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| "Passagem" |
domingo, 22 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
“Valor Sentimental”, de Joachim Trier (2025)
Hábil questionador das relações humanas, Trier volta seu olhar desta vez para a família. Se no seu filme anterior, o exitoso “A Pior Pessoa do Mundo”, ele trazia uma personagem feminina em busca interna pelo seu lugar no mundo, em “Valor...” o diretor não deixa de mirar a câmera também na mulher, não à toa com a mesma atriz de “A Pior...”, Renate Reinsve. É Nora, uma consagrada atriz de teatro, que desencadeia os conflitos de toda uma rede de laços familiares e ancestrais motivada pela conturbada relação com o pai, o cineasta Gustav Borg, vivido pelo excelente Stellan Skarsgård – ator de papeis inesquecíveis no cinema (como o doutor de “Dançando no Escuro”, Jack de “Melancolia”, e Bootstrap Bill Turner de “Piratas do Caribe”).
O brilhante roteiro original (de Trier e Eskil Vogt) consegue contemplar todo o ecossistema dos Borg – com os ótimos flashbacks, que recontam a história familiar e seus traumas, na medida certa para elucidar esfinges do presente – sem, contudo, desviar-se do protagonismo feminino. Soma-se a esse enfoque, para o qual Trier demonstra ter grande sensibilidade, as personagens Agnes, irmã de Nora, e a atriz Rachel Kemp (Elle Fanning), que, por conta do filme que Gustav pretende rodar sobre a sua própria história, vai ficando, por influência nociva dele, cada vez mais parecida física e emocionalmente com Nora.
“Valor...” é um filme sofrido. Há poucos respiros de “não-sofrimentos”, pois tudo dói. Tudo retorna àqueles pontos mal resolvidos, num círculo vicioso em que a figura masculina/paterna se mostra bastante despreparada. Gustav, que cometeu abandono no passado afetivo, é incapaz de conviver com as filhas sem um punhado de microagressões nas mãos, sem recorrer à sua falta de inteligência emocional. Quem é mesmo o sexo frágil? Existe sexo frágil? A dureza do longa, nesse sentido, é perfeitamente plausível, uma vez que, na vida real, problemas de relacionamento tão basais como os de laços familiares, quando não resolvidos, passam a ficar latentes. Ora aqui, ora ali, aparecem, até que sejam identificados e, quiçá, amenizados ou sanados. Por isso, “Valor...” é por vezes cruel, mas muito coerente, e é importante que o cinema trate temas importantes dessa forma séria a comprometida.
E se a mulher é vista como alguém consciente de suas fragilidades, mas suficientemente forte para buscar acolher o que lhe faz mal, o homem, na figura de um pai de família da classe alta, nórdico e de uma geração pós-Guerra, tem grande dificuldade de expressar emoções e resolver seus traumas. E pior: é alguém pouco disposto a mudar. É em personagens como Gustav que se vê o declínio do homem como se construiu culturalmente ao longo dos séculos. Antes, o dono do mundo; hoje, a pior pessoa do mundo. Nada diferente do que se observa na sociedade – e nem precisa ser nórdica para isso. Trier opta por expor esse despreparo emocional do homem, ao contrário de "ocultá-lo" como em outros recentes filmes críticos da masculinidade, cuja figura do macho, tão aberrante quanto patética (como um monstro em forma de gente), mal aparece, a se ver por “Se Eu Tivesse Pernas...”. Fato é que urge repensar a psique masculina e a falida cultura que sustenta o machismo e o patriarcado na sociedade. Os filmes estão gritando esse alerta.
Concorrente a nove estatuetas do Oscar, “Valor...”, que se mostrava um forte adversário do brasileiro “O Agente Secreto” na categoria Longa Internacional quando o Oscar chegasse, parece ter perdido musculatura desde o Globo de Ouro, quando levou apenas Ator Coadjuvante para Skarsgård, quase um prêmio de consolação. Em Longa Internacional, além do filme de Kleber Mendonça Filho, “A Voz de Hind Rajab” ganhou mais força nas últimas semanas e começa a ver o norueguês pelo retrovisor. Mas embora os melhores filmes da temporada sejam de fato “O Agente...” e “Foi Apenas um Acidente” (o outro filme concorrente nesta categoria junto com "Sïrat"), não seria nada estranho se “Valor...” ganhasse. Qualidade para isso tem.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Música da Cabeça - Programa #447
Tá vendo aquele folião ali no meio da galera? Pois é, a gente deu uma estendida no Carnaval e, por isso, vamos trazer um MDC de reprise. Mas uma reprise do tamanho que o programa e o Carnaval merecem, repetindo o programa da quarta-feira de cinzas do ano passado, quando, além da ressaca dos festejos, ainda sentíamos pela primeira vez o peso da estatueta do Oscar (quem sabe não é auspicioso, né?). Quase recolhendo a fantasia, o programa vai ao ar hoje, às 21h, na foliã Rádio Elétrica. Produção, apresentação e ponto facultativo: Daniel Rodrigues
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
COTIDIANAS nº887 Especial de Carnaval - "O samba é um desconforto potente"
Acho que a carnavalização do samba - aquele processo de vinculá-lo apenas ao perfil de música que borda a nossa suposta simpatia - foi e continua sendo em larga medida uma tentativa de domá-lo (seja por parte do Estado, da indústria fonográfica, da mídia, do mercado publicitário, de alguns sambistas etc.), exatamente porque o samba é muito mais complexo e problemático - no sentido de não se domar a análises superficiais - do que isso.
Muito mais do que gênero musical ou bailado coreográfico, o samba é elemento de referência de um amplo e complexo cultural que dele sai e a ele retorna, dinamicamente. Nos sambas vivem saberes que circulam; formas de apropriação do mundo; construção de identidades comunitárias dos que tiveram seus laços associativos quebrados pela escravidão; hábitos cotidianos; jeitos de comer, beber, vestir enterrar os mortos, amar, matar, celebrar os deuses e louvar os ancestrais. Reduzir o samba ao terreno imaginário onde mora a alegria brasileira do carnaval é um reducionismo completo.
Não custa recordar que o discurso do samba, e de toda a múltipla musicalidade oriunda da diáspora africana, também está no fundamento do tambor, que fala daquilo que nossas gramáticas não nos preparam para ler. O tambor - e são tantos! - vai buscar quem mora longe, e isso é muito sério.
O samba – de cara podemos lembrar – até a complexidade de experiências que o definem – é testemunho e fonte documental para contratar as nossas contradições poderosas, o nosso horror e as nossas escapadelas pelas frestas da festa: o beijo na cabrocha, O assassinato de Malvadeza Durão, a alvorada no morro, a prisão do Chico Brito que fuma erva do norte, a ilusão de um olhar, o mulato calado que já matou um e se garante na inexistência do X-9 em Mangueira, os poderes do jongueiro cumba, o batizado do neguinho vestido de anjo em Pirapora, o preconceito racial no casamento do neguinho e da senhorita, as porradas que o delegado Chico Palha enfiava em macumbeiro nos tempos da vadiagem, a navalha no bolso, o revólver como maneira nossa de entrar no século do progresso, a mulher vitimada pela violência, submissa como Amélia, rebelde e altaneira como Gilda; o tiro de misericórdia no menino que cresceu correndo nos becos que nem ratazana e morreu como um cachorro, gemendo como um porco... Tá tudo no samba.
Foi exatamente o samba, sobre o qual reflito sistematicamente, que me fez perceber e encarar um Brasil de complexidades que não comportam dicotomias reducionistas. O samba é um desconforto potente para que o Brasil se reconheça como produtor constante de horror e beleza. É o filho mais duradouro dos tumbeiros, em tudo que isso significa de tragédia, redenção, subversão, negociação, resistência, harmonia, violência, afeto, afirmação de vida e pulsão de morte na nossa história. O samba é a entidade mais poderosa das falanges da rua.
Luiz Antonio Simas
domingo, 15 de fevereiro de 2026
"O Corpo Encantado das Ruas", de Luiz Antonio Simas" - ed. Civilização Brasileira (2020)
"Nos últimos anos comecei a amadurecer dois princípios que hoje são a base do que escrevo. O primeiro é o de que os temas que me interessam são vinculados aos processos de invenção e reconstrução de laços de sociabilidade no campo das sapiências das ruas: sambas, escolas de samba, carnavais, terreiros, pequenos comércios, quermesses de igrejas, saberes da trívia e os modos de criação da vida de crianças, mulheres e homens comuns: aquilo que podemos definir como cultura."
"O Corpo Encantado das Ruas" é a exaltação daqueles hábitos urbanos que foram escasseando, sumindo, sendo aos poucos extintas, por conta das modernizações, da tecnologia, das pressões socais, do politicamente correto que sufocam a cidade e seus cidadãos roubando, a cada dia, um pouco do prazer de viver nas coisas simples.
Práticas, pessoas, lugares, comidas, são lembradas pelo sempre aprazível Luiz Antonio Simas, professor e historiador, mestre em história social, botafoguense apaixonado e especialista em carnaval, com a nostalgia de quem viveu coisas tão gostosas, puras, curiosas, ímpares do cotidiano carioca, mas que agora lamenta o impositivo sepultamento desses costumes que nos faziam um pouco mais humanos.
Simas nos apresenta personagens lendários das ruas do Rio, recupera os antigos blocos de bairro, festejos, fala com saudade das brincadeiras de rua como pipas e carrinhos de lomba, reverencia acepipes clássicos de boteco, cita remédios naturais da sabedoria do povo, lamenta a arenização do futebol e a elitização da torcida, e sobretudo exalta a cultura negra dentro do contexto da identidade do Rio de Janeiro, seja nos terreiros de umbanda, nas esquinas, nas comidas, na sabedoria popular ou no carnaval.
Livro gostoso em cada capítulo, cujos episódios e passagens são expostos de forma, às vezes, melancólica, é verdade, mas não por isso menos suave e, não raro, divertida e engraçada. Faz a gente ficar com uma certa saudade do tempo em que as coisas eram mais simples.
Cly Reis
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
cotidianas #886 - Sexta-Feira 13 de Carnaval: Sangue, suor e folia
Varre, varre, varre, passo a vassoura por baixo do balcão e ela bate em alguma coisa mais dura, mais pesada. Não é só papel, plástico, isopor. Puxo pra frente do balcão com a vassoura e vem uma máscara. Não parece com as outras, não parece fazer parte de nenhuma alegoria. Trabalho no barracão faz meses e não sei de nenhuma ala que use uma coisa daquelas. Parece aquelas máscaras de... futebol americano. Não! Futebol americano não usa máscara, usa, tipo, um capacete. É máscara de rósqui, rock, hóquei, eu acho. Meu filho que gosta de esporte é que entende dessas coisas. Toda amarelada, rachada, podre. O que que aquela porcaria faz ali?
Só recolho e jogo fora como seria o normal a fazer? Ou será que pergunto pra alguém se faz parte de alguma coisa que eu não sei?
Não vou incomodar o carnavalesco. Tá lá concentrado dando instrução numa estátua de orixá.
Ah, vai pro lixo. Ninguém vai dar falta disso.
Antes de me livrar daquilo, só de graça, mesmo toda nojenta, resolvo experimentar. Botar na cara.
Um acampamento, adolescentes, um lago, desespero, afogamento, fundo, fundo, mãe, morte, vingança, máscara, sangue, sangue, coração, pernas, cabeças, sangue, morte, morte, morte. Tudo me vem à cabeça numa sequência alucinante, como um filme todo passando em um segundo.
Encho o peito de ar, respiro fundo. A meu lado uma enorme tesoura de costura repousa sobre uma bancada.
Já não sou eu mesmo quando a apanho e caminho com determinação barracão adentro. Tem pouca gente ali trabalhando a essa hora, mas tem muito mais gente lá fora e terá ainda mais nos próximos dias. Ainda é sexta-feira, o Carnaval está apenas começando.
Cly Reis
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Gal Costa - “Gal Canta Caymmi” (1976)
Caetano Veloso observou certa vez que a obra de Dorival Caymmi, embora pequena em volume de canções em relação a de outros compositores contemporâneos a ele (tal Ary Barroso ou Lamartine Babo) ou mesmo dos baianos como o próprio Caetano, é proporcionalmente a mais revisitada. Caymmi é pedra-fundamental da música brasileira, um cancionista e poeta capaz de inventar uma nova tradição, a qual encerra o folclore, o samba rural e a vida cotidiana da Bahia de Todos os Santos. Muito fizeram em versá-lo, mas nem sempre com assertividade, visto que sua música leva a uma encruzilhada: de tão original que é, dificulta quem a acessa. De todos, quem melhor resolveu essa equação foi Gal Costa em “Gal Canta Caymmi”, de 1976, disco que completa 50 anos com o mesmo frescor de quando foi lançado, além do show homônimo, um sucesso de público, que estreava exatamente no dia 11 de fevereiro, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.
Rainha das dunas de Ipanema que levavam seu nome, o ponto de encontro da contracultura carioca em tempos de ditadura, Gal exercia um papel central em meados dos anos 70. Era, ao mesmo tempo, a devota de João Gilberto e a roqueira janisjopliana, que havia irrompido no festival de 1968 e abraçado a psicodelia tropicalista, influenciando comportamentos e tornando-se um símbolo feminino libertário e contestador. Os parceiros Caetano e Gilberto Gil já haviam voltado do exílio, é bem verdade. Mas Gal, a diva resistente que segurou a barra do Tropicalismo sozinha na hora da linha-dura, conquistou seu espaço inconteste e ali reinava. Assim, tinha carta branca para empreitar o projeto que desejasse, como este, sugerido por Roberto Menescal, diretor artístico da sua gravadora, a Phillips, e prontamente aceito por ela. Por ideia dele, Gal havia gravado, um ano antes, “Modinha para Gabriela” para a novela da TV Globo, canção de Caymmi. Assim, não foi difícil identificar o próximo passo. Após o sucesso dos revolucionários “FA-TAL”, de 1971, e “Índia”, de 1973, era a vez da aguerrida Gal desafiar os padrões novamente, agora, modernizando o cancioneiro do autor de "Maracangalha" e outros eternos clássicos da MPB.
Mexer no que é sagrado não é para qualquer um, no entanto. E, claro, houve críticas. A imprensa inculta da época classificou "GCC" como "um crime à obra musical de Dorival Caymmi", "avacalhação" e "boçalidade". Porém, a cantora sabia o que estava fazendo e que não estava sozinha. Aliás, via-se muito bem acompanhada e amparada. Na trincheira com ela dois sólidos parceiros: Perinho Albuquerque e João Donato. Eles repetiam a química que definira o clássico “Cantar”, de 1974, marco da maturidade musical e artística de Gal. E se naquele álbum havia a batuta de Caetano orquestrando reportório e atmosfera, neste o papel ficava a cargo exclusivamente desses dois exímios arranjadores. A solução perfeita para versar Caymmi. Ora um, ora outro, produtor e diretor musical, respectivamente, eles assinam os arranjos de todas as faixas, equilibrando a pegada rock de um com o clima latin-jazz de outro sem deixar de soar com impressionante unidade. E, principal: ambos trabalham para dar o suporte necessário às formidáveis voz e interpretação de Gal, “a melhor cantora do Brasil” segundo João Gilberto.
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| Caymmi participando do show de Gal, em 1976, no Teatro João Caetano (RJ) |
Aí, o negócio fica sério em duas em sequência: “Pescaria (Canoeiro)” e “O Vento”. O que Perinho faz com essas duas peças da célebre fase das “canções praieiras” de Caymmi é simplesmente deslumbrante. As músicas soam vigorosas, arrojadas, dando a medida da modernidade aplicada por Gal à obra do mestre. “Pescaria” conta com a sanfona de Dominguinhos, baixo de Novelli e violão de Menescal. Já em “O Vento”, piano de Antonio Adolfo e bateria de Paulinho Braga. Porém, deslumbrante mesmo é Gal cantando essas duas, certamente músicas que povoaram seu imaginário sonoro desde pequena em Salvador. O que é ela atingindo os agudos quando sobe um tom nos versos: “Ô canoeiro/ bota a rede no mar”?! Ou quando entoa, num ritmo funkeado: “Curimã ê, Curimã lambaio”?! É de arrepiar. A música está nela, capacidade que somente as grandes cantoras, como Sarah Vaughan, Elis Regina, Amy Winehouse ou Aretha Franklin, conseguem. Gal é uma delas.
O lado B, no formato original do LP, abre com mais um clássico inconteste da cidade de Salvador e do folclore baiano, que é "Rainha do Mar", dedicada à Iemanjá. Filha de Omulu, Gal era devota do candomblé, tendo se iniciado no referencial terreiro Ilê Iaomim Axé Iamassê com Mãe Menininha do Gantois. Ao ouvi-la cantar: “Minha sereia é rainha do mar/ Minha sereia é rainha do mar/ O canto dela faz admirar” tem-se a impressão de que está cantando sobre si mesma, tamanha a comunhão corpo/espírito que a música (e sua voz) consegue provocar.
Em seguida, noutra concatenada com Donato, mais um dos sambas cariocas, e outro show de interpretação de Gal. É "Só Louco", cuja melodia e letra têm visível influência de Lupicínio Rodrigues, com quem Caymmi convivera nos boêmios anos 30 no Rio de Janeiro. Animando o clima dor-de-cotovelo deixado pela anterior, "São Salvador" é daqueles temas solares feitos para o vocal de Gal brilhar. Igual a "Peguei Um 'Ita' No Norte", em que Donato novamente capricha no arranjo e onde Gal põe com delicadeza ímpar sua cristalina voz. Fechando num clima de festa, Perinho a ajuda a transformar o samba urbano "Dois de Fevereiro" em um samba-funk suingado.
Com “GCC”, Gal rompera uma barreira na indústria fonográfica brasileira ao produzir um álbum celebrando apenas um compositor, formato que ganharia o nome songbook mais tarde e se tornaria extremamente comum. Dois anos depois dele, foi a vez de Nara Leão gravar somente Roberto Carlos e Erasmo Carlos no disco “...E Que Tudo Mais Vá Pro Inferno”, um de seus maiores sucessos na carreira, favorecendo-se do caminho aberto pela colega baiana. Sinal de que Gal, mais uma vez, estava à frente das coisas. Ao homenagear Caymmi, ela mostrou que era permitido ousar mantendo o respeito à tradição. Gal nasceu assim, cresceu assim, era mesmo assim e foi sempre assim: uma baiana à frente do seu tempo.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Música da Cabeça - Programa #447
Tanto esforço desses praticantes do curling nas Olimpíadas de Inverno pra deslizar aquela pedra! Pra que tudo isso, gente?! O alvo é mais fácil que vocês imaginam, pois nem precisa esfregar a vassourinha pra acertar no MDC, que terá Living Colour, Beatles, Bauhaus, Robson Jorge, Marina e mais. Tem também quadro especial aludindo ao samba e ao Carnaval, que tá se aproximando rapidinho igual à pedra do curling. Deslizando em seus ouvidos o programa entra na pista hoje às 21h na esportiva Rádio Elétrica. Produção, apresentação e vassourinha na mão (mas a de frevo, afinal, o Carnaval tá aí): Daniel Rodrigues
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
A arte do MDC em 2025
Por isso, como viemos fazendo nos últimos anos e a exemplo da retrospectiva da sessão Clyart, separamos as artes feitas para o MDC que rolaram durante 2026. Já com atraso, inclusive, visto que já estão rolando os programas deste ano. Mas a retrospectiva segue valendo para mostrar as linhas criativas que seguimos nos últimos meses, com temas geralmente do momento, aqueles que motivaram as nossas criações, quase como uma crônica visual.
São temas da política, da sociedade, dos acontecimentos internacionais ou até mesmo aquele fato curioso que estava pegando durante a semana: muitos deles se transformaram em chamadas para as nossas edições do MDC.
E dessa vez não teve desculpa de enchente, como a de 2024, que interrompeu o nosso programa por mais de um mês. Com um ano cheio, pudemos deitar e rolar em nossas chamadas. Ou seja: o que não ficou legal foi única e exclusivamente por conta de alguma inabilidade com as ferramentas de criação das artes. Contudo, o avançar dos anos, somado à constante prática de todas as semanas buscar levantar algo criativo visual e tematicamente, vem fazendo com que alguma evolução técnica apareça, mesmo que isso fique somente na menor dificuldade de executar. Pelo menos isso.
Mas saiu coisa legal, inegavelmente. E com muita variedade, seja em peças ou vídeos. De gozações com a febre nacional “Vale Tudo” à lenga-lenga da contratação de Carlo Ancellotti para técnico da Seleção Brasileira de Futebol Masculino, passando pelo conclave do novo Papa e a morte de ilustres como Sebastião Salgado e Sly Stone, teve de um tudo. Claro: os gritos de guerra “Sem Anistia” e o processo que levou pra cadeia a corja de golpistas, incluindo o execrável ex-presidente, foi acompanhado e registrado no programa, seja através das notícias, seja por meio de suas artes de divulgação.
Enfim, mais um ano cheio de acontecimentos e motivações pra que o programa existisse e, com ele, as artes do MDC, que a gente recupera aqui o que de melhor rolou em 2025.
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| Começamos o ano desejando tudo de bom para os ouvintes em 2025 |
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| E já na posse de Trump as coisa já não iam bem. Hillary Clinton que o diga |
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| Olha as sandices do Trump de novo! Na ed. de 19 de fevereiro, ele estava querendo mudar o nome do Golfo do México para Golfo... do MDC, claro! |
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| E foi assim que a gente chegou à Quarta-Feira de Cinzas: sorrindo com o Oscar de "Ainda Estou Aqui", para a ed. de 5 de março |
O programa encerrou o segundo mês do ano com edição especial de nº 400, que teve a honra de entrevistar o músico, produtor e jornalista Thomas Pappon, direto de Londres, onde ele reside. Fizemos um vídeo-teaser bem legal, para este que foi um dos melhores programas MDC em 8 anos
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| Esta arte para a ed. 403, de 19 de março, em comemoração aos 80 anos de Elis Regina, foi das mais bonitas. A Pimentinha merece |
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| Esta também, do programa 406, ficou interessante e visualmente instigante |
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| Primeira vez que houve um díptico para chamar um programa, e foi na ed. 404, em março. Como foi bom ver essa gente sendo presa... |
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| Mais uma bem legal de 2025, esta para a reprise da ed. 240, em abril, com o olhar característico do Carletto |
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| E teve mais perdas entre maio e juno que viraram arte do MDC: Sebastião Salgado, Pepe Mujica e Sly Stone |
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| Claro que a gente tinha que tirar um sarro da coqueluche do Brasil, "Vale Tudo", novela com a qual o MDC rivalizou tête-à-tête a audiência no horário nobre toda quarta-feira (#SQN) |
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| E quando tivemos a felicidade de interromper a programação para dar a notícia do Plantão MDC, que o Bozo estava preso?! Começávamos a lavar a alma neste programa 422 |
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| E não é que em semanas subsequentes de final de agosto e início de setembro perdemos Jaguar e Verissimo? Só mesmo Sig e as Cobras para nos consolar |
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| O soco que o Wanderlei Silva tomou não podia deixar de ilustrar a arte daquela semana de começo de outubro, né? |
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| Pelo menos o MDC matou Odete Roitman, o que o fez com muita frieza e sem deixar vestígios em 8 de outubro, para o programa especial 430 |
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| Aí o "imbrochável" vai lá e enfia um ferro de solda na tornozeleira eletrônica. Não tem como não virar arte do MDC! |
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| Outros dois grandes que partiram: Hermeto Pascoal, em setembro, e Lô Borges já em novembro. Foram tema dos nossos MDC 427 e 434 respectivamente |
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Música da Cabeça - Programa #446
A nevasca no Hemisfério Norte tá tão forte, que quase não dá pra ver o que tem na frente. Por isso, o MDC desta semana vai desembaçar. Bem diante dos olhos estão Kraftwerk, João Nogueira, James Brown, Renato Russo, Caetano Veloso, Elisa Lucinda e mais. Também, Cabeça dos Outros, Palavra, Lê, Música de Fato, tudo aquilo! Garantindo boa visibilidade, o programa vai ao ar às 21h na flocada Rádio Elétrica. Produção, apresentação e visão turva: Daniel Rodrigues.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Tabelão Clássico é Clássico (e vice-versa) 2025
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| Os bravos remakes não deixam o placar aumentar. Se eu fosse os originais, começava a me preocupar |
Achou pouco?
Não se preocupe, 2026 é ano de Copa e teremos muito mais duelos cinefutebolísticos, inclusive internacionais, país contra país, bem no espírito de Copa do Mundo.
Enquanto isso, conferimos o panorama do Clássico é Clássico, depois dos confrontos do ano que passou. Dá uma olhada aí:
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