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sábado, 13 de dezembro de 2025

67º Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo - Melhor Reportagem Cultural a Daniel Rodrigues - Auditório da Farsul - Porto Alegre/RS (12/12/2025)


"Não por coincidência, o senso de justiça é parte crucial da história deste filho de Xangô com Oxum chamado Renato Dornelles. Jornalista, escritor e cineasta, Renatinho, como é conhecido entre colegas e amigos, aprendeu desde cedo que, como pessoa preta, precisava achar a sua forma vencer na vida."
Trecho da matéria do Jornal do Comércio vencedora do Prêmio ARI

E deu! 1º Lugar no Prêmio ARI Banrisul de Jornalismo em Reportagem Cultural, concedido pela Associação Riograndense de Imprensa. Após minha conquista do Prêmio Açorianos de Literatura, em 2013, veio, mais de uma década depois, o reconhecimento àquilo que me é mais valioso enquanto fazer: o Jornalismo. 

Essa premiação representa a mim uma série de conquistas. Primeiro, pela qualidade dos finalistas com quem concorri, alguns deles, como o amigão Marcello Campos, e Juarez Fonseca, uma referência do Jornalismo Cultural no Brasil, caras de quem tenho os livros em casa e aprendo diariamente. Afora eles, também Ana Stobbe, do Jornal do Comércio, e Camila Bengo, de GZH, jovens jornalistas que merecem todo respeito.

Página inicial da matéria do JC
publicada em abril
Segundo, porque, como alguém do cinema, é uma enorme satisfação poder tratar desse assunto através da escrita. O Jornal do Comércio me abriu espaço este ano no caderno Viver para reportagens como esta, e ninguém menos simbólico pra isso como o objeto da minha matéria: o jornalista e cineasta Renato Dornelles. A matéria, intitulada "Das páginas policiais para as imagens do cinema", foi produzida em março e publicada em 17 de abril.

Sobre Renatinho, então, o terceiro e importante símbolo dessa vitória: trata-se de uma matéria de um jornalista preto sobre um outro jornalista preto cujas famílias, vindas do mesmo quilombo urbano (que hoje chamam de Rio BRANCO...), sustentam-se pela resistência e ancestralidade. Dividi essa alegria e orgulho, inclusive, com o ilustre presidente da ARI, José Maria Nunes, primeiro presidente preto da associação em nove décadas... Diz muito. 

A ARI, aliás, também merece um aparte: são 90 anos de instituição, criada, lá nos indos de 1935, por ninguém menos que Erico Verissimo, este totem da literatura e da cultura gaúcha e brasileira que, em 2025, completa 120 anos de nascimento e 50 de morte. Tudo muito simbólico, ainda mais num ano em que perdemos, justamente, seu ilustre filho, o genial Luis Fernando Verissimo. Fora isso, o Prêmio ARI em si, em sua 67ª edição, soube ser o mais longevo do Brasil - e não só no seguimento do Jornalismo, mas em todas as áreas!

Por fim, a conquista de alguém que se sente no seu lugar e premiado por seus pares: os jornalistas. A militância do repórter, reduzida por muitos anos, foi retomada por mim este ano a todo vapor pelas páginas do JC e... taí o resultado!

Fiquem, então, com alguns momentos desse feliz momento e a listagem de todos os premiados.

🏆🏆🏆🏆🏆🏆🏆🏆🏆🏆

Com o mestre Renato Dornelles celebrando o prêmio e nossa ancestralidade


Dividindo a felicidade preta com o atual presidente da ARI, José Maria Nunes


Selfie com a amiga - e também vencedora na categoria
Reportagem em TV - Isabel Ferrari


Presença preta no Prêmio ARI: colega de profissão e de ACCIRS
Chico Izidro com Renatinho e eu


Foto geral dos vencedores


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Troféu Reportagem Especial – FIERGS: RS Mais Forte”
"O Fim do Futuro" – Geórgia Santos e Filipe Speck (Vós)

Troféu ARI/Banrisul de Jornalismo Universitário
"Capital da Improvisação" – Cecília Filappi (UFRGS)

Categoria Profissional - Charge
1º Lugar : "Grande Sacada" – Gabriel Renner (Grupo Editorial Sinos)
2º Lugar: "Ponto de Vista" – Iotti (Fumetta.com)
3º Lugar: " Netanyahu” Elias Ramires (Jornal Grifo)
4º Lugar: “Enchente” Santiago (Revista Digital Grifo)
5º Lugar: A última ceia" – Iotti (Fumetta.com)

Categoria Profissional - Crônica
1º Lugar: "A noite em que cheguei sangrando no hospital" – Marcela Donini (Matinal)
2º Lugar: "Bons mestres não morrem" – Juliana Bublitz (Zero Hora e GZH)
3º Lugar: "O ano do mate" – Marcela Donini (Matinal)
4º Lugar: “Coisas do Coração” – Pedro Garcia (Diário Gaúcho)
5º Lugar: “ Só sei viver em esquinas” –  Vitor Necchi (Revista Parêntese/Matinal)

Categoria Profissional - Design Editorial
1º Lugar: "Novo projeto gráfico do Caderno GeraçãoE" – Gustavo Van Ondheusden (Jornal do Comércio)
2º Lugar: "Caderno Especial 130 Anos do Correio do Povo" – Pedro Dreher e Leandro Maciel (Correio do Povo)
3º Lugar: "Mapa Econômico do Rio Grande do Sul" – Gustavo Van Ondheusden (Jornal do Comércio)
4º Lugar:” Novo Projeto Gráfico do Correio do Povo – Pedro Dreher (Correio do Povo)
5º Lugar: Ilhota: símbolo da cultura negra de Porto Alegre e berço de figuras ilustres da dupla Gre-Nal – Carlos Garcia (Zero Hora e GZH)

Categoria Profissional - Documentário em Áudio
1º Lugar: "Coronéis do Futebol - A nova face do sistema" – Rodrigo Oliveira, Eduardo Gabardo e Rafael Lindemann (Rádio Gaúcha)
2º Lugar: "Quilombo - corredor do samba de Porto Alegre: ontem, hoje e sempre" – Alan Barcellos, Matheus Freitas da Rosa e Alexandre Leboutte da Fonseca (Rádio FM Cultura - 107,7)
3º Lugar: "Desabrigados: A vida e a esperança da população atingida pelas enchentes nos centros humanitários" – Fabrine Fiss Bartz (Grupo Bandeirantes)
4º Lugar: Cinco anos da Covid no RS – André Malinoski (Rádio Gaúcha)
5º Lugar: “Bioma Pampa: das raízes familiares à luta pela preservação” – Leno Falk (Agência Radioweb

Categoria Profissional - Documentário em Vídeo
1º Lugar: "Imprescindível Jair Krischke" – Milton Cougo, Marco Villalobos, Timóteo Santos Lopes e Daniele Alves (Chuva Filmes)
2º Lugar: "Huni Kuï - Povo Verdadeiro" – Renato Dornelles, Tatiana Sager e Gabriel Sager Rodrigues (Panda Filmes/Falange Produções)
3º Lugar: "RBS.Doc -1 ano da enchente" – Isabel Ferrari, Ariane Xavier Borba Jorej Nobre, Anderson Vargas, Mauricio Gasparetto e Caroline Berbick (RBS TV)
4º Lugar: “A Reconstrução” – Mariana Ferrari(RecordPlus / Record)
5º Lugar: “Darcy Fagundes: meu famoso pai desconhecido” – Luciane Fagundes (Produtora Século 21)

Categoria Profissional - Fotojornalismo
1º Lugar: "Superação do Trauma com Rodas que Transformam" – Ricardo Giusti Schuh Reif
2º Lugar: "Silêncio" – Itamar Aguiar (JÁ On Line)
3º Lugar: "A dor da mãe que perdeu a filha para o feminicídio" – Mateus Bruxel (Zero Hora)
4º Lugar: ” Cozinha Solidária exige passagem” – Jorge Leão – (Brasil de Fato)
5º Lugar: “O gato preto” – Duda Fortes (Zero Hora)

Categoria Profissional - Reportagem Cultural
1º Lugar: "Das páginas policiais para as imagens do cinema" – Daniel Rodrigues (Jornal do Comércio) 
2º Lugar: "Cruz Alta e Erico, entre o real e o imaginado" – Ana Stobbe (Jornal do Comércio)
3º Lugar: “Conheça a história de Nega Lu, ícone negro e LGBT+ que faz parte da memória coletiva de Porto Alegre” – Camila Bengo(GZH)
4º Lugar: “Cultura de Bandeja” – Marcello Campos (Jornal do Comércio)
5º Lugar:”Os 80 anos de Elis Regina” – Juarez Fonseca (Jornal do Comércio)

Categoria Profissional - Reportagem Econômica
1º Lugar: "Mapa Econômico RS" – Eduardo Torres, Ana Stobbe e Guilherme Kolling (Jornal do Comércio)
2º Lugar: "Trump quer transformar os EUA na maior ‘superpotência’ do bitcoin" – Marcus Meneghetti (Jornal do Comércio)
3º Lugar: "Passo Fundo tem ampla expansão imobiliária" – Ana Stobbe (Jornal do Comércio) 
4º Lugar: “Maior parte das empresas superou a enchente, mas quadro ainda traz desafios” – Karina Schuh Reif (Correio do Povo)
5º Lugar:” De peixe a café: bancas do Mercado Público se tornam indústrias e expandem negócios” – Guilherme Gonçalves (Zero Hora)

Categoria Profissional - Reportagem em Áudio
1º Lugar: "O Fim do Futuro" – Geórgia Santos e Filipe Speck (Vós)
2º Lugar: "Série Especial: Tragédia da Boate Kiss: memória, silêncio e impunidade" – Eduardo Covalesky (Grupo Radioweb)
3º Lugar: "Pequenos invisíveis: a cada 24 horas, sete crianças ou jovens sofreram maus-tratos no RS" – Kathlyn Moreira e Vicente Nolasco (Rádio Gaúcha)
4º Lugar:” Um maio depois: Histórias da enchente – Fabrine Fabrine Fiss Bartz (Grupo Bandeirantes)
5º Lugar:” Desatenção e hiperatividade: como é a vida de pessoas com TDAH?  - Renê Almeida (Agência Radioweb)

Categoria Profissional - Reportagem em Texto
1º Lugar: "Crianças órfãs de feminicídio : traumas, perdas e a luta por direitos" – Fabiana Reinholz (Brasil de Fato RS)
2º Lugar: "Evasão escolar pós-enchente" – Isabella Sander (Zero Hora)
3º Lugar: "Violência contra crianças e adolescentes cresce no RS e atinge níveis alarmantes, mostra levantamento" – Fabiana Reinholz (Brasil de Fato RS)
4º Lugar:” Crimes que marcaram o Rio Grande do Sul” – Deivison Ávila (Jornal do Comércio)
5º Lugar:” Violência no ambiente escolar: as lições para evitar o pior” – Ermilo Drews(Grupo Sinos)

Categoria Profissional - Reportagem em Vídeo
1º Lugar: "O drama da moradia provisória - um registro de 6 meses após a enchente" – Isabel Ferrari (Fantástico/Rede Globo)
2º Lugar: "JA Repórter: O sonho da moradia digna" – Mary Silva , Fayller Aprato, Felipe Toledo, Marco Matos, Bárbara Cezimbra, Ronaldo Sabin, Sid Rafael e Moisés Costa (RBS TV)
3º Lugar: "Artur: o menino cego que narrou futebol do estádio" – Kelly Teixeira da Costa, Bruno Halpern, Rafael Techera, William Ramos e Eduardo Ostermayer (RBS TV)
4º Lugar:” JA Repórter: caçadores promovem matança em área de preservação do RS – Vitor Rosa (RBS TV)
5º Lugar:” Corre RS: Histórias de Maratona – Eduardo Rachelle (RBS TV)

Categoria Profissional - Reportagem Esportiva
1º Lugar: "Por que as entrevistas sumiram do futebol?" – Victória Rodrigues e João Paulo Jobim Fontoura (Correio do Povo)
2º Lugar: "Como a internet mudou o cenário do futebol" – Carlos Correa (Correio do Povo)
3º Lugar: "Série especial 'Esporte Atrás das Grades'" – André R. Herzer (Zero Hora)
4º Lugar:” Nossa Voz 2024 –  Mariana Dionisio (RBS TV, ge.globo/rs, GZH, Zero Hora e Diário Gaúcho)
5º Lugar:” Acabou a Grandeza?!? – Fabrício Falkowski (Correio do Povo)

Categoria Profissional - Reportagem Nacional
1º Lugar: "Cortina de Vapor" – Pedro Nakamura (O Joio e o Trigo)
2º Lugar: "Tubarão ameaçado no prato" – Karla Mendes, Philip Jacobson, Kuang Keng Kuek Ser e Fernanda Wenzel (Mongabay Brasil)
3º Lugar: "As marcas do racismo na escola" – Iara Balduino, Paulo Leite, Rogerio Verçoza, André Pacheco, Sigmar Gonçalves, Carolina Oliveira, Patrícia Araújo, André Eustáquio, Márcio Stuckert, Alex Sakata, Caroline Ramos , Wagner Maia, Alexandre Souza, Dailton Matos, Edivan Viana , Rafael Calado e Thiago Pinto (TV Brasil)
4º Lugar:” A TECNOLOGIA USADA COMO INSTRUMENTO PARA FORTALECER A CULTURA DE UM POVO INDÍGENA DO ALTO XINGÚ EM MATO GROSDO” – Eunice Ramos (TV GLOBO / TVCA)
5º Lugar:” Perseguição institucional e distúrbios mentais: o efeito dos crimes sexuais nas forças policiais do país – Herculano Barreto Filho (Do UOL)

Categoria Universitária - Fotojornalismo
1º Lugar: "Capital da Improvisação" – Cecília Filappi (UFRGS)
2º Lugar: "Disposição para recomeçar" – Diogo Beltrão Duarte, Felipe Kramer Damian, Gabriel Vieira da Silva e Lorenzo Vieira de Castro (UFRGS)

Categoria Universitária - Projeto Especial em Jornalismo
1º Lugar: "5198: profissão prostituta" – Vittória Becker, Thayna Weissbach, Pedro Stahnke , Isadora Prigol e Gustavo Marchant (PUCRS)
2º Lugar: "Wacki Jacko: Uma análise da representação do cantor Michael Jackson nas matérias do jornal tabloide The Sun " – Renata Rosa (UFRGS)
3º Lugar Menção honrosa: “Bi-chas, trans e sapatões de Porto Alegre” – Vittória Becker, Thayna Weissbach e Alana Borges (PUCRS)
4º Lugar Menção honrosa :” O Papel do Jornalista no Resgate de Histórias Silenciadas: Uma análise da apuração de Christa Berger para a biografia
de Jurema Finamour”–  Ana Julia Zanotto(UFRGS)
5º Lugar Menção honrosa:'Show de Copa em Zero Hora': uma análise da cobertura do periódico da Copa do Mundo de 1970 – João Pedro Bernardes
( UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Áudio
1º Lugar: "Podcast Causa Mortis: Misoginia" – Maria Luiza Rocha, Amanda Steimetz Thiesen e Manuela Saudade Cassano (PUCRS)
2º Lugar : "O Preço da Sorte" – Felipe Kramer Damian, Lorenzo Vieira de Castro, Isabela Daudt e Diogo Beltrão Duarte (UFRGS)
3º Lugar Menção honrosa: "Comércio da Salvação" – Gabriel Magagnin Fernandes, Tainan Nunes, Roberta Kunt, Gabriela Dalmas, Sofia Utz,
Theo Castro e Jean Carlos (PUCRS)
4º Lugar Menção honrosa: Encurraladas - Histórias de mulheres jornalistas sobre violência de gênero – Laura Cunha( UniRitter)
5º Lugar Menção honrosa: Raízes que Resistem: Comunidades Quilombolas em Porto Alegre –  Amanda Schultz (UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Texto
1º Lugar: "Denúncia contra projeto do Zaffari expõe falhas no licenciamento ambiental em Porto Alegre" – Dener Pedro, Bárbara Cezimbra de Andrade e
Juliano Lannes de Oliveira (Unisinos)
2º Lugar: "Gerontologia ambiental traz alternativas para o envelhecimento seguro em meio às mudanças climáticas" – Francisco Avelino Conte (UFRGS)
3ºLugar Menção honrosa: "O que afasta os jovens do ensino superior? " – Rafaela Bobsin e Júlia Cristofoli Campos (UFRGS)
4º Lugar Menção honrosa: Tragédia sem rosto: quem eram as vítimas da Pousada Garoa? – Pedro Pereira (PUCRS)
5º Lugar Menção honrosa: Sobre viver no limbo –   Thomas Gregório (UFRGS)

Categoria Universitária - Reportagem em Vídeo
1º Lugar: "Os Centenários de Porto Alegre " – Arthur Reckziegel, Tânia Meinerz e Nathan Lemos (Unisinos)
2º Lugar: "Improviso e Resistência: A realidade das escolas indígenas gaúchas" – Fernanda Axelrud, Beatriz ,Antônio de Macedo Ferraz de Campos,
João Pedro Kovalezyk Bopp, André Jakubowski Zoratto, Ana Carolina Lorenzini e Nathalia Ferrari da Silveira (PUCRS)
3ºLugar Menção honrosa: "Vozes do Esporte" – Vitor Christofoli (UniRitter)
4º Lugar Menção honrosa: Direito à cidade: A luta por moradia em Porto Alegre – Luciana Weber (PUCRS)
5º Lugar Menção honrosa: Violência Policial no Rio Grande do Sul –  Nikelly de Souza (UFRGS)


texto: Daniel Rodrigues
fotos: Mariana Czamanski (ARI) e Isabel Ferrari

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Música da Cabeça - Programa #433

 

A Nasa tá se quebrando pra entender o comportamento do cometa 3I/Atlas. Mas o que vai dar mesmo um nó nos cientistas é desvendar a composição do MDC desta semana. Elementos como Luiz Gonzaga, Michael Jackson, Dr. Feelgood, Banda Black Rio e Elis Regina formam uma química improvável. Ainda mais atônico é o nosso homenageado do Cabeção, o italiano Luciano Berio, que faria 100 anos. Enquanto o corpo interestelar ziguezagueia na direção da Terra, a gente escuta o programa 433 bem de boas, às 21h, na celeste Rádio Elétrica. Produção, apresentação e só de olho no céu: Daniel Rodrigues


www.radioeletrica.com

domingo, 5 de maio de 2024

Madonna - The Celebration Tour in Rio - Praia de Copacabana - Rio de Janeiro / RJ (05/05/2024)

 


Madonna em vários momentos do show que celebrou
seus 40 anos de carreira.
De tempos em tempos parece que Madonna tem que vir com alguma para lembrar ao mundo quem manda no pedaço. Não devie ter que precisar, mas precisa.
Surge fulana com turnê mirabolante, cicrana com recorde de acessos em tal plataforma, beltrana com lançamento mundial do videoclipe badalado, e o burburinho, a forçação da mídia, as redes sociais, faz muita gente acreditar que aquilo seja algo espetacular, incomum, extraordinário. Aí a verdadeira e única Rainha da Coisa Toda resolve, para coroar sua turnê e 40 anos de carreira, fazer um megashow num dos cartões-postais do mundo, para 1,5 milhões de pessoas, e não só apresenta um espetáculo inesquecível, como esfrega na cara de quem quiser ver, como chegou até o topo desse reinado.

Um espetáculo em que toda a carreira da artista é repassado, passado a limpo, dentro de uma concepção artística, estética, visual, musical, absolutamente mágica, hipnotizante, embasbacante.

Embora esteja entre aqueles que entendem que um show dessa natureza, de um artista pop, com a dinâmica de teatralidade, troca de figurinos, cenários, etc., permita playbacks, devo admitir que fiquei um pouco incomodado e desconfiado quando soube que a apresentação não contaria com uma banda ao vivo. No entanto, ali, assistindo ao show, mostrou-se totalmente justificável a opção. "The Celebration Tour in Rio", antes de ser um concerto musical é um espetáculo artístico que envolve uma série de elementos que, para funcionarem bem, com um resultado impactante para o espectador (seja no local ou na TV), exigia tal 'sacrifício'. As performances, a ocupação de palco, a mecânica, os números musicais, a iluminação, a concepção visual, tudo me convenceu que, nós, público, só ganhamos com essa ideia de show.

Abertura do show com trecho de "Nothing Really Matters"


Dito isso, vamos ao que interessa: QUE SHOW DA PORRA!!!

Repertório bem planejado, blocos de músicas e atos divididos em uma estrutura muito precisa, mixagens e transições sempre interessantes, ótimas coreografias, iluminação incrível, e, é claro, uma estrela ousada, destemido, provocativa e de um talento que transcende a música.

O que foi aquela "Like a Prayer"??? Em uma das melhores músicas da cantora, uma atmosfera eclesiástica ritual, repleta de cruzes, sacerdotes, corpos pendurados, punições, culpa, inquisição... A hipocrisia e a opressão do catolicismo, numa dramática performance de arrepiar. Se teve gente que perguntou por que não projetaram o nome de Madonna no Cristo Redentor, como aconteceu com Taylor Swift, isso bastaria para responder perfeitamente.

Festa à brasileira em "Music".
("Music makes the people come together...")

"Erotica", com uma performance de luta de boxe, foi outra que passou seu recado: um direto no queixo dos moralistas. "Bad Girl" com a filha da cantora, Mercy James, ao piano foi lindíssima, "Burning Up" punkzona foi simplesmente afudê, as homenagens a Prince e Michael Jackson foram especiais, "Hung Up" latinizada ficou bem interessante, "Music", surpreendentemente para mim que a adoro na versão original, ficou incrível naquela releitura batucada brasileira, com uma participação 'apimentada' de Pabblo Vittar, e a espetacular "Vogue" com um desfile de moda ímpar, inigualável, julgado com a participação de Anitta foi uma festa incrível, uma espécie de nova versão do antigo Gala Gay do Copacabana Palace, em versão século XXI.

Madonna fez história de novo!

O Brasil nunca esquecerá esse show.

O mundo sempre lembrará.

Tenho medo de passar hoje por Copacabana e não encontrar o bairro lá  ou encontrá-lo em ruínas, porque, cara... Madonna colocou tudo abaixo. Tudo mesmo! Dúvidas, conceitos, preceitos, preconceitos, resistências, padrões, limites, barreiras... Enfim. ., Ave, Madonna! Estamos todos a teus pés, ó Rainha!

Uma multidão em Copacabana para ver de perto a Rainha do Pop.
(No meu caso, nem tão de perto)



Cly Reis 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Música da Cabeça - Programa #355

 

Na semana em que Angela Davis chega a 80 anos, chegamos, humildemente, a 355 edições. Robert Smith, Caetano Veloso, Michael Jackson, Nile Rodgers, Madonna, todos celebram esta data conosco. Até nosso Cabeça dos Outros, Rafael Xavier, dá os parabéns lá de Portugal. Militante e feminista, o MDC vai ao ar hoje às 21h na ativista Rádio Elétrica. Produção e apresentação sempre na luta: Daniel Rodrigues (www.radioeletrica.com)



sábado, 30 de setembro de 2023

Santigold - "Santogold" (2008)

 





"Apesar de ser o seu primeiro álbum, 
parecia que ela já tinha caído na terra 
como uma superestrela totalmente formada. 
Quero dizer, de onde é que ela veio? 
Como é que alguém pode abranger 
todos os elementos mais excitantes 
do eletrônico, do punk, da new-wave e do reggae 
de forma tão fácil? 
Estas melodias fantásticas, 
e ainda fazer com que pareça que 
mal pestanejou enquanto as compunha.
Ela parecia ser a personificação 
do termo música do futuro 
e a síntese do cool."
Mark Ronson,
produtor musical


A música pop do século XXI, cá entre nós, não é nada, assim, de entusiasmar, não é mesmo? Tirando quem pintou da metade para o final dos anos 90 e entrou no novo século ainda com qualidade, como Björk, Beck, Daft Punk, por exemplo; o pessoal dos anos 80 que tinha uma fórmula eficiente edificada a partir do punk e da ascensão dos sintetizadores, como Depeche Mode, Pet Shop Boys e New Order, que sobreviveram, persistiram e continuaram sendo relevantes; os consagrados, os símbolos, ícones do pop, Prince, Michael Jackson e Madonna, que, influentes e insubstituíveis, continuaram dando as cartas mesmo tempo depois de seus respectivos auges; e gênios, como David Bowie, que conseguiam se reinventar e ainda dar grande contribuição para uma cena pouco inspirada; os anos 2000, de um modo geral, não nos apresentavam nada de especial. De vez em quando até aparecia uma coisa boa, uma Amy Winehouse, por exemplo, mas foi só. E para piorar, mal nos deu o gostinho do seu talento e nos deixou cedo. De resto, muita bunda, muita repetição de fórmula, batidas eletrônicas sempre muito parecidas, muito autotune, rappers mal-encarados, mas nada de novo ou de original.

Mas de vez em quando, mesmo em meio a toda essa pobreza, o universo pop nos presenteia com alguma coisa que vale a pena. Às vezes alguém com talento, criatividade e boas influências nos surpreende e traz alguma coisa que, se não é nova, original, é, no mínimo, interessante. Santigold, multiartista norte-americana, nos apresentava ali, quase no final da primeira década do século XXI, algo um pouco mais que interessante. Seu álbum de estreia "Santogold" (2008) é uma preciosidade repleta de muito do melhor que a música negra pode oferecer. "Santogold" é rhythm'n blues, é soul, é rap, é funk, é raggae, é dub, é blues, é afro. É animado, é melancólico, é seco, é irreverente, é contagiante. Tem glamour, tem força, tem ousadia. Hip-hop, pós-punk, eletrônico, disco, rock, new-wave... Aquele tipo de disco que possui todos os atributos de uma grande obra pop!

"L.E.S. Artistes", a abertura e um dos singles do álbum, já é o cartão de visita mostrando que Santigold está disposta a frequentar todos os terrenos possíveis: inicialmente um pop minimalista bem compassado, marcado na batida, a primeira faixa, ganha força em guitarras no refrão para culminar num pop-rock poderoso. "You'll Find Away", a segunda, é uma típica new-wave elétrica e empolgante; o reggae eletrônico, repleto de elementos e nuances, "Shove It" baixa a rotação das duas anteriores com muito estilo, mas a eletrizante "Say Aha", com sua base agressiva de baixo. logo põe tudo pra cima de novo.

"Creator", o primeiro single do álbum é uma "loucura" maravilhosa! Uma percussão tribal, literalmente selvagem, grunhidos, efeitos eletrônicos alucinados, ecos, um vocal enlouquecido e, dentro de tudo isso, um refrão incrivelmente eficaz. 

"My Superman", outra das joias do disco, é construída sobre, nada mais nada menos, que um sampler de "Red Light", de Siuoxsie and The Banshees, adicionado à sensualidade da nova canção, toda a atmosfera sombria do gótico oitentista.

A propósito de darkismo, "Starstruck", embora mais encaixada na linguagem sonora atual, do hip-hop e afins, também remete ao som do pós-punk dos anos 80. Mas aí, mudando radicalmente, temos "Lights Out", um pop radiofônico saborosíssimo, e a irresistível "Unstoppable, um ragga eletrônico dançante, ao ritmo do qual é impossível ficar parado. Imparável!

A elegante "I'm a Lady" encaminha o final do disco que, por fim, encerra-se com "Anne", um synth-popp sofisticado que só confirma a riqueza da experiência vivida nos últimos 40 minutos. Um baita disco!

Detalhe para a capa. Mais um destaque: uma colagem "tosca" quase ao estilo punk, com a artista expelindo purpurina dourada pela boca.

Vomitando "glamour". 

Precisa dizer mais?

***************

FAIXAS:

  1. L.E.S. Artistes 3:25
  2. You'll Find A Way 3:01
  3. Shove It 3:46
  4. Say Aha 3:35
  5. Creator 3:33
  6. My Superman 3:01
  7. Lights Out 3:13
  8. Starstruck 3:55
  9. Unstoppable 3:33
  10. I'm A Lady 3:44
  11. Anne 3:29
*******************
Ouça:




por Cly Reis

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Black Pantera - Bar Ocidente - Porto Alegre/RS (14/11/2022)

 

Por Lucio Agacê

Afro-punk - História

O termo se originou no documentário “Afro-Punk”, de 2003, dirigido por James Spooner. No início do século XXI, os afro-punks compunham uma minoria na cena punk norte-americana. Notáveis bandas que podem ser ligadas à comunidade afropunk, como Death, Pure Hell, Bad Brains, Suicidal Tendencies, Dead Kennedys, Wesley Willis Fiasco, Suffrajett, The Templars, Unlocking the Truth, Fishbone e Rough Francis. No Reino Unido, foram músicos negros influentes associados à cena punk do final da década de 1970 tal Poly Styrene da X-Ray Spex, Don Letts e Basement 5. O afro-punk se tornou um movimento comparável ao início do movimento hip hop dos anos 80. O Afropunk Music Festival foi fundado em 2005 por James Spooner e Matthew Morgan e recentemente teve sua segunda edição no Brasil realizada em Salvador, na Bahia.


Então: abri com esse texto para poder introduzir o tema a uma banda que pra mim é o grande destaque do momento e que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente e fiz questão de dizer a eles que essa era a oportunidade, porque depois disso eles alçariam voos ainda maiores.

No Brasil, assim como no mundo, houve nos últimos anos uma certa ascensão da extrema direita racista e supremacista causando uma divisão popular jamais vista na história da humanidade. Diante de toda essa situação atípica, faz-se natural alguns seguimentos da sociedade se juntarem para combater um inimigo em comum. Após o fatídico caso George Floyd nos Estados Unidos essa luta antirracista se tornou mais do que nunca necessária. Um combate à extrema direita ultraconservadora e os seus claros flertes com o fascismo fez com que cada vez mais jovens negros encontrassem na arte e na cultura, mais uma vez, seu refúgio.

Mês passado, no bar Ocidente, em Porto Alegre, rolou o espetáculo. Sim, senhores: um espetáculo!!! Era a Black Pantera, banda mineira composta por negros de atitude e com uma sonoridade monstruosa! 

Fiquei sabendo do show através de um amigo e começamos uma verdadeira saga para conseguir ingressos ou por sorteio ou pelos solidários. Até que, pasmem: a banda, com seu engajamento social, libera 50 ingressos para cidadãos negros de baixa renda. Bastava enviar um e-mail e confirmar presença.

trecho do show da Black Pantera 
no Ocidente, em Porto Alegre

Pronto: ingressos na mão. Fomos ao show, que começou às 21 horas em ponto, mas não antes daquela boa tietagem, troca de ideias, fotos e tudo mais, com direito a autógrafos no cartaz. Isso tudo numa segunda-feira, dia 14 de novembro...

O show da Black Pantera (formada por Charles Gama, guitarra e vocal; Chaene da Gama, baixo; e Rodrigo "Pancho" Augusto, bateria) começou com uma patada chamada “Abre a Roda e Senta o Pé”, seguida de mais alguns petardos, que até então eram novidades pra mim. Teve direito a cover do ídolo pop Michael Jackson, “A Carne”, de Elza Soares, e um belo momento onde a banda chama as garotas pra um samba-de-roda punk. Inacreditável!!

Eu quero exaltar aqui não apenas um, mas três discos da Black Pantera: “Project Black Pantera”, de 2015, “Agressão”, de 2018, e “Ascensão”, de 2022. Ouçam!

Senhores: o movimento Afropunk existe e está vivo. Vários artistas brasileiros estão nessa barca e merecem atenção!

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Confira mais fotos do show e dos bastidores:

BP no palco do Ocidente detonando


Lucio com a galera da BP após o show


Batendo aquele papo...


... sobre afropunk 


Mais câmbios entre Porto Alegre e BH


Foto afudê com a galera no camarim


No camarim trocando altas idieas com o pessoal da BP


terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

The Police - Estádio Maracanã - Rio de Janeiro / RJ (08/12/2007)


Se tem um cara que tem um agente bom, uma gravadora atuante, uma retaguarda comprometida, é o Sting. Que ele é um baita músico, isso não há dúvidas, mas que ele nunca foi do tamanho que a promoção dele o faz, isso temos que concordar. Tá certo, lá, que foi vocalista de uma banda de sucesso, tá bem que tem carisma e tal, mas o que fizeram na primeira vinda solo dele ao Brasil, em 1987, foi algo, assim, de um Elvis, de um John Lennon, de um Michael Jackson! Tinha boa circulação, boa aceitação, reconhecimento, mas não tinha bola pra lotar um Maracanã!

Só que, na ocasião, rádios, TV's, jornais, todo tipo de mídia, divulgaram tão insistentemente aquela turnê, enaltecendo tanto o artista, que todo mundo, mesmo quem mal conhecia, queria ir no show do cara. Por extensão, promoviam o recém lançado álbum "...Nothing Like The Sun", um disco interessante, mas nada mais que regular, um tanto cansativo em seu formato duplo, que trazia alguns hits, é verdade, mas que cativara muito a brasileirada, em especial, pelo fato de Sting cantar uma das canções em português em português, "Frágil", sem falar numa visita a uma tribo indígena, cocar na cabeça, foto com Cacique e tudo mais. 

O resultado dessa forçação toda foi Sting lotando estádios pelo Brasil, inclusive o gigantesco Maracanã, sem que, grande parte do público conhecesse sequer metade de suas músicas, mesmo as do tempo de Police, e quase nenhuma de sua, então recente, carreira solo. Pra ele, no fim das contas, deu certo. O público é que ficou meio, assim, "o que é que eu tô fazendo aqui?", e depois , em casa, o "e, gora, o que é que eu faço com esse disco?".

Introduzi com tudo isso para chegar ao show do The Police, em 2007, que foi mais ou menos a mesma coisa. Tá certo que a banda fez muito mais sucesso que a carreira solo de seu líder e vocal mas, mesmo em sua melhor época, nunca foi banda de arena, nada assim de apelo tão forte, idolatria para deslocar multidões. Pra se ter uma ideia, em seu auge, em 1982, sequer encheram o Maracanãzinho. 

No entanto, contra tudo isso, marcaram o evento para o Maracanã.

E, de novo, o pessoal da retaguarda fez a lição de casa: começou a divulgar meses antes, insistiu, botou outdoors, conseguiu levar de novo o Police às rádios, refrescou a memória de eventuais desinteressados que viveram na época e que resolveram reviver aquilo, e plantou uma curiosidade e uma certo estímulo em um público que sequer conhecia o grupo. De minha parte, fazia parte dos que tinham ouvido aquilo nos anos 80, gostava o suficiente para ir num revival da minha época, embora não entendesse muito bem como uma banda com um apelo nada mais que médio pudesse encher um dos grandes estádios do mundo. Mas...

Mas o fato é que o esforço da produção valeu e o Maracanã, se não encheu, não fez feio de público.

Muito bom show!

Banda competentíssima!

Lembro de ficar de olho ligado, especialmente, no baterista Stewart Copeland, que admiro demais, e em sua performance e desenvolvimento em cada canção. Mas Sting também é fera, é claro, manda muito bem no baixo e tem um dos vocais mais marcantes do rock, sem falar em Andy Summers que sempre deu conta do recado numa boa, e no show, em momentos solo, até superou minhas expectativas.

De quebra, ainda teve Paralamas do Sucesso, na abertura, uma ótima escolha considerando a conexão muito próxima entre o som deles com o do Police, e uma excelente atração e entretenimento para o público, antes do evento de fundo, ao contrário do que costuma acontecer quando a gente só quer que o show de abertura acabe logo.

Curioso desse show é que eu trabalhei nos bastidores do evento o dia inteiro e poderia tê-lo assistido sem custo e em posições mais privilegiadas do que a que fiquei no estádio. Como a empresa que eu trabalhava, na época, faria montagem de infra-estrutura, bares, divisórias, etc., eu tinha a possibilidade de ficar no grupo da manutenção. Até já tinha o ingresso, comprado com bastante antecedência, mas poderia pedir para entrar na escala da noite, venderia o ingresso e ainda faria algum lucro. Mas era tudo muito complicado. Tinha o ingresso da minha esposa também, eu teria que encontrá-la lá dentro e talvez conseguir uma credencial para ela para os setores privados sem falar que eu poderia ser chamado a qualquer momento por causa de um problema com funcionário ou um conserto qualquer ... Ah, quer saber: a melhor coisa era entrar pelo portão, passar pela roleta, sentar na arquibancada, comprar uma cerveja e desfrutar do show.

The Police- Rio de Janeiro (08/12/2007)
show completo


Cly Reis

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

30 grandes músicas dos anos 80 (não necessariamente as melhores)

Os irlandeses da U2, no topo da lista, em foto de
Anton Corbjin da época de "Bad"
Sabe aquela música de um artista pop que você escuta e se assombra? E o assombro ainda só aumenta a cada nova audição? “Caramba, que som é esse?!”, você se diz. Pois bem: todas as décadas do rock – principalmente a partir dos anos 60, quando as variações melódico-harmônicas se multiplicaram na reelaboração do rock seminal de Chuck Berry, Little Richard e contemporâneos – são repletas de músicas assim: clássicos imediatos. Mas por uma questão de autorreconhecimento, aquelas produzidas nos anos 80 me chamam bastante a atenção. É desta década que mais facilmente consigo enumerar obras desta característica, as que deixam o ouvinte boquiaberto ou, se não tanto, admirado.

Conseguiu entender de que tipo de música estou falando? Creio que talvez precise de maior elucidação. Bem, vamos pela didática das duas maiores bandas rock de todos os tempos: sabe “You Can´t Always Get What You Want”, dos Rolling Stones, ou “A Day in the Life”, dos Beatles? É esta espécie a que me refiro: podem não ser necessariamente as músicas mais consagradas de seus artistas, nem grandes hits, mas são, inegavelmente, temas grandiosos, emocionantes, que elevam. Você pode dizer: “mas têm outras músicas de Stones ou Beatles que também emocionam, também são grandes, também provocam elevação”. Sim, concordo. Porém, estas, além de terem essa característica, parecem conter em sua gênese a ideia de uma “grande obra”. Dá pra imaginar Jagger e Richards ou Lennon e McCartney – pra ficar no exemplo da tabelinha Beatles/Stones – dizendo-se um para o outro quando compunham igual Aldo, O Apache em "Bastardos Inglórios": “Olha, acho que fizemos nossa obra-prima!”

Quer mais exemplos? “Lola”, da The Kinks; “Heroin”, da Velvet Underground; “Marquee Moon”, da Television; "We Are Not Helpless", do Stephen Stills; "Kashmir", da Led Zeppelin. Sacou? Todas elas têm uma integridade especial, uma alma mágica, algo de circunspectas, quase que um selo de "clássica". 

Pois bem: para ficar claro de vez, selecionamos, mais ou menos em ordem de preferência/relevância, as 30 músicas do pop-rock internacional dos anos 80 as quais reconhecemos esse caráter. Para modo de poder abarcar o maior número de artistas, achamos por bem não os repeti, contemplando uma música de cada - embora alguns, evidentemente, merecessem mais do que apenas uma única indicada, como The Cure, U2 e The Smiths. Haverá as que são mais conhecidas ou mais obscuras; as que, justamente por conterem certo tom épico, se estendem mais que o normal e fogem do padrão de tempo de uma "música de trabalho"; artistas de maior sucesso e outros de menor alcance popular; músicas que inspiraram outros artistas e outras que, simplesmente, são belas. 

E desculpe aos fãs, mas, claro, muita gente ficou de fora, inclusive figurões que emplacaram superbem nos anos 80, como Michael Jackson, Elton John, Bruce Springsteen e Queen. Até coisas que adoraria incluir não couberam, como “Hollow Hills”, da Bauhaus, “Hymn (for America)”, da The Mission, "51st State", da New Model Army, "Time Ater Time", da Cyndi Lauper, "Byko", do Peter Gabriel, "Up the Beach", da Jane's Addiction, "Pandora", da Cocteau Twins, "I Wanna Be Adored", da Stone Roses... Mas não se ofendam: tendo em vista a despretensão dessa listagem, a ideia é mais propositiva do que definidora. Mas uma coisa une todos eles: criaram ao menos uma música diferenciada, daquelas que, quando se ouve, são admiradas de pronto. Aquelas músicas que se diz: “cara, que musicão! Respeitei”. 


1 – “Bad” - U2 ("The Unforgatable Fire", 1984) OUÇA
2 – “Alive and Kicking” - Simple Minds (Single "Alive and Kickin'", 1985) OUÇA
3 –
Capa do compacto de
"How...", dos Smiths
“How Soon is Now?”
- The Smiths 
("Hatful of Hollow", 1984) OUÇA








4 – “Nocturnal Me” - Echo & The Bunnymen ("Ocean Rain", 1984) OUÇA
5 – “A Forest” - The Cure ("Seventeen Seconds", 1980) OUÇA
6 – “World Leader Pretend” - R.E.M. ("Green", 1988) OUÇA
7 – “Ashes to Ashes” - David Bowie ("Scary Monsters (and Super Creeps)", 1980) OUÇA
8 – “Vienna” - Ultravox ("Vienna", 1980)

Videoclipe de "Vienna", da Ultarvox, tão 
clássico quanto a música


9 – “Road to Nowhere” - Talking Heads ("Little Creatures", 1985) OUÇA
10 – “All Day Long” - New Order ("Brotherhood", 1986) OUÇA
11  “Armageddon Days Are Here (Again)” - The The ("Mind Bomb", 1989) OUÇA
12 – “The Cross” - Prince ("Sign' O' the Times", 1986) OUÇA
13 – “Live to Tell” - Madonna ("True Blue", 1986) OUÇA

Madonna estilo diva, no clipe de "Live..."

14 – “Hunting High and Low” - A-Ha ("Hunting High and Low", 1985) OUÇA
15 – “Save a Prayer” - Duran Duran ("Rio", 1982) OUÇA
16 – “Hey!” - Pixies ("Doolitle", 1989) OUÇA
17 – “Libertango (I've Seen That Face Before) - Grace Jones ("Nightclubbing", 1981) OUÇA
18 – “Black Angel” - The Cult ("Love", 1985) OUÇA
19 – “Children of Revolution” - Violent Fammes ("The Blind Leading the Naked", 1986) OUÇA
Os pouco afamados
Alternative Radio
emplacam a fantástica
"Valley..."
20 – “Valley of Evergreen” - Alternative Radio 
("First Night", 1984) OUÇA









21  “USA” - The Pogues ("Peace and Love'", 1989) OUÇA
22  “Decades” - Joy Division ("Closer", 1980) OUÇA
23 – “Easy” - Public Image Ltd. ("Album", 1986) OUÇA
24  “Teen Age Riot” - Sonic Youth ("Daydream Nation", 1988) OUÇA
25 – “One” - Metallica ("...And Justice for All", 1988) OUÇA
26 – “Little 15” - Depeche Mode ("Music for the Masses", 1987) OUÇA
27 – "Never Tear Us Apart" - INXS ("Kick", 1987)

Hits também têm seu lugar: 
"Never Tear Us Apart", da INXS


28 – “Lands End” - Siouxsie & The Banshees ("Tinderbox", 1986) OUÇA
29 – “US 80's–90's” - The Fall ("Bend Sinister", 1986) OUÇA
30 – “Brothers in Arms” Dire Straits ("Brothers in Arms", 1985) OUÇA


Daniel Rodrigues