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sábado, 29 de janeiro de 2011

Grace Jones - "Nightclubbing" (1981)

"Sabe, eu a vi vestindo algumas coisas que eu já usei, e isso realmente me irrita(...)
Eu prefiro trabalhar com alguém mais original que não fique me copiando."
Grace Jones sobre trabalhar com Lady Gaga


Um álbum sofisticado.
Poder-se-ia dizer até chiquérrimo!
A estilosa ex-modelo e manequim jamaicana Grace Jones conseguia, depois de alguns discos apenas interessantes no início da carreira musical, transpor enfim todo seu charme dos estúdios fotográficos para os de gravação com o excelente "Nightclubbing". A própria faixa que dá nome ao álbum que já era fantástica com Iggy Pop (autor em parceria com Bowie), consegue ficar talvez até melhor numa versão meio cabaré-chique às voltas com um piano grave e bem marcado com uma interpretação sensual e venenosa.
"I've Seen That Face Before (Libertango)", outro destaque do disco, é no fundo um tango sim, mas tem contornos reggae e coloridos de ritmos latinos. Seus trechos recitados em francês na voz provocante e poderosa de Mrs. Jones dão uma leitura toda diferenciada e singular à composição do argentino Ástor Piazzolla.
Minha preferida, no entanto, é "Pull Up to the Bumper". Apimentada e sem vergonha, traz um vocal provocante, uma guitarra bem suingada e um tamborim fazendo a marcação gostosíssima.
"Walking in the Rain", a primeira do disco é praticamente declamada sobre uma base clean sutilmente 'reggeada' e extremamente bem desenvolvida nos detalhes. Outra das boas é "Use Me", que além de outra interpretação magistral da gigante de ébano, tem uma bela linha de baixo. "Demolition Man" de Sting tem um estilo mais forte, mais new-wave, mais rock e por consequência um vocal mais agressivo também, quase falado na maior parte do tempo só ganhando ritmo mesmo nos refrões. "I've Done it Again" se encarrega de fechar o disco baixando a rotação apaixonadamente numa baladinha tristonha.
Nove interpretações notáveis com as mais diversas nuances dentro do universo da música negra e da música pop em geral. É daquelas obras e daquele tipo de artista que alguém mais mal informado pode torcer o nariz num primeiro momento achando que um disco de ex-modelo seja necessariamente sem qualidade, mera autopromoção, etc. Muitas são assim, sabemos, mas certamente este não é o caso. Para Grace Jones a passarela, os flashes podem ter aparecido antes na vida antes, mas com certeza ela foi feita mesmo para o microfone e para o palco. E quanto ao álbum, o que se pode dizer de "Nightclubbing" é que sobre um repertório variado e extremamente bem escolhido, ela coloca suas voz negra e poderosa de maneira singular e recriadora.
Não somente um álbum sofisticado, um álbum chiquérrimo, mas sobretudo um álbum brilhante.
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FAIXAS:
  1. " Walking in the Rain "( H. Vanda , G. Young ) - 4:18
  2. " Pull Up To The Bumper" "(Koo Koo Baya, Grace Jones, Dana Mano) - 4:41
  3. " Use Me "( Bill Withers ) - 5:04
  4. " Nightclubbing" ( David Bowie , James Osterberg ) - 5:06
  5. " Art Groupie" (Barry Reynolds, Grace Jones) - 2:39
  6. " I've Seen That Face Before (Libertango) "( Astor Piazzolla , Barry Reynolds, W. Dennis, N. Delon) - 4:30
  7. " Feel Up "(Grace Jones) - 4:03
  8. " Demolition Man "( Sting ) - 4:03
  9. "I've Done It Again" (Barry Reynolds) - 3:51
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Ouça:
Grace Jones Nghtclubbing


Cly Reis

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Grace Jones - Festival Back2Black - Grande Sala na Cidade das Artes - Rio de Janeiro /RJ (19/11/2016)


Grace Jones, uma entidade mística do pop.
Grace Jones é uma show-woman!
Ela é o show.
Essa, sim, é uma verdadeira artista pop.
Pega todas essas Gaga, Pink, Azalea, Cyrus, Aguilera, Beyoncé, junta tudo isso e não dá uma Grace Jones.
Sua apresentação na noite do último sábado na Cidade das Artes no Rio de Janeiro como atração principal do Festival Back2Black foi a comprovação de que se trata de uma das mais importantes figuras artísticas do nosso tempo. Ela é sensual, provocativa, pirada, picante, selvagem, meticulosa, espontânea e uma baita cantora.
A jamaicana, além de cantar muito e embalar o público, fez de tudo um pouco no palco. Caiu, rastejou, pediu sexo, fumou unzinho e distribui beijos na boca dos fãs sortudos que estavam na primeira fila. Surgindo detrás de uma pesada cortina de veludo num placo elevado, com uma máscara dourada de caveira e o corpo seminu pintado com motivos inspirados em Keith Haring, compondo visual meio vodu-pop, a rainha negra já saiu disparando a grande "Nightclubbing" de Bowie e Iggy para o primeiro delírio geral. Desceu as escadas do palco alto engatinhando como uma fera para seguir então com a intensa "This Is" de seu último trabalho, o ótimo "Hurricane", mas pareceu meio preguiçosa, cansada, desleixada ou sob efeito de alguma(s) substância(s) que prejudicavam seu desempenho em "Feel Up", cantando praticamente todo o tempo deitada, rolando no palco e exagerando na interação com o público a ponto de despertar um início de desconforto do público que se impacientava e resmungava pedindo para que ela retomasse o show. Mas, apesar de admitir que estava "muito louca", não se tratava de nenhuma das possibilidades por mim levantadas. Ela estava mesmo era muito à vontade, muito de boas, muito descontraída, talvez um pouco demais e, sim, sob efeito de substâncias, a ponto de exceder-se um pouco em determinados momentos. Mas todo excesso era perdoado assim que começava a canção seguinte pois com o microfone na mão e sua banda precisa e impecável, cada número era um êxtase.
Acrescentando constantemente ao figurino perucas exageradas e chapéus exuberantes, Miss Jones impressionava  a cada número pela voz, pela vitalidade, pela boa forma e pelo domínio de palco. Surgindo como uma espécie de orixá das matas, apresentou sua carmosérrima versão de "Libertango" de Astor Piazzola encantando a todos; com um visual tribal africano e dois dançarinos no palco, um deles fazendo pole dance, apresentou uma canção nova de característica bastante étnica que, segundo ela estará em seu próximo álbum a ser lançado em breve e pôs o publico para dançar com a embalada e sexy "My Jamaican Guy". Surpreendentemente por não ser das mais conhecidas, a recente "William's Blood" (também de "Hurricane") foi uma das que mais empolgou. Mas isso só até vir a maliciosa "Pull Up To The Bumper" que  tomou-lhe o posto de campeã de entusiasmo na noite num número absolutamente catártico.
Um nome de uma canção poucas vezes fez tanto sentido como quando a musa cantou "Amazing Grace" à capela, num dos grandes momentos do show. Uma interpretação fantástica simplesmente de arrepiar. Amazing, Grace! Amazing! E outro dos pontos altos aconteceu na rock-new wave "Love Is The Drug" do Roxy Music, quando a musa entrou com um chapéu coco espelhado tal como uma bola de discoteque, e posicionada abaixo de um feixe de lasers coloridos distribuiu os feixes de luz por toda a sala num espetáculo visual incrível. Ali, naquele momento, mais do que nunca, Grace era a música, o palco e a luz.
Fechou o show com "Slave To The Rythm" cantando ao mesmo tempo em que girava um bambolê dourado na cintura durante praticamente toda a performance, impressionando pela disposição, boa forma e pela capacidade de cantar daquele jeito mesmo durante toda aquela atividade física.
Um show de uma artista completa. Na ousadia, na qualidade, no comportamento, na música. Um ícone, uma cantora, uma mulher, uma criatura, um personagem, uma entidade, uma máquina, um animal, uma modelo, uma cantora, uma artista, tudo isso pode ser colocado no amplo rol de adjetivos daquela deusa negra imponente que nos maravilhou na noite do sábado, mas prefiro concordar e ficar apenas com a definição que era frequentemente gritada em algum ponto do teatro pelos fãs e pelas inúmeras "graces", transformistas e performers caracterizados homenagenado a cantora: "Diva". E isso resume tudo. Diva.


trecho de "Libertango" - Grace Jones (Festival Back2Black 2016)



Cly Reis

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Mesma melodia, letras diferentes


O fato de apresentar o programa Música da Cabeça, na Rádio Elétrica, é meio que mera desculpa minha para ir à cata de listas. Sempre gostei de criá-las a partir das coisas que curto, das criteriosas às mais estapafúrdias. Uma dessas que me veio à mente para usar no programa se refere a músicas que têm a mesma melodia, mas letras diferentes. A parte musical e o arranjo podem ser idênticos, mas o que é cantado, não. Às vezes, até melodias de voz e cantores diferentes. Dois lados da mesma moeda ou - por que não? - do mesmo disco.

Numa rápida pesquisa de memória, o interessante foi perceber que essa prática é comum nos mais diferentes gêneros, culturas e locais. Seja no Brasil, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Inglaterra ou até na Jamaica, não há quem resista em usar aquela base que ficou superlegal de um outro jeito, numa outra roupagem. 

Pra compor esta lista de 15 + 1 exemplos, ainda contei com a ajuda de meu irmão e parceiro de blog Cly Reis, que contribuiu com algumas das duplas de músicas as quais não tinham me ocorrido.

Tom Zé e Tim: ambos com duas duplas
de músicas na lista
Importante ressaltar que não valem músicas até então instrumentais que ganharam letra depois de um tempo, casos de “Valsa Sentimental” (de Tom Jobim, que, quando letrada por Chico Buarque, virou ”Imagina”) e “A Rã” (originalmente, “O Sapo”, de João Donato, que passou a ter esse novo título na letra de Caetano Veloso). Neste caso, aceitou-se como exceção quando uma delas é instrumental e a outra cantada, mas desde que pertençam a um mesmo artista e que este as tenha composto para um mesmo projeto.

Igualmente, não se incluem canções “reprise” ou de letra mesmo que diferentes entre si, mas que se tratam de duas partes da mesma, nem mesmo versões para idioma diferente do original feita por outro artista. Músicas “irmãs”, tipo “Blue Monday” e “586”, da New Order, ou “Crush with Eyeliner” e “I Took Your Name”, da REM, não cabem, nem muito menos aquelas que samplearam a “alma” do tema que a inspirou, como o rap norte-americano costuma fazer. Essas todas ficam de fora – quem sabe, guardam-se para uma futura outra lista...

Do blues ao samba, do industrial a soul, do shoegaze ao psicodelismo. Têm dobradinhas bem interessantes e variadas.


1. "João Coragem"/ "Padre Cícero" - Tim Maia
Em 1970, Tim estava gravando seu disco de estreia quando Nelson Motta aparece no estúdio e fica maravilhado com "Padre Cícero". Tanto que pediu para Tim e Cassiano alterarem a letra para a música entrar na trilha da primeira novela da Rede Globo, "João Coragem".

2. "Sister Midnight"/ "Red Money" - David Bowie
A fase berlinense rendeu coisas maravilhosas e simbióticas para Bowie. "Sister Midnight", composta por ele e Iggy Pop para abrir "The Idiot", de Iggy, de 1977, serviu para o próprio Bowie finalizar sua própria trilogia na capital alemã dois anos depois com outro título e letra.

O mestre da "preguiça" baiana sabia muito bem fazer sambas geniais com pouquíssimos versos, quando não quase repetidos. Aqui, o que Caymmi repete é a parte instrumental idêntica a ambas, mas com melodias de voz e letras totalmente diferentes entre si.

"Strange Brew", que abre o cláscico disco "Disreali Gears", de 1967, é tão boa que dá vontade de reescutá-la. Não precisa, pois Clapton/Bruce/Baker a põem no fim do disco, só que com outro nome e letra. 


5. "Mã"/ "Nave Maria" – Tom Zé
Uma mais percussiva, a outra mais world music, mas ambas de abertura de seus discos "Estudando o Samba", 1976, e "Nave Maria", 1984) e sobre o genial riff do baiano de Irará.

6. "Teenage Lust"/ "Heat" - Jesus & Mary Chain
"Teenage Lust" é um clássico da banda que coroa uma fase inspirada, marcada pelo disco "Honey's Dead", de 1992. "Heat", por sua vez, está na coletânea de B-sides "Stoned and Detoned", de um ano depois.

Vindo de Moz, artista que produz muito, não seria estranho haver esse tipo de repetição. No caso, "Alma Matters", hit do disco "Maladjusted", de 1997, tem como sombra "Nobody..,", da coletânea "My Early Burglary Years", de 1998.

8. "Waiting"/ "Do You do It?" – Madonna
No talvez melhor disco de Madonna, "Erotica" (1992), a ousadia de pôr um mesmo tema duas vezes, sendo a segunda cantada não por ela, mas pelos rappers Mark Goodman e Dave Murphy.

9. "Pocket Calculator"/ "Dentaku" – Kraftwerk
Totalmente iguais, não fosse uma ser cantada em inglês e a outra em japonês. Aí os alemães conseguiram fazer, pro disco "Computer World", de 1981, duas obras totalmente diferentes sendo a mesma coisa.

Quase iguais, não fosse o título e algumas partes da letra. Mesmo estando no mesmo disco, o clássico "Pet Sounds", de 1966, é tão bonita que não há nenhum problema em "reouvi-la" com pouca diferença entre uma e outra.

11. "Os Escravos de Jó"/ "Caxangá" – Milton Nascimento
A censura, que comeu praticamente todas as letras de "Milagre dos Peixes", de 1973, inclusive "Os Escravos de Jó", parceria de Milton com Fernando Brant, já havia abrandado um pouco anos depois quando Elis Regina gravou "Caxangá" e depois o próprio Milton.

12. "Graveyard"/ "Another" – P.I.L.
A instrumental "Graveyard", de "Metal Box" (1979), é, literalmente, a "Outra" em "Commercial Zone", disco de sobras de estúdio da mesma época. Coisas da cabeça conceitual de John Lydon e sua Public Image Ltd..

13.  "Jimi Renda-se"/ "Dor e Dor" – Tom Zé
A mente inquieta de Tom Zé faz com que, mais de uma vez, ele revisite a própria obra. Assim como "Mã"/"Nave Maria", a metaliguagem pega nestas duas também, de 1970 e 1972 respectivamente.

14. "Slave to the Rythmn"/ "The Fashion Show" – Grace Jones
O disco de Grace "Slave to the Rhythm", de 1985, em si, é todo cunhado sobre a mesma base, mas estas duas não não são iguais pela letra.


15. "With no One elseAround"/ "Pra Você Voltar" – Tim Maia
Tim não tinha vergonha de reaproveitar melodias suas mais de uma vez, mas aqui ele fez melhor: uma em inglês, para o arrasador álbum de 1978, e outra na língua de Camões, um ano depois ("Reencontro"), em que até o sentido das letras são totalmente diferentes.


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+1. "À Flor da Pele"/ "À Flor da Terra" – Chico Buarque
O título é igual, "O que Será?", eu sei, mas o fato de o subtítulo ser diferente faz, com perdão da redundância, toda a diferença. Escritas por Chico para a trilha sonora de "Dona Flor e seus Dois Maridos", de 1976, uma inicia o filme e outra o encerra - e as letras são totalmente distintas.


cena final do filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos" - tema: "À Flor da Pele"


Daniel Rodrigues

sábado, 10 de dezembro de 2016

Janelle Monáe - The ArchAndroid" (2010)




“ ["The ArchAndroid"] é uma múltipla visão
da música do passado e do futuro
nos Estados Unidos.”
The New York Times




Dance music, cinema, arte pop, funk, ficção científica, soul, estilo, disco music, hip-hop, ousadia. Estes são alguns dos elementos combinados com muito talento por Janelle Monáe em seu disco de estreia, o surpreendente "The ArchAndroid". Um disco cheio de proposições e alternativas que só quem é do ramo, quem tem a manha da coisa sabe fazer e a jovem Janelle demonstrava logo de cara, em seu segundo trabalho, que dominava a arte com autoridade.
Depois de uma introdução altamente cinematográfica "Suite II - Overture" o disco se desenvolve numa sequência frenética numa sucessão de músicas pop de alta qualidade de tirar o fôlego. "Dance Or Die", que não por coincidência lembra a diva Grace Jones remetendo ao nome de uma de suas canções, "Do Or Die" invoca visões sombrias de um futuro convocando uma resistência à desumanização que o mundo tenta nos impor, numa audaciosa peça musical que vai do charleston ao hip-hop com impressionante agilidade. Sem deixar respirar emenda na acelerada "Faster", um pop jazzístico contagiante que por sua vez passa quase sem percebermos para a ótima "Locked Inside" uma charmosa releitura disco, e só então o disco dá uma desacelerada com a balada "Sir Greendown", na qual um órgão elétrico lhe confere um estilo todo vintage.
"Cold War", um pop-rock impetuoso repleto de ficção científica e "Come Alive", uma espécie de rockabilly soul alucinado minhas preferidas do álbum. A interessante "Tightrope" tem uma batida alta, intensa, e uma pegada mais hip-hop; "Oh, Maker" é uma balada folk acompanhada por uma batida ritmada; e a voz modificada de Janelle "Mushroom and Roses" lhe confere uma atmosfera ao mesmo tempo robótica e psicodélica em mais uma que parece saída de um filme sci-fi, com destaque especial para o trabalho de guitarra na canção.
"Neon Valley Street" e "Say You'll Go" são típicas representantes do soul americano, esta segunda em especial, excelente, muito ao estilo de Marvin Gaye de "What's Going On" ou de Michael Jackson antes de ficar branco e chato. "More The Bus" e "Wondaland" por sua vez são canções pop mais convencionais, mas não menos interessantes e qualificadas, e "57821" por sua vez, é uma canção lenta, frágil, que parece querer se desvanecer no ar a qualquer momento.
Abrindo omo uma trilha para filme de 007 e metamorfoseando-se como uma criatura mutante, "BaBopByeYa" fecha o disco refirmando seu caráter cinematográfico que, na verdade, por conta de suas vinhetas espalhadas ("Suite II", "Suite III", "Neon Gumbo"), finais estendidos e introduções dramáticas não tem como não ser notado, isso sem falar na capa e no visual Metropolis.
"The ArchAndroid" é tão diversificados em suas alternativas, musicalidade, recursos e interpretações vocais que poderia até parecer uma trilha sonora para algum filme feita por vários artistas. Mas não! Incrivelmente é uma só e, por sinal, uma das mais talentosas e completas que pintaram por aí nos últimos tempos. Prova de que para fazer música pop nos dias de hoje não precisa necessariamente ser repetitiva ou apelativa. Sei que muitos se contentam com a mesma batida, uns gemidinhos e uma bunda balançando, mas muitos de nós ainda querem isso: qualidade, criatividade e talento.
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FAIXAS:

  1. Suite II Overture 2:31
  2. Dance Or Die 3:12
  3. Faster 3:19
  4. Locked Inside 4:16
  5. Sir Greendown 2:14
  6. Cold War 3:23
  7. Tightrope 4:23
  8. Neon Gumbo 1:37
  9. Oh, Maker 3:47
  10. Come Alive (The War Of The Roses) 3:22
  11. Mushrooms & Roses 5:42
  12. Suite III Overture 1:41
  13. Neon Valley Street 4:11
  14. Make The Bus 3:19
  15. Wondaland 3:36
  16. 57821 3:16
  17. Say You'll Go 6:01
  18. BabopbyeYa
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Ouça:
Janelle Monáe The Archandroid


Cly Reis

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Música da Cabeça - Programa #188

 

Fim de era Trump é motivo de comemoração, né? Então, soltemos os fogos no MDC pela democracia e contra o fascismo no MDC de hoje! Nosso "vade retro, satanás" terá a trilha de Elastica, Camisa de Vênus, Grace Jones, Roberto Carlos, United States of Amarica, Guilherme Arantes e mais. No móvel, "Cabeça dos Outros" trazendo os britânicos da The Postal Service e "Palavra, Lê" homenageando Vanusa, morta esta semana. Prontos para a festa? Então, pega tua língua de sogra, aumenta o volume da Rádio Elétrica às 21h, que o bolo é por nossa conta. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues (Agora falta tu, Bozo.)


Rádio Elétrica:
http://www.radioeletrica.com/

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Música da Cabeça - Programa #70


Chegar nos sete-ponto-zero não é pra qualquer um. Mas pra nós, é! Chegamos ao programa nº 70 do Música da Cabeça! E a gente comemora sabe como? Falando dos setentões da música nacional e internacional, como Odair José, Grace Jones e Ozzy Osbourne. Além disso, tem sons do calibre de Jards Macalé, Stevie Wonder e Os Replicantes. Não precisa nem carregar 70% pra que vocês não percam o programa de hoje, que começa às 21h, aqui pela Rádio Elétrica. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues. 



Rádio Elétrica:
http://www.radioeletrica.com/

sábado, 16 de outubro de 2010

Exposição Keith Haring - Caixa Cultural - Rio de Janeiro









"Em minha vida fiz muitas coisa, ganhei muito dinheiro e me diverti muito. Mas também vivi em Nova Iorque nos anos do ápice da promiscuidade sexual. Se eu não pegar AIDS, ninguém mais pegará."




Este ilustre blogueiro
na exposiçã
Visitei também no último feriado a expoição de Keith Haring, no Centro Caixa Cultural, aqui no rio de Janeiro.
Conhecia pouco do trabalho do cara, achava legal o que tinha visto por aí e tal, mas é mais apreciável ainda vendo assim em exposição, entendendo o conceito do trabalho, as sequências temáticas, as experimentações, os métodos e técnicas.
Muita cor, muito movimento, traços espessos típicos de grafiteiro, conceitos pop, um jeito irônico, inquieto e inconformado de ver o mundo, com mensagens e atitude expressas em cada gravura. Show de bola!
Um barato uma exposição dessas aqui, ao nosso alcance. Que outras como esta venham mais vezes.



Keith Haring (Reading, 4 de maio de 1958 – Nova Iorque, 16 de fevereiro de 1990) foi um artista gráfico e activista estadunidense. Seu trabalho reflecte a cultura nova-iorquina dos anos 1980.
Nascido no estado de Pensilvânia, cedo mostrou interesse pelas artes plásticas. De 1976 até 1978 estudou design gráfico numa escola de arte em Pittsburgh. Antes de acabar o curso, transfere-se para Nova Iorque, onde seria grandemente influenciado pelos graffitis, inscrevendo-se na School of Visual Arts. Homossexual assumido, o seu trabalho reflecte também um conjunto de temas homo-eróticos.
Keith Haring começou a ganhar notoriedade ao desenhar a giz nas estações de metro de Nova Iorque. As suas primeiras exposições formam,michelleis acontele era gayecem a partir de 1980 no Club 57, que se torna um ponto de encontro da elite vanguardista.
Na mesma década, participou em diversas bienais e pintou diversos murais pelo mundo - de Sydney a Amsterdão e mesmo no Muro de Berlim. Amigo pessoal de Grace Jones, foi ele quem lhe pintou o corpo para o videoclip "I'm Not Perfect".
Em 1988, abre um Pop Shop em Tóquio. Na ocasião, afirma: "Em minha vida fiz muitas coisa, ganhei muito dinheiro e me diverti muito. Mas também vivi em Nova Iorque nos anos do ápice da promiscuidade sexual. Se eu não pegar AIDS, ninguém mais pegará."
Meses depois declara em entrevista à revista Rolling Stone que tem o vírus HIV. Em seguida, cria a Keith Haring Foundation, em favor das crianças vítimas da AIDS.
Em 1989, perto da igreja de Sant'Antonio Abate, em Pisa, Itália, executa a sua última obra pública - o grande mural intitulado 'Tuttomondo[1]', dedicado à paz universal.
Haring morreu aos 31 anos de idade, vítima de complicações de saúde relacionadas a AIDS, tendo sido um forte activista contra a doença, que abordou mais que uma vez em suas pinturas.
fonte: Wikipédia

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Exposição com 94 obras de Keith Haring
de 28/09 a 28/11
Terças, Quartas, Quintas, Sextas e Sábados das 10:00 às 22:00
Domingos das 10:00 às 21:00
(não é permitido fotografar)
Caixa Cultural - Rio de Janeiro (RJ)
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25. Centro - Rio de Janeiro (RJ) .

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

"Muito Prazer", de Jorge Furtado (2026)


Parece um contrassenso, mas fui tenso assistir "Muito Prazer", o novo longa de Jorge Furtado. Não por repelir prazer, não entendam mal. Mas, sim, por, no fundo, desejar não me decepcionar com Furtado. Cabeça genial do cinema gaúcho e nacional, criador de algumas das obras-primas do nosso cinema dos últimos 40 anos como “Ilha das Flores” e “O Homem que Copiava”, o cineasta e roteirista vinha apresentando, infelizmente, um considerável declínio em suas últimas realizações. Não que realizadores de longa data sejam impedidos de altos e baixos, até porque manter o mesmo nível por muito tempo é improvável. Mas, infalivelmente, espera-se que se mantenha a consideração por quem se admira.

Ocorre que, no entanto, a amostra recente de Furtado, tanto em cinema quanto em TV, vinha sendo errática e longe de seus melhores momentos. O por vezes monótono “Virgínia & Adelaide” (2023), codirigido por ele e Yasmin Thayná, o roteiro de “Grande Sertão” (2024), desastroso filme de Guel Arraes, ou o desengraçado humorístico televisivo “Tô Nessa” (2025), com Regina Casé, formam um conjunto de trabalhos que não condiziam com aquele criador sagaz de “Comédia da Vida Privada”, dos roteiros de “Lisbela e o Prisioneiro”, de comédias deliciosas e inteligentes como “Saneamento Básico - O Filme” ou “Meu Tio Matou um Cara”, para ficar nas comédias a título de comparação com “Muito Prazer”. Parecia que aquela veia criativa e inteligente havia esmorecido, tornado-se pouco eficiente, que as marcas de seu cinema se transformaram em clichês. Que o Furtado de antes, sabe-se lá o motivo, havia ido embora.

Mas a grandes artistas sempre se deve dar novas chances. Será que “Muito Prazer” traria o que seu título prometia? Filme iniciado e eis o primeiro diálogo entre os personagens de Daniel de Oliveira (Rubem) e de Luiza Arraes (Grace): fraco. Muito fraco. Sem conexão dos tempos de fala dos atores, soluções semânticas forçadas, encenação superficial... Ih! Deu a impressão de se estar assistindo a um daqueles especiais de comédia da Casa de Cinema de Porto Alegre para a Globo, só que sem brilho. Aquele receio antes de entrar no cinema, então, reapareceu: será que se confirmaram minhas tristes suspeitas sobre Furtado?

Mas a deusa Hedonê olharia por mim e não me deixaria sair frustrado. Logo o filme engrenou: os diálogos passaram a funcionar, as atuações ganharam densidade e o roteiro começou a fluir. Na história, Rubem, após descobrir que herdou de seu tio um motel desativado, encontra no local Grace, uma ex-funcionária que vive lá clandestinamente. Determinados a reabrir o motel, eles, juntamente com a amiga Nalva (Samantha Jones), confabulam um plano inusitado: vender na internet vídeos feitos por câmeras escondidas nos quartos dos clientes. Ao serem descobertos, eles têm agora que provar que os vídeos são falsos.

O intrépido trio Rubem, Grace e Nalva: pornografia sem apelação

É muito interessante como Furtado consegue construir um filme sobre pornografia sem ser superficial e não recair nem para a explicitação, de um lado, e nem para o pudico, de outro. Num mundo hedonista em que sexo e dinheiro continuam dando as cartas, é bastante auspicioso uma obra que trate sobre estes dois temas de uma maneira saudável.

Igualmente, há elementos bem próprios do cinema de Furtado, os quais ajudam nessa abordagem. A edição ágil, as falas combinadas e a exploração do cenário como configurador do espaço-tempo são algumas delas. A principal, no entanto, é a ludicidade típica do cinema do cineasta gaúcho. É este espaço do lúdico que sustenta, inclusive, outra característica sua, que é a incidência da metalinguagem. Como em “Real Beleza”, que traz o tema da subjetividade da formação da imagem, mas, principalmente, em “Saneamento Básico”, há presente a figura do cineasta. Se em “Saneamento” era Zico, personagem de Lázaro Ramos, quem representava a figura de gente como Furtado, em “Muito Prazer” o alter-ego desse alguém amador que brinca de fazer cinema realiza-se na nerd Nalva.

A trama, com suas idas e vindas, com o escalonamento das mirabolantes ideias “comerciais” do trio, é em muitos momentos hilária e traz aquela sensação a que tanto eu e muitos espectadores estão acostumados: a de como é confortante ver um filme de Jorge Furtado. A quem tive a felicidade de reencontrar. Não é, necessariamente, um de seus melhores trabalhos, mas foi como se eu pudesse, novamente, tal como faço mentalmente há cerca de quatro décadas, estender-lhe a mão em parabéns e cumprimento: “Muito prazer, Jorge Furtado. Que bom reencontrá-lo”.

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trailer de "Muito Prazer"


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Daniel Rodrigues

terça-feira, 14 de maio de 2019

Young Marble Giants – “Colossal Youth” (1980)



“Lá vem os jovens gigantes de mármore/
Trazendo anzóis na palma da mão.”
Renato Russo, 
da música “L’Age D’Or”, 
da Legião Urbana, de 1992

A história do rock é escrita por linhas tortas. Aliás, não poderia ser diferente em se tratando do gênero mais subversivo da história da arte musical. Seria superficial traçar um caminho direto que fosse de Berry-Elvis nos anos 50, Beatles-Stones-Velvet-Floyd nos 60, Led-Sabbath-Bowie-Pistols nos 70 e U2-Prince-Madonna-Metallica nos 80, chegando aos 90 da Nirvana-Beck-Radiohead. Às vezes, trabalhos distintos surgem para riscar um traço transversal no mapa do rock, demarcando algo novo e que se incluirá nessa linha evolutiva, influenciando artistas que virão dali para frente. Ou o que mais seria a Can, intersecção entre a psicodelia dos anos 60 e o krautcock alemão, que alimentaria as cabeças da galera da britpop dos 90? Ou Grace Jones, que, no início dos 80, se pôs entre o reggae jamaicano e a new wave para apontar rumos ao pop que viria logo em seguida?

Um desses acidentes altamente influentes na trajetória rock é a Young Marble Giants, trio indie galês que, com um único disco, “Colossal Youth”, lançado pelo icônico selo Rough Trade, em 1980, foi capaz de abrir caminho para toda uma geração influenciada pelos acordes básicos do punk mas, naquele início de década, já desejosa de uma maior leveza pop – a qual os punks, definitivamente, não entregavam em seu grito de protesto. Era o chamado pós-punk, subgênero a que a YMG é considerada precursora. Motivos para esse apontamento existem, haja vista as marcas que a música da banda deixou em ícones como R.E.M., 10.000 Maniacs, Everything But the Girl, Nirvana, Massive Attack, Air e MGMT.

E o mais legal: a YMG fez tudo isso se valendo do mínimo. O som é calcado em um riff de guitarra, base de baixo, teclados econômicos, leve percussão eletrônica e voz. Dito assim parece simplório. Mas aí é que começam as particularidades da banda. Não se trata de apenas uma voz, mas sim o belo canto de Alison Statton em inspiradíssimas melodias vocais. Os riffs, geralmente tirados da guitarra ou dos teclados de Stuart Moxham, cabeça do grupo, são bastante inventivos. Curtos, mas inteligentes, certeiros. As bases de baixo do irmão de Stuart, Phillip, seguem a linha minimalista assim como as programações rítmicas, as quais cumprem sempre um papel essencial em termos de harmonia e texturas.

"Searching for Mr. Right", que abre “Colossal...”, de cara apresenta isso: um reggae estilizado em que baixo e guitarra funcionam em complemento fazendo a cama para um vocal doce e cantarolável. Já o country rock "Include Me Out" lembra o som que outra banda britânica da Rough Trade faria alguns anos deli e se tornaria famosa: uma tal de The Smiths.

O estilo sóbrio e produzido com exatidão dá ao som da YMG uma aura de art rock, lembrando o minimalismo da The Residents mas sem o tom sombrio ou da Throbbing Gristle sem a dureza do industrial rock. Pelo contrário: a sonoridade é delicada e lírica. Até mesmo quando namoram com a dissonância, como em “The Man Amplifier” e na ótima “Wurlitzer Jukebox”, a intenção soa melodiosa.

A lista de fãs da YMG impressiona pela quantidade de ilustres. Kurt Cobain e Courtney Love, especialmente, teceram os maiores elogios aos galeses, revelando o quanto os influenciaram. ”Music for Evenings" e “Constantly Changing” deixam isso bem claro no estilo de compor, tanto no riff da guitarra, na função contrapositiva do baixo e na melodia de voz. Mas a que deixa a reverência do casal Cobain/Love mais evidente é "Credit in the Straight World", das melhores do disco e que traz todas as características do que tanto Nirvana quanto Hole produziriam anos mais tarde. Tanto é que a Hole fez-lhe uma versão em 1994, no seu exitoso disco de estreia “Live Through This”. Se o Pixies é “a banda que inventou o Nirvana”, "Credit...”, da YMG, pode ser considerada a música que cumpriu esse papel gerativo da principal banda do grunge.

A influência da YMG, no entanto, não termina aí. Percebem-se em outras faixas de “Colossal...” o quanto previram tendências do rock, que se revelariam somente mais adiante. As instrumentais “The Tax” e “Wind in the Rigging” lembram o gothic punk minimalista que Steve Severin e Robert Smith fariam no icônico “Blue Sunshine”, de três anos depois (assim como “Colossal...”, o único disco da The Glove); “Choci loni” e “N.I.T.A.” antecipam ideias da Cocteau Twins de “Treasure”, de 1984, e da Air de “Moon Safari”, de 1998; "Eating Noddemix" é tudo que a Frente!, banda dos anos 90, queria ter feito; “Violet”, maior sucesso da Hole, poderia ser denunciada como plágio de "Brand - New - Life"; e até mesmo no Brasil a bossa nova pós-punk da Fellini traz muito da construção melódica da YMG.

A considerar o hermetismo de P.I.L, Joy Division e The Pop Group, a pegada avant-garde de Polyrock e Gang of Four, a guinada para o reggae/ska da segunda fase The Clash ou a preferência synth de Suicide e New Order, a YMG pode ser considerada, sim, a precursora do pós-punk tal como este gênero ficou conhecido. Eles conseguiram unir todas essas forças sonoras advindas com o punk e a new wave e sintetizá-las de forma concisa e pop. Como que com “anzóis na palma da mão” muito bem arremessados, os“Jovens Gigantes de Mármore” lançaram ao longe as linhas que fariam içar uma série de outros organismos vivos do rock nas décadas subsequentes, marcando, com sua simplicidade e criatividade, o pop-rock até hoje. Linhas estas, aliás, tortas, evidentemente.

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FAIXAS:
1.    "Searching for Mr. Right" – 3:03
2.    "Include Me Out" – 2:01
3.    "The Taxi" – 2:07
4.    "Eating Noddemix" (Phillip Moxham/ Alison Statton) – 2:04
5.    "Constantly Changing" – 2:04
6.    "N.I.T.A." – 3:31
7.    "Colossal Youth" – 1:54
8.    "Music for Evenings" – 3:02
9.    "The Man Amplifier" – 3:15
10.  "Choci Loni" (Moxham/ Moxham) – 2:37
11.  "Wurlitzer Jukebox" – 2:45
12.  "Salad Days" (Moxham/ Statton) – 2:01
13.  "Credit in the Straight World" – 2:29
14.  "Brand - New - Life" – 2:55
15.  "Wind in the Rigging" – 2:25
Todas as músicas de autoria de Stuart Moxham, exceto indicadas.

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OUÇA O DISCO:


Daniel Rodrigues

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Música da Cabeça - Programa #315

 

Vamos combinar que nada disso de "índio" e nem de que cocar é fantasia? No Dia dos Povos Indígenas, a gente quer, sim, é muito respeito. E música. Originando só coisas boas hoje tem Patti Smith, Bob Dylan, Walter Franco, Grace Jones, Koko Taylor e mais. Ainda, um Sete-List com artistas indígenas brasileiros da nova geração. O MDC hoje vem demarcando terras às 21h, na originária Rádio Elétrica. Produção, apresentação e patrimônio cultural preservado: Daniel Rodrigues. 


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