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quinta-feira, 16 de julho de 2009

OS 100 MELHORES DISCOS DE TODOS OS TEMPOS

Coloquei no blog o primeiro da minha lista do melhores álbuns de todos os tempos e então agora resolvi listar o resto.
Sei que é das tarefas mais difíceis e sempre um tanto polêmica, mas resolvi arriscar.
Até o 10, não digo que seja fácil, mas a concepção já está mais ou menos pronta na cabeça. Depois disso é que a gente fica meio assim de colocar este à frente daquele, tem aquele não pode ficar de fora, o que eu gosto mais mas o outro é mais importante e tudo mais.
Mas na minha cabeça, já ta tudo mais ou menos montado.
Com vocês a minha lista dos 100 melhores discos de toda a história:



1.The Jesus and Mary Chain “Psychocandy”
2.Rolling Stones “Let it Bleed”
3.Prince "Sign’O the Times”
4.The Velvet Underground and Nico
5.The Glove “Blue Sunshine”
6.Pink Floyd “The Darkside of the Moon”
7.PIL “Metalbox”
8.Talking Heads “Fear of Music”
9.Nirvana “Nevermind”
10.Sex Pistols “Nevermind the Bollocks"

11.Rolling Stones “Exile on Main Street”
12.The Who “Live at Leeds”
13.Primal Scream “Screamadelica”
14.Led Zeppellin “Led Zeppellin IV
15.Television “Marquee Moon”
16.Deep Purple “Machine Head”
17.Black Sabbath “Paranoid”
18.Bob Dylan “Bringing it All Back Home”
19.Bob Dylan “Highway 61 Revisited”
20.The Beatles “Revolver”
21.Kraftwerk “Radioactivity”
22.Dead Kennedy’s “Freshfruit for Rotting Vegettables”
23.The Smiths “The Smiths”
24.The Stooges “The Stooges”
25.Joy Division “Unknown Pleasures”
26.Led Zeppellin “Physical Graffitti
27.Jimmy Hendrix “Are You Experienced”
28.Lou Reed “Berlin”
29.Gang of Four “Entertainment!”
30.U2 “The Joshua Tree”
31.David Bowie “The Rise and the Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”
32.David Bowie “Low”
33.My Bloody Valentine “Loveless”
34.The Stone Roses “The Stone Roses”
35.Iggy Pop “The Idiot”
36.The Young Gods “L’Eau Rouge”
37.The 13th. Floor Elevators “The Psychedelic Sounds of The 13th. Floor Elevators”
38.The Sonics “Psychosonic”
39.Ramones “Rocket to Russia”
40.The Beatles “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”
41.PIL “Album”
42.REM “Reckoning”
43.Love “Forever Changes”
44.Madonna “Erotica”
45.Grace Jones “Nightclubbing”
46.Pixies “Surfer Rosa”
47.Pixies “Doolitle”
48.Rolling Stones “Some Girls”
49.Michael Jackson “Off the Wall”
50.Michael Jackson “Thriller”
51.Beck “Odelay”
52.Nine Inch Nails “Broken”
53.The Fall “Bend Sinister”
54.REM “Green”
55.Neil Young and the Crazy Horse “Everybody Knows This is Nowhere”
56.Kraftwerk “Trans-Europe Expreess”
57.The Smiths “The Queen is Dead”
58.New Order “Brotherhood”
59.Echo and The Bunnymen” Crocodiles”
60.Prince “1999”
61.Morrissey “Viva Hate”
62Iggy Pop “Lust for Life”
63.Pixies “Bossanova”
64.Chemical Brothers “Dig Your Own Hole”
65.Prodigy “Music For Jilted Generation”
66.Van Morrisson “Astral Weeks”
67.Pink Floyd “Wish You Were Here”
68.Muddy Waters “Electric Mud”
69.Sonic Youth “Dirty”
70.Sonic Youth “Daydream Nation”
71.Nirvana “In Utero”
72.Björk “Debut”
73.Nirvana “Unplugged in New York”
74.Björk “Post”
75.Jorge Ben “A Tábua de Esmeraldas”
76.Metallica ‘Metallica”
77.The Cure "Disintegration"
78.The Police ‘Reggatta de Blanc”
79.Siouxsie and the Banshees “Nocturne”
80.Depeche Mode “Music for the Masses”
81.New Order “Technique”
82.Ministry “Psalm 69”
83.The Cream “Disraeli Gears”
84.Depeche Mode Violator”
85.Talking Heads “More Songs About Building and Food”
86.The Stranglers “Black and White”
87.U2 “Zooropa”
88.Body Count “Body Count”
89.Massive Attack “Blue Lines”
90.Lou Reed “Transformer”
91.Sepultura “Roots”
92.John Lee Hooker “Hooker’n Heat”
93.The Cult “Love”
94.Dr. Feelgood “Malpractice”
95.Red Hot Chilli Peperrs “BloodSugarSexMagik”
96.Guns’n Roses “Appettite for Destruction”
97.The Zombies “Odessey Oracle”
98.Johnny Cash “At Folson Prison”
99.Joy Division “Closer”
100.Cocteau Twins “Treasure”

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

The Cult "Love" (1985)




Ganhei de Natal, sem surpresa pois eu havia pedido para Papai Noel, a edição especial do álbum "Love" do The Cult. Vem com um disco extra só de lados-B de singles e algumas versões remixadas. Existe ainda uma outra com 4 discos, que além destes dois tem mais um ao vivo e um de demos, mas preferi este formato(sinceramente) para ocupar menos espaço na prateleira. "Love" para mim configura-se como um dos melhores e mais importantes discos dos anos 80. Depois do Cult ter sido meio punk, meio gótico, meio metal-poser, fez um discaço com tudo isso "junto e misturado" com uma combinação coesa e equilibrada mas sem abrir mão da força e energia. Características de metal com tons pop conferiram ao álbum virtudes que o fizeram ter bom trânsito entre diversas tribos e ter até mesmo entrado nas paradas de sucesso, além de ter imortalizado o clássico "She Sells Sanctuary", um rock apoteótico envolto numa aura toda meio xamãnica e mística. Aliás esta é a cara do álbum. Todo meio indígena, espiritual, ocultista, indígena; e isso está espalhado por todo ele, desde a capa se extendendo à maioria das faixas.
"Nirvana" que abre o disco é uma mostra disso. Tem peso, tem energia, mas tem melodia e um refrão fantasticamente conduzido na voz de Ian Astbury. Segue com a ótima "Big Neon Glitter" com seu riff  hipnótico de guitarra do início num crescendo arrebatador. E por aí vamos com a grande faixa-título "Love"; com a balada "Brother Wolf, Sister Moon"; as guitarradas de "Rain"; a boa "The Phoenix"; até chegar em outra das minhas preferidas, "Hollow Man" com outro grande riff inicial e uma pegada e tanto.
"Revolution", na sequêcia foi outra que visitou as paradas de sucesso e também é bem legal. O discão fecha com "Black Angel" outra baladinha que faz encerrar a obra com um seco e quase abrupto "goodbye" de Ian Astbury.
Como já tinha escrito aqui, quando do show do Cult aqui no Rio, os caras me agradam principalmente por um motivo. Ficam à parte de qualquer rotulação: hard-rock, metal, gótico, pop... Não! O Cult é uma banda de rock e sobremaneira, "Love" seu melhor trabalho é um GRANDE ÁLBUM DE ROCK.

*********************
 FAIXAS:

 Álbum Original (1985)
  1. "Nirvana" – 5:24
  2. "Big Neon Glitter" – 4:45
  3. "Love" – 5:35
  4. "Brother Wolf, Sister Moon" – 6:49
  5. "Rain" – 3:55
  6. "The Phoenix" – 5:06
  7. "Hollow Man" – 4:45
  8. "Revolution" – 5:20
  9. "She Sells Sanctuary" – 4:23
  10. "Black Angel" - 5:22

 "Expanded Edition" (2009) CD 2
  1. "She Sells Sanctuary" (Long Version) - 6:59
  2. "No. 13" - 4:40
  3. "The Snake" - 8:09
  4. "Here Comes the Rain" - 6:19
  5. "Little Face" - 4:54
  6. "Revolution" (Full Length Remix) - 5:29
  7. "Judith" - 5:29
  8. "Sunrise" - 5:11
  9. "All Souls Avenue" - 4:45
  10. "She Sells Sanctuary" (Howling Mix) - 8:26
  11. "Assault on Sanctuary" - 7:31
**********************************
Ouça:


Cly Reis

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

30 grandes músicas dos anos 80 (não necessariamente as melhores)

Os irlandeses da U2, no topo da lista, em foto de
Anton Corbjin da época de "Bad"
Sabe aquela música de um artista pop que você escuta e se assombra? E o assombro ainda só aumenta a cada nova audição? “Caramba, que som é esse?!”, você se diz. Pois bem: todas as décadas do rock – principalmente a partir dos anos 60, quando as variações melódico-harmônicas se multiplicaram na reelaboração do rock seminal de Chuck Berry, Little Richard e contemporâneos – são repletas de músicas assim: clássicos imediatos. Mas por uma questão de autorreconhecimento, aquelas produzidas nos anos 80 me chamam bastante a atenção. É desta década que mais facilmente consigo enumerar obras desta característica, as que deixam o ouvinte boquiaberto ou, se não tanto, admirado.

Conseguiu entender de que tipo de música estou falando? Creio que talvez precise de maior elucidação. Bem, vamos pela didática das duas maiores bandas rock de todos os tempos: sabe “You Can´t Always Get What You Want”, dos Rolling Stones, ou “A Day in the Life”, dos Beatles? É esta espécie a que me refiro: podem não ser necessariamente as músicas mais consagradas de seus artistas, nem grandes hits, mas são, inegavelmente, temas grandiosos, emocionantes, que elevam. Você pode dizer: “mas têm outras músicas de Stones ou Beatles que também emocionam, também são grandes, também provocam elevação”. Sim, concordo. Porém, estas, além de terem essa característica, parecem conter em sua gênese a ideia de uma “grande obra”. Dá pra imaginar Jagger e Richards ou Lennon e McCartney – pra ficar no exemplo da tabelinha Beatles/Stones – dizendo-se um para o outro quando compunham igual Aldo, O Apache em "Bastardos Inglórios": “Olha, acho que fizemos nossa obra-prima!”

Quer mais exemplos? “Lola”, da The Kinks; “Heroin”, da Velvet Underground; “Marquee Moon”, da Television; "We Are Not Helpless", do Stephen Stills; "Kashmir", da Led Zeppelin. Sacou? Todas elas têm uma integridade especial, uma alma mágica, algo de circunspectas, quase que um selo de "clássica". 

Pois bem: para ficar claro de vez, selecionamos, mais ou menos em ordem de preferência/relevância, as 30 músicas do pop-rock internacional dos anos 80 as quais reconhecemos esse caráter. Para modo de poder abarcar o maior número de artistas, achamos por bem não os repeti, contemplando uma música de cada - embora alguns, evidentemente, merecessem mais do que apenas uma única indicada, como The Cure, U2 e The Smiths. Haverá as que são mais conhecidas ou mais obscuras; as que, justamente por conterem certo tom épico, se estendem mais que o normal e fogem do padrão de tempo de uma "música de trabalho"; artistas de maior sucesso e outros de menor alcance popular; músicas que inspiraram outros artistas e outras que, simplesmente, são belas. 

E desculpe aos fãs, mas, claro, muita gente ficou de fora, inclusive figurões que emplacaram superbem nos anos 80, como Michael Jackson, Elton John, Bruce Springsteen e Queen. Até coisas que adoraria incluir não couberam, como “Hollow Hills”, da Bauhaus, “Hymn (for America)”, da The Mission, "51st State", da New Model Army, "Time Ater Time", da Cyndi Lauper, "Byko", do Peter Gabriel, "Up the Beach", da Jane's Addiction, "Pandora", da Cocteau Twins, "I Wanna Be Adored", da Stone Roses... Mas não se ofendam: tendo em vista a despretensão dessa listagem, a ideia é mais propositiva do que definidora. Mas uma coisa une todos eles: criaram ao menos uma música diferenciada, daquelas que, quando se ouve, são admiradas de pronto. Aquelas músicas que se diz: “cara, que musicão! Respeitei”. 


1 – “Bad” - U2 ("The Unforgatable Fire", 1984) OUÇA
2 – “Alive and Kicking” - Simple Minds (Single "Alive and Kickin'", 1985) OUÇA
3 –
Capa do compacto de
"How...", dos Smiths
“How Soon is Now?”
- The Smiths 
("Hatful of Hollow", 1984) OUÇA








4 – “Nocturnal Me” - Echo & The Bunnymen ("Ocean Rain", 1984) OUÇA
5 – “A Forest” - The Cure ("Seventeen Seconds", 1980) OUÇA
6 – “World Leader Pretend” - R.E.M. ("Green", 1988) OUÇA
7 – “Ashes to Ashes” - David Bowie ("Scary Monsters (and Super Creeps)", 1980) OUÇA
8 – “Vienna” - Ultravox ("Vienna", 1980)

Videoclipe de "Vienna", da Ultarvox, tão 
clássico quanto a música


9 – “Road to Nowhere” - Talking Heads ("Little Creatures", 1985) OUÇA
10 – “All Day Long” - New Order ("Brotherhood", 1986) OUÇA
11  “Armageddon Days Are Here (Again)” - The The ("Mind Bomb", 1989) OUÇA
12 – “The Cross” - Prince ("Sign' O' the Times", 1986) OUÇA
13 – “Live to Tell” - Madonna ("True Blue", 1986) OUÇA

Madonna estilo diva, no clipe de "Live..."

14 – “Hunting High and Low” - A-Ha ("Hunting High and Low", 1985) OUÇA
15 – “Save a Prayer” - Duran Duran ("Rio", 1982) OUÇA
16 – “Hey!” - Pixies ("Doolitle", 1989) OUÇA
17 – “Libertango (I've Seen That Face Before) - Grace Jones ("Nightclubbing", 1981) OUÇA
18 – “Black Angel” - The Cult ("Love", 1985) OUÇA
19 – “Children of Revolution” - Violent Fammes ("The Blind Leading the Naked", 1986) OUÇA
Os pouco afamados
Alternative Radio
emplacam a fantástica
"Valley..."
20 – “Valley of Evergreen” - Alternative Radio 
("First Night", 1984) OUÇA









21  “USA” - The Pogues ("Peace and Love'", 1989) OUÇA
22  “Decades” - Joy Division ("Closer", 1980) OUÇA
23 – “Easy” - Public Image Ltd. ("Album", 1986) OUÇA
24  “Teen Age Riot” - Sonic Youth ("Daydream Nation", 1988) OUÇA
25 – “One” - Metallica ("...And Justice for All", 1988) OUÇA
26 – “Little 15” - Depeche Mode ("Music for the Masses", 1987) OUÇA
27 – "Never Tear Us Apart" - INXS ("Kick", 1987)

Hits também têm seu lugar: 
"Never Tear Us Apart", da INXS


28 – “Lands End” - Siouxsie & The Banshees ("Tinderbox", 1986) OUÇA
29 – “US 80's–90's” - The Fall ("Bend Sinister", 1986) OUÇA
30 – “Brothers in Arms” Dire Straits ("Brothers in Arms", 1985) OUÇA


Daniel Rodrigues

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Guns'n Roses - Appetite for Destruction (1987)




A capa original censurada nos Estados Unidos
e abaixo a alternativa que a substituiu.
“Bem-vinda à selva,
nós temos diversões e jogos.
Nós temos tudo o que você quiser, querida,
nós sabemos os nomes.
Nós somos as pessoas
que podem encontrar
tudo o que você precisar.
Se você tiver o dinheiro, querida,
nós temos sua doença
Welcome to the Jungle.



Confesso que a primeira vez que escutei Guns não sabia o que era esse som. Perguntei para um amigo meu sobre uma música do Rush, visto que ele é especialista nessa banda e não encontramos a canção, que era "Sweet Child O´Mine" e estava numa trilha sonora de novela “O Sexo dos Anjos”
Este disco possui uma das melhores músicas “cartão de visita” do rock que é “Welcome to the Jungle”, aquela que abre o disco e apresenta para o ouvinte qual é a o clima que tu vais escutar. Assim de cabeça me lembro de outras músicas “cartão de visitas”, I Saw Her Standing There no primeiro disco dos Beatles, o Smell Like Teen Spirit do Nirvana no "Nevermind", o War Pigs do Sabbath, O Led III com o Immigrant Song e ai por diante.
Mas como bem disse o Cap. Nascimento “Eu vou... retomar o raciocínio”. Pois bem, o "Appetite for Destruction" mantém uma média de canções muito boas, e encontrou um nicho muito pequeno de mercado que ficava espremido entre os rocks poseur americanos de Poison, Skid Rows e Cinderellas da vida, o rock do The Cult, Led Zeppelin e de bandas de bebedeiras como o Creedence,Thin Lizzy e AC/DC. Na interseção dessas 3 esferas musicais (bonito isso) localizou-se o Guns com este disco.
Bons tempoe de um disco com começo, meio e fim, com músicas que preparam umas às outras. Por exemplo, depois do clássico “Welcome to the Jungle”, vêm 3 músicas boas, que preparam para a maravilhosa “Mr. Brownstone”, que levanta a bola para a “Paradise City” com o seu indefectível apito de início do ferro sonoro.
Depois de uma aliviada com “My Michelle”, a rotação aumenta bastante com “Think About You” e prepara para a “Rushiana” (não sei de onde eu achava parecido com Rush essa música, mas enfim) “Sweet Child O´ Mine”, hit radiofônico que os tornou conhecidos mundialmente, é o “Satisfaction” do Guns. “You´re Crazy” tem uma certa pitada de punk em sua parte inicial, uma quebra com um temperinho blues e segue rápida de novo.
Quase terminando o disco vem uma das minhas preferidas de todas as músicas do Guns que é “Anything Goes” com sua batida de bateria invertida e é uma música bem construída que dá uma derrapada e tu pensa, “Isso não vai engrenar...” mas é como aquele carro V8 que tu acelera e ele te avisa, “Tô derrapando mas tô tranquilo...”.
O disco termina com um clima de “quero ver como vai ser o próximo disco deles” com a mais elaborada “Rocket Queen”.
Resumindo. "Welcome to the Jungle", "It´s so Easy", "Mr. Brownstone", "Paradise City", "Anything Goes". Discaço que merece ser ouvido dentro de um Muscle Car, um Mustang, um Dodge, um Mavericão V8 daqueles que fazem 4 km por litro. A propósito, alguém ai aceita troca de algum desses carros por um Civic?
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FAIXAS:
1. "Welcome to the Jungle"
2. "It's So Easy"
3. "Nightrain"
4. "Out Ta Get Me"
5. "Mr. Brownstone"
6. "Paradise City”
7. "My Michelle"
8. "Think About You"
9. "Sweet Child o' Mine"
10. "You're Crazy"
11. "Anything Goes"
12. "Rocket Queen"


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Ouça:
Guns'n' Roses Appetite fo Destuction



quinta-feira, 19 de março de 2026

Living Colour - Best of 40 Years Tour - Bar Opinião - Porto Alegre/RS (26/02/2026)


Lobão é um chato de galocha, que fala muita bobagem boca afora, mas que, convenhamos, às vezes tem bons lampejos. Em uma entrevista recente dele na qual falava sobre heavy metal, justificando porque não gosta de Iron Maiden, o velho roqueiro brasileiro argumentou que bandas como esta e várias outras nessa linha perderam, da metade dos anos 70 em diante, a veia negra do rock, presente em Deep Purple, Black Sabbath e Led Zeppelin, e passaram a investir numa injustificável (e branca) atmosfera nórdica. No alvo, sr. Lobão. Assistindo a Living Colour, a banda norte-americana formada integralmente por músicos negros há 40 anos, fica fácil entender onde o rock pesado desviou a rota. Verdadeiros herdeiros de Little Richard, Chuck Berry, Sister Rosetta Tharpe e Jimi Hendrix, mas também de James Brown, Sly Stone, Aretha Franklin, George Clinton, Chaka Khan, Death, Prince e Bad Brains, a LC, que fez um show arrasador em Porto Alegre na turnê que comemora suas quatro décadas, foi quem, no final dos anos 80, reivindicou a autoria negra e resgatou a verdadeira semente do rock das guitarras distorcidas.

Com um repertório muito bem montado, que inicia com sucessos, passa por momentos de surpresas, homenagens, sessões livres e termina com as "mais mais" e direito a bis, Corey Glover (vocais, e que vocais!), Vernon Reid (guitarra, gênio!), Doug Wimbish (tocando baixo como se não estivesse fazendo nada difícil) e Will Calhoun (bateria, certamente dos melhores do instrumento) não apenas executam os números: eles brincam de tocar. A construção harmônica e o arranjo das competições favorece a que eles, exímios instrumentistas, improvisem o tempo todo, transformando também as músicas constantemente.

A entrada dos quatro no palco foi triunfal ao som do tema do filme "O Império Contra-ataca", de John Williams, uma sacada bastante sarcástica vindo de um grupo que "contra-atacou" o "império" branco da indústria pop. A abertura, então, foi com "Leave it Alone", do disco “Stain”, de 1993. Prejudicados nos primeiros números em razão da qualidade do som, quando mal se ouvia a voz potente de Glover e a guitarra de Reid era um zunido só, eles fizeram na sequência "Middle Man" e uma magnífica versão, mesmo mal equalizada, de "Memories Can't Wait", da Talking Heads, gravada por eles, assim como a anterior, em "Vivid", de 1988. Até em reggae eles transformaram a música num trecho! Mas o que manda mesmo é a guitarra intensa e melodiosa de Reid, assim como ele faria em muitas outras a seguir.

Living Colour tocando Talking Heads:
nem o som ruim atrapalhou

"Ignorant is Bliss", em que parece que Mr. Dinamite sujou de guitarras pesadas seu groove, e o heavy-metal possante de "Go Away" vieram antes da ótima "Bi", suingada e com toda aquela atmosfera jazzística em cima de um rock vibrante. A altamente variante "Funny Vibe", cuja bateria de Calhoun é que dita o ritmo, indo do hardcore ao funk e ao jazz em poucos compassos, ainda é incrementada com "Fight The Power", dos seus ídolos Public Enemy.

A essas alturas, já com o som ajeitado na mesa de áudio, um dos momentos especiais do show: quando tocam "Hallelujah", de John Cale, só no vocal de Glover e a guitarra de Reid, fazendo suscitar os cânticos de louvor da tradição gospel que está na veia dos rapazes da LC. Lembrei muito de Mahalia Jackson emocionando a multidão quando cantava “Precious Lord, Take My Hand”, para se ter ideia da potência do que seu viu/ouviu no Opinião. Depois, colada, a clássica "Open Letter (to a Landlord)", ao mesmo tempo uma música de protesto e denúncia do racismo e uma oração. A cara da banda. Olha: isso é que é saber compor um setlist

Mas tinha mais! A pedrada "Pride", um de seus maiores sucessos, levantou ainda mais a galera, composta basicamente de fãs da banda e do Metal. E as improvisações, mesmo em músicas consagradas, impressionantemente nunca param de acontecer. Está no jeito de eles tocarem, de sentirem a própria música. Mas essa liberdade de inventar na hora não quer dizer faça com que o quarteto se perca ou que desvirtuem os próprios temas. Experientes, sabem quando "criar" mais e quando dar apenas "cores livres". Afinal, estamos falando de música preta, de descendentes do improviso do jazz e do blues. Dava para ouvir, em certos momentos, a influência direta do free jazz spiritual de John Coltrane, principalmente em se tratado de Reid. Verdade é que a LC é talvez a única power band em atividade, aquela classificação de grupo em que todos, sem exceção, são grandes músicos.

Pois até a "cozinha" brilhou. Calhoun fez todos ficarem embasbacados com seu solo de bateria e na conjugação com a música “Baianá”, do conjunto brasileiro Barbatuques. Empunhando aquelas baquetas junto com Calhoun, estavam, certamente, Elvin Jones com sua africanidade, John Bonham com sua intensidade, Steve Gadd com sua habilidade, Art Blakey com sua capacidade de criar ritmo. Pouco depois, foi a vez de Wimbish, chamando o público pra cantar e dançar, comandar o palco cantando um medley de três clássicos do hip-hop da Grandmaster Flash & The Furious Five, "White Lines", "Apache" e um dos maiores hits da era break, "The Massage". Demais!

Trecho de "Bi", um dos sucessos da LC

O final do show foi uma sequência de tirar o fôlego, começando com "Glamour Boys", cuja guitarra suingada do riff explode em distorção no refrão cantado pela plateia toda ("I ain't no glamour boy (I'm fierce!)/ I ain't no glamour boy (wow!)"); o blues matador "Love Rears It's Ugly Head", o maior sucesso da LC e cujo clipe gastou de tanto rodar na MTV no início dos anos 90; e a paulada "Type", outro clássico absoluto deles e do rock pesado de todos os tempos. Refrãozasso: "We are the children of concrete and steel/ This is the place where the truth is concealed/ This is the time when the lie is revealed/ Everything is possible, but nothing is real". E Reid, hein?! O que é Vernon Reid tocando?! Ele é por si um show. Definitivamente um dos deuses da guitarra. Contemporâneo de Steve Vai e Joe Satriani, de quem guarda semelhanças no jeito de tocar, Reid é um guitar hero em atividade e que exercita seu estilo não só em solos inventivos (e que não são cansativamente extensos como fazem a maioria dos virtuoses), mas também na maneira de compor. Tanto quanto seus companheiros, vê-lo ao vivo no palco é algo realmente memorável.

Mas, gente: ainda tinha mais, acreditem. O hardcore "Time's Up", que dá nome ao celebrado segundo disco da LC, de 1990, emendou-se com outra de "Vivid", "What's Your Favorite Color?". E, para "encerrar", nada mais nada menos que "Cult of Personality", seguramente um dos 10 maiores riffs do rock dos últimos 40 anos, que foi entoada por todo o pessoal em êxtase que lotava o Opinião. É muito heavy, mas também é muito jazz, principalmente por suas quebras de ritmo, variações de escala e andamento e, claro, a habilidade dos rapazes de improvisar. 

Digo "encerrar" assim, entre aspas, porque ainda rolou, como disse no início, bis. E foi primeiro com a calmaria da gostosa "Solace of You" - que em muito lembra a mistura de reggae e ritmos do Caribe de "Alagados", da Paralamas do Sucesso, de alguns anos antes - para, enfim, terminarem com outra de suas covers emblemáticas: a punk "Should I Stay or Should I Go", da The Clash.

Foram só pedradas, só clássicos, que fez lembrar a primeira apresentação da banda no Brasil, no Hollywood Rock de 1992, quando ainda muito jovens, e que não só assisti ao vivo pela TV na época como gravei em K7 e por anos meu irmão e eu escutamos aquele memorável show. Agora, mais maduros, Glover, Reid, Wimbish e Calhoun continuam a tocar o que talvez à época nem tenha me dado conta com tamanha clareza: a de que se trata do mais alto nível de rock que se possa imaginar. O rock melodioso, tocado com alma e, por que não, também barulhento. Um rock negro, tal qual foi criado, há quase 80 anos. Como diz aquela canção, "Lobão tem razão". Às vezes, tem.

🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸

Quarteto norte-americano no palco do Opinião


Reid, Glover com seus deads e Wimbish com Calhoun ao fundo 


A clássica "Pride" pra exaltar a galera


O grande sucesso "Love Rears it's Ugly Head", 
que pôs o Opinião para suingar


Músicos da mais alta qualidade em uma apresentação histórica


Momento emocionante - e pulsante - com "Open Letter
(to a Landlord)". Louvação e protesto


Quase terminando o show, "Cult of Personality", 
um dos maiores riffs já escritos


Clima de festa dos "metaleiros" com as mãos chifradas pra cima


Cover de The Clash para encerrar 
o show com punk rock



🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸
texto: Daniel Rodrigues
fotos e vídeos: Leocádia Costa e Daniel Rodrigues


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Body Count - "Body Count" (1992)


"A próxima canção é dedicada a alguns
amigos pessoais meus:
A L.A.P.D.
[Departamento de Polícia de Los Angeles]
A cada policial que já tenha tirado
vantagem de algum deles,
batido ou ferido
por terem cabelos compridos,
por ouvirem o tipo errado de música,
ou por terem a cor errada,
ainda que achassem que fosse motivo para fazê-lo,
Para cada um desses policiais de merda,
Eu gostaria de ter um destes porcos aqui neste estacionamento,
e dar um tiro na porra da cara dele."
"Out of Parking Lot",
introduçao de "Cop Killer"

Motivado em parte pelo incidente ocorrido com o taxista negro Rodney King*, espancado brutalmente por policiais em março de 1991, que acabaram originando os conflitos generalizados em Los Angeles em abril de '92 em virtude da absolvição dos envolvidos, o rapper Ice-T abandonava momentaneamente seu segmento habitual para se dedicar a um projeto musical envolvendo suas outras predileções como o metal, o punk-rock, o hardcore e outros gêneros mais viscerais. O resultado dessa aventura de um rapper/ator é um dos discos mais pesados, agressivos, violentos e destruidores que o rock já viu. Em "Body Count", disco de estreia que leva o mesmo nome de sua banda, Ice-T mira direto na discriminação racial, no abuso policial, nas drogas, na pobreza e sai varrendo tudo a tiros como se fosse uma poderosa metralhadora.
Ice-T é forte, é incisivo é agressivo a cada frase, a cada verso, e quando fala de preconceito racial, ao contrário de grupos como o Public Enemy que só olhava para a discriminação contra o negro, curiosamente trata de chamar a atenção para o racismo inverso também, como na sinistra "Momma's Gotta Die Tonight" na qual uma mãe se opõe a uma relação do filho negro com uma branca e tem um fim assustador.
Sinistra também é a sombria "Voodoo" sobre uma velha feiticeira de New Orleans; bem como a pervertida "Evil Dick" com sua letra sobre um 'pau demoníaco' que se apodera do seu dono, num metal cadenciado com um trecho mais rápido de bataria no qual Ice-T acompanha no vocal simulando uma trepada enlolouquecida. Já "The Winner Loses", a mais leve (sonoramente) do disco trata sobre a tristeza de jovens se perdendo nas drogas, num metal melódico muito bem construído e com uma performance show de bola do ótimo guitarrista de Ernie C.
Mas no geral, a pancadaria predomina e o tema do racismo quase sempre está presente: "KKK Bitch" por exemplo, como se não bastasse sua porradaria sonora que come solta, despertou a ira dos lares americanos, sobremaneira de brancos conservadores e direitistas enrustidos por sua letra extremamente agressiva, explícita e pesada ( "... conheci essa garota branca com um belo rabo, cabelo louro, olhos azuis, seios e coxas grandes (...) Ela fez selvagem comigo no banheiro nos camarins, chupou meu pau como a porra de um vácuo e disse: "Eu te amo, mas meu pai não curte, ele é um filha-da-puta de um graúdo da KKK"). "There Goes the Neighborhood" com seu riff poderoso é outra que aborda o tema de diferenças raciais questionando o por quê de um negro não poder ter uma banda de rock, numa esposta irônica às críticas ao fato dele, Ice-T, oriundo do rap, estar atacando em outro segmento; a aceleradíssima a violenta "Bowels of the Devil" não trata diretamente sobre o assunto mas relata a vida de um negro na penitenciária; e "Body Count Anthem", esta por sua vez quase sem letra (só repete as palavras Body Count e as iniciais BC), é outra pedrada sonora com as guitarras altas e estridentes soando como se fossem um alarme.
Praticamente todas as faixas são entremeadas por pequenas vinhetas que assim como as músicas, igualmente não poupam nada nem ninguém de agressividade e contundência. Numa destas pequenas faixas Ice-T dá estatísticas da comparação do número de negros na prisão com os que estão na faculdade; noutra delas ridiculariza a apresentadora de TV Oprah Winfrey; noutra coloca que o verdadeiro problema das letras de música pop, segundo ele, seria o medo de que as garotas brancas se apaixonem por rapazes negros; ou ainda como na faixa de abertura simula um diálogo entre um homem que pede ajuda a um policial e acaba levando chumbo, introduzindo então para a excelente e pesadíssima "Body Count's in the House" com seus ruídos de sirenes, tiros e perseguições de automóveis.
Mas o ápice do ódio anti-policial de Ice-T aparece mesmo em "Cop Killer", um petardo matador no qual o artista encarna na letra um matador justiceiro especialista em aniquilar homens da lei. A canção é um hardcore rápido com vocal furioso e rajadas de metralhadora substituindo os rolos de bateria a cada entrada do impiedoso refrão, "Cop killer, better you than me /Cop killer, fuck police brutality! /Cop killer, I know your family's grievin' ... fuck 'em! /Cop killer, but tonight we get even" ("Matador de tiras, antes você que eu/ Matador de tiras, foda-se a brutalidade policial! /Matador de tiras, eu sei que do luto da tua família... foda-se eles! /Matador de tiras, esta noite vamos acertar as contas").
A canção caiu como uma bomba nos Estados Unidos e provocou gritaria de todo lado. A polêmica foi tanta que a música que fazia parte da primeira versão do disco, acabou sendo retirada das prensagens posteriores do álbum por opção do próprio  Ice-T mesmo apoiado pela gravadora  para mantê-la se assim quisesse. O resultado de tanta celeuma foi que a música abou virando uma espécie de canção cult que todo mundo conhece, poucos tem em versão original e muitos procuram baixar para de alguma forma ter o tal objeto de tamanha ira na sociedade americana.
Nas edições seguintes do álbum, inclusive na brasileira, que já veio sem "Cop Killer", a banda substituiu a faixa proibida por outra também bem interessante chamada "Freedom of Speech" um rap com sampler de "Foxy Lady" de Jimmi Hendrix e participação especialíssima de Jello Biafra dos Dead Kennedy's.
"Body Count" é um dos discos mais porrada que eu conheço. Uma bomab da primeira à última. disco de tirar o fôlego. É porrada em sonoridade, porrada em letra, porrada em atitude, em contundência, em objetivo e em resultado. Um verdadeiro soco no estômago da família americana, um chute no saco dos racistas, um cuspe no meio da cara das autoridades e uma poderosa e barulhenta saraivada de balas na polícia de Los Angeles. Um os grandes discos dos anos 90 e por certo, pelo 'estrago' que fez, pela barulheira que causou, e mesmo pelas próprias qualidades musicais principalmente, um daqueles álbuns que podem ser considerados fundamentais na história do rock.

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Confrontos de Los Angeles em maio de 1992


FAIXAS:
  1. "Smoked Pork" — 0:46 (Ice-T)
  2. "Body Count's in the House" — 3:24 (Ice-T/Ernie C)
  3. "Now Sports" — 0:04 (Ice-T)
  4. "Body Count" — 5:17 (Ice-T/Ernie C)
  5. "A Statistic" — 0:06 (Ice-T)
  6. "Bowels of the Devil" — 3:43 (Ice-T/Ernie C)
  7. "The Real Problem" — 0:11 (Ice-T)
  8. "KKK Bitch" — 2:52 (Ice-T/Ernie C)
  9. "C Note" — 1:35 (Ernie C)
  10. "Voodoo" — 5:00 (Ice-T/Ernie C)
  11. "The Winner Loses" — 6:32 (Ernie C)
  12. "There Goes the Neighborhood" — 5:50 (Ice-T/Ernie C)
  13. "Oprah" — 0:06 (Ice-T)
  14. "Evil Dick" — 3:58 (Ice-T/Ernie C)
  15. "Body Count Anthem" — 2:46 (Ice-T/Ernie C)
  16. "Momma's Gotta Die Tonight" — 6:10 (Ice-T/Ernie C)
  17. "Out in the Parking Lot" — 0:30 (Ice-T)
  18. "Cop Killer" - 4:09 (Ice-T, Ernie C)
* "Freedom of  Speech" - 4:41 (Ice-T , Biafra, Hendrix)  - faixa que susbstituiu "Cop Killler" a partir da segunda tiragem


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Ouça:
Body Count Body Count (1992)





*Rodney King é um taxista negro que foi violentamente espancado pela polícia de Los Angeles que o havia detido sob a acusação de dirigir em alta velocidade na noite de 3 de março de 1991. O julgamento e absolvição dos agentes policiais envolvidos provocou os violentos tumultos de Los Angeles de 1992. A cena do espancamento, registrada em vídeo por uma testemunha, correu o mundo e causou indignação geral. A absolvição dos policiais, em 29 de abril de 1992, por um juri formado por dez brancos, um negro e um asiático, provocou uma das maiores ondas de violência da história da Califórnia. Foram três dias de confrontos, incêndios, saques, depredações e uma onda de crimes que causaram 58 mortes, deixaram mais de 2800 feridos, destruíram 3.100 estabelecimentos comerciais e causaram prejuízos estimados em mais de 1 bilhão de dólares. Mais tarde, após os distúrbios, em 17 de abril de 1993 por volta das 7 horas da manhã, num novo julgamento, foi tomada a decisão de condenação de dois agentes dos distúrbios de Los Angeles, e a absolvição de outros dois.
fonte: Wikipedia

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Paul & Linda McCartney – "Ram" (1971)



por Roberto Sulzbach Cortes

“Incrivelmente inconsequente e monumentalmente irrelevante.”
Revista Rolling Stone sobre Ram, em 1971

Se minha última aparição neste querido blog foi para falar do primeiro álbum solo de John Lennon pós-separação dos Beatles, minha primeira aparição do ano (apesar de já estarmos mais para o final do que para o começo) será para falar do segundo disco solo da outra parte da dupla que coloriu os anos 60 juntos. Com a volta do nosso Sir ao Brasil, pelo segundo ano consecutivo, resolvi revisitar o catálogo do artista, o que me levou a uma de suas obras menos apreciadas, mas que com o tempo foi reconhecida: "Ram", de 1971. 

Paul McCartney havia lançado o primeiro disco solo, "McCartney", em 1970, compondo sozinho e tocando todos os instrumentos. Não causou um grande impacto, principalmente quando comparado ao que os ex-colegas John e George Harrison lançaram no mesmo ano. O primeiro lançou "Plastic Ono Band", uma obra-prima envolta em sofrimento, angústia e desabafo, enquanto o segundo lançou "All Things Must Pass", um disco triplo cheio de canções de um guitarrista suprimido pelo ego da dupla de frente da banda, contando até com parcerias de Bob Dylan.

"Ram" surge de um momento de refúgio para Paul, em que ele e a família resolveram se mudar para uma fazenda, o que levou a sua esposa, Linda, a colaborar com as composições. Posteriormente, os dois passam a fazer audições e encontram as pessoas que, eventualmente, formariam o grupo Wings com o casal. Portanto, estava tudo pronto para lançar um disco indie, nesse caso, de “independente”. 

À época, existiam dois motivos para alguém estar em uma gravadora independente: ainda não conseguir um contrato com uma gravadora grande; ou, querer ter maior controle e liberdade artística das obras. Frank Sinatra, ícone da música crooner, tinha seu próprio selo, assim como os Beatles, a famosa Apple Records, e sendo assim, todos os ex-membros competiam entre si quando lançavam novas músicas, além de toda uma nova leva de gêneros musicais que surgiram na virada da década. 

Sendo assim, "Ram" consegue ser direto e abstrato, ao mesmo tempo, com melodias em escalas maiores, características essas, presentes em praticamente todos os álbuns de indie pop subsequentes. E essas escolhas fizeram com que o disco fosse mal interpretado. Apesar do relativo sucesso comercial que o disco atingiu, a crítica caiu em cima de Paul, fazendo com que até seus ex-colegas dissessem que não entenderam o que ele queria fazer. Claro que ninguém entendeu: ele estava inventando um novo gênero. 

“Too Many People” abre o disco, mas poderia muito bem estar no catálogo dos canadenses da Arcade Fire, com violões melódicos e backing vocals femininos (cortesia de Linda) estridentes e afinados ao mesmo tempo, enquanto dá umas cutucadas no amigo John. Na sequência, “3 Legs” parece ter causado em um jovem Jack White, pois parece ser uma antecessora de “Hotel Yorba” do álbum “White Blood Cells”.

Paul e Linda: produção doméstica,
que virou cult com o passar dos anos
“Ram On”, uma semifaixa título, contém apenas uma estrofe e serve como pano de fundo, resumindo a tônica do disco. “Dear Boy” parece ter sido feita uns 5 anos antes, influenciada diretamente pelos Beach Boys, orquestrada, harmônica e grandiosa. Estranhamente, “Uncle Albert/Admiral Halsey” foi um sucesso nos Estados Unidos, de certa forma, até inesperado. Albert é realmente o tio de Paul e Admiral Halsey é em referência ao oficial William Frederick Halsey Jr. da marinha estadunidense, que lutou na Segunda Guerra Mundial. Parecem não ter correlação? Sim! Mas a música é sobre tentar levar a vida de maneira mais leve, e definitivamente, é a mais grudenta da lista, com seu refrão em dueto agudo dos artistas em “Hands across the water, water; Heads across the sky” ("Mãos pela água; mãos pelos céus").

“Monkberry Moon Delight” é uma psicodélica. A música não faz sentido algum, mas tem (como toda boa composição de McCartney), uma excelente melodia, vocais estridentes e a participação de Heather (filha de Linda e adotada por Paul), de 9 anos na época, nos backing vocals. Parece uma versão lúdica de uma canção de Tom Waits. É possível até imaginar os três se divertindo no estúdio, quase brincando enquanto gravavam. 

“Smile Away”, “Heart Of The Country” e “Eat At Home” soam como clássicos e novidades ao mesmo tempo. Misturam elementos do blues, do hard rock e do folk (com um quê tradicionalíssimo de Paul).

“Long Haired Lady” é Lindíssima (com o perdão do trocadilho, homenagem à esposa e parceira artística). “Ram On (Reprise)” traz aquele hábito dos discos do período, conceitualizados, em que um tema que aparece no início, volta a surgir ao final, para passar a sensação de ciclo contínuo, só tocando o instrumental da primeira versão presente no LP.

O disco fecha com “The Back Seat Of My Car”. Uma saída triunfal para um compilado de canções que trouxeram para um público massivo diversos contextos não muito conhecidos à época. O refrão “we believe that we can’t be wrong” ("nós acreditamos que não estamos errado") parece antecipar que ninguém entenderia muito bem o que eles estavam fazendo por ali, mas que o tempo se mostrou senhor da razão, provando que estavam certos.

"Ram" passou por algo muito comum na era dos streamings: a redescoberta. O disco é um “primo alterna”, perto de "Band On The Run" (com a Wings, 1973), ou até mesmo dos hits presentes em "Wings at the Speed of Sound" (1976). Mas, lentamente, ganha espaço como um dos mais experimentais da carreira do baixista daquela banda famosa, e dos mais influentes da música atual.

Um projeto, praticamente, familiar ajudou a pavimentar o caminho do indie pop. O próprio Paul passou a admirar o próprio trabalho "Ram", que depois de mais de 50 anos, está recebendo a devida atenção que sempre mereceu. 

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FAIXAS:
1. "Too Many People" - 4:09
2. "3 Legs" - 2:48
3. "Ram On" - 2:30
4. "Dear Boy" - 2:14
5. "Uncle Albert / Admiral Halsey" - 4:50
6. "Smile Away" - 4:01
7. "Heart Of The Country" - 2:22
8. "Monkberry Moon Delight" - 5:25
9. "Eat At Home" - 3:22
10. "Long Haired Lady" - 6:05
11. "Ram On (Reprise)" - 0:55
12. "The Back Seat Of My Car" - 4:29
Todas as composições de autoria de Paul e Linda McCartney

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OUÇA O DISCO:


terça-feira, 14 de outubro de 2008

The Cult no Circo Voador (13/10/08)



Uau, cruzes, putaquipariu, nossa! Sem palavras!
Estive no show do Cult ontem à noite no Circo Voador e, amigos, vou lhes falar,
foi um dos melhores shows de rock que eu já fui, e por um simples motivo: é um show de ROCK.
Cara, é uma pedrada atrás da outra. Só as melhores, as empolgantes, as fodonas!
A música de entrada da banda já foi matadora, o tema do filme Laranja Mecânica, aí a banda entra e explode com "Li'l Devil", e aí, velho... só seguiu quebrando tudo.
Tocaram "Spiritwalker" que eu gosto muito e achei que não ia rolar, tocaram "Wild Flower" com uma 'ameaça' de emendar "Jean Jeanie" do Bowie e uma "Love Removal Machine" arrasadora que nem eu com meu dedão machucado me contive e tive que ir lá pro meio, pro alvoroço.
Tudo muito bom, fora a segunda parte do show, no bis, onde claramente o vocalista Ian Astbury já não tinha um fio de voz.
O pessoal na "concentração" antes do show..
Voltaram tocando uma das minhas favoritas, 'Nirvana", na qual ele se limitou a cantar o refrão silabicamente pra não precisar esticar a voz e fecharam com a esperadíssima "She Sells Sanctuary" mas que foi um pouco decepcionante por causa do estado vocal do cara e por causa da qualidade de som do local que foi piorando gradualmente.
Mas salvo estes pequenos poréns, um showzaço vibrante e eletrizante.
Nunca tinha visto o Cult. Eliminei mais uma das minhas pendências com uma das minhas bandas favoritas dos anos 80.






Cly Reis