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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

COTIDIANAS Especial 18 anos do ClyBlog - O Conto Nunca Escrito *




Era um escritor que não conseguia escrever.
Não conseguia.
Uma crônica, um conto, uma página, um capítulo, um livro. Nada.
Inspiração, tema, criatividade, bloqueio? Vá lá saber. Não conseguia. E o pior é que seu editor, seu agente, a editora, todos estavam na sua cola. Não paravam de cobrar.
Sentia-se pressionado, angustiado, tenso. Resolveu sair para tomar um ar, respirar ar fresco. Talvez algo
o inspirasse. 
Saiu. Entrou em bares, conversou com bêbados, paquerou umas vadias, bebeu, jogou, brigou, rolou pelas sarjetas, vomitou e quando acordou pela manhã, sabe-se lá como, estava em casa, em sua cama.
Levantou-se, foi ao banheiro, deu uma boa mijada, pegou do criado-mudo uma garrafa de uísque quase vazia, sentou-se na beira da cama e, naquele momento, como que tocado por alguma coisa que não conseguia explicar, de repente sabia exatamente o que fazer. Foi para a frente da máquina de escrever e começou:
Era um escritor que não conseguia produzir nada. Não
conseguia escrever. Simplesmente não conseguia. Uma crônica, um conto, uma página, que fosse. Nada. Falta de inspiração, bloqueio? Sei lá. Não conseguia. E o pior é que seu editor estava na sua cola. Não parava de ligar. O tempo todo.
Sentia-se pressionado.
Mas não adiantava ficar ali parado diante da máquina de escrever. Tinha que fazer alguma coisa.
Resolveu que precisava tomar um ar, respirar ar fresco. Talvez algo o inspirasse, ainda que não acreditasse nessa frescura de “inspiração”.
Saiu. Era uma noite como outra qualquer, daquelas que não têm nada de especial. Nem muito vento, nem muito calor, nem muita gente na rua, nem muitas putas, nem muitos mendigos, nem muitas sirenes, nem nada. Entrou em alguns bares, conversou com um monte de gente, bebeu, deu em cima da mulher de um cara, brigou, bateu, apanhou, bebeu mais, foi jogado pra fora de um boteco, apagou, rolou pelas sarjetas e quando acordou pela manhã, sabe-se lá como, estava em casa, em sua cama todo sujo de vômito.
Levantou-se, foi ao banheiro, tirou a roupa imunda e tomou uma ducha. Depois de uma boa cagada, foi à cozinha e pegou uma cerveja. Sentou-se então na velha poltrona carcomida e esfarrapada e, como que
tocado por algo divino, teve certeza do que deveria fazer naquele instante. Sentou-se então em frente ao computador, mas quando ia começar a escrever, o telefone tocou. Diabos! Por certo devia ser ele. Aquele desgraçado. O editor.
Atendeu.
Não era.
Era Pam.
- Ei, gatão!
- Ei, baby.
- Liguei pra saber se você quer que eu vá até aí. A gente podia fazer um amorzinho gostoso.
- Bom, Pam, na verdade, eu ia começar a escrever agora.
- Mas você mesmo disse que não consegue escrever, tá com bloqueio, falta inspiração ou alguma frescura dessas.
- É, mas exatamente agora, quando parecia que eu ia conseguir, você ligou e me interrompeu.
- Quer dizer que eu só te atrapalho? - perguntou claramente irritada.
- Eu não falei isso...
- É, não falou mas quis dizer isso. Eu sei. - agora já aos gritos - É assim, eu sou um estorvo, uma pedra no seu caminho, um...
- Não é nada disso, baby. Na verdade você me faz muito bem.
Acho até que eu vou escrever melhor ainda depois de ver você.
- Você está falando sério? – quis confirmar, acalmando-se.
- Tô sim, tô.
- Eu posso ir aí, então?
- Claro, vem. Tô te esperando.
- Chego aí em quinze minutos – e desligou.
Droga! As coisas que um cara tem que fazer para não magoar as mulheres.
Não era apaixonado por Pam. Era uma garota legal. Tinha dessas paranoias de vez em quando de estar atrapalhando, de ser um problema para os outros e tal, mas tirando isso era boa gente. Gostava de sua companhia. Isso sem falar nos peitões. Que tetas! Grandes, fartas...
Mas era melhor parar de pensar nos peitos da Pam e retomar o trabalho. Aproveitaria que ela só deveria chegar dali a uns quinze, vinte minutos e, pelo menos, lançaria alguma coisa inicial, um esboço.
Mas e alguma ideia agora? Parecia que aquele momento de criatividade havia sido uma breve iluminação, uma espécie de brincadeira de Deus, se é que Deus existe.
Estava travado de novo. Odiava ser interrompido quando escrevia. Era como se as coisas, assim, puf!, se desvanecessem no ar. E aquela puta da Pam... Tinha que estragar tudo.
Bom, era reorganizar a mente e tentar recomeçar.
Tinha que produzir alguma coisa. Não era possível! O que o impedia? Vamos lá, é uma letra depois da outra, uma palavra depois da outra, uma frase, um parágrafo, uma página, vamos, vamos. Mas o quê?
Podia escrever sobre um escritor que não conseguia escrever, que saíra à noite pra respirar e conseguir inspiração mas acabara entrando em bares, enchendo a cara, se metendo em brigas e, quando se dava conta, acordava em casa pela manhã todo vomitado em sua cama. Aí o cara tomava um banho, dava uma cagada e de repente tinha aquele brilho pra escrever. Sentava então em frente ao papel em branco e quando ia começar o telefone tocava. Era sua namorada ou noiva ou amiga ou amante querendo saber se ele estava a fim de uma trepadinha. Ele até estava, mas a hora era imprópria. Argumentava para a garota que estava tentando escrever, que seu editor até já lhe ameaçara caso não entregasse alguma coisa e que a ligação quebrara sua concentração. Ela se sentiria desprezada, ofendida, discutiriam rapidamente e no fim das contas, para não magoá-la, ele aceitava que ela fosse ao seu encontro. Ela demoraria um pouco para chegar, o que seria tempo suficiente para o cara dar uma partida no trabalho, a não ser pelo fato de que a ligação e toda aquela interrupção o haviam feito perder a linha de raciocínio e voltar à estaca zero. O cara então tentava reorganizar as ideias, botar os pensamentos em ordem. Aí a campainha da porta tocava. Devia ser ela.
- Ei, seu safado! - foi o que escutou assim que abriu a porta sem ver quem era.
Era o editor.
- Oi, Tom.
- “Oi”? É tudo o que você tem pra me dizer? Você tá a fim de foder comigo? Sabe há quanto tempo eu estou esperando aquele seu material novo, sabe?
- É, um bocado de tempo, eu sei.
- E então?
- Eu estava meio... bloqueado, sem inspiração, sei lá.
- Inspiração? Inspiração? - aos gritos - Você deve estar de sacanagem comigo, só pode. Frescura, pura frescura é isso que essa palhaçada de inspiração é. Frescura.
- Tá bom, Tom, tá bom. Mas eu já tô fazendo alguma coisa.
Comecei alguma coisa hoje.
- Hoje? Só hoje que você foi começar? Você deve estar de brincadeira.
- Não, hoje é modo de dizer, faz alguns dias – argumentou, tentando acalmar o editor.
- E o que é? É coisa boa? - perguntou interessado.
- Acho que é bom, escuta só: era um escritor que não conseguia escrever nada. Tava com bloqueio, falta de inspiração ou alguma frescura dessas. O cara resolve sair pra tomar umas, ver gente, conversar, arranjar algum assunto pra escrever o livro dele. O cara vai de bar em bar, bebe pra caramba, arranja umas confusões, briga, apanha, apaga e acorda só no dia seguinte, em casa...
- Como é que ele vai para em casa? - interrompe o editor.
- Isso não interessa agora, Tom. Escuta. O cara acorda em casa na própria cama, todo vomitado e com o olho roxo. Ele vai ao banheiro, dá uma cagada, toma um banho, cuida do olho e de repente parece que toda aquela situação tinha despertado uma coisa nele.
- A porra da inspiração – interrompeu o editor novamente.
- É alguma coisa assim, mas não me interrompe, Tom. Eu perco a linha de raciocínio.
- Tá bom. Segue. Vamos ver onde essa coisa vai chegar.
- Bom,... onde é que eu estava mesmo?
- Na inspiração.
- Ah, é. A inspiração. Bom, aí quando o cara achava que ia conseguir escrever, botar as coisas no papel, o telefone tocava. Era a ex-mulher dele querendo saber se podia ir lá, na casa do cara, conversar.
- Conversar? Conversar? Conversar não vende. Faz a namorada, amiga, amante, sei lá, uma vadia qualquer ir na casa do cara foder com ele ou algo do tipo. Uma com tetas grandes. Os leitores adoram tetas grandes.
- Tá bom, pode ser – concordou o autor só para poder continuar a contar sua história – Então a tal mulher, essa peituda, queria dar uma passadinha lá pra dar uma trepada, uma chupada, que fosse, mas o
cara alegava que não era um bom momento, que estava tentando escrever e que pela primeira vez em muito tempo algo lhe vinha à mente.
- Esse escritor do teu livro era bicha?
- Não, ele só não queria perder o momento, o brilho, mas você vai me deixar contar ou não?
- Continua, continua. Vai.
- Ela ficava chateada achando que na verdade o cara nunca gostara dela mesmo e aquele drama que toda a mulher faz, aí o cara amolecia, pedia meia dúzia de desculpas da boca pra fora e concordava que
ela o visitasse. Como ela combinara chegar em quinze, vinte minutos, aproveitaria aquele tempo vazio pra dar uma adiantada no trabalho. Mas aí...
- Aí o que? - perguntou verdadeiramente curioso o editor.
- Puf! A ideia desaparecera. O telefonema, a discussão, os peitos, a interrupção o tinham feito perder o fio da meada. Perdera tudo.
- Não, não. Agora sim, você só pode estar querendo tirar sarro da minha cara. Você me faz ficar aqui te escutando, perdendo meu precioso tempo, fica horas nesse bla bla bla todo pra no fim o cara não ter ideia nenhuma?
- Calma, Tom, eu ainda estou desenvolvendo. Senta aí, senta – disse apontando para uma poltrona velha e desfiada – Quando você chegou eu estava exatamente na parte que o cara tenta botar a cachola em ordem de novo, tenta recuperar a ideia. Mas aí batem na porta.
- Quem é?
Ninguém responde.
Batem novamente. Mais forte. Com mais insistência. Não devia ser a Pat ainda, não havia se passado nem dez minutos desde que ligara. Devia ser o editor. Puta merda. O cara cobraria de novo aquele material e tudo o que tinha era uma ideia inicial, um esboço.
Supondo ser quem imaginara que fosse, com confiança, foi abrindo a porta, sem espiar quem era, e já dizendo:
- Ei, Theo, desculpe mas...
Não era o editor.
Parado no lado de fora, à soleira, estava um cara. Um cara enorme, um armário, um gorila de terno preto e óculos escuros. Um cara grande mesmo, de verdade.
- Posso ajudar? -perguntou o escritor com um misto de
curiosidade e desconfiança.
- Com certeza pode. – respondeu o grandalhão com um sorriso ameaçador no canto da boca.
- Você é...? - deixou a interrogação aberta para que fosse completada, no fundo, temendo pela resposta.
- Eu diria que sou seu anjo-da-guarda. - sorriu novamente e complementou - Fui enviado pra lhe trazer um pouco de inspiração.
E foi entrando empurrando o escritor para dentro de sua própria casa.
- Ei, calma aí! O que você acha que está fazendo?
- Só vim dar uma refrescadinha na sua memória pra você lembrar que tem um compromisso de entregar um livro. – disse o gorila erguendo o escritor pela camisa.
- Ei, ei...
- Mas não se preocupe, – como se sua frase seguinte pudesse tranquilizasse alguém – não vou machucar muito nem sua cabeça pra você poder pensar em alguma história, nem seus dedos pra você poder
datilografar.
E a última coisa que ouviu antes do soco foi:
- Com os cumprimentos de Theo D'Angelo.
Apagou.
Só acordou no dia seguinte em sua cama com o corpo todo dolorido e com um olho roxo.
Levantou-se com dificuldade, foi ao banheiro, jogou uma água na cara, olhou o próprio rosto no espelho e sorriu para o homem com olho roxo que o encarava. 
Pela primeira vez em meses sabia o que tinha que fazer. 
Foi à cozinha, pegou uma garrafa já aberta de vinho, um copo e tomou posto em frente à sua máquina datilográfica. O telefone tocou, tirou do gancho e deixou o fone sobre a mesa sem atender. Tocaram a campainha da porta, respondeu num grito, “Não estou”.
Colocou um papel em branco na sua Clark-Nova, deu um gole do vinho e, sem titubear, como se tudo tivesse estado o tempo inteiro dentro de sua cabeça, começou:
Era um escritor que não conseguia escrever...


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O Conto Nunca Escrito
Cly Reis
* conto inédito no ClyBlog, até então publicado apenas 
na antologia "Big Buka - Para Charles Bukowski", 
por conta de direitos de publicação

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Música da Cabeça - Programa #474

 

Quem disse que super-herói não existe?! Que o Homem-Aranha combatia os criminosos se sabia, mas que ele metia a porrada em supremacista branco é novidade! Enchendo a mão contra esse imbecis, o MDC veste sua fantasia e aciona os superpoderes de Rufus & Chaka Kahn, Nelson Sargento, The Velvet Underground, Marisa Monte e mais. O bloco especial, Cabeção, traz ainda a compositora e pianista mexicana Consuelo Velasquez. Cada vez mais fãs do Spider-Man, temos nosso programa hoje, 21h, na confrontadora Rádio Elétrica. Produção, apresentação e super-força: Daniel Rodrigues



www.radioeletrica.com

terça-feira, 25 de agosto de 2026

"Grão", de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, e "Banho Maria", de Gabriel Faccini (2026)


O mundo está acabando

Nei Lisboa diz em uma de suas reflexivas canções: “Alguns edifícios por dia/ Desabam dentro da avenida/ E salva-se a filosofia”. Entendidas metaforicamente, estas “edificações” podem muito bem representar aquilo que erguemos como padrões temporais para o ser humano em sociedade. E que está desabando, acabando-se. Antes sólidos, inabaláveis; hoje, contestados, ressignificados. Em crise. Isso serve tanto para os arquétipos filosóficos de jovens tanto homens quanto de mulheres, algo muito bem percebido por curtas-metragens da nova safra do cinema gaúcho exibidos na Mostra Assembleia Legislativa de Curtas-Metragens Gaúchos durante o 54º Festival de Cinema de Gramado, ocorrido entre 12 e 22 de agosto.

Mais propriamente, os filmes com esse olhar imersivo são “Grão”, da dupla rio-grandina Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, o principal premiado da mostra competitiva, e o não menos instigante “Banho Maria”, de Gabriel Faccini. O primeiro, uma crítica mordaz da masculinidade tóxica. O segundo, uma reflexão existencial do lugar da mulher na sociedade capitalista – e essencialmente machista. Cada um a sua forma, ambos os filmes põem em questionamento estes padrões arraigados – e caducos – do que é (ou deve ser) homem ou mulher, como se, para ser um ou outro, tenha-se que seguir uma cartilha que já não existe mais. Ambos, mesmo em situações distintas, em determinado momento trazem dita a mesmíssima frase: “O mundo está acabando”.  

“Grão”, em especial, pode-se considerar o melhor curta-metragem da temporada (quiçá, o melhor filme gaúcho entre todos do ano). É o aprimoramento do trabalho de Cozza e da Rosa e da produtora Saturno, coletivo que vem realizando produções na mesma linha há alguns anos com grande contundência e assinatura estilística. No primeiros deles, o belo documentário “Construção”, de 2020, sobre uma mãe de família despejada de sua casa e reconstruindo a vida, já se percebia um olhar distinto sobre questões sociais e existenciais por meio de um hibridismo entre documentário e ficção. Porém, foi em “Madrugada”, de 2022, e, logo após, mais transversalmente, “Cassino” (2024), que a dupla adentra no (sub)mundo da sua Rio Grande, cidade portuária com oportunidades mas geradora de um “cinturão” de subempregos ocupados por jovens desqualificados para o que o sistema exige.

trailer de "Grão"

Metais, fumaça, máquinas opressivas e ensurdecedores ruídos industriais imperam sobre um ambiente escuro, de luzes funcionais e impessoais em que os braços fortes não têm capacidade de controlar os sentimentos da vida. Numa fotografia metalingusticamente granulada, edição fragmentada e uma câmera ora atenta a um fato, ora meramente observadora, os personagens masculinos, representados na figura de Leandro, magistralmente interpretado por Leandro Gomes, iludem-se com seus carros possantes, suas músicas altamente insinuantes, seus músculos fabricados e com meia dúzia de notas em dinheiro para aplacar os desejos sexuais. Nada disso mais é suficiente. A transa com a garota desejada, a venda da “caranga”, a curtição com os “bróder”: tudo termina descartado, encalhado, abandonado. Como o antigo barco na praia do Cassino, como os grãos de soja sobrados na beira do mar, como o carro atolado na areia da praia. Como ele mesmo, depois de uma noite de porre e solidão, afundado na terra. Um grão de volta a seu ciclo para poder voltar a existir.

Não apenas o júri principal da Mostra Assembleia Legislativa, que lhe deu três premiações, entre estas, a de Melhor Filme, a Associação de Críticos de Cinema do RS (Accirs) também concedeu o Prêmio da Crítica. Em sua justificativa, a Accirs escreveu: "Por tratar da masculinidade sob uma ótica crítica, com humor e densidade; por tornar um território em crise um personagem central do filme; por deixar transbordar solidão, melancolia e desejo com domínio de recursos visuais e sonoros; a ACCIRS reconhece mais um passo na trajetória investigativa do grupo de realizadores neste universo e premia o curta-metragem 'Grão'". Antes, o filme já havia sido escolhido para a 9ª Mostra Sesc de Cinema – Circuito RS e ganhado o Festival de Tiradentes, em Minas Gerais, o que o tornou apto a concorrer pelo Brasil ao Oscar de 2027, mostrando que a turma da Saturno está madura para, agora, encarar o primeiro longa-metragem. Que venha, pois deverá ser coisa boa.

Construído a partir de outras premissas e escolhas narrativas, “Banho Maria”, embora não tenha levado nenhum prêmio em Gramado – é, igualmente a “Grão”, um dos 14 selecionados da Mostra Sesc desse ano –, é de uma contundência mais sensível, mas não menos branda. Em uma manhã de calor escaldante, uma mulher, Maria (Silvana Rodrigues), decide faltar ao trabalho e aproveitar o dia num parque aquático para refletir sobre si, quando encontra um menino, que está de aniversário, o qual, indiretamente, ajuda-lhe e sua busca interna.

Ao transformar o ambiente do parque aquático em um cenário quase surreal a partir de seus enquadramentos, temperatura de foto e até de efeitos especiais (pequenos, mas muito bem feitos), o filme de Faccini compartilha com o espectador o autoquestionamento da vida de uma jovem preta e trabalhadora de classe média, um dos principais alvos da estrutura misógina e machista da sociedade brasileira, ainda mais por ser uma mulher fora dos padrões estéticos.

teaser de "Banho Maria"

De roteiro eficiente e diálogos idem (são impagáveis as conversas entre a protagonista e o pequeno Alisson, vivido por Lukas Rodrigues), “Banho Maria” reflete esse lugar do feminino preto em um Estado que nega a existência e a contribuição de sua população negra. O espectador é informado parcialmente das inquietudes existenciais de Maria, praticamente apenas a questão da contrariedade dela quanto aos próprias rumos profissionais. Porém, ficam subentendidos propositais “três pontos”, como se, ao mexer nessa estrutura sufocante de sua vida, outros aspectos também haveriam de ser desencadeados.

Estes dois curtas gaúchos convidam o espectador a um movimento de submersão interior simbólico da figura materna, seja um mergulho na água (útero) ou na terra (vida). Se em “Grão” a estranheza se revela pela surpresa da solidão masculina, em “Banho Maria” é a reação (sub)consciente feminina diante de sua realidade opressiva que permite um imergir diferente, mesmo que em “banho maria”, ou seja, ainda em processo de elaboração. Uma tentativa de mergulho em si mesma, nas verdades da personagem mulher e não um enterrar-se na areia como um bicho acuado (Leandro, de "Grão"). Seja pela crítica ou pela revelação, ambas as obras mostram que os valores desgastados daquilo que se entende por ser humano, seja homem ou mulher, já não se sustentam mais. O mundo está acabando, edifícios desabam dentro da avenida. É preciso rever suas bases para chegar a verdades interiores pouco acessadas, mas essenciais para um renascimento. E salva-se a filosofia.

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Daniel Rodrigues

sábado, 22 de agosto de 2026

ÁLBUNS FUNDAMENTAIS Especial Clyblog 18 anos - The Cure - "Wish" (1992)

 



“Wish”, A Prova Final de Quem Não Precisava Provar Mais Nada Pra Ninguém




“...eu amo The Cure. 
Não parece porque todo fã do The Cure 
se parece com o Robert Smith”
Noel Galagher, do Oasis





Se tem uma coisa que me estressa bastante é ter que esperar. Esperar em fila de mercado, nem se fala. Por isso, costumo sempre andar com meu telefone musical. Sim, aquele cachorro que não vai te abandonar quando você mais precisa. E eu só o uso para isso: ouvir música.
Outro dia eu estava no mercado, com meu inseparável amigo telefone. Daí, no decorrer da música, eu entrei no modo máximo do transe, como se tivesse baixado uma entidade sobrenatural em mim. Quando eu voltei do transe, praticamente desorientado, me dei conta de que uma garota que trabalha nesse mercado estava com os olhos fixos em mim, como se quisesse entender o que estava acontecendo. Foram dois flagras: ela comigo, e eu com ela. E é justamente disso que vou falar por aqui: que música eu estava ouvindo? De onde ela veio? Calma! Já vou falar. 
Ah! O que falei não é uma “estória”, mas uma “história”, ok?
Rolou mesmo!
Quem gosta de música sabe que, por mais que uma banda ou artista solo seja grande e longeva(o) ele pertence a um tempo, uma época. A banda The Cure é assim. Pensando em anos 80, não tem como pensar em música pop ou rock sem mencionar essa banda. Sobretudo na Inglaterra. Mas a grande questão é que se trata de uma banda que está em atividade até hoje, ainda bem. Mas, talvez pelo fato do rock ter tido um ponto de inflexão fortíssimo no  início dos anos 90 com a chegada do grunge, e tudo o que ele influenciou, esse disco do The Cure seja tão pouco citado quando o assunto é a banda, e muito menos quando o assunto é anos 90. Estou falando do álbum “Wish”. Na minha opinião, um dos melhores álbuns da banda, infelizmente, bastante ofuscado.
A banda é muito associada ao Gótico, sobretudo pelo visual do Robert Smith, como brincou Noel Gallagher (“...eu amo The Cure. Não parece porque todo fã do The Cure se parece com o Robert Smith). Claro que tem razões para isso. A banda lançou uma trilogia consagrada (trilogia sombria: "Seventeen Seconds" (1980), "Faith" (1981) e "Pornography" (1982),
fora "Disintegration"
 (1989) que segue essa linha e é considerado por muita gente o melhor trabalho da banda. Acontece que até aquele momento, o Robert Smith, principal compositor da banda, já havia provado que sua qualidade e capacidade artística era bem mais ampla e diversificada.
Não à toa, o álbum "The Head on The Door" (1985) também é considerado um dos melhores álbuns da banda, com uma diversificação musical bastante evidente. Aí, em 1992, quando a banda já completara 15 anos de vida, “Wish” se apresentou como um trabalho que mostra quais pedras compõem as possíveis imagens do caleidoscópio musical The Cure.
Sendo honesto, conheci parte do repertório do álbum pelo “Show”, um ótimo registro ao vivo, gravado áudio, em 1993 (tenho minha fita VHS até hoje, toda esfolada de tanto que eu assisti e emprestei. Trabalho Ótimo!). Tanto que demorei assimilar as algumas desse álbum na versão de estúdio. Mas quando ouvi o trabalho todo, amei o resultado.
Uma das coisas que me fascinam nesse álbum é a sua mixagem. Ele tem o som ótimo. Até hoje acho um álbum super agradável de ouvir, sem soar datado ou cacofônico. Outra coisa bacana é que o repertório do álbum que fica muito bom ao vivo também.
Mais do que falar do álbum, faixa por faixa, acho importante destacar justamente isso: a banda The Cure tem sua identidade musical. Uma delas é que a banda que teve a sorte de ter um vocalista com uma voz tão marcante, e que continua ótima, apesar do corpo sempre demonstrar algum desgaste ao longo do tempo. A voz do Robert continua viva e juvenil, marca registrada do cantor. Mas ela não é uma banda gótica, não é uma banda post punk, não é uma banda new-wave, não é uma banda alternativa, nem mais o que for. The Cure é uma banda que, como poucas, sabe misturar essas características, e até outras (Jazz, Música Cubana) e ser a banda que é. Nesse sentido, “ Wish” é um trabalho que mostra o que é essencial para entender musicalmente a banda. Uma coisa bacana do disco é a distribuição dos vários
estados dentro álbum. É como se fossem “quantas” (pacotes de energia), bem distribuídas ao
longo do álbum. Eu diria que esses blocos seriam “Apart”, “Trust”, “A Letter To Elise” e “To Wish Impossible Things”; “Open”, “Cut”, “End” e “Front The Edge Of The Deep Green Sea”; “High”, “Wendy Time”; “Doing The Unstuck” e “Friday I’m Love”, quebrados, claro. Como hoje é bem mais fácil fazer uma playlist, talvez algumas pessoas até prefiram ouvir o álbum assim, por que
não?
Beleza então, vamos de bloco 2. “Open”, uma canção que parece ter nascida para abrir shows da banda. Na versão ao vivo, ela tem uma introdução linda chamada “Tape” que abre caminho para a versão de estúdio. Apesar de ser uma canção atípica para as características da banda, ela soa com um grito de aviso: Chegamos! Estamos aqui! Somos a cura! Baixo pra cima, marcado, o meio, aquele que conduz a canção, uma das características marcantes da banda. “Cut”; eu simplesmente amo essa canção. Sem gracinha, direta, com andamento rápido e bastante pegada. Simplesmente a cocaína do álbum. Bem, se a cocaína não te bateu bem, que tal um LSD? Sim, pois “Front The Edge Of The Deep Green Sea” é uma viagem de entorpecedora. Como uma areia movediça, ela vai te neutralizando até te tomar completamente. Os segundos finais, com aquelas guitarras prolongando as notas, levando o solo ao ecstasy são arrebatadores. Me arrisco dizer que ela (ou o álbum), de alguma forma, está em “Mellon Collie and the Infinite Sadness” do 
Smashing Pumpkins. Depois que eu ouço essa canção, fico leve e pronto para outra. Se ela não for um LSD, ela é a maconha cultivada em laboratório, como no file “Beleza Americana”. Bem, falta fechar esse bloco, né?: “End”. Para mim, uma das melhores, das mais tensas e afetadas canções do Cure. É o Cure no modo máximo. Para mim, esse é bloco mais post punk do álbum, e essa canção é uma dos melhores encerramentos de álbum que já ouvi.
Convidei para a minha casa alguém nunca ouviu The Cure. Ou talvez tenha ouvido e nem sabe. Bloco 4, a carta na manga. Jogando Sueca, puxei a carta 7: “Doing The Unstuck”. Como eu amo a versão ao vivo (amo de paixão), demorei assimilar a versão de estúdio. Mas, sendo honesto, tirando o andamento, a briga fica pau a pau. Claro que a versão de estúdio é mais bem acabada, evidentemente. Além de ser uma super feliz, é um tapa na nossa cara, pois nos desafia a acreditar na vida, ter esperança, poder de reação e nunca se deixar abater pelas circunstâncias. Parece um dialogo entre o “Lippy” (o leão) e o “hardy” (hiena), no clássico desenho da 
Hanna-Barbera. Claro que deu leão na cabeça! 
E se o jogo ainda não está ganho, coloque o às na mesa. Sim! “Friday I’m Love” é uma canção imbatível. Até meu primo pagodeiro gosta dessa canção. Não pode faltar em nenhuma festa que se preze, e todos que a ouvem costumam se apaixonar perdidamente. Brincadeiras a parte, é uma canção perfeita. Melodia, harmonia, arranjo e canto. Tudo funciona nessa canção. Pensei que o Robert Smith não conseguiria fazer outra canção a altura de “Just Like Heaven”. Ok, Robert Smith. Você ganhou o jogo. Estava com o às na mão o tempo todo.


the cure - "friday i'm in love


Você acordou cedo no feriado, por incrível que pareça. Você não está tão feliz, pois sabe que vai ter que voltar a rotina no dia seguinte, mas também não está triste já que está em casa. O bloco 3 está na mesa. Feliz por poder mastigar o seu sanduíche sem ter a sensação de estar atrasada(o), “High” te deixa super bem, relaxada(o) e feliz ao ponto de você deixar algum pedaço de sanduíche para o cachorro, por mais delicioso que ele esteja. Depois rola “Wendy Time”. Fofa até o osso, ela pode te deixar com uma sensação tão boa que é capaz de você deixar de sentar no sofá e pensar na vida, só para cumprir a promessa de levar seu cachorrinho para passear durante o dia, sem ser final de semana ou domingo.
Mas, claro, deixei a parte triste para o final. Tem alguma coisa de alegre em estar numa fila de mercado em pleno domingo? Então, se é para sofrer, bora sofrer com dignidade. Uma das características mais aclamadas pelos fãs e críticos. 
Cadê o bloco 1? Bora de melancolia e tristeza. “Trust”. Só existe uma combinação perfeita para essa canção: o silêncio. Imersiva, hipnótica. Ela é super ‘Desintegration” e simplesmente apaixonante. Saindo dela, a coisa fica ainda mais barra pesada. “Trust” é tristíssima. Daquelas canções que nem é bom ouvir quando se está com uma sensação de ausência ou perda de alguém. É uma das canções em que o Robert Smith dá uma aula sobre como comover usando uma canção. E para finalizar, “A Letter To Elise”. Não tão triste como as outras desse bloco, mas igualmente down, porém como uma pitada de doçura como se uma cicatriz ainda doesse mas estivesse no caminho de ser curada. Ela me liberta de qualquer lugar insuportável, inclusive uma fila de mercado. Esse é o bloco mais “Disintegration”. Certamente com canções amadas pelos fãs. Bem, talvez olhando por essa perspectiva dê para ficar mais claro as características desse trabalho que, na minha opinião, é um dos melhores trabalhos da banda. Certamente está no meu Top 5, sem sombra de dúvidas. Se eu tivesse que apresentar a banda The Cure para alguém, bateria um bom papo com a pessoa, e pediria para ela ouvir esse trabalho com atenção, pois ele é bem gravado, o que ajuda a assimilar melhor as canções, e porque é um mapa para entender as características mais marcantes e fantásticas da banda: doçura, melancolia, tristeza e alegria (e um pouco mais, claro). The Cure tem todos esses anticorpos para te curar de qualquer mal sintoma. É uma vacina em forma de boa música. The Cure!



por  J A I R O   A L LO N E




🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵

f a i x a s:
1. open
2. high
3. apart
4. from the edge of the deep green sea
5. wendy time
6. doing the unstuck
7. friday i'm in love
8. trust
9. a letter to elise
10. cut
11. to wish impossible things
12, end


🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶

ouça:
The Cure - Wish (1992):





JAIRO ALLONE
é um morador da cidade do Rio de Janeiro. E como o próprio nome sugere, é
uma pessoa que, “de escolha própria, escolheu a solidão”. Mestre em nada e doutor em coisa
nenhuma, teve que se graduar em Engenharia Mecânica para trabalhar na indústria, muito
distante do sonho de trabalhar com música, para desespero da mãe, quando ainda era
adolescente. Foi guitarrista, letrista e colaborador de blog. Nunca deixou de ser um
apaixonado por música (a mais reativa das artes) e toda a contribuição que a arte dá para
tentar tornar o mundo mais humano, ou pelo menos mais suportável. Vive num universo 
ool

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Promoção ClyBlog 18 anos - "1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou"

 


Nos 18 anos do clyblog, você que nos acompanha é quem ganha o presente,

Mais uma vez, os irmãos bloggers, Cly Reis,  e Daniel Rodrigues estão juntos em uma publicação, desta vez o incrível "1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou", organizado por Karina Faria, Lauro Arreguy e Chico Izidro, com a participação de diversos autores, incluindo nós os editores do ClyBlog.

Celebrando o lançamento do livro, mais uma parceria literária da dupla e, é claro, nosso aniversário de maioridade, vamos sortear um exemplar desta publicação que, por sua vez, celebra os anos 80, época na qual muitos leitores do nosso blog viveram e conhecem bem.

Quer ganhar o seu?

É simples: É só curtir a nossa promoção nas nossas páginas das redes sociais e você estará concorrendo ao nosso sorteio que ocorrerá no dia 28 de agosto, aniversário do ClyBlog.

Vai lá, dá um CURTIR 👍🩷 em


 @clyreisno Instagram,

 x.com/clyblog 

e concorra.

Tá valendo!



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Música da Cabeça - Programa #473

 

Não adianta: agora o negócio é cair de vez nas Eleições - e nos debates! Então, respira e curte a reprise do MDC 282, de agosto de 2022, quando estávamos já envoltos neste mesmo clima nas Eleições passadas. Naquela vez, tivemos Beastie Boys, Elza Soares, Milton Nascimento, Kraftwerk, Maria Rita, Nonato Buzar e mais. Pausinha estratégica antes de o bicho pegar, o programa vai ao ar às 21h na debatedora Rádio Elétrica. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues   


www.radioeletreica.com

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

cotidianas #904 - Meu Pequeno Mundo

 



Acordou assustado de um sonho estranho. Não lembrava muito bem. Mas, enfim, não tinha tempo pra ficar pensando nisso mesmo. Já estava em cima da hora pro trabalho. Preparou-se apressadamente, esquentou o café de ontem, nem teria tempo pra comer nada. Já ia abrindo a porta de casa para sair quando viu aquele bolinho em cima da mesa com um bilhetinho assentado sobre ele, escrito, "Coma-me". Pensou quem teria deixado aquilo ali, a namorada, a vizinha, a faxineira... Mas, com fome e sem tempo para nada, não pensou duas vezes. Apanhou o bolo e meteu na boca. Depois questionaria a origem do doce.

Correu para o ponto de ônibus. Teve uma certa dificuldade para embarcar. Parecia que o degrau da entrada estava mais alto que de costume. "Esses novos ônibus que estão  circulando...", pensou, desapontado. Sem assentos disponíveis, teve que esticar bem o braço para segurar-se na barra horizontal. Definitivamente, a nova frota não fora pensada para conforto do passageiro!

Para descer, teve que literalmente saltar do ônibus. No curto trajeto que percorreu entre o ponto de ônibus e o prédio da empresa, tudo pareceu estranho à sua volta mas não sabia identificar exatamente o quê. 

No prédio, no elevador, foi ajudado por um gentil senhor para apertar o botão do décimo sexto andar. Percorreu os corredores do escritório como se ninguém o visse. Era impressão sua ou as divisórias estavam mais altas? Chegou à sua estação de trabalho e para sua surpresa não alcançava a cadeira. Ficou na ponta dos pés, deu um impulso, não adiantou. Teve que derrubar a lixeira e subir nela, deitada, para alcançar a área do assento. 

Ouviu de um colega que passava na entrada da sua baia, "O nosso colega aqui não vem hoje, não?".

Estava ali, mas ninguém o via. Ele pelo contrário, via os demais esticados como que intermináveis na direção do teto. Só então entendera o que estava se passando, por mais inverossímil que aquilo lhe parecesse. Olhou em volta como se procurasse alguma solução. Talvez tivesse encontrado: em cima da sua mesa do escritório repousava um pequeno frasco com um líquido amarelo fluorescente dentro, com um rótulo escrito, "Beba-me". Supondo que o bolo tivesse causado tudo aquilo, imaginou que a bebida o fizesse voltar ao normal.

Tomou distância até o final da cadeira, correu, deu um pulo, segurou na borda da mesa e conseguiu subir. Com muito esforço escalou a pequena garrafa, tirou a rolha e a empurrou, derramando o líquido na mesa, à qual pôs-se a lamber sofregamente como um se fosse um gatinho.


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Um estrondo acompanhado de um tremor assustou a todos. E outro, e outro... Se repetiam como passos. 

No escritório, todos correram para a janela para ver o que se passava. 

Um olho enorme cobriu toda a superfície da janela espiando para dentro.



Cly Reis

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Arquivo de Viagem Especial ClyBlog 18 anos - Tokyo, Takayama, Shirakawa-Go, Kanazawa e Kyoto - Japão


A Terra do Sol Nascente. Lugar fascinante de paisagens naturais incríveis que chegam a parecer cenários e arquitetura impressionante seja pela imponência da modernidade, seja pela beleza da tradição. 

Kaká Reis, a irmã dos blogueiros aqui, Cly e Daniel, esteve no Japão com sua companheira Joana Lessa, e divide conosco um pouco dessa experiência incrível para esse Arquivo de Viagem Especial de 18 anos do ClyBlog.

Com vocês algumas imagens de Tokyo, Takayama, Shirakawa-Go, Kanazawa e Kyoto.


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fotos Kaká Reis
e Joana Lessa

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Kaká Reis, gaúcha de nascimento mas carioca por adoção e coração,
é apaixonada por música e movida pela arte. 
Acredita que a ARTE movimenta e merece RESPEITO!
Atua em gerenciamento artístico, desenvolvimento de projetos 
e na potencialização de sons e talentos da música independente brasileira, trabalhando há mais de 15 anos no mercado de shows e eventos, 
conectando pessoas, ideias e experiências através da cultura.