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sábado, 7 de setembro de 2019

Lançamento e sessão de autógrafos das antologias "Meia-Noite: Contos da Escuridão", "Psicopatas" e "Reino Fantástico" - Ed. Autografia/Selo Fantastic - XIX Bienal do Livro - Riocentro - Rio de Janeiro/RJ (04/09/2019)



Cly e eu com as três obras em que
participamos
O Rio de Janeiro me proporciona dias felizes a cada vez que o revisito. Mas desta vez a costumeira alegria de rever a família e os amigos, visitar lugares novos e voltar aos conhecidos, percorrer as ruas, enfim, foram adicionadas de uma nova, inédita e memorável ocasião, que foi a XIX Bienal do Livro. E não apenas a satisfação de conhecer o espaço do Riocentro e a própria feira – o que já valeria o passeio –, mas porque, ao lado de Leocádia Costa e de meu irmão, o motivo que nos levou até lá foi o lançamento da antologia de contos “Meia-Noite: Contos da Escuridão”, da editora Autografia através do selo Fantastic, a qual eu e Clayton participamos cada um com uma história: “Clichês”, dele, e “O Monstro do Armário”, o meu. Além desta, Clayton teve a façanha de entrar em outras duas coletâneas da editora: “Psicopatas”, lançada no mesmo dia e que tem o seu conto “O Livro da Fascinação”, e “Reino Fantástico”, lançada dia 2/9 e que contém “Churrasco”.

O feito não planejado por nós de estar no mesmo livro, aliás, repete o que já nos ocorreu em 2016 na também antologia em forma de seletiva contos "Conte uma Canção – vol. 2" (ed. Multifoco), em que histórias nossas foram selecionadas juntas em uma mesma publicação pela primeira vez ("Música do Diabo", de Clayton, e "Heart Fog", a minha).

O dia chuvoso carioca talvez tenha atraído até mais gente para a Bienal, que estava bastante lotada. No bonito estande da Autografia, fomos recebidos o simpático Frodo Oliveira, organizador não apenas dessa obra como das outras quatro antologias lançadas na feira pela editora, série que inclui, afora os citados, a coletânea “Evolução”, de ficção científica, Conforme conversou conosco, os quatro títulos, feitos muito bem e em tempo recorde, mobilizaram cerca de uma centena de autores entre os que aparecem em apenas uma obra e outros que, como Clayton, emplacaram em mais de um volume.

Além de Frodo, também tivemos a oportunidade de conhecer e trocar um papo com alguns dos outros autores presentes em algumas das antologias, como Marcelo Sant'Ana, Anderson Elias (pseudônimo Sombra Posthuman), Simone Bica, Rodrigo Roddick, entre outros. O dia foi de autógrafos, mas quem quiser conferir a Bienal, bem como dar uma passada no estande da Autografia para conhecer nossas obras (ou até, quem sabe, adquiri-las), o evento vai até este domingo, dia 8/9.

Confiram, então, alguns momentos da agradável tarde na Bienal do Livro nas fotos registradas como sempre com muita competência e carinho por Leocádia:

Entrando na feira: pra que lado é mesmo?

Já no estande, nós e o organizador das antologias Frodo Oliveira
Cly ostentando com direito as três antologias em que emplacou contos seus
Eu feliz da vida com a coletânea "Meia-Noite" nas mãos
Autógrafo garantido para Leocádia (foto: Clayton Reis)
Bate-papo literário com Anderson "Sombra Posthuman" Elias
Agora a conversa é também com Rodrigo Roddick, autor de conto de "Psicopatas"
Um pequeno leitor interessado e que veio conversar conosco sobre o livro
Roda de autores "psicopatas" e "soturnos" na Bienal do Rio
Foto de alguns dos autores com o editor no estande da Autografia


texto: Daniel Rodrigues
fotos: Leocádia Costa

domingo, 17 de novembro de 2019

Vencedor da promoção "Psicopatas"



Mistério solucionado!
Não, não tem nada a ver com um crime.
Descobrimos quem ganhou o sorteio do livro "Psicopatas", que traz entre as vinte e cinco histórias policiais de autores do país inteiro, mais um conto de Cly Reis, um dos editores do ClyBlog.
E a ganhadora foi Tânia Dias, que mora em Aracaju.
Tânia foi lá na nossa página do Facebook, curtiu e vai receber em casa o seu exemplar dessa eletrizante antologia de contos policiais e de suspense.
Parabéns, Tânia.
Entraremos em contato para as informações de envio.
Obrigado a todos pela participação e continuem acompanhando o ClyBlog.

Grande abraço a todos!


C.R.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Seletivas para antologias da editora Fantastic - "Meia-Noite: Contos da Escuridão", "Psicopatas" e "Reino Fantástico"



Foi na semana passada mas, envolvido com outras coisas, nem tive tempo de comentar aqui no blog, uma notícia que nos traz enorme satisfação. Saiu o resultado da seletiva que a editora Autografia, através do seu selo Fantastic, promoveu para escolher contos de novos autores para antologias temáticas que irá lançar, e nós, os editores do ClyBlog, Cly Reis e Daniel Rodrigues fomos selecionados. Como já acontecera na coletânea "Conte uma Canção - vol.2", da editora Multifoco em 2016, histórias de nossa autoria estarão juntas em uma mesma publicação só que desta vez será em uma publicação que reúne contos de terror. Daniel com o conto "O Monstro do Armário", e eu com "Clichês" integraremos o time de 25 autores que farão parte do livro "Meia-Noite: Contos da Escuridão". Além desta de histórias macabras, fui selecionado também para outras duas antologias para as quais a Fantastic também abriu seleções, para o estilo policial na coletânea "Psicopatas", com o conto "Churrasco", e para o gênero fantástico com "O Livro da Fascinação", na publicação "Reino Fantástico".
Particularmente, fico bastante feliz por mais estas escolhas pois, de certa forma, reconhecem alguma qualidade de escrita que provavelmente venhamos a ter visto as constantes inclusões em publicações desta natureza, valorizam o material publicado aqui no blog, uma vez que grande parte dos contos que vão para seletivas são publicados na nossa seção Cotidianas e dão oportunidade e a nós, novos autores, de saírmos da gaveta ou dos nossos blogs e sermos verdadeiramente publicados em papel, que é o formato que gostamos e ler e, agora, de sermos lidos.
Obrigado, Autografia, à Fantastic e ao organizador Frodo Oliveira pela oportunidade e agora é só esperar o lançamento que ocorrerá na Bienal do Livro do Rio, em setembro. Até lá, deveremos ter novidades a respeito.



C. R.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Promoção "Psicopatas"




No clima de Feira do Livro de Porto Alegre, o clyblog aproveita a deixa e lança mais uma de suas promoções:
Um dos editores-chefe do blog, Cly Reis, autor de contos publicados em diversas coletâneas, mais uma vez tem uma de suas histórias em uma publicação, desta vez a antologia de contos policiais "Psicopatas", que conta com tramas de crimes, mistério e suspense de criativos e sanguinários autores de todo o país. Pois é, e é esse o presente que o ClyBlog estará dando para você!
Quer o seu?
É simples: É só curtir a nossa promoção nas nossas páginas das redes sociais e você estará concorrendo ao nosso sorteio que ocorrerá no dia 16 de novembro *.
Vai lá, dá um CURTIR em facebook.com/clyblog ou em twitter.com/clyblog e concorra.




* O resultado será divulgado nas nossas páginas do Facebook e do Twitter.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Lançamento das antologias da editora Fantastic - "Meia-Noite: Contos da Escuridão", "Psicopatas" e "Reino Fantástico"



Enquanto se encerra toda a parte burocrática e de revisão dos textos para as antologias da Editora Fantastic, saíram oficialmente as capas dos livros e a agenda oficial de lançamento, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. O da publicação "Meia-Noite", da qual meu irmão, Daniel Rodrigues e eu, Cly Reis, fazemos parte, cada um com um conto,"O Monstro do Armário" e "Clichês", respectivamente, acontece na quarta-feira, dia 04 de setembro, a partir das 15 horas, juntamente com o lançamento da coletânea "Psicopatas", da qual eu participo com o conto "Churrasco". Antes disso, no dia 02 de setembro, acontece o lançamento das antologias "Evolução", de ficção científica, da qual não participamos, e da "Reino Fantástico", na qual meu conto "O livro da fascinação", integra a publicação.
Convidamos a todos para visitar a Bienal do Livro e, se estiverem lá no Riocentro, no dia 04 de setembro, à tarde, a dar uma passadinha no estande da editora Autografia, no pavilhão Verde, para prestigiar os lançamentos. Nós, os editores do ClyBlog, estaremos lá.
Confira, abaixo, os detalhes da programação do evento:


*********


Programação:





C.R.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

"The Batman", de Matt Reeves (2022)




Detective Comics... Quadrinhos de detetive. 
O último filme do homem-morcego, "The Batman", honra as origens da editora que o publicou desde suas primeiras aventuras: é uma história de detetive. 

O novo Batman é um filme policial. Uma trama envolvente, instigante, na qual o vilão, por mais que originalmente seja um de seus caricatos arqui-inimigos dos quadrinhos, neste longa fica muito mais caracterizado como um perigoso psicopata do que por uma figura colorida com roupa extravagante.

"The Batman" faz uma espécie de "Ano Um" do homem-morcego. Um herói ainda jovem, idealista, tentando entender toda a sujeira dos subterrâneos de Gothan City e percebendo que a coisa toda é ainda muito maior do que imaginava. Ironicamente, quem mostra isso a ele é exatamente o vilão: um maluco autointitulado Charada passa a cometer assassinatos e deixar nas cenas dos crimes enigmas que vão desvelando verdades indesejáveis sobre peixes grandes da cidade, como o prefeito, o promotor e até, imagine só, o pai do nosso jovem magnata.

Bruce é um justiceiro ainda confuso, inseguro, o que torna seu personagem noturno, um herói vulnerável em muitos momentos, tanto física quanto psicologicamente. Em meio a essa roda-viva de crimes do Charada, brigas de poder no submundo, eleições para prefeito, policiais corruptos e prisões dos chefes da máfia de Gothan, o mascarado se vê às voltas com Selina Kyle, uma jovem dançarina e garçonete nas boates do mafioso Falcone, e que busca respostas sobre o paradeiro de uma amiga desaparecida que pode estar mais envolvida com coisas perigosas do que ela possa imaginar. Juntos, com motivações diferentes, os dois mergulham em toda a sujeira da cidade, que respinga nos dois e que é apresentada ao povo de Gothan, de maneira prazerosa e sádica, pelo Charada.

O jovem Bruce, tentando juntar as peças do quebra-cabeça
do Charada

"The Batman" é uma grande celebração ao herói mais humano dos quadrinhos. Além de voltar ao início da saga do órfão sedento por justiça, o filme de Matt Reeves, mesmo tão contemporâneo, rende discretas homenagens à série clássica dos anos 60 em detalhes como o da máscara de couro, o próprio nariz da mascara (os mais atentos perceberão), o Batmóvel, mais "carrão" mesmo, mais parecido com a máquina clássica de Adam West,  sem falar nas tomadas superiores dos ambientes e até mesmo as semelhanças com as sequências de luta.
O novo Charada, simplesmente assustador.
Um dos melhores psicopatas do cinema nos
últimos tempos.

Robert Pattinson, tão discutido, tão contestado, está perfeito no papel de um Batman hesitante; Paul Dano é um maníaco assustador lembrando muito John Doe, o psicopata fanático de "Seven", de David Fincher; a Mulher-Gato é sexy mas sua participação não se limita a seus dotes físicos; a amostragem de Pinguim é promissora; a "canja" de Coringa é instigante; e o final (sem querer dar spoiler) não caracteriza exatamente uma vitória do herói, o que torna o filme ainda mais interessante.

Um filme que dignifica o herói mascarado, dignifica os quadrinhos, que se justifica como um longa de Batman, que prende a atenção, nos deixa envolvidos, nos faz querer ver uma sequência... Isso, DC! Era isso que queríamos! "The Batman" é um filme policial, é um filme noir, é um thriller psicológico, é um suspense, para só depois de tudo isso, ser um filme de herói.



Cly Reis


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Marilyn Manson - "Antichrist Superstar" (1996)



Duas versões da capa do álbum
"Vejo meu trabalho como
sendo alguém que deve provocar as pessoas.
Não quero ser apenas mais um.
Não quero ser apenas um rosto risonho
que aparece na TV apresentando
algum tipo insípido de lixo de fácil digestão."
Marilyn Manson



O mundo do rock sempre teve seus palhaços. Desde que David Bowie inventou inventou um personagem extraterrestre, tirou as sombrancelhas, abusou da maquiagem e adotou um visual andrógino, o número de artistas do universo pop a aderirem a máscaras, maquigens, caras pintadas, personalidades paralelas, encenações, etc. só fez aumentar. New York Dolls, Kiss, Gwar, Alice Cooper, mais recentemente o Slipknot, e até os brasileiros dos Secos e Molhados são apenas alguns desses arlequins fantasiados que a cena musical nos apresentou o longo dos anos. Mas quando eu falo 'palhaços' não tenho a intenção de ser pejorativo. Acho legal essa coisa do personagem, da pose, da indumentária. Utilizo a figura mais pelo fato de esconderem-se atrás de um “rosto artificial”, criarem um determinado padrão de procedimentos pré-concebidos, e pela teatralidade que a proposta exige. Mas acho legal, acho que tem tudo a ver com rock. Muitos não valem nada, é verdade, são muita imagem, muita pose, muito efeito especial, pirotecnia, estardalhaço, mas música, que é bom, nada. Mas de vez em quando o mundo do rock nos sai com um desses bufões que valem a pena e um dos mais relevantes dos últimos tempos é um cara que combina um nome feminino de um dos maiores símbolos sexuais da história do cinema com o de um dos mais brutais e terríveis assassinos psicopatas de todos os tempos. A combinação sexo+cinema+violência+rock, acrescida de muito peso, doses equilibradas e precisas de tecnologia, somada a uma quase convincente teatralidade, resulta em um dos personagens musicais mais interessantes do cenário nas últimas décadas: eu falo de nada mais nada menos que Marilyn Manson.

Escabroso, satânico, pervertido, sádico, bizarro, escatológico? Pode ser tudo isso e pode não ser nada também, mas o fato é que o cidadão nascido Brian Hugh Warner, trazia no meio da década de 90 com a banda que leva seu nome artístico, um industrial vibrante, renovado, cheio de peso e tecnologia, apadrinhado por um dos mestres do gênero, Trent Raznor, do Nine Inch Nails, que produziu seu álbum de estreia de 1994, “Portrait of an American Family” e seu brilhante segundo álbum, “Antichrist Superstar” uma pequena ópera rock que, de forma mais perfeita, coesa e técnica que seu antecessor, funde elementos eletrônicos, metal e pop.

Numa época em que o CD já mandava no pedaço e os álbuns não podiam contar mais com a divisão lados A e B para marcar características diferentes dentro de uma mesmo álbum, como em "Low" do já citado Bowie, "Autobahn" do Kraftwerk, o "V" da Legião Urbana, “Antichrist Superstar”, sem este recurso, é dividido em 'ciclos', “O Hierofante”, “A Inauguração do Verme” e “A Ascenção do Desintegrador”, com características musicais sutilmente diferente entre si, referindo-se cada uma delas a fases da vida/carreira do artista e reforçando a intenção conceitual da obra.

Se tematicamente o trabalho é repleto de referências filosóficas, especialmente em relação a Nietzsche, e discute questões como a formação de mitos, da exposição de mídia e do pensamento coletivo, sonoramente o disco é uma pedrada com inserções eletrônicas, samples, e um trabalho minucioso, cuidadoso e preciso de Trent Raznor na mesa de produção. A abertura com “Irresponsible Hate Anthem”, é incendiária; “The Beautiful People” com seu início galopante é um tijolaço; a provocativa “Mister Superstar”, detona; e a faixa que dá nome ao disco e que abre o último ciclo, “A Ascenção do Desintegrador”, com seus gritos que sugerem uma espécie de saudação nazista, abordando exatamente a idolatria cega a devoção a falsos líderes, soa messiânica e monumental.

Não dá pra deixar de destacar também o metal bem pop “Dried Up...”; a ótima “Wormboy”; a bomba "Angel with the Scabbed Wings"; a muito bem elaborada "Kinderfeld"de ótimo trabalho de produção; e a levada funkeada do baixo de “Minute to Decay”.

Muitos fãs levam a sério toda a imagem que Marilyn Manson tenta passar e, sendo justo com ele, tenho que admitir que o cara se esforça um pouco mais do que outros similares para dar credibilidade ao seu personagem. Mas particularmente prefiro me ater mesmo ao som que foi uma das coisas mais revigorantes no cenário metal dos últimos tempos com a fúria e o peso que o gênero exige, mas com um toque pop e uma teatralidade que acabaram por ser os diferenciais de MM.

Satanismo, autodeformações físicas, perversões, maltratos a animais? Hum... Não sei. Acredite se quiser. Eu recomendo apenas ouvir. Na dúvida, apenas ouça.
********************************

FAIXAS:
  • Ciclo I - O Hierofante
1. "Irresponsible Hate Anthem" - 4:17
2. "The Beautiful People" - 3:38
3. "Dried Up, Tied and Dead to the World" - 4:16
4. "Tourniquet" - 4:29 


  • Ciclo II - A Inauguração do Verme
5. "Little Horn" - 2:43
6. "Cryptorchid" - 2:44
7. "Deformography" - 4:31
8. "Wormboy" - 3:56
9. "Mister Superstar" - 5:04
10. "Angel with the Scabbed Wings" - 3:52
11. "Kinderfeld" - 4:51


  • Ciclo III - A Ascensão do Desintegrador

12. "Antichrist Superstar" - 5:14
13. "1996" - 4:01
14. "Minute of Decay" - 4:44
15. "The Reflecting God" - 5:36
16. "Man That You Fear" - 6:10
99. "Track 99" - 1:31
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Ouça:




por Cly Reis


quinta-feira, 5 de maio de 2022

cotidianas #754 - A Estrada





Fred enterrou a bomba no carro. O marcador começou a correr. Leo entrou na loja de conveniência. Alguns snaks, umas cervejas...
- Quanto dá?
- $45, 60... - respondeu de má vontade, o atendente.
- ... mais o combustível. - completou Leo.
O caixa virou o pescoço, olhou pela janela, avistou a bomba de combustível.
- $120.
Dinheiro no balcão.
- Pode ficar com o troco.
Fred já completara o tanque, Myara já voltará do banheiro. Estavam prontos para seguir.
Uma voz fez com que Leo estacasse à porta antes de sair.
- Fiquem pela principal.
- Como é? - voltou-se o rapaz.
Um velho, no fundo da loja, quase oculto por sombras, confirmava a advertência:
- Fiquem na estrada principal. Não saiam dela por nada, entenderam?
- E quem é você para dizer por onde a gente deve andar? - inquiriu incomodado o jovem.
- Não importa. O que interessa é que...
- Olha, velhote, tá meio apertado nosso tempo e a gente tava exatamente pensando em pegar aquela saída à esquerda...
- Não façam isso!!!
- Qual o problema? - quis saber, agora curioso.
- A estrada não vai deixar vocês chegarem onde querem.
- É muito ruim? Tem muitos buracos, é isso? - imaginando serem os motivos. 
- Não é isso! Ela tem vontade própria. Ela tem vida própria.
- Cala a boca, Raul. - ralhou o caixa - Ele vive assustando os motoristas por aqui com esse papo de estrada, uuuuh!!! Por causa dos adolescentes mortos lá. Faz muito tempo... Era um maluco desses, sabe. Desses psicopatas, coisa do tipo... Matou cinco jovens que iam pr'um acampamento. Mas é bobagem. Lenda.
Um pouco desconfiado, agora, Leo, hesitava um pouco. Não pôde deixar de notar os cartazes de desaparecidos, jovens como ele, na parede atrás do caixa.
Mas, por fim, mesmo um pouco ressabiado sobre o que acabara de ouvir, saiu da loja e juntou-se a Fred e Myara no carro.
- O que que você tem? - perguntou a garota.
- Nada, nada...
- Vamos nessa? - instigou o amigo, ao volante, dando algumas aceleradas só pelo prazer do barulho do motor.
- Vamos. Mas... vamos ficar pela principal, tá bom?
- Tá louco? O festival já tá quase começando e a gente tá aqui ainda. Vamos pela secundária, que eu falei, que é bem mais rápido.




Cly Reis


domingo, 23 de agosto de 2015

cotidianas #388 - A Praga de Millhaven





arte: 23 Envelope
Eu vivo em uma cidade chamada Millhaven
E ela é pequena, ela é perigosa e ela é fria
Mas se você aparecer por aqui
Assim que o sol se pôr
Você pode assistir a cidade inteira virar ouro
É por volta dessa hora que eu costumo ir vagar
Cantando La la la la La la lie
Todos os filhos de Deus eles têm que morrer

Meu nome é Loretta mas eu prefiro Lottie
Estou chegando ao meu décimo quinto ano
E se você acha que viu
Um par de olhos mais verdes
Então com certeza você não os viu por aqui
Meu cabelo é amarelo e estou sempre penteando
La la la la La la lie
Mamãe me dizia que todos temos que morrer

Você deve ter ouvido sobre A Praga de Millhaven
Como no último Natal
O garotinho de Bill Blake não voltou pra casa
Eles o encontraram na semana seguinte em One Mile Creek
Sua cabeça afundada e seus bolsos cheios de pedras
Bem, imagine só toda a choradeira e gemidos
La la la la la la lie
Até mesmo o garotinho de Billy Blake, teve que morrer

Então o Professor O'Rye da Millhaven High
Encontrou seu terrier premiado pregado à sua porta
Então no dia seguinte o velho tolo
Levou o pequeno Biko pra escola
E todos nós tivemos que assistir
Enquanto ele o enterrava
Seu elogio fúnebre a Biko era um rio de lágrimas
La la la la La la lie
Até mesmo as pequenas criaturas de Deus, têm que morrer

Nossa cidadezinha entrou em estado de choque
Um monte de gente estava dizendo coisas
Que não faziam o menor sentido
Então a próxima coisa, você sabe,
a cabeça do Zé Faz-de-tudo
Foi encontrada no chafariz da residência do prefeito
Atrocidade que pode realmente revoltar uma cidadezinha
La la la La la lie
Até mesmo os filhos de Deus, todos têm que morrer

Então, numa cruel reviravolta do destino: a velha Sra. Colgate
Fora esfaqueada mas o serviço não estava completo
A última coisa que ela disse
Antes que os policiais a declararam morta, foi:
"Minha assassina é Loretta
e ela vive do outro lado da rua"
Vinte policiais arrebentaram minha porta
Sem ao menos interfonar
La la la la La la lie
Os jovens, os velhos, todos eles têm que morrer

Sim, sou eu, Lottie. A Praga de Millhaven
Eu cravei terror no coração desta cidade
Como meus olhos não são verdes
E meu cabelo não é amarelo
É mais para o contrário
Eu tenho uma bela boquinha debaixo de toda essa espuma
La la la la La la la lie
Mais cedo ou mais tarde, todos nós temos que morrer

Desde quando eu não era maior do que um gorgulho
Eles já diziam que eu era diabólica
Que se a palavra "má" fosse uma bota, ela iria me servir
Que eu sou uma jovem maldosa
Mas que eu venho me esforçando mais ultimamente
Ah foda-se! Eu sou um monstro! Eu admito isso!
Isso me deixa tão enlouquecida (que)
Meu sangue realmente começa a correr
La la la la La la la lie
Mamãe sempre me dizia que todos nós temos que morrer

É, eu afoguei o guri do Blakey
Esfaqueei a Sra. Colgate, eu admito
Executei o "faz-de-tudo"
Com sua serra circular
Em sua barraca de ferramentas pro jardim
Mas eu nunca crucifiquei o pequeno Biko
Foram dois psicopatas do ginásio
O fedorento Bohoon e seu amigo
Com a cabeça do tamanho de uma abóbora
Eu cantarei para a cambada, agora vocês me provocaram
La la la la La la la lie
Todos os filhos de Deus têm que morrer

Havia todos os outros
Todas as nossas irmãs e irmãos
Vocês presumiram que foram acidentes, melhor esquecer
Lembra das crianças
Que atravessaram o gelo no Lago Tahoo?
Todas presumiram que os sinais de "Aviso"
Os seguiram pro fundo
Bem, elas estão debaixo da casa
Onde guardo um bocado de coisas
La la la la La la la lie
Até mesmo vintes criancinhas, tiveram que morrer

E o fogo de '91 que destruiu os cortiços de Bella Vista
Houve o maior quebra-pau
Que este país já viu
Companhias de seguros arruinadas
Todos os proprietários de terras sendo processados
Por causa da garotinha com uma lata de gasolina
Aquelas chamas realmente urraram
Quando o vento começou a soprar
La la la la La la la lie
Homem rico, homem pobre, todos têm que morrer

Bem, eu confessei todos esses crimes
E eles me levaram a julgamento
Eu estava rindo quando eles me levaram embora
Para o hospício em um velho camburão preto
Não é um lar, mas você sabe
É bem melhor do que a cadeia
Não é um lugar tão ruim e velho pra ter um lar
La la la la La la la lie
Todos os filhos de Deus eles têm que morrer

Agora eu tenho psiquiatras que não irão descansar
Com seus infinitos testes Rorschach
Eu continuo lhes dizendo que eles querem me pegar
Eles me perguntam se eu sinto remorso e eu respondo
"Mas é claro!
Há muito mais que eu poderia ter feito
Se eles me deixassem!"
Então é Rorschach e Prozac
E tudo é manero
Cantando La la la la La la la lie
Todos os filhos de Deus eles têm que morrer

La la la la La la la lie
Estou feliz como uma cotovia e tudo é agradável
Cantando La la la la La la la lie
Sim, tudo é manero e tudo é agradável
Cantando La la la la La la la lie
Todos os filhos de Deus eles têm que morrer

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tradução da letra de "The Curse of Millhaven"

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Os 25 melhores filmes dos primeiros 25 anos do séc. 21

 

Sofia Coppola, uma das 5 diretoras da lista
Transcorrido um quarto do século 21, já é possível, enfim, vislumbrar o que de melhor aconteceu no cinema neste período. E ao que se pode extrair de amostra desses 25 anos, o século da informação ou da pós-verdade ainda tem muito o que apresentar de bom. Afinal, foram 25 anos que o cinema viu o mundo se transformar. O 11 de setembro de 2001 foi o estopim para uma série de reconfigurações e a certeza de que não apenas o terrorismo se tornaria uma ameaça constante às nações como trazia a mensagem de que ninguém mais estaria seguro. Nem a razão mais está a salvo.

Reconfigurações, inclusive, econômicas. A China, então a “ameaça comunista”, enfim pôs em prática seu modelo de Capitalismo Socialista e se tornou a segunda potência do mundo. Além do enfraquecimento dos Estados Unidos (que Trump quer agora reverter a qualquer custo), a Rússia também adere de vez ao capitalismo, fortalecendo-se, porém com um ditador moderno à frente. Afora isso, guerras na Europa e no Oriente Médio, aquecimento global, polarização ideológica, avanço da extrema-direita, ecos do fascismo, crescimento dos movimentos migratórios, pandemia... Ufa! O que mais deve vir por aí? Angustia até de pensar.

Refletindo de forma direta ou não essas transformações, o cinema segue firme com produções que pululam de diversos lugares do mundo, seja nas Américas, África, Ásia ou na velha Europa. Mas com mudanças de cenário. Alguns polos se fortaleceram, como a América Latina de Argentina e Brasil. No Oriente Médio, o Irã, cada vez mais reprimido, continua mesmo assim a resistir e fazer um cinema de alta qualidade expressiva. Mas também Líbano, Palestina, Iraque, Israel, Arábia Saudita e outros.

A África é outro continente que despontou nestas duas décadas e meia. Embora não superem os aqui listados, é inegável que os países africanos, cujas descolonizações são ainda muito recentes, chegaram ao século 21 produzindo bastante, bem e em vários países, como Senegal, África do Sul, Mauritânia, Quênia, Uganda, Nigéria e outros. Títulos como "Black Tea" (2024), "Heremakono – Esperando a Felicidade" (2020), "Timbuktu" (2014) e "Atlantique" (2019), se não pareiam, deixam viva a esperança de ser ver na tela um cinema africano consolidado internacionalmente.

Em compensação, o cinema soviético, tão abundante e diverso em todo o século 20, fragmentou-se assim como o seu antigo território. E mesmo os Estados Unidos viram grandes alterações de rota. Os estúdios enfrentem novos desafios, como o streaming, a serialização e a “marvelização”. A dianteira da indústria cinematográfica estadunidense, até então sem precisar olhar para o retrovisor, passa a preocupar-se com o desgaste do imperialismo. Megaproduções como “Megalópolis” e “O Brutalista”, definitivamente, não representam mais o que representavam antes.

Além da afirmação de alguns realizadores, como Jordan Peele, Bong Joon-ho e o brasileiro Kléber Mendonça Filho, este começo de era confirma a excelência daqueles que já vinham contribuindo com suas obras para a construção dessa arte ao longo das últimas décadas – casos de Woody AllenClint Eastwood e Pedro Almodóvar. Assim, listamos 25 filmes representativos desses 25 primeiros anos, de 2001 até o ano atual. Não necessariamente um por ano, mas numericamente um símbolo que antecede os próximos 75 ainda a serem lançados e descobertos.

Alguns perguntarão, com justiça: “e as mulheres?” Sim, elas cada vez mais se tornam protagonistas. Justine Triet, Greta Gerwig, Sofia Coppola, Chloé Zhao, Samira Makhmalbaf, bem como as veteranas Jane Campion, Kathryn Bigelow e as que se foram recentemente Chantal Akerman e Claire Denis. Aqui, cinco delas figuram, mas tranquilamente poderia haver mais. Imagine-se quantas realizadoras ainda vêm por aí neste louco planeta em constante ebulição.

A relativa facilidade de se montar essa lista traz consigo certa irresponsabilidade e aquela velha questão: a incompletude. É possível abarcar tanta produção em apenas pouco mais de duas dezenas de títulos? Não deveria haver (e possivelmente caiba) muito mais pesquisa e aprofundamento? Estes são DE FATO os mais representativos, simbólicos ou melhores em qualidade fílmica? Perguntas sem respostas. Talvez, precise-se de mais um quarto de século ou mais para entender o que condiz ou não. Porém, num primeiro momento, estes foram os filmes que saltaram à memória, e isso, independente de um revisionismo ou limitantes, quer dizer, sim, alguma coisa. Se poderiam ser outros? Poderiam, mas tais obras certamente brigariam para estarem nesse rol. Quem sabe, os celebrados Gaspar NoéYorgos Lanthimos, Mati Diop ou Darren Aronofsky não pintem com aquele filmaço inquestionável ainda? Há tempo e competência para isso.

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01. “Parasita”, Bong Joon-ho (2019)

Definitivamente, o melhor filme dos últimos anos – e do século. O thriller do talentoso Bong Joon-ho arrebatou em 2019, por puro mérito, não apenas a Palma de Ouro em Cannes como, mais ainda, os Oscar de Filme e de Filme Estrangeiro! Um feito jamais igualado. “Parasita”, afinal, tem tudo o que um grande filme moderno pode: drama social, crítica ao capitalismo, humor ácido, suspense e, por vezes, toques de terror gore. Tudo numa direção absolutamente criativa, fotografia precisa, roteiro cheio de reviravoltas e atuações brilhantes. Tem mais da metade de século 21 para acontecer, mas não vai ser fácil equiparar com esta obra-prima sul-coreana que redirecionou o olhar do mundo no cinema.




02.
“A Cidade dos Sonhos”, David Lynch (2001)

Lynch nos deixou no último ano, mas legou uma obra tão marcante quanto explorável. Afinal, é dele o cinema mais misterioso já realizado em mais de 100 anos de arte cinematográfica. “A Cidade dos Sonhos” é, além de seu melhor neste século, possivelmente sua melhor realização, e olha que estamos falando de filmes como “Veludo Azul”, “Eraserhead” e “Coração Selvagem” neste páreo. Mas definitivamente a onírica e assustadora obra sobre a atriz que se muda para Los Angeles e tem sua memória e sonhos entrelaçados com a matéria da própria cidade é insuperável. Tanto que ocupa a 8ª posição no ranking de 250 filmes "The Greatest Films of All Time" da tradicional revista Sight & Sound e é considerado o melhor filme entre os 100 da BBC neste século, o qual mal começava e Lynch já dava as cartas.




03.
“Corra!”, Jordan Peele (2017)

Quando Jordan Peele estreou no cinema com “Corra!” já se sabia que ali nascia um ícone do cinema moderno. Negro, talentoso e com muita coisa a dizer, Peele surpreendeu o mundo do cinema – e o gênero de terror – com um filme que imediatamente foi elevado à categoria de obra-prima. Também pudera: a história do jovem fotógrafo Chris, que descobre uma sinistra rede de tráfico de negros para perturbadores finalidades rendeu ao diretor mais de 150 prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Roteiro Original. “Corra!” redefine o terror no cinema. Em tempos de George Floyd, o terror não vem de fantasmas, zumbis, monstros ou extraterrestres. Vem de gente branca racista e supremacista.



04.
“Retrato de uma Jovem em Chamas”Céline Sciamma (2019)

Quanta delicadeza e força expressiva para contar uma história de algo que passou a ser um dos temas mais recorrentes dos tempos atuais, que é o LGBTQIAPN+, quando nem se pensava em classificar assim esses grupos. Céline Sciamma se esmera em contar a história de Marianne, uma jovem pintora francesa, no século 18, com a tarefa de pintar um retrato de Héloïse, com quem se vê cada vez mais próxima e atraída. As mesmas travas, os mesmos preconceitos, as mesmas opressões dos tempos atuais. Mas, otimistamente falando, a mesma possível liberdade de amar a quem se quiser mesmo que isso, necessariamente, gere consequências – ontem e hoje. Entre os diversos prêmios que "Retrato de Uma Jovem em Chamas" recebeu, o merecidíssimo César de Melhor Fotografia.



05. “Menina de Ouro”Clint Eastwood (2004)

O velho Eastwood, hein? À época, com seus 74 (hoje, quase centenário), depois de produzir sempre bem e bastante e de já ter posto seu nome na história do cinema norte-americano com filmes como “Bird” e o oscarizado “Os Imperdoáveis”, vem com essa obra-prima ao mesmo tempo delicada e pesada, triste e tocante. Tanto é que arrebatou a Academia em 2004, levando 4 dos 7 Oscar que concorreu: Melhor Filme, Diretor, Atriz e Ator Coadjuvante. A habilidade do experiente Eastwood em lidar com a luz e o mergulho nas sombras, seja no sentido estético quanto figurado, é de abismar. Impossível sair de uma sessão de “Menina de Ouro” sendo a mesma pessoa que entrou.

Clintão com a oscarizada Hillary Swank em um dos melhores filmes do século


06.
“O Pianista”, Roman Polanski (2002)

Daqueles filmes talhados a obra-prima. O tarimbado Polanski, cujo nome está gravado na história do cinema por filmes como “O Bebê de Rosemary”, “Chinatown” e “Cul-de-Sac”, acerta em tudo em “O Pianista”, uma obra pungente e necessária, inclusive para o próprio Polanski, judeu que perdera os pais no Holocausto. O filme venceu Palma de Ouro, Bafta e Cesar, mas o Academia do Oscar dos Estados Unidos, país onde Polanski é considerado fugitivo por um crime de estupro nos anos 70, não cedeu. Deu ao filme as estatuetas de Melhor Ator, Roteiro Adaptado e de Diretor, o qual o diretor recebeu e agradeceu via vídeo bem longe, na Europa. A de Filme, no entanto, não. A aclamação veio naturalmente.



07.
“O Segredo dos Seus Olhos”, Juan José Campanella (2010)

A Argentina já vinha preparando o terreno para que o mundo a reconhecesse como uma das principais produtoras do cinema da atualidade desde os anos 80. O Oscar de Filme Estrangeiro para “A História Oficial”, sobre a ditadura no país, já anunciava isso. Porém, o amadurecimento do cinema local e a formação de cineastas e profissionais do audiovisual colocaram o cinema a América Latina em real evidência no século 21 pela primeira vez. Ah! tem mais um fator a favor de "O Segredo dos seus Olhos", que se chama Ricardo Darín. O grande ator do novo cinema argentino é a cara dessa geração não poderia estar de fora daquele que é, mesmo com outros grandes concorrentes, o melhor filme da Argentina do século até aqui. Tanto que o Oscar de Filme Estrangeiro veio de novo, inevitavelmente. Naquele 2009, não teve pra ninguém com esse thriller que junta suspense, policial, romance, comédia e o velho dedo na ferida dos argentinos com a ditadura.



08.
“A Pele que Habito”, Pedro Almodóvar (2011)

Almodóvar é aquele diretor que é tão talentoso, que pode se dar ao luxo de fazer filmes menos expressivos dentro daquele seu universo kitsch e absurdo para, do nada, criar uma obra-prima surpreendente. “A Pele que Habito”, além de contar com velhos parceiros (Antonio Banderas, Marisa Paredes, Jean-Paul Gaultier, Alberto Iglesias) é, sem dúvida, uma revitalização do cinema do próprio cineasta espanhol, o filme que o reinventou (como se não bastasse já haver se reinventado outras várias vezes anterior e posteriormente). Espécie de “O Médico e o Monstro” com ares da bizarrice que marca os roteiros de Almodóvar: sexo, culpa, vingança, problemas psicológicos. Uma ressignificação de obras anteriores como “Matador”, “Ata-me” e “Carne Trêmula”.



09.
“Onde os Fracos não têm Vez”, Joel e Ethan Coen (2007)

Se nos anos 90, os Coen já haviam realizado sua obra-prima, “Fargo”, nos 2000 o seu grande filme é “Onde os Fracos não têm Vez”. Quase um aperfeiçoamento de “Fargo” em alguns aspectos, seja na trama errática, na câmera observante, na presença de personagens amorais ou na estética inospitaleira, o filme troca o branco da neve do primeiro pela aridez dos tons terrosos do deserto. E também volta a explorar a fragilidade do humanismo diante da brutalidade da sociedade. E ainda tem aquele que é um dos mais assustadores e marcantes psicopatas da história do cinema, o assassino de aluguel Anton Chigurh, vivido brilhantemente por Javier Barden. Arrebatou 4 Oscar: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante, além de ganhar três BAFTA, dois Globos de Ouro, American Film Institute e o National Board of Review of Motion Pictures.



10. “Cidade de Deus”, Fernando Meirelles e Katia Lund (2007)

Talvez apenas “Ganga Bruta”, “Rio 40 Graus”, “Terra em Transe”, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e, agora, "Ainda Estou Aqui", se equiparem em importância a “Cidade de Deus” para o cinema nacional. Determinador de um “antes” e um “depois” na produção audiovisual não apenas brasileira. Pode-se afirmar que influenciou de Hollywood a Bollywood, ajudando a provocar uma mudança nos conceitos da indústria cinematográfica mundial. Ou se acha que "Quem quer Ser um Milionário?" existiria sem antes ter existido "Cidade..."? Fernando Meirelles, bem como alguns atores e técnicos, ganharam escala internacional a partir de então. Tudo isso por conta do extraordinário filme, autoral, pop e inovador em estética, narrativa, abordagem e técnicas. Entre seus feitos, concorreu ao Oscar não como Filme Internacional, mas como Filme e Diretor, outra porta que abriu para “Ainda Estou Aqui”.


11. “Bastardos Inglórios”, Quentin Tarantino (2009)

A última frase dita no filme, na voz do célebre personagem Aldo, o Apache (Brad Pitt) é: "acho que eu fiz minha obra-prima". Está certo que Aldo se referia ao ferimento a faca que marcou na testa do igualmente histórico personagem Cel. Hans Landa (Christopher Waltz), mas é inegável que a frase é propositalmente ali posta por Quentin Tarantino por este reconhecer, sem falsa modéstia, que havia chegado, sim, à sua melhor realização. Ao menos, a mais madura e a mais bem produzida entre todos os seus nove longas. Se “Pulp Fiction” marcou uma nova era do cinema de autor nos anos 90, nos 2000 não tem igual a "Bastardos Inglórios".  um bingo!"... é assim que se diz na América: "um bingo"? 



12.
“A Fita Branca”, Michael Haneke (2009)

É difícil escolher um Haneke, esse cineasta peculiar que desde os anos 80 produz um cinema marcado pelo olhar crítico dos padrões da sociedade ocidental e o consequente declínio da moral hegeliana. Porém, “A Fita Branca”, além de seu congelante p&b e as assustadoramente reais atuações dos atores mirins, tem a incisividade de identificar o "ovo da serpente", ou seja: os impulsos que levaram às Grandes Guerras, tão definidoras de caminhos do mundo no século 20, principalmente da Europa, Cannes, que não é boba, identificou a essencialidade do filme para a cinematografia moderna dando-lhe a inconteste Palma de Ouro de 2009.



13.
“Roma”, Alfonso Cuarón (2019)

Há quem o considere "Roma" o filme mais injustiçado do Oscar dos últimos tempos, visto que merecedor do de Melhor Filme Estrangeiro, que venceu, como também de Melhor Filme, dado naquele 2019 ao contestado "Green Book". A triste história da empregada Cleo na Cidade do México nos anos 70 é contada com um misto de poesia, realismo e fatalismo pelo diretor Alfonso Cuarón, que também roteiriza, produz, edita, fotografa e conduz a própria câmera num p&b capaz de reinventar memórias. E quão potente é a sutil alusão à antiga cidade italiana, berço da civilização moderna. Seria mesmo uma sociedade "civilizada"? Além do Oscar, levou Leão de Ouro em Veneza, Globo de Ouro, Bafta e Chritcs Choice.



14.
“Bacurau”, Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (2019)

O pernambucano Kléber Mendonça Filho realiza, sem sombra de dúvida, o cinema mais completo do Brasil nos últimos anos. Sua filmografia de longas é só acerto. Primeiro, “O Som ao Redor”. Depois, “Aquarius”, passando por este e o documentário “Retratos Fantasmas”. “Bacurau”, no entanto, é daqueles filmes sui generis, um faroeste sertanejo sobre limpeza cultural, resistência ao imperialismo e o império da violência. Um retrato do Brasil ameaçado pelo fascismo e pela consequente americanização das mentes. Com a edição característica e as marcas da maneira de filmar de Kléber (fusões, zoons, closes x planos abertos), tem na trilha e nas atuações naturais outras de suas forças. Por imperícia da Academia Brasileira de Cinema, não foi o escolhido para concorrer pelo Brasil ao Oscar de Filme Estrangeiro, feito que somente agora “Ainda Estou Aqui” atingiu. Se tivesse ido, tinha boas chances. O próprio Bong Joon-ho, vencedor dessa categoria com “Parasita”, disse que ‘Bacurau” “tem uma energia única, traz uma força enigmática e primitiva.” É.



15. “A Vida dos Outros”, Florian Henckel von Donnersmarck (2006)

Retratos da Alemanha Oriental ainda hoje não são muito comuns no cinema. Talvez por vergonha do que acontecia de ruim do lado vermelho do Muro, talvez porque a vida fosse, de fato, muito monótona que não inspirasse filmes sobre aquela realidade. Este brilhante filme de Florian Henckel von Donnersmarck é, de certa forma, um pouco dessas duas coisas: uma mostra de que não era uma maravilha a vida sob o regime socialista alemão e que, sim, os dias não tinham muito sabor. Ao vigiar 24 horas a vida do escritor Georg Dreyman e de sua namorada a mando do governo, o militar Gerd Wiesler começa aos poucos a se dar conta da existência do amor, do companheirismo e da dor existencial de viver num país coercitivo e punidor que ele mesmo ajudava a manter. "Abaixo às ditaduras", sejam elas do lado que for. Oscar, César, British Academy e Donatello de Melhor Filme Estrangeiro, entre outros, "A Vida dos Outros" foi apontado pela revista National Review como o "O Melhor Filme dos Últimos 25 anos". Não podemos estar tão errados em elencá-lo também.

Memorável filme de von Donnersmarck reflexiona aquilo que o séc. 20 não ousou,
que é a crítica à ditadura - inclusive, as de esquerda


16.
“O Regresso”, Alejandro González Iñárritu (2015)

Iñarritu apareceu para o mundo do cinema no seu México natal, mas em seguida foi absorvido pela indústria dos Estados Unidos. Entre erros e acertos, completou sua trilogia iniciada em “Amores Perros” com “21 Gramas” e “Babel”, derrapou no confuso “Biutiful” e conquistou o Oscar com o ousado “Birdman”. Mas foi na narrativa tradicional de "O Regresso", ao contar a história real de vingança do personagem Hugh Glass, num inóspito Oeste norte-americano do século 19, que o cineasta foi só acerto. Teve como aliados, bem verdade, Leonardo DiCaprio atuando e Ryuichi Sakamoto na trilha. E a cena do ataque do urso?! O que é aquilo?! Só ela, já valia.



17.
“Zona de Interesse”, Jonathan Glazer (2024)

Somente a abertura do filme, com quase 1 minuto de tela preta sobre um som tenso, insistente e inconclusivo, já demostra a personalidade deste impactante filme. Difícil, aliás, encontrar alguém que não guarde o impacto que o filme lhe causou ao mostrar com crueza a comparação entre desumanidade e a normalidade da vida de uma abastada família alemã vizinha do campo de concentração de Auschwitz. “Zona de Interesse” não tem, inclusive, muito enredo. E um roteiro de poucos acontecimentos, que se presta a evidenciar sem filtros a perversidade humana. Filme que encerra a linha de títulos pós-Segunda Guerra inaugurado simbolicamente em 1947 com “Alemanha Ano Zero”, de Roberto Rosselini. O Oscar de Melhor Filme Internacional era-lhe certo, como de fato foi.



18.
“Match Point”, Woody Allen (2024)

Woody Allen é como Paul McCartney ou Caetano Veloso na música: não precisa provar nada depois do que já realizou. O cineasta dos geniais “Manhattan”, “Hannah e suas Irmãs”, “Crimes e Pecados” e outros já deixou sua contribuição para a história do cinema há muito tempo. Mas ele entrou os anos 2000 produzindo. E bastante. Após um período um tanto oscilante em termos de qualidade, Allen vem com este filme surpreendente, que começa parecendo uma comédia romântica, vira um drama, passa a ser um policial, até tornar-se um suspense eletrizante. Há outros de Allen de até mais sucesso deste período, como “Vicky Cristina Barcelona”, “Para Roma com Amor” e o queridinho “Meia-Noite em Paris”, mas nenhum bate “Match Point”, um filme único em sua extensa filmografia.



19.
“Melancolia”, Lars Von Trier (2011)

Lars Von Trier surgiu na Dinamarca dos anos 80 com um cinema autoral, criou e passou pelo Dogma 95 nos anos 90, chegou a Hollywood nos anos 2000 e tornou-se uma lenda viva do cinema mundial. “Melancolia”, seu 22º longa, parece arrecadar todas essas experiências, mas de uma maneira ainda assim particular. Estão nele o cinema de arte dos primeiros filmes, a câmera na mão e a montagem naturalista do Dogma e a convocação de grandes astros (Kirsten Dunst, Kiefer Sutherland, Charlotte Gainsbourg). Mas mais do que isso: "Melancolia" tem uma narrativa absolutamente instigante em uma ficção científica que faz uma metáfora da insustentabilidade dos cansados padrões sociais. O que isso resulta? Em catástrofe. Questionamentos urgentes que os novos tempos de pós-verdade exigem.



20. “O Pântano”, Lucrecia Martel (2001)

O cinema argentino conta com vários outros cineastas talentosos. Porém, nenhum deles possui um estilo tão pessoal como o de Lucrécia Martel. Dona de um cinema de linhagem moderna carregado e perspicaz, ela vale-se da dificultação do olhar e da fragmentação narrativa para expressar sentimentos e angústias da sociedade contemporânea, adentrando nas profundezas de seus personagens. Exímio em expressar esse universo, “O Pântano” fala sobre duas famílias que, em meio a um verão infernal na cidade de La Cienaga, entram em conflito. Texturas, sensorialidades e densidade se homogeinizam para expor tensões interpessoais, que se encaminham fatalmente para o pior. Uma reflexão visceral sobre classe, natureza, sexualidade e política, e uma das mais aclamadas estreias de realização contemporâneas. Prémio para Melhor Primeira Obra no Festival de Cinema de Berlim.


21.
“Holy Spider”, Ali Abbasi (2022)

Asghar Farhadi, Jafar Panahi, Mohammad Rasoulof, Nafiseh Zare e Peivand Eghtesadi são todos realizadores iranianos com grandes obras e que mantêm o alto nível do cinema deste complicado país islâmico. Outro cineasta, Ali Abbasi, no entanto, foi quem produziu aquele que pode ser considerado o mais impressionante filme desta safra do século 21 no Irã. "Holy Spider" acompanha a aterrorizante história real do serial killer mais temido do Irã, "Spider Killer", que atuou entre os anos de 2000 e 2001, vitimando 16 prostitutas em nome de uma jornada "espiritual" de limpar a cidade da corrupção e imoralidade. Este thriller policial desvela uma série de padrões sociais muito arraigados na sociedade islâmica com os quais a jornalista Arezoo Rahimi precisa se deparar. O anseio pela mudança da condição da mulher vem novamente à tona como em diversos outros filmes iranianos. Porém, parece que algo está evoluindo – mesmo que ainda seja mais vontade que realidade. 



22.
“Encontros e Desencontros”, Sofia Coppola (2003)

Pode-se contar nos dedos os cineastas que, de largada, fizeram seu melhor filme. Nem Renoir, nem Pasolini, nem Ophuls, nem Wilder, nem Kubrick. Nem mesmo Francis Ford Coppola, pai de Sofia que, esta sim, conseguiu tal feito. “Encontros e Desencontros”, o apaixonante e originalíssimo romance passado numa Tóquio tão populosa quanto inóspita, é um marco do cinema feminino neste século. Referências a Ozu, a Tati, a Tarkowsky, a Wenders. Mas, principalmente, a própria Sofia, que formula um cinema com a sua cara: profundo, plástico e autoral. Um dos grandes vencedores do Globo de Ouro daquele ano, ganhou como Melhor Filme em Comédia ou Musical, Ator em Comédia ou Musical (Bill Murray) e Roteiro, categoria na qual foi também premiado no Oscar. Que debut!



23.
“Drive my Car”, Ryūsuke Hamaguchi (2021)

Contar bem uma história é a essência do cinema. Agora, contar bem uma história longa e cheia de detalhes e encadeamentos sem perder a fruição é digno de aplauso. É o que o cineasta Ryūsuke Hamaguchi fez ao adaptar para a tela o conto do renomado escritor japonês Haruki Murakami. Em suma, embora todos os minutos das praticamente 3 horas de duração de "Drive my Car" sejam totalmente aproveitáveis, o filme nada mais é do que a narração da história de duas pessoas solitárias que encontram coragem para enfrentar o seu passado. Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, não teve pra outros em 2022. O Japão, aliás, sempre tão essencial para o cinema, segue rendendo bons frutos. Filmes como “Assunto de Família”, “Pais e Filhos” e “Monster” bem podiam estar aqui também.



24.
“O Cavalo de Turim”, Béla Tarr e Ágnes Hranitzky (2011)

O velho fazendeiro Ohlsdorfer e sua filha dividem um cotidiano dominado pela monotonia. A realidade dos dois é observada pela vista da janela e as mudanças são raras. Enquanto isso, o cavalo da família se recusa a comer e a andar. O filme é uma recriação do que teria ocorrido com o animal após ter sido salvo da tortura pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche durante uma viagem a Turim, na Itália. Este "épico do nada" foi o canto-do-cisne do aclamado diretor húngaro Béla Tarr, que disse que o filme aborda “o peso da existência humana”. Takes longos, poucos diálogos, trilha econômica e plasticidade carregada e altamente poética, marcas que Tarr dividiu a direção em sua última obra com a esposa e constate colaboradora Ágnes Hranitzky. Prêmio FIPRESCI e do Grande Júri em Berlim.



25. “Ainda Estou Aqui”, Walter Salles Jr. (2024)

Muito se falou nos últimos meses do filme que, enfim, conquistou o tão almejado Oscar para o Brasil. Somente por isso, o longa de Walter Salles já garantiria seu posto entre os mais importantes deste quarto de século 21 ao recolocar a América do Sul no mapa mundial da indústria do cinema. Porém, "Ainda Estou Aqui" é mais do que somente sua simbologia. De um roteiro cirúrgico e atuações marcantes, principalmente da oscarizável Fernanda Torres, tem o poder de tocar o espectador e de saber contar com sensibilidade uma história real e tão universal, que trata, antes de tudo, sobre liberdade. Além do Oscar e do Globo de Ouro para Fernandinha, vários prêmios de fina estirpe assinalam isso, como Veneza, Goya e Miami.

E fechamos com Fernandinha, que fez história no cinema brasileiro (e latino-americano)
neste final de primeiro quarto de século 21

PS: Mesmo não incluídos na lista acima, merecem “menção honrosa” estes outros 25, pois são todos excelentes filmes, que bem podiam estar ali: 

“Pina” (Win Wenders, 2011)
“Senhores do Crime” (David Cronenberg, 2007)
“Assunto de Família” (Hirokazu Koreeda, 2018)
“Edifício Master” (Eduardo Coutinho, 2002)
“Três Anúncios para um Crime” (Martin McDonagh, 2017)
“Moonlight” (Barry Jenkins, 2016)
“Sangue Negro” (Paul Thomas Anderson, 2007)
“Infiltrado na Klan” (Spike Lee, 2018)
“Interestelar” (Christopher Nolan, 2017)
“Film Socialisme” (Jean-Luc Godard, 2009)
“Visages, Villages” (Agnès Varda e JR, 2018)
“O Clã” (Pablo Trapero, 2015)
“A Separação” (Asghar Farhadi, 2011)
“Gran Torino” (Clint Eastwood, 2008)
“Assassinos da Lua das Flores” (Martin Scorsese, 2023)
“O Lobo de Wall Street” (Scorsese, 2013)
“Cópia Fiel” (Abbas Kiarostami, 2010)
“Elefante” (Gus Van Sant, 2003)
“Ela” (Spike Jonze, 2013)
“Eu, Daniel Blake” (Ken Loach, 2016)
"Kill Bill - vol. 1” (Quentin Tarantino, 2003)
“Irreversível” (Gaspar Noé, 2002)
“Nomadland” (Chloé Zhao, 2020)
“Anatomia de uma Queda” (Justine Triet, 2023)
“Triângulo da Tristeza” (Ruben Östlund, 2022)


Daniel Rodrigues