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terça-feira, 10 de junho de 2025

Arnaldo Antunes - Turnê "Novo Mundo" - Bar Opinião - Porto Alegre/RS (24/05/25)


Só havia visto Arnaldo Antunes no palco ao vivo há mais de 30 anos. Precisamente em 1992, quando este, ainda com os Titãs, veio a Porto Alegre para o show de “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”, no Gigantinho. Aliás, ótimo show: enérgico, potente, performático, a cara dos Titãs e com direito a banda completa (Marcelo Frommer, um dos guitarristas, morto em 2001, ainda era vivo). Porém, um lance quase despercebido me chamou atenção. Quando Arnaldo, após sua vez de cantar, voltava do microfone principal, posicionado à frente do palco, ao seu microfone de backing vocal, que fica uma linha atrás, Paulo Miklos, comumente esfuziante àquela época, cumprimentou-o pela performance e propôs aquele “toca aqui” de mãos. Que Arnaldo, inerte, não retribuiu. Sem deixar a peteca cair, Miklos, ao ver que o colega não aderira ao entusiasmo, abraçou-o e o show, que já tinha outro vocalista em ação, prosseguiu sem percalços.

No entanto, a imagem ficou na minha memória: a de um Arnaldo contrariado. Profissional, entregando um bom show junto com a banda, mas contrariado. Pode se cogitar muita coisa, mas não é difícil de imaginar que já tivesse a ver com a saída dele dos Titãs, a qual ocorreria logo em seguida, visto que “Tudo...” foi seu último como integrante. O motivo do desligamento, uma bomba para a banda na época, foi que Arnaldo tinha outros projetos e interesses que não cabiam no contexto de uma banda com oito cabeças pensantes, oito pop stars. Interesses que passavam pela poesia, pelas artes visuais, pela dança e, claro, pela música. Arnaldo sentia-se preso ao formato que um conjunto de rock oferecia e que nunca iria dar vazão a seus anseios artísticos e pessoais.

Corta para maio de 2025. 33 anos depois daquele show no Gigantinho e depois de várias vindas a Porto Alegre, Arnaldo Antunes retorna à cidade com sua própria banda para a turnê do seu novo disco, “Novo Mundo”, 14º de uma hoje consolidada carreira solo iniciada logo após aquela apresentação ainda como titã. O que se vê, da coreografia vanguardista característica e do tradicional figurino longilíneo à liberdade no palco, é um artista íntegro e contente consigo mesmo. Algo que transparece, obviamente, para o público, que não superlotou, mas encheu o bar Opinião, cantando e dançando com ele. Hoje maduro e experiente artisticamente, Arnaldo mostra sentir-se à vontade com sua obra, seja ela da carreira solo, a dos livros, a das artes visuais ou a de projetos como Tribalistas, Banda Performática, Pequeno Cidadão e, claro, os Titãs.

A ótima iluminação pondo
Arnaldo num cone de luzes
Muito bem iluminado e dirigido, o show começa com a excelente faixa-título, cuja letra fala desta sociedade atual impermanente e superficial (“Bem-vindo ano novo mundo/ Que vai se desintegrar no próximo segundo”). Como Arnaldo ainda continua sabendo criar boas “músicas de trabalho”! Canções que encerram seu jeito concretista de escrever letra e compor melodias, mas trazendo uma pegada pop, ao estilo de “Saia de Mim” e “Lugar Nenhum”. Grande música. Do novo disco, ouviu-se quase todas de forma entremeada com sucessos e clássicos da carreira. Também novas, “O Amor é a Droga mais Forte”, “Tanta Pressa Pra Quê?”, “Viu, Mãe?” (parceria com Erasmo Carlos), “Acordarei” e “É Primeiro de Janeiro”. Dessa leva se destaca o iê iê iê moderno “Pra Não Falar Mal”, que cita um dos cantos do “Tao-Te King”, Lao Tzu (“Pureza e quietude são o padrão de medida do mundo”). O sangue titã ainda corre nas veias de Arnaldo. 

Outra excelente é a eletropunk “Tire o seu Passado da Frente”, em que o arranjo engendrado com a banda do show – e do disco – merece um destaque à parte. Afinal, tratam-se de Vitor Araújo (teclados e piano), Betão Aguiar (baixo), a cabeça da heavy-nagô Metá Metá Kiko Dinucci (guitarras, violões e efeitos eletrônicos) e o cara que revolucionou o som já revolucionário da Nação Zumbi, Pupillo (baterista e também produtor de “Novo Mundo”).

Com essa turma, Arnaldo concebe ótimas versões de canções mais antigas de seu repertório, tal “Sem Você”, gravada por Carlinhos Brown, e o reggae “Cultura”, lá do seu primeiro álbum solo, “Nome”, que virou o dub viajandão. Também tiveram os hits, casos de “Passe em Casa” e “Já Sei Namorar”, ambas dos Tribalistas, e a maravilhosa "Pulso", dos Titãs. Ainda rolaram as emocionantes “Socorro”, um de seus maiores sucessos da carreira solo (“Socorro, não estou sentindo nada/ Nem medo, nem calor, nem fogo/ Não vai dar mais pra chorar/ Nem pra rir”), e “Debaixo D’Água”, interpretada originalmente por Maria Bethânia.

trecho da clássica "Pulso", do repertório dos Titãs

Mas Arnaldo surpreende ainda mais com a nova “Body/Corpo”, samba malucão e uma das parcerias com um dos maiores nomes da música pop de todos os tempos: o talking head David Byrne (a outra é a boa “Não Dá pra Ficar Aí Parado na Porta”). Um encontro de pares, afinal ambos têm muito a ver um com o outro. Arnaldo sempre se espelhou na performance de palco espalhafatosa e cênica de Byrne, bem como foi um dos principais responsáveis por introduzir nos Titãs elementos da sonoridade da Talking Heads – veja-se, por exemplo, a música “Medo”, de “Õ Blésq Blom” e cantada por Arnaldo, claramente inspirada em “Fear of Music”, dos nova-iorquinos (“precisa perder o medo da música”). Por outro lado, Byrne, um verdadeiro esteta da world music, de muito vem acessando e introjetando os sons brasileiros. “Body/Corpo”, no entanto, mais do que um teoria, funciona muito bem na prática, sendo possível ouvir a musicalidade de um e de outro neste quase-samba quase-rock. Vendo Arnaldo cantando e dançando-a no palco faz a gente se perguntar: “como que esse encontro dele com Byrne não havia acontecido antes?”

A excelente "Body/Corpo", Arnaldo e Byrne juntos

No bis, uma vibrante versão de “Fora de Si”, do seu segundo disco, “Ninguém”, e conhecida por integrar a trilha sonora do filme “Bicho de 7 Cabeças”, e a irresistível “Comida”, que, não precisa nem dizer: pôs o Opinião abaixo. Um belo show, que confirma, tantos anos depois da traumática saída dos Titãs, o porquê da mudança de rota de Arnaldo, um artista que sempre soube o que queria fazer – e faz. Afinal, diferentemente daquele show do Gigantinho, que talvez poucos além de mim tenham visto o discreto episódio do abraço não retribuído com Paulo Miklos, havia um Arnaldo inteiro e feliz no palco. E isso todo mundo viu.

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Arnaldo e sua excepcional banda

Arnaldo super à vontade no palco
 
 
Mais show rolando


Momento especial em que muda o figurino 
para cantar "Debaixo D'Água"

Alta vibração no palco do Opinião

Performático como sempre


Mais um pouco da performance de Arnaldo,
aqui em "Sem Você"



A fantástica "Comida", melhor música 
para encerrar o show


Arnaldo e banda se despedem depois de um grande show



texto: Daniel Rodrigues
fotos e vídeos: Daniel Rodrigues Leocádia Costa

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Música da Cabeça - Programa #396

 

Será que a estatueta dourada vem desta vez, Fernandinha? O que a gente tem certeza é que o MDC, este sim, está reluzindo como ouro. Tem Ryuichi Sakamoto, Iggy Pop, Television, Erasmo Carlos e um Cabeção celebrando os 80 anos de Robert Wyatt. É ou não é ouro em pó?! Totalmente indicado, o programa é anunciado às 21h na oscarizável Rádio Elétrica. Produção, apresentação e clima de Copa do Mundo: Daniel Rodrigues



www.radioeletrica.com


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

"Roberto Carlos em Detalhes", de Paulo César Araújo - ed. Planeta (2006)

 

por Márcio Pinheiro


"Eu tive duas motivações. Uma foi a afetiva: ele foi meu primeiro ídolo de infância. A outra, inte­lectual. Quando cheguei à faculdade e me interes­sei pelo estudo da música brasileira, constatei que não tinha nenhum livro que explicasse o fenóme­no Roberto Carlos."
Paulo César Araújo, sobre o que o motivou a escrever a obra


Se você pretende saber quem ele é, eu posso lhe dizer: está tudo em "Roberto Carlos em Detalhes", livro de Paulo César Araújo lançado pela Editora Planeta em 2006, logo depois retirado de circulação e até hoje o mais completo perfil biográfico feito sobre um artista tão gigantesco quanto misterioso. Na internet, o livro pode ser encontrado pelo preço médio de 400 reais.

Resultado de 16 anos de pesquisas e entrevistas, "Roberto Carlos em Detalhes" começou a ser desenvolvido em 1990, quando Araújo - autor de "Eu Não Sou Cachorro, Não" - começou a coletar dados para um trabalho específico sobre a Jovem Guarda. Entre as quase duas centenas de entrevistas - incluindo aí nomes como Tom Jobim, Chico Buarque e João Gilberto - percebeu que um nome se destacava.

Assim, o bem detalhado "Detalhes" acompanha a trajetória do cantor desde a infância, do nascimento em Cachoeiro do Itapemirim, em abril de 1941, filho caçula do relojoeiro Robertino e da costureira Laura, e revela aspectos pouco conhecidos e/ou comentados, como quando Roberto Carlos, aos seis anos, foi atropelado por uma locomotiva e sua perna direita teve de ser amputada até pouco abaixo do joelho.

O autor também acompanha a chegada de Roberto Carlos ao Rio, em 1956, relatando o encontro do jovem com Wilson Simonal, Tim Maia, Erasmo Carlos e, principalmente, com o produtor musical Carlos Imperial, a quem Roberto chamava de "papai" e que foi responsável pela gravação de seu primeiro disco. Antes disso, Roberto Carlos, suburbano com influências roqueiras, tentou se inspirar em João Gilberto, mas nunca foi bem aceito pela turma da Zona Sul. Resolveu abandonar o ídolo e criar um caminho à parte. "Ele foi rechaçado pela classe média. Era chamado de 'João Gilberto dos pobres'", lembra Araújo.

Das diversas fases do cantos - da Jovem Guarda ao romantismo dos motéis, dos rocks iniciais ao misticismo - tudo está contemplado. Araújo conta histórias sem descambar para a mera fofoca e esmiúça todos os fatos que já foram contados superficialmente em um ou outro lugar.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Samuel Rosa & Simjazz Orquestra - Vivo Música - Parque Harmonia - Porto Alegre/RS (03/12/2023)

 

Há 30 anos, a revista Bizz, a mais importante publicação sobre música no Brasil dos anos 80 e 90, “lacrava” sobre os quatro principais nomes daquilo que chamavam de “a nova cara da música pop brasileira”. Dois eram equívoco evidentes: Cherry, a vocalista da inexpressiva e rapidamente esquecida banda Okotô, e Edu K, que, erroneamente, já era influência para a música pop há mais tempo de que todos ali por meio de sua referencial De Falla. Quanto aos outros dois “novatos”, pode-se dizer que foram mais assertivos, embora com algum porém. Um deles era Carlinhos Brown, que, assim como Edu K, não se tratava de nenhum iniciante, visto que àquela altura já gravara nos Estados Unidos com Sérgio Mendes, liderava trio elétrico na Bahia e influía diretamente na música de Caetano Veloso. Mas como o Tribalista não havia ainda se lançado em carreira solo (seu debut, “Alfagamabetizado”, sairia apenas três anos depois), até passava a classificação como “promessa” devido a isso. 

O único acerto efetivo dos editores da Bizz da naquela reportagem foi, de fato, Samuel Rosa. O líder da Skank, então em seu primeiro disco dos 15 que lançou em 30 anos de estrada, não apenas atingiria o estrelato, como se consolidaria como um dos mais importantes autores da música brasileira.

A prova daquela profecia pode ser conferida no saboroso show gratuito que o artista mineiro fez em Porto Alegre para o Vivo Música. Acompanhado de sua ótima banda e em alguns números da competente Simjazz Orquestra, Samuel, em começo de vida solo com o consensual fim da Skank, desfilou um cancioneiro tomado de hits, como “Garota Nacional”, “Jackie Tequila”, “Ainda Gosto Dela” e “Sutilmente”. Mas não só isso. Afinal, “chicletes de ouvido” são relativamente fáceis de se fazer a um músico com mínimas habilidades, visto que obedecem a uma construção melódica padrão, que formata um produto musical eficiente, mas nem sempre dotado de emoção. Samuel Rosa, desde aqueles idos de 1993, quando destacado pela Bizz, soube evoluir em sua musicalidade para unir estes dos espectros: o gosto popular e a sofisticação, o pop e o melodioso. De reggaes relativamente pobres, Samuel, principal compositor, evoluiu a olhos vistos para referências a Beatles, à turma de Minas Gerais e sons mais modernos, que o transformara num dos cinco principais compositores da música brasileira destas últimas três décadas.

Com uma sinergia incrível com o público, ao qual agradeceu pela fidelidade de não arredar pé mesmo com a chuva, foram só sucessos do início ao final do show. Algumas, que levantaram a galera, que cantou e dançou junto sem dar bola para a chuva que ia a voltava. A embalada versão da Skank para “Vamos Fugir”, de Gilberto Gil, foi uma delas, assim como “Acima do Sol”, “Vou Deixar” e “Saideira”. Só alegria. São músicas tão embrenhadas no emocional do público, que as pessoas cantam a letra completa mesmo sem saber que as sabiam de cor. Que brasileiro, afinal, não sabe cantarolar “Amores Imperfeitos”, “Tão Seu” ou “Te Ver”, por exemplo? Além destas, tiveram surpresas. Com um Samuel menos atido só ao repertório da Skank, teve cover da beatle “Lady Madonna” com “I Can See Clearly Now”, de Jimmy Cliff, uma homenagem à gaúcha Cachorro Grande, banda coirmã da Skank, com a balada “Sinceramente”, e uma esfuziante “Lourinha Bombril”, da Paralamas do Sucesso, coautoria dele com Herbert Vianna.

Por falar em chuva, que ameaçava desabar a qualquer momento, Samuel, um doce de educação e simpatia, confessou que haviam reduzido um pouco o set-list no meio da apresentação com medo de que isso ocorresse. Mas como durante o show foram, por sorte, apenas algumas pancadas leves, ele mesmo fez questão de alterar a ordem dos números e tocou todas as que haviam se programado. Isso fez com que os principais clássicos estivessem lá. O que dizer de “Resposta”, dele e de Nando Reis, uma das mais belas baladas do cancioneiro brasileiro? E “Dois Rios”, também com Nando e contando com o toque “Clube da Esquina” do conterrâneo Lô Borges? Para fechar, no bis, não uma escolha garantida de algum outro sucesso da Skank, mas, sim, uma versão de “Wonderwall”, da Oasis, pois, como Samuel justificou, o Rio Grande do Sul é terra de roqueiro, então todos ali entenderiam o porquê. 

Passados todos estes anos desde que aquela revista previa que Samuel Rosa se tornaria um pilar da música pop brasileira, fica muito claro que isso realmente aconteceu. Parceiro de alguns dos mais importantes nomes da música nacional, como Nando Reis, Erasmo Carlos, Lô Borges, Chico Amaral e Fernanda Takai, pode-se dizer que, por alto, Samuel é responsável por cerca de 20% dos grandes sucessos da música no Brasil dos anos 90 para cá. Curiosamente, a adoção definitiva do nome próprio e a dissociação direta da Skank fazem com que, de certa forma, Samuel Rosa se reinvente e renasça, como se, novamente, estivesse começando. Então: vida longa a este “velho novato”. Que venham mais 30 anos de maravilhas pop e canções que tocam o coração do Brasil.

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Confira alguns momentos:

Samuel e a Simjazz começando o show


Detalhe do telão

Público atento e interagindo


Samuel em sintonia com a galera

Os dois de rosa pra ver Samuel Rosa: coincidência



texto: Daniel Rodrigues
fotos e vídeos: Daniel Rodrigues e Leocádia Costa

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Música da Cabeça - Programa #342

 

Essa abóbora de Halloween tá meio diferente, hein... Isso porque no MDC a gente não escolhe por doces ou por travessuras: aqui, a gente opta pelos dois! Afinal, quanta doçura vem embalada na melodia de Isaac Hayes ou de Djavan! Mas também aquela atravimento maroto que só os bons roqueiros como New Order e Erasmo Carlos ou o sambista Bezerra da Silva têm. No quadro móvel, outra surpresa tirada do caldeirão. Mas não tenha medo: basta abrir a porta para o programa às 21h, na horripilante Rádio Elétrica, que só coisas boas vão lhe acontecer. Produção, apresentação e bruxaria musical: Daniel Rodrigues.


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quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Música da Cabeça - Programa #337

 

Quem disse que as tintas também não emitem sons? Quando a gente fala de Mark Rothko, artista letão que completaria 120 anos, não há como duvidar. É o que o MDC desta semana prova com todas as tintas. Nossa paleta também traz cores de Milton Nascimento, The Beatles, Moreno Veloso, Erasmo Carlos, Nirvana e outros. A verinssage abre às 21h na expositiva Rádio Elétrica. Produção e apresentação sobre tela: Daniel Rodrigues.


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sábado, 8 de julho de 2023

Frank Jorge & Naipe de Sopros - Bar do Alexandre - Porto Alegre/RS (30/06/2023)

 

“Rock 'n' roll: amor e morte”. Com este lema, emprestado do amigo e também roqueiro gaúcho Julio Reny, o carismático e catalisador Frank Jorge subiu não ao palco, mas à calçada do badalado Bar do Alexandre, em plena Rua Saldanha Marinho, no Menino Deus, quadras da minha casa. Tão perto é que, chegando a pé e uns minutos após o começo do show, fui recebido por Frank tocando “Se Você Pensa”, de Roberto e Erasmo, ao lado de Alexandre Birck, na bateria, e Régis Sam, baixo, além de um afiado naipe de sopros: Carlos Mallmann (trombone) Joca Ribeiro (trompete) e Gustavo Muller (sax tenor e barítono). Que luxo! Combinação simples, mas suficiente para o front man entregar um show cativante e de puro rock. No set-list, temas da carreira solo de Frank, hits da sua tão lendária quanto ele Graforréia Xilarmônica, uma das bandas fundadoras do rock gaúcho e clássicos nacionais, internacionais e regionais.

A convite do próprio Frank, pude presenciar uma apresentação digna da melhor Porto Alegre roqueira. O público que cantou com ele de cabo a rabo joias do seu repertório solo como “Pode Dizer Assim”, “Não Pense Agora”, “Sensores Unilaterais”, “Elvis” e “O Prendedor” até aquelas da Graforréia que não podem faltar: "Eu", "Twist", "Nunca Diga" e "Amigo Punk", esta milonga-rock que é mais do que uma música: é um dos hinos não-oficiais da Porto Alegre alternativa.

Frank e sua banda tocando o hino "Amigo Punk"

Mas teve também covers muito legais e coerentes com a pegada rock 50/60 que sempre caracterizaram a obra e a estética de Frank. Dos parceiros de rock gaúcho, além de "Amor e Morte", de Reny, teve "Lugar do Caralho", do ex-parceiro de Cascavelletes Júpiter Maçã (à época, anos 80, ainda Flávio Basso) e "Cachorro Louco", pedrada da própria Cascavelletes. Ainda menos vaidoso, ele tocou, sob um coro geral da galera, o hit "Núcleo-Base", dos paulistas do Ira!, ato, convenhamos, raro em artistas do Rio Grande do Sul, comumente bairristas.

Mas teve mais! Frank não poupou relíquias. Outra de RC, numa emocionante "Quando"; Beatles, "Nowhere Man", rock argentino e até Ramones. Porém, claro, nada do punk grosseiro, e sim, uma versão da sessentista "Rock 'n' Roll Radio". Nada mais condizente com Frank Jorge. O clima de celebração se completou ainda com o anúncio, horas antes, da inegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. O próprio Frank puxou mais de uma vez o coro: "Ele é inelegível!" em ritmo de "Seven Nation Army", tal as torcidas organizadas, porém dentro dos acordes de "Nunca Diga", de autoria do próprio Frank (que, diga-se, foi escrita bem antes do megasucesso da White Stripes).

Um começo de noite agradabilíssimo regado àquilo que hoje se reserva a pequenos redutos porto-alegrenses, que é a cena rock. Por algumas horas, o clima da antiga Osvaldo Aranha foi recuperado e se reproduziu ali, testemunhado pelo céu nublado da noite. Um momento de resistência, de celebração. Quase litúrgico. Frank, na 'seriedade", como diz a todo tempo, trata, de fato, rock como algo sério. Empunhando sua guitarra como um padre carrega um crucifixo, São Frank Jorge conduziu sua legião de séquitos em enlevo de oração. Coisa muito séria esse rock 'n' roll, hein? Assunto de amor é morte. Amém.

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Frank e banda mandando ver no bom e velho rock 'n' roll

Sendo recebido ao som da Jovem Guarda de Roberto e Erasmo


Rua e bar lotados para assistir Frank Jorge

Outro clássico do repertório "xilarmônico": Nunca Diga"

Daniel Rodrigues

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Caetano Veloso - Tim Music - Praia de Copacabana - Rio de Janeiro /RJ (27/05/2023)



Fiquei longe, leitores.
Tava com a filha e não quis adentrar a multidão.
Já tive a oportunidade de assistir a uma série de grandes artistas brasileiros, de graça, em eventos patrocinados ou iniciativas públicas de prefeituras. Em Porto Alegre, vi Gilberto Gil, Jorge Benjor, já aqui no Rio vi Jards Macalé, Erasmo Carlos, Hamilton de Hollanda, vi Paulinho da Viola lá e aqui, João  Bosco também em ambas as cidades, no entanto, nunca havia tido a ocasião de assistir a um show de Caetano Veloso. E eis que em mais um desses eventos de iniciativa privada, se afigurou a chance. Num evento promovido pela operadora Tim, na praia de Copacabana, o músico baiano foi uma das principais atrações e, como não  poderia deixar de ser, estive presente.

Caetano é muito carisma, é muita doçura, muita poesia e entregou um show à altura de sua grandeza. Embora não tão conhecida do grande público, "Meu Coco", que abriu a apresentação, não decepcionou ninguém, provocando uma calorosa recepção e uma entusiasmada reação do grande público espalhado pela areia da praia. Para minha agradável surpresa, o músico executou a fantástica "You Don't Know Me", de seu lendário álbum "Transa", de 1972. Os trabalhos seguiram com diversos sucessos que cativaram o público e fizeram todo mundo cantar: "Qualquer Coisa", "Um Índio", "Tigresa", "Baby", "Cajuína"... A escolha por tocar Sampa, homenagem tão reverencial à cidade "rival" foi, na minha opinião, algo de um gosto um tanto duvidoso em meio a uma festa tão carioca, mas, em meio à  praia, em plena Cidade Maravilhosa, Caetano compensou a "gafe" com a carioquíssima "Menino do Rio".
"Reconvexo" agitou a galera e fez todo mundo cantar junto, "Odara" pareceu passar uma energia toda especial e fez o corpo de todo mundo ficar meio odara, e Caetano se despediu com vibrante "A Luz de Tieta" deixando, ao final, somente as vozes do público entoando o refrão.
Belíssima apresentação. Emocionada e emocionante. Em tempo consegui vê-lo ao vivo! Brincando, brincando,  o cara já  tem 80 anos e... sem querer secar ninguém (Deus me livre!) Ninguém vive pra sempre.
Mas o que tínhamos lá era um " de 80 anos mas ainda cheio de energia e vivacidade Já  posso dizer, com toda a satisfação e orgulho: eu vi, ao vivo, Caetano Veloso.

Um dos momentos mais marcantes e emocionantes do show.
"A Luz de Tieta" só na voz da galera.



Cly Reis

domingo, 16 de abril de 2023

Mundo Deserto de Almas Negras

 







Erasmo Carlos em "Mundo Deserto de Almas Negras"
fan art, estilo poster de cinema  de terror, inspirada nos filmes de Zé do Caixão,
e na canção "Mundo Deserto" de Erasmo e Roberto, de 1971
ilustração (GIMP)



quarta-feira, 8 de março de 2023

cotidianas #792 - "Mulher (Sexo Frágil)"




foto de cena do filme "Não Sei Como Ela Consegue"
Dizem que a mulher é o sexo frágil
Mas que mentira absurda!
Eu que faço parte da rotina de uma delas
Sei que a força está com elas

Vejam como é forte a que eu conheço
Sua sapiência não tem preço
Satisfaz meu ego, se fingindo submissa
Mas no fundo me enfeitiça

Quando eu chego em casa à noitinha
Quero uma mulher só minha
Mas pra quem deu luz não tem mais jeito
Porque um filho quer seu peito

O outro já reclama a sua mão
E o outro quer o amor que ela tiver
Quatro homens dependentes e carentes
Da força da mulher

Mulher! Mulher!
Do barro de que você foi gerada
Me veio inspiração
Pra decantar você nessa canção

Mulher! Mulher!
Na escola em que você foi ensinada
Jamais tirei um 10
Sou forte, mas não chego aos seus pés

**************

"Mulher (Sexo Frágil)"
(Erasmo Carlos)




quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

A Arte do MDC em 2022


A logo do programa refeita pelo designer André Michel
Já que estamos neste momento de trazer algumas retrospectivas do ano no Clyblog, como dos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS e dos confrontos de filmes-times Clássico é Clássico (e vice-versa), me inspiro num outro tipo de balanço que é comum no blog todos os anos: o das artes, que são uma enormidade e inspiradíssimas. Porém, este aqui é um pouco diferente, mais singelo mas inédito, pois se trata das artes do Música da Cabeça, programa que comando na Rádio Elétrica. Sempre há, a cada semana, uma arte acompanhada de uma chamada para o episódio das quartas-feiras nas redes sociais e aqui pelo blog. Porém, as criações que eram de modo geral bem mais simples no início, foram ganhando de uns tempos para cá, à medida em que o próprio programa foi adquirindo envergadura e maturidade, também maior destaque. Ainda por cima, o ano de 2022 marcou os 5 anos do MDC, comemorados em abril, e que teve uma série de ações, de promoções junto a Regentag a posts e edições especiais.

Não se tratam de primores das artes gráficas, até porque muitas vezes realizadas com ferramentas básicas e sem grandes habilidades técnicas para um bom acabamento. Porém, isso sim posso afirmar, sempre buscando realizar algo criativo, interessante, instigante. Muitas vezes, sem falsa modéstia, com sucesso, haja vista que a vida política, pública, cultural, etc., propicia que sempre haja temas passíveis de serem aproveitados tanto textual quanto, neste caso, graficamente. Meu esforço é tanto que recentemente fui recompensado e ganhei de presente do meu amigo e colega André Michel, de formação e talento mil vezes mais hábil que eu nestes paranauê de design, a logo do programa "revitalizada", aquela com a imagem da figura humana com a cabeça de caixa de som. Ou seja, com um ou dois retoques, ele conseguiu alinhar formas e dar uma cara profissional para a logotipia. Valeu, André! 

De resto, podem ser peças, colagens, fotografias, vídeos, enfim, o que convier para aquela situação e tema/chamada. Tá valendo. O principal é chamar atenção para o programa e, de quebra, trazer criações novas a cada semana para o Clyblog. Fiquem aqui, então, com algumas das artes do MDC que rolaram em 2022:

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Abrimos o ano de 2022 parodiando o filme "Não Olhe para Cima"...


...mas logo a chapa esquentou e precisamos parar com a brincadeira pra falar
de coisa séria: o assassinato do imigrante congolês Moïse Kabagambe


Vídeo para chamada da excelente entrevista com a professora e etnomusicóloga Ana Paula Ratto de Lima Rodgers



Em fevereiro, no dia 22/2/22, aproveitamos pra intervir com o MDC 255


Ia chegar a hora que o famigerado ppt do Dalla'gnol pudesse
ser esculachado. Chegou, em março


Em abril, comemoramos os 5 anos do programa com logo especial


Na campanha dos 5 anos, tivemos superpromoção de camisetas da Regentag e quem foi o garoto-propaganda?



Dois dos gênios oitentões da MPB, Gilberto Gil e Caetano Veloso, ganharam artes, literalmente,
espelhadas, um em junho e o outro em agosto



O verão infernal na Europa, em julho, também nos motivou a fazer arte pro MDC


Elas, as mulheres pretas de ontem e de hoje, viraram arte quando
da semana Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em julho


E a cratera que se abriu no Atacama em agosto? ´Culpa do MDC


Teve gente que pensou que havia aprendido a falar russo. Não: era só o anúncio da entrevista de André Abujamra, pra edição especial de nº 280


E chegaram as Eleições. Como não tirar uma com aquele debate?


Godard mereceu uma arte quando de sua morte. Essa ficou show, que até eu me abri


Outra arte que ficou legal, na ed. 289, de 19 de outubro


Mais um vídeo personalizado, este para a entrevista do músico e produtor Cid Campos, na ed. 290


Duas perdas irreparáveis e sequentes pra música brasileira: Gal Costa e Erasmo Carlos,
que motivaram as artes de dois programas em novembro


Dezembro teve Copa do Mundo! E o MDC tá sempre de olho no lance



E terminamos o ano anunciando o primeiro MDC de 2023, o de nº 300, que teve entrevista de Fred Zeroquatro!



Daniel Rodrigues

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Música da Cabeça - Programa #295

 

Teve gente que viu no gol de Richarlison fórmula matemática, o "X" do Hexa e até o "L" do Lula. No MDC a gente enxerga uma oportunidade de abordar aquilo que a gente gosta, seja música ou futebol. No programa de hoje vamos ter golaços de Grant Green, Morcheeba, Marina, Imperatriz Leopoldinense e mais. Tem ainda um Sete-List com tabelinhas do saudoso Tremendão Erasmo Carlos. Sem impedimento, o programa hoje vai ao ar na futebolística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e bola no pé: Daniel Rodrigues 


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