrubar as máscaras brancas. Sem ver-se no espelho, isso é impossível.

Talvez não tão consciente de seus próprios apontamentos, “Os Gritos...” é, sim, um filme bem realizado e que dá um passo adiante na proposta reativa da Blackexploitatiion, abrindo caminho para o que, anos depois, um cineasta como Peele faria com profundidade discursiva dentro do próprio gênero terror. Como obra, é um thriller bastante interessante, de ótima fotografia, estética pop, trucagens eficientes, enquadramentos bem sacados e, claro, trilha excepcional (a cargo de Bill Marx), característica dos filmes Blackexploitatiion. Curioso pensar que o “novo humanismo” proposto por Fanon, ferramenta com a qual se superaria essa desumanização, tenha, no cinema negro norte-americano, partido justamente de uma figura não-humana. Como disse o próprio Fanon: “o homem também é um não”.

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trailer de "Os Gritos de Blácula"

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"Os Gritos de Blácula"
título original: "Scream Blacula Scream"
direção: Bob Kelljan
elenco: William H. Marshall, Don Mitchell, Pam Grier, Michael Conrad, Bernie Hamilton, Richard Lawson
gênero: terror, vampiro, Blackexplotation, policial
duração: 96min.
país: Estados Unidos
ano: 1973
onde assistir: YouTube


Daniel Rodrigues

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

ClyBlood#6 - Especial de Natal - "A Invasora", de Alexandre Bustillo e Julien Maury (2007)



Noite de Natal. Há quem prefira a confraternização com parentes e amigos na comemoração do nascimento de Cristo, e os que preferem fugir de toda a agitação , uma espécie de isolamento introspectivo. Sarah até tinha o que comemorar, o filho que estava prestes a chegar, mas por outro lado também tinha motivos para lamentar e refletir. Um acidente de carro levara seu marido mas poupara a ela e ao bebê que levava no ventre. Agora, meses depois, na véspera de Natal, sua opção foi pedir a casa de um amigo, se afastar do resto do mundo, se isolar de tudo, refletir, lamentar uma vida que se fora e esperar pela nova vida que virá. No entanto, uma indesejada visitante viria a lhe perturbar a paz. Uma misteriosa mulher insiste em entrar na casa e, depois de ardilosamente conseguir, faz do retiro natalino de luto de Sarah, uma verdadeira noite infeliz. A todo custo, sem limites, sem piedade, a invasora tenta, com todos os recursos possíveis, matar aquela mulher grávida. O resultado dessa caçada dentro de uma casa suburbana francesa é um banho de sangue e brutalidade num nível quase insuportável.

Representante do chamado Novo Cinema Extremo Francês, "A Invasora", não se preocupa em poupar o espectador de cenas chocantes, desconfortáveis e perturbadoras. O ataque a uma mulher grávida, indefesa, leva inevitavelmente o espectador à questão do por quê alguém agiria daquela maneira selvagem, incontrolável, irascível contra uma pessoa tão vulnerável? E sem levar minimamente em consideração o fato de sua vítima estar carregando em seu ventre um inocente! E o pior ainda: ter esse ser indefeso que nem nasceu também como alvo.

O motivo? Seria spoiler contar se existe um motivo ou não e qual seria ele. Não cometerei essa canalhice com meu leitor. O que posso dizer é que independente da razão, se existe, se é justificável ou não, essa invasora proporciona ao fã do terror uma das caçadas mais cruéis que já se viu no cinema, indo até o limite total de suas forças, possibilidades, armas, condição física, para atingir seu objetivo.

Uma das minhas vilãs preferidas do cinema. Béatrice Dalle, a eterna Betty Blue, aqui determinada, impiedosa, implacável, imparável! Se é pra ser má, se é pra cumprir o que se propôs, não é pra ter mimimi. E com essa invasora anônima de Natal, não tem mesmo. 

Ela, a misteriosa assassina, não vai desistir até dar um fim na pobre grávida
que só queria um pouco de paz interior na véspera de Natal.


Cly Reis

🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪🔪

"A Invasora"
título original: "À l'intérieur"
direção: Alexandre Bustillo e Julien Maury
elenco: Alysson Paradis, Béatrice Dalle
gênero: horror, terror psicológico, gore
duração: 78min.
país: França
ano: 2007
onde assistir: MUBI, TV Macabra e YouTube

sábado, 13 de dezembro de 2025

67º Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo - Melhor Reportagem Cultural a Daniel Rodrigues - Auditório da Farsul - Porto Alegre/RS (12/12/2025)


"Não por coincidência, o senso de justiça é parte crucial da história deste filho de Xangô com Oxum chamado Renato Dornelles. Jornalista, escritor e cineasta, Renatinho, como é conhecido entre colegas e amigos, aprendeu desde cedo que, como pessoa preta, precisava achar a sua forma vencer na vida."
Trecho da matéria do Jornal do Comércio vencedora do Prêmio ARI

E deu! 1º Lugar no Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo em Reportagem Cultural, concedido pela Associação Riograndense de Imprensa. Após minha conquista do Prêmio Açorianos de Literatura, em 2013, veio, mais de uma década depois, o reconhecimento àquilo que me é mais valioso enquanto fazer: o Jornalismo. 

Essa premiação representa a mim uma série de conquistas. Primeiro, pela qualidade dos finalistas com quem concorri, alguns deles, como o amigão Marcello Campos, e Juarez Fonseca, uma referência do Jornalismo Cultural no Brasil, caras de quem tenho os livros em casa e aprendo diariamente. Afora eles, também Ana Stobbe, do Jornal do Comércio, e Camila Bengo, de GZH, jovens jornalistas que merecem todo respeito.

Página inicial da matéria do JC
publicada em abril
Segundo, porque, como alguém do cinema, é uma enorme satisfação poder tratar desse assunto através da escrita. O Jornal do Comércio me abriu espaço este ano no caderno Viver para reportagens como esta, e ninguém menos simbólico pra isso como o objeto da minha matéria: o jornalista e cineasta Renato Dornelles. A matéria, intitulada "Das páginas policiais para as imagens do cinema", foi produzida em março e publicada em 17 de abril.

Sobre Renatinho, então, o terceiro e importante símbolo dessa vitória: trata-se de uma matéria de um jornalista preto sobre um outro jornalista preto cujas famílias, vindas do mesmo quilombo urbano (que hoje chamam de Rio BRANCO...), sustentam-se pela resistência e ancestralidade. Dividi essa alegria e orgulho, inclusive, com o ilustre presidente da ARI, José Maria Nunes, primeiro presidente preto da associação em nove décadas... Diz muito. 

A ARI, aliás, também merece um aparte: são 90 anos de instituição, criada, lá nos indos de 1935, por ninguém menos que Erico Verissimo, este totem da literatura e da cultura gaúcha e brasileira que, em 2025, completa 120 anos de nascimento e 50 de morte. Tudo muito simbólico, ainda mais num ano em que perdemos, justamente, seu ilustre filho, o genial Luis Fernando Verissimo. Fora isso, o Prêmio ARI em si, em sua 67ª edição, soube ser o mais longevo do Brasil - e não só no seguimento do Jornalismo, mas em todas as áreas!

Por fim, a conquista de alguém que se sente no seu lugar e premiado por seus pares: os jornalistas. A militância do repórter, reduzida por muitos anos, foi retomada por mim este ano a todo vapor pelas páginas do JC e... taí o resultado!

Fiquem, então, com alguns momentos desse feliz momento e a listagem de todos os premiados.

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Com o mestre Renato Dornelles celebrando o prêmio e nossa ancestralidade


Dividindo a felicidade preta com o atual presidente da ARI, José Maria Nunes


Selfie com a amiga - e também vencedora na categoria
Reportagem em TV - Isabel Ferrari


Presença preta no Prêmio ARI: colega de profissão e de ACCIRS
Chico Izidro com Renatinho e eu


Foto geral dos vencedores


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Troféu Reportagem Especial – FIERGS: RS Mais Forte”
"O Fim do Futuro" – Geórgia Santos e Filipe Speck (Vós)

Troféu ARI/Banrisul de Jornalismo Universitário
"Capital da Improvisação" – Cecília Filappi (UFRGS)

Categoria Profissional - Charge
1º Lugar : "Grande Sacada" – Gabriel Renner (Grupo Editorial Sinos)
2º Lugar: "Ponto de Vista" – Iotti (Fumetta.com)
3º Lugar: " Netanyahu” Elias Ramires (Jornal Grifo)
4º Lugar: “Enchente” Santiago (Revista Digital Grifo)
5º Lugar: A última ceia" – Iotti (Fumetta.com)

Categoria Profissional - Crônica
1º Lugar: "A noite em que cheguei sangrando no hospital" – Marcela Donini (Matinal)
2º Lugar: "Bons mestres não morrem" – Juliana Bublitz (Zero Hora e GZH)
3º Lugar: "O ano do mate" – Marcela Donini (Matinal)
4º Lugar: “Coisas do Coração” – Pedro Garcia (Diário Gaúcho)
5º Lugar: “ Só sei viver em esquinas” –  Vitor Necchi (Revista Parêntese/Matinal)

Categoria Profissional - Design Editorial
1º Lugar: "Novo projeto gráfico do Caderno GeraçãoE" – Gustavo Van Ondheusden (Jornal do Comércio)
2º Lugar: "Caderno Especial 130 Anos do Correio do Povo" – Pedro Dreher e Leandro Maciel (Correio do Povo)
3º Lugar: "Mapa Econômico do Rio Grande do Sul" – Gustavo Van Ondheusden (Jornal do Comércio)
4º Lugar:” Novo Projeto Gráfico do Correio do Povo – Pedro Dreher (Correio do Povo)
5º Lugar: Ilhota: símbolo da cultura negra de Porto Alegre e berço de figuras ilustres da dupla Gre-Nal – Carlos Garcia (Zero Hora e GZH)

Categoria Profissional - Documentário em Áudio
1º Lugar: "Coronéis do Futebol - A nova face do sistema" – Rodrigo Oliveira, Eduardo Gabardo e Rafael Lindemann (Rádio Gaúcha)
2º Lugar: "Quilombo - corredor do samba de Porto Alegre: ontem, hoje e sempre" – Alan Barcellos, Matheus Freitas da Rosa e Alexandre Leboutte da Fonseca (Rádio FM Cultura - 107,7)
3º Lugar: "Desabrigados: A vida e a esperança da população atingida pelas enchentes nos centros humanitários" – Fabrine Fiss Bartz (Grupo Bandeirantes)
4º Lugar: Cinco anos da Covid no RS – André Malinoski (Rádio Gaúcha)
5º Lugar: “Bioma Pampa: das raízes familiares à luta pela preservação” – Leno Falk (Agência Radioweb

Categoria Profissional - Documentário em Vídeo
1º Lugar: "Imprescindível Jair Krischke" – Milton Cougo, Marco Villalobos, Timóteo Santos Lopes e Daniele Alves (Chuva Filmes)
2º Lugar: "Huni Kuï - Povo Verdadeiro" – Renato Dornelles, Tatiana Sager e Gabriel Sager Rodrigues (Panda Filmes/Falange Produções)
3º Lugar: "RBS.Doc -1 ano da enchente" – Isabel Ferrari, Ariane Xavier Borba Jorej Nobre, Anderson Vargas, Mauricio Gasparetto e Caroline Berbick (RBS TV)
4º Lugar: “A Reconstrução” – Mariana Ferrari(RecordPlus / Record)
5º Lugar: “Darcy Fagundes: meu famoso pai desconhecido” – Luciane Fagundes (Produtora Século 21)

Categoria Profissional - Fotojornalismo
1º Lugar: "Superação do Trauma com Rodas que Transformam" – Ricardo Giusti Schuh Reif
2º Lugar: "Silêncio" – Itamar Aguiar (JÁ On Line)
3º Lugar: "A dor da mãe que perdeu a filha para o feminicídio" – Mateus Bruxel (Zero Hora)
4º Lugar: ” Cozinha Solidária exige passagem” – Jorge Leão – (Brasil de Fato)
5º Lugar: “O gato preto” – Duda Fortes (Zero Hora)

Categoria Profissional - Reportagem Cultural
1º Lugar: "Das páginas policiais para as imagens do cinema" – Daniel Rodrigues (Jornal do Comércio) 
2º Lugar: "Cruz Alta e Erico, entre o real e o imaginado" – Ana Stobbe (Jornal do Comércio)
3º Lugar: “Conheça a história de Nega Lu, ícone negro e LGBT+ que faz parte da memória coletiva de Porto Alegre” – Camila Bengo(GZH)
4º Lugar: “Cultura de Bandeja” – Marcello Campos (Jornal do Comércio)
5º Lugar:”Os 80 anos de Elis Regina” – Juarez Fonseca (Jornal do Comércio)

Categoria Profissional - Reportagem Econômica
1º Lugar: "Mapa Econômico RS" – Eduardo Torres, Ana Stobbe e Guilherme Kolling (Jornal do Comércio)
2º Lugar: "Trump quer transformar os EUA na maior ‘superpotência’ do bitcoin" – Marcus Meneghetti (Jornal do Comércio)
3º Lugar: "Passo Fundo tem ampla expansão imobiliária" – Ana Stobbe (Jornal do Comércio) 
4º Lugar: “Maior parte das empresas superou a enchente, mas quadro ainda traz desafios” – Karina Schuh Reif (Correio do Povo)
5º Lugar:” De peixe a café: bancas do Mercado Público se tornam indústrias e expandem negócios” – Guilherme Gonçalves (Zero Hora)

Categoria Profissional - Reportagem em Áudio
1º Lugar: "O Fim do Futuro" – Geórgia Santos e Filipe Speck (Vós)
2º Lugar: "Série Especial: Tragédia da Boate Kiss: memória, silêncio e impunidade" – Eduardo Covalesky (Grupo Radioweb)
3º Lugar: "Pequenos invisíveis: a cada 24 horas, sete crianças ou jovens sofreram maus-tratos no RS" – Kathlyn Moreira e Vicente Nolasco (Rádio Gaúcha)
4º Lugar:” Um maio depois: Histórias da enchente – Fabrine Fabrine Fiss Bartz (Grupo Bandeirantes)
5º Lugar:” Desatenção e hiperatividade: como é a vida de pessoas com TDAH?  - Renê Almeida (Agência Radioweb)

Categoria Profissional - Reportagem em Texto
1º Lugar: "Crianças órfãs de feminicídio : traumas, perdas e a luta por direitos" – Fabiana Reinholz (Brasil de Fato RS)
2º Lugar: "Evasão escolar pós-enchente" – Isabella Sander (Zero Hora)
3º Lugar: "Violência contra crianças e adolescentes cresce no RS e atinge níveis alarmantes, mostra levantamento" – Fabiana Reinholz (Brasil de Fato RS)
4º Lugar:” Crimes que marcaram o Rio Grande do Sul” – Deivison Ávila (Jornal do Comércio)
5º Lugar:” Violência no ambiente escolar: as lições para evitar o pior” – Ermilo Drews(Grupo Sinos)

Categoria Profissional - Reportagem em Vídeo
1º Lugar: "O drama da moradia provisória - um registro de 6 meses após a enchente" – Isabel Ferrari (Fantástico/Rede Globo)
2º Lugar: "JA Repórter: O sonho da moradia digna" – Mary Silva , Fayller Aprato, Felipe Toledo, Marco Matos, Bárbara Cezimbra, Ronaldo Sabin, Sid Rafael e Moisés Costa (RBS TV)
3º Lugar: "Artur: o menino cego que narrou futebol do estádio" – Kelly Teixeira da Costa, Bruno Halpern, Rafael Techera, William Ramos e Eduardo Ostermayer (RBS TV)
4º Lugar:” JA Repórter: caçadores promovem matança em área de preservação do RS – Vitor Rosa (RBS TV)
5º Lugar:” Corre RS: Histórias de Maratona – Eduardo Rachelle (RBS TV)

Categoria Profissional - Reportagem Esportiva
1º Lugar: "Por que as entrevistas sumiram do futebol?" – Victória Rodrigues e João Paulo Jobim Fontoura (Correio do Povo)
2º Lugar: "Como a internet mudou o cenário do futebol" – Carlos Correa (Correio do Povo)
3º Lugar: "Série especial 'Esporte Atrás das Grades'" – André R. Herzer (Zero Hora)
4º Lugar:” Nossa Voz 2024 –  Mariana Dionisio (RBS TV, ge.globo/rs, GZH, Zero Hora e Diário Gaúcho)
5º Lugar:” Acabou a Grandeza?!? – Fabrício Falkowski (Correio do Povo)

Categoria Profissional - Reportagem Nacional
1º Lugar: "Cortina de Vapor" – Pedro Nakamura (O Joio e o Trigo)
2º Lugar: "Tubarão ameaçado no prato" – Karla Mendes, Philip Jacobson, Kuang Keng Kuek Ser e Fernanda Wenzel (Mongabay Brasil)
3º Lugar: "As marcas do racismo na escola" – Iara Balduino, Paulo Leite, Rogerio Verçoza, André Pacheco, Sigmar Gonçalves, Carolina Oliveira, Patrícia Araújo, André Eustáquio, Márcio Stuckert, Alex Sakata, Caroline Ramos , Wagner Maia, Alexandre Souza, Dailton Matos, Edivan Viana , Rafael Calado e Thiago Pinto (TV Brasil)
4º Lugar:” A TECNOLOGIA USADA COMO INSTRUMENTO PARA FORTALECER A CULTURA DE UM POVO INDÍGENA DO ALTO XINGÚ EM MATO GROSDO” – Eunice Ramos (TV GLOBO / TVCA)
5º Lugar:” Perseguição institucional e distúrbios mentais: o efeito dos crimes sexuais nas forças policiais do país – Herculano Barreto Filho (Do UOL)

Categoria Universitária - Fotojornalismo
1º Lugar: "Capital da Improvisação" – Cecília Filappi (UFRGS)
2º Lugar: "Disposição para recomeçar" – Diogo Beltrão Duarte, Felipe Kramer Damian, Gabriel Vieira da Silva e Lorenzo Vieira de Castro (UFRGS)

Categoria Universitária - Projeto Especial em Jornalismo
1º Lugar: "5198: profissão prostituta" – Vittória Becker, Thayna Weissbach, Pedro Stahnke , Isadora Prigol e Gustavo Marchant (PUCRS)
2º Lugar: "Wacki Jacko: Uma análise da representação do cantor Michael Jackson nas matérias do jornal tabloide The Sun " – Renata Rosa (UFRGS)
3º Lugar Menção honrosa: “Bi-chas, trans e sapatões de Porto Alegre” – Vittória Becker, Thayna Weissbach e Alana Borges (PUCRS)
4º Lugar Menção honrosa :” O Papel do Jornalista no Resgate de Histórias Silenciadas: Uma análise da apuração de Christa Berger para a biografia
de Jurema Finamour”–  Ana Julia Zanotto(UFRGS)
5º Lugar Menção honrosa:'Show de Copa em Zero Hora': uma análise da cobertura do periódico da Copa do Mundo de 1970 – João Pedro Bernardes
( UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Áudio
1º Lugar: "Podcast Causa Mortis: Misoginia" – Maria Luiza Rocha, Amanda Steimetz Thiesen e Manuela Saudade Cassano (PUCRS)
2º Lugar : "O Preço da Sorte" – Felipe Kramer Damian, Lorenzo Vieira de Castro, Isabela Daudt e Diogo Beltrão Duarte (UFRGS)
3º Lugar Menção honrosa: "Comércio da Salvação" – Gabriel Magagnin Fernandes, Tainan Nunes, Roberta Kunt, Gabriela Dalmas, Sofia Utz,
Theo Castro e Jean Carlos (PUCRS)
4º Lugar Menção honrosa: Encurraladas - Histórias de mulheres jornalistas sobre violência de gênero – Laura Cunha( UniRitter)
5º Lugar Menção honrosa: Raízes que Resistem: Comunidades Quilombolas em Porto Alegre –  Amanda Schultz (UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Texto
1º Lugar: "Denúncia contra projeto do Zaffari expõe falhas no licenciamento ambiental em Porto Alegre" – Dener Pedro, Bárbara Cezimbra de Andrade e
Juliano Lannes de Oliveira (Unisinos)
2º Lugar: "Gerontologia ambiental traz alternativas para o envelhecimento seguro em meio às mudanças climáticas" – Francisco Avelino Conte (UFRGS)
3ºLugar Menção honrosa: "O que afasta os jovens do ensino superior? " – Rafaela Bobsin e Júlia Cristofoli Campos (UFRGS)
4º Lugar Menção honrosa: Tragédia sem rosto: quem eram as vítimas da Pousada Garoa? – Pedro Pereira (PUCRS)
5º Lugar Menção honrosa: Sobre viver no limbo –   Thomas Gregório (UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Vídeo
1º Lugar: "Os Centenários de Porto Alegre " – Arthur Reckziegel, Tânia Meinerz e Nathan Lemos (Unisinos)
2º Lugar: "Improviso e Resistência: A realidade das escolas indígenas gaúchas" – Fernanda Axelrud, Beatriz ,Antônio de Macedo Ferraz de Campos,
João Pedro Kovalezyk Bopp, André Jakubowski Zoratto, Ana Carolina Lorenzini e Nathalia Ferrari da Silveira (PUCRS)
3ºLugar Menção honrosa: "Vozes do Esporte" – Vitor Christofoli (UniRitter)
4º Lugar Menção honrosa: Direito à cidade: A luta por moradia em Porto Alegre – Luciana Weber (PUCRS)
5º Lugar Menção honrosa: Violência Policial no Rio Grande do Sul –  Nikelly de Souza (UFRGS)


texto: Daniel Rodrigues
fotos: Mariana Czamanski (ARI) e Isabel Ferrari